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Imagens de 2009 que vão ficar registradas na memória

qua, 30/12/09
por gm marcelo |

O ano de 2009 teve momentos esportivos marcantes. Escolhemos dez imagens/fatos que vão ficar na memória de quem gosta de esporte. Belos momentos, como golaços, títulos e feitos. E outros tristes (briga, escândalo). Confira a nossa lista e dê a sua opinião no espaço de comentários: quais acontecimentos você acrescentaria na lista? O mais citado pelos amigos do blog foi incluído na relação: os ouros e recordes de César Cielo no ano.

Volta de Ronaldo

Poder ver de perto em campo o maior artilheiro da história das Copas é um privilégio para poucos. E a torcida do Corinthians teve uma honra ainda mais intensa: ver esse jogador com a camisa do seu clube. Depois de 15 anos atuando no exterior, Ronaldo voltou ao Brasil para defender o Timão. Teve um primeiro semestre de grandes momentos, como o golaço por cobertura no primeiro jogo da final do Paulista, contra o Santos, e as boas atuações na Copa do Brasil.

A obra-prima de Nilmar

Nilmar deixou o Internacional no meio do ano, indo atuar no Villareal (Espanha). Mas antes de se despedir da torcida colorada, o atacante deixou uma lembrança, para que sua passagem pelo clube não fosse esquecida: um golaço, em que enfileirou, em uma arrancada desde o meio-campo,  todos os jogadores do Corinthians que se colocaram em seu caminho. Uma obra-prima que merecia uma placa no Pacaembu.

O golaço de Diego Souza

Se o Palmeiras teve um ano decepcionante, não conquistando o Paulista, a Libertadores e um Campeonato Brasileiro que chegou liderar com folga, 2009 deixou uma lembrança positiva para a torcida alviverde: o golaço de Diego Souza no jogo contra o Atlético-MG, em 29 de novembro, no Palestra Itália. Um gol do meio-campo que será sempre incluído na galeria dos mais belos da história do futebol brasileiro.

Reação do Flu

O Fluminense não foi campeão em 2009. Mas a torcida tricolor teve motivo para festejar. A equipe empreendeu a mais incrível reação do Brasileirão de pontos corridos, conseguindo evitar um rebaixamento dado como certo por praticamente todos comentaristas e matemáticos.  Sem uma única derrota nas 11 últimas rodadas do Nacional (sete vitórias e quatro empates), o Tricolor se manteve na Série A. Um feito digno de ser comemorado por seus torcedores.

Briga no Couto Pereira

O ano do centenário foi terrível para a Coritiba. A equipe não conquistou um título sequer e ainda teve que amargar o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro. Mas o pior ocorreu após o apito final do jogo contra o Fluminense, que sacramentou a queda da equipe para a Segunda Divisão. Algumas dezenas de torcedores invadiram o gramado do Couto Pereira, provocando um dos piores conflitos já registrados no futebol brasileiro, com mais de 20 feridos.

Fla campeão

No mais disputado Campeonato Brasileiro de pontos corridos, quatro equipes chegaram à última rodada com chances de título (Flamengo, Inter, São Paulo e Palmeiras). E a taça acabou indo parar na Gávea, com o Flamengo voltando a ser campeão nacional depois de 17 anos. E na hora decisiva, a honra de marcar o gol do título não foi destinada a Petkovic ou Adriano, destaques do Fla na competição. O feito coube ao zagueiro Ronaldo Angelim, relembrando, 31 anos depois, o gol histórico de Rondinelli na final do Carioca de 78.

A mão de Henry

Erros de arbitragem no futebol foram frequentes em 2009. No Brasil e no mundo. Mas a falha mais grosseira ocorreu em 18 de novembro, no Stade de France. O árbitro sueco Martin Hansson disse não ter visto o atacante Henry ter ajeitado a bola – duas vezes – com a mão esquerda antes de cruzar para Gallas empatar o jogo contra o Eire em 1 a 1. O gol garantiu a classificação francesa para a Copa de 2010 e recolocou em discussão a necessidade de auxílio tecnológico para evitar erros tão flagrantes.

Acidente de Massa

Em 25 de agosto, os amantes da F-1 no Brasil e no mundo ficaram chocados com o acidente sofrido por Felipe Massa eu um treino classificatório para o GP da Hungria. Não um acidente normal das pistas, mas uma incrível fatalidade: uma mola se soltou do carro de Rubens Barrichello e atingiu em cheio o capacete de Massa. O brasileiro ficou dias em coma induzido, causando preocupação em todos. Mas se recuperou bem e está pronto para retornar ao automobilismo em 2010.

O escândalo Renault/Nelsinho Piquet

A imagem ocorreu em 2008, mas o seu verdadeiro significado só foi conhecido em 2009. O acidente proposital de Nelsinho Piquet no GP de Cingapura foi um dos maiores escâdalos da história do esporte, causando o banimento da F-1 de Flávio Briatore, todo-poderoso da escuderia Renault. Nelsinho não foi punido, mas o episódio deixou sua carreira seriamente ameaçada.

O fenômeno Bolt

Campeão olímpico em Pequim-2008, o jamaicano Usain Bolt provou em 2009 que é um fenômeno do atletismo. Com seu jeito descontraído, o corredor conquistou fãs ao redor do mundo ao bater os recordes mundiais dos 100m e 200m rasos no Mundial de Berlim, confirmando ser o homem mais rápido do planeta. Há limites para o “Raio”?

Ouros e recordes de Cielo

 

Em 2008, César Cielo surpreendeu a muitos ao ganhar um ouro e um bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Em 2009, o nadador brasileiro provou que veio para ficar, sendo campeão mundial nos 50m e 100m livre em Roma e estabelecendo novos recordes para as duas provas. Merecidamente, foi escolhido o melhor atleta brasileiro em eleição promovida pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

Futebol paulista deixa o G-2 do Campeonato Brasileiro após 17 anos

qui, 10/12/09
por gm marcelo |

A conquista do título brasileiro de 2009 quebrou um jejum de 17 anos do Flamengo, que havia vencido a competição pela última vez em 1992. E outro fato que não ocorria há 17 anos no Campeonato Nacional também foi verificado na edição encerrada no último dia 6. Pela primeira vez desde 1992, o futebol paulista ficou fora do ‘G-2′ do torneio.

Pesquisa feita pelo jornalista Bernardo Pombo, do excelente blog “Bola de Meia“, mostra que nos 16 Campeonatos Brasileiros disputados entre 1993 e 2008, o estado de São Paulo esteve representado na primeira ou na segunda colocação. Ou até nas duas posições.

Em 1992, a final foi carioca, com o Flamengo superando o Botafogo. A partir de então, clubes paulistas conquistaram dez títulos e nove vice-campeonatos.

No Brasileirão de 2009, o São Paulo foi o melhor colocado entre os paulistas, em terceiro lugar.

Veja a lista de campeões e vice brasileiros no período:

2009) 1 – Flamengo / 2 – Internacional
2008) 1 – São Paulo / 2 – Grêmio
2007) 1 – São Paulo / 2 – Santos
2006) 1 – São Paulo / 2 – Internacional
2005) 1 – Corinthians / 2 – Internacional
2004) 1 – Santos / 2 – Atlético-PR
2003) 1 – Cruzeiro / 2 – Santos
2002) 1 – Santos / 2 – Corinthians
2001) 1 – Atlético-PR / 2 – São Caetano
2000) 1 – Vasco / 2 – São Caetano
1999) 1 – Corinthians / 2 – Atlético-MG
1998) 1 – Corinthians / 2 – Cruzeiro
1997) 1 – Vasco / 2 – Palmeiras
1996) 1 – Grêmio / 2 – Portuguesa
1995) 1 – Botafogo / 2 – Santos
1994) 1 – Palmeiras / 2 – Corinthians
1993) 1 – Palmeiras / 2 – Vitória
1992) 1 – Flamengo / 2 – Botafogo

Corinthians já complicou a vida do Flamengo no Brasileiro. E vice-versa

qui, 26/11/09
por gm marcelo |

No domingo, Corinthians e Flamengo se enfrentam, no duelo dos clubes de maior torcida do país. A expectativa dos torcedores dos dois principais rivais do Timão – São Paulo e Palmeiras – é que o Alvinegro tire pontos do Rubro-Negro, ajudando o Tricolor Paulista e o Alviverde na luta pelo título brasileiro.

Se isso acontecer no domingo, em Campinas, não será a primeira vez que o Corinthians atrapalha a caminhada do Flamengo em Campeonatos Brasileiros. Em 1984, o Timão impediu que o Fla seguisse na briga por um terceiro título nacional consecutivo.

Nas quartas-de-final do Brasileirão daquele ano, os dois gigantes ficaram frente a frente em um mata-mata. Com dois verdadeiros esquadrões. Bicampeão paulista, o Corinthians possuía vários jogadores com passagem pela seleção: Sócrates, Casagrande, Wladimir, Carlos, Edson, Zenon. E mais Biro-Biro, ídolo da Fiel.

Bicampeão brasileiro, o Flamengo não contava mais com Zico, vendido no ano anterior para a Udinese. Mas apresentava um time de respeito, com Júnior, Leandro, Adílio, Fillol, Mozer e o jovem Bebeto.

Na partida de ida, em 29 de abril, no Maracanã, o Fla deu a impressão que avançaria na competição, derrotando o Corinthians por 2 a 0, gols de Élder e Bebeto. Assista aos gols no vídeo acima.

Futpédia: Clique e veja os detalhes da partida

Para o jogo de volta no Morumbi, em 6 de maio, o Fla podia até perder por um gol de diferença. Mas o Timão mostrou  força diante de sua torcida, goleando o Fla por 4 a 1, e garantindo a classificação para a semifinal, contra o Fluminense. O que gerou uma provocação aos torcedores rubro-negros no placar do estádio, que exibiu os horários dos voos de volta ao Rio. Relembre no primeiro vídeo.

Futpédia: confira a ficha da partida

Em 2007, foi o contrário: o Flamengo prejudicou a caminhada do Corinthians no Brasileirão. Na luta para escapar do rebaixamento, o Timão enfrentou o Fla no Maracanã, em jogo da 34ª rodada da competição. Na reta decisiva do Brasileirão, o time paulista saiu na frente, com um gol de Finazzi. Mas Ibson e Roger viraram o placar para o Flamengo, que venceu por 2 a 1. Um resultado que fez falta para o Alvinegro no final. E ajudou o clube carioca a se classificar par a Taça Libertadores.

Os dois clubes também se encontraram em uma fase eliminatória do Nacional em 1983, na terceira etapa, como integrantes do Grupo T, que contava também com Goiás e Guarani. Os dois confrontos terminaram em goleadas, uma para cada lado. Em 17 de abril, o Fla meteu 5 a 1 no Maracanã (assista aos gols no vídeo abaixo). E o Timão fez 4 a 1 no Morumbi em 1º de maio. Mas ficou fora do campeonato ao terminar em terceiro lugar na chave. Flamengo e Goiás avançaram na competição, que foi vencida pelo Rubro-Negro, derrotando o Santos na decisão.

Pais e filhos no futebol

dom, 09/08/09
por gm marcelo |

Muitos filhos de jogadores de futebol costumam lamentar a ausência dos pais durante grande parte da infância. A rotina de viagens e períodos de concentração reduz sensivelmente o período de convivência entre pais-atletas e a família. Mas no futebol, existem vários casos de “peixinhos” que decidiram seguir a carreira de seus ídolos paternos.

E na história do futebol, há exemplos de filhos que conseguiram repetir o sucesso de seus antepassados em campo. E até superar. Ou nem chegar perto.

O maior nome do futebol mundial deixou um seguidor nos gramados. Mas se Edson Arantes do Nascimento marcou 1.284 gols, Edson Cholbi do Nascimento, o Edinho, decidiu tentar impedir que a bola balançasse a rede. Com passagens pelo Santos (1990/91 e 94/98), Portuguesa Santista (92), São Caetano (93) e Ponte Preta (98), o goleiro sempre foi considerado um arqueiro mediano. Foi titular do Santos durante o Campeonato Brasileiro de 95, quando o time paulista foi vice-campeão nacional.

Assim como Edinho, Ademir da Guia e Djalminha decidiram ser jogadores de futebol em posições diferentes de seus pais. Mas foram reconhecidos como atletas de sucesso. Filho de Domingos da Guia, considerado um dos melhores zagueiros da história do futebol nacional, Ademir da Guia brilhou com a camisa 10 do Palmeiras durante 16 anos e é considerado por muitos palmeirenses com o melhor jogador da história do clube. É um dos três atletas homenageados com um busto na sede social do Alviverde (ao lado de Junqueira e Waldemar Fiúme).

Mas na seleção não obteve o mesmo sucesso do pai. Enquanto Domingos foi titular do Brasil na Copa de 38 e defendeu o país em 25 partidas, Ademir teve poucas chances com a camisa amarela. Atuou em apenas nove jogos pelo selecionado. Somente um de Copa – a disputa do terceiro lugar do Mundial de 74, contra a Polônia. Apesar do bom futebol, não foi relacionado para a Copa de 70.

Djalma Dias e Djalminha (ao lado) tiveram uma trajetória parecida na seleção. Zagueiro de estilo clássico, o pai defendeu o Brasil em 21 partidas, mas não foi convocado para as Copas de 66 e 70, apesar de ser um dos principais beques do país no período (foi campeão paulista pelo Palmeiras em 66 e 69). Foi titular com João Saldanha nas Eliminatórias, mas não foi lembrado por Zagallo. Já o filho perdeu a chance de disputar o Mundial de 2002 – e ser campeão mundial – por ter aplicado uma cabeçada em seu técnico no La Coruña, Javier Irureta, durante um treinamento. No dia da divulgação da lista de convocados para o Mundial, Luiz Felipe Scolari reconheceu que o caso tinha influenciado sua decisão de não chamar o meia. Em 98, também foi ficou fora da relação elaborada de Zagallo (como o pai 28 anos antes), apesar de ter integrado o time campeão da Copa América no ano anterior.

Há casos também de filhos que não apenas seguiram a carreira dos pais. Também atuaram na mesma posição. Caso do lateral Gabriel (ex-Fluminense e São Paulo), filho de Wladimir, ídolo do Corinthians nos anos 70 e 80. A diferença é que o primeiro atua pela direita.

E Alecsandro, hoje no Internacional, atacante com o pai, Lela, destaque do time do Coritiba que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1985. E a família tem outro jogador: o meia Richarlyson (São Paulo).

Muitos herdeiros de jogadores bem-sucedidos reclamam que sofrem com as comparações feitas com os pais. Filho mais novo de Zico, maior ídolo da história do Flamengo, Thiago Coimbra teve passagem rápida pelo clube e também não conseguiu se firmar em outras equipes, como Coritiba e Madureira.

Comparações não foram um problema para Paolo Maldini. Um exemplo de filho que conseguiu suplantar o pai. O meio-campista Cesare Maldini defendeu a Itália em duas Copas do Mundo (62 e 66) e foi capitão do Milan em 63, quando o clube italiano foi campeão europeu. Mas hoje é mais conhecido como “o pai de (Paolo) Maldini”, titular da seleção italiana em quatro Mundiais (90, 94, 98 e 2002), cinco vezes campeão da Liga dos Campeões da Europa (89, 90, 94, 2003 e 2007) e um dos maiores ídolos da história do Milan. E a família segue no futebol. Filho de Paolo, Christian, 13 anos, atua nas categorias de base do Rubro-Negro de Milão. Será que veremos a terceira geração de Maldinis no futebol?

Na Argentina, há o exemplo do clã Verón. Juan Ramón Verón, “La Bruja”, foi tricampeão da Libertadores (1968, 69 e 70) pelo Estudiantes de La Plata. Título que seu filho, Juan Sebastián Verón, “La Brujita”, conseguiu incluir em seu vitorioso currículo em julho, ao comandar o mesmo Estudiantes, com a mesma camisa vermelha e branca, ao título continental na decisão contra o Cruzeiro.

Lembra de outros casos de filhos que seguiram a carreira dos pais no futebol? Deixe seu recado na caixinha de comentários

Jogos na Memória: os orgulhos e as vergonhas dos corintianos

sex, 07/08/09
por bernardo ferreira |

Texto: Bernardo Ferreira

O GLOBOESPORTE.COM inaugura nesta sexta-feira uma série de matérias com dez jogos marcantes de cada um dos maiores clubes do país. Batizado de “Jogos na Memória”, o ranking é dividido em duas partes: as cinco partidas que orgulham qualquer torcedor e as cinco que mais causam vergonha.

A estreia é com o Corinthians, e você pode ler a matéria no site clicando aqui. Também haverá “Jogos na Memória” com Atlético-MG, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco.

Abaixo, estão os depoimentos de jogadores que participaram dos jogos do Corinthians. E para você: qual foi o jogo que lhe deu mais orgulho? E qual causou maior decepção? Deixe o seu recado no espaço dos comentários

OS ORGULHOS:

1º lugar: Fluminense 1 x 1 Corinthians, em 1976

Depoimento de Wladimir:

“Na hora, minha impressão era de que havia entre 50 e 60 mil corintianos no Maracanã. Mas sabemos que era mais do que isso. Não dá para dizer que eram todos paulistanos, porque havia flamenguista na parada. Devia ter cerca de 80 mil torcedores. Fiquei impressionado. Quando subi ao gramado, falei: ‘Estamos com o Maracanã dividido, não é possível’. Não vamos ver nada parecido, tenho certeza. Já havia 4 mil torcedores para nos receber no Hotel Nacional. E tinha palmeirense, são-paulino, santista… todos queriam demonstrar apoio. Mesmo assim, foi surpreendente na hora da partida. Não podia imaginar que haveria aquela multidão. Houve sintonia entre time e torcedores, que nos passaram energia completa. A chuva prejudicou o Fluminense, que acreditava que venceria no tempo normal. Percebi em cada semblante que era um dia especial na carreira de todos.”

2º lugar: Corinthians 2 x 2 Real Madrid, em 2000

Depoimento de Rincón:

“Esse foi o jogo da vontade. Estávamos cansados após o título brasileiro em cima do Atlético-MG, que exigiu muito do nosso time. Eu, por exemplo, me recuperei de uma lesão na última partida da final. Contra o Real Madrid, o campo no Morumbi estava molhado por causa da chuva. Houve uma série de coisas que mexeram com a gente, como a declaração do Karembeu de que não conhecia o Edílson. Mesmo que não conheça, não se fala isso. Mexeu com um companheiro, mexeu com o time todo. Prevaleceu a garra do Corinthians, que também explorou o que tinha de melhor: o toque de bola. Era um time páreo para qualquer adversário.  Acho que teríamos feito um papel melhor do que o Palmeiras se tivéssemos ido à final contra o Manchester (no fim de 1999).”

3º lugar: Corinthians 7 x 1 Santos, em 2005

Depoimento de Antônio Lopes:

“Foi a melhor atuação daquele Corinthians. Ali, eu e a comissão técnica tivemos convicção de que seríamos campeões brasileiros. O time vinha subindo de produção e teve uma exibição esplendorosa. Tinha uma dupla de ataque fenomenal, com Nilmar e Tevez, e jogava em velocidade. Possuía um poder ofensivo muito grande, por isso não sabia jogar atrás. Era quase perfeito. Quando fui contratado, minha preocupação foi acertar o sistema defensivo, porque o Corinthians sempre levava gol. Consegui, sem prejudicar o ataque. Antes do jogo contra o Santos, não imaginava que o placar poderia ser esse. Mas, quando começaram a sair os gols, achei que poderíamos conseguir uma marca histórica. E foi importante principalmente para os torcedores mais antigos, que viveram a era Pelé e sofreram com derrotas.”

4º lugar: São Paulo 2 x 3 Corinthians, em 1999

Depoimento de Rincón:

“Foi um jogo memorável. Não é que houvesse desconfiança da torcida do Corinthians, mas ela é muito exigente. O São Paulo vinha forte e era o time a ser vencido. Era considerado favorito, mas isso acaba quando os times entram em campo. Isso nos deu força, mexeu com o nosso ego. Cutucaram a onça com vara curta. Isso nos levou a colocar algo mais no jogo. Cada bola disputada era uma briga, porque havia essa lembrança. O Dida nos deixava tranquilos, e não apenas pelos pênaltis defendidos. Ele passava confiança.”

5º lugar: Corinthians 1 x 0 São Paulo, em 1990

Depoimento de Marcelo Djian (atualmente empresário de jogadores):

“O Corinthians não era um time de técnica apurada, mas se superou principalmente na parte física. Jogamos realmente com o coração contra Atlético-MG, Bahia e São Paulo. Geralmente, quem se classifica com dificuldade, como nós, acaba crescendo na hora certa. Conseguimos a vaga na última rodada, apesar da derrota por 3 a 0 para o Inter, porque o Goiás também havia perdido para a Portuguesa. Na final contra o São Paulo, cerca de 70% dos torcedores eram corintianos, até em virtude do resultado do primeiro jogo. Devia ter uns 90 mil corintianos. Meus pais estavam nas numeradas superiores do Morumbi e ficaram com medo depois do gol, porque o estádio tremia muito. Lembro disso até hoje. O jogo foi difícil, pois o São Paulo tinha um time qualificado. Aguentamos a pressão no primeiro tempo e tivemos um alívio com o gol de Tupãzinho no segundo. Ficamos concentrados praticamente um mês após a primeira fase, num esforço de reta final de campeonato. Com isso, nos protegemos da pressão externa. Eu encarava uma final pelo Corinthians como algo especial. Sabia que, se errasse, poderia encerrar a minha carreira no clube.”

AS VERGONHAS

1º lugar: Corinthians 1 x 3 River Plate, em 2006

Depoimento do volante Xavier (atualmente no Juventude):

“Na Argentina, eu havia entrado no segundo tempo, depois da expulsão do Mascherano, e marcado o segundo gol (na derrota por 3 a 2). Na véspera do jogo de volta, torcedores se reuniram com a equipe e cobraram o fato de que os outros grandes de São Paulo já tinham o título da Libertadores. Para mim, esse tipo de cobrança foi algo novo. Os jogadores mais jovens, mesmo os de qualidade, se sentiram coagidos. Não encararam aquilo como uma motivação extra, mas como uma ameaça. Os mais experientes não sentiram a pressão. Quando o River Plate empatou, numa infelicidade do Coelho, a torcida começou a protestar. E isso acabou com uma possível reação nossa. E olha que a vitória por 2 a 1 favorecia o Corinthians. Alguns jogadores perderam a concentração e ficaram temerosos do que poderia acontecer depois do jogo. A revolta da torcida veio muito cedo. Ainda era possível uma reviravolta. O Ademar Braga me substituiu pelo Roger quando o River empatou. Ficamos com apenas um volante, e em seguida vieram o segundo gol e o terceiro.”

2º lugar: Corinthians 0 x 1 Vasco, em 2007

Depoimento do zagueiro Fábio Ferreira (atualmente no Vitória):

“Foi um dos jogos em que tivemos a infelicidade de não marcar um gol. Os jogadores sabiam que a situação era difícil, então ficavam ansiosos. A torcida vinha fazendo a parte dela e encheu o estádio mais uma vez. Sabíamos da importância daquele jogo para o Corinthians. Depois do rebaixamento, alguns jogadores foram mandados embora do elenco. Eu era titular, havia construído essa condição e sofri uma desvalorização. O elenco era bom. Fez um excelente início de temporada, mas perdeu alguns jogadores. Tivemos azar em algumas partidas do Brasileiro. Empatamos jogos em que ganhávamos até o fim, ou perdemos quando merecíamos ganhar. No jogo contra o Vasco, o Corinthians esteve melhor e criou mais chances de gol, mas infelizmente a bola não entrou”

3º lugar: Palmeiras 1 x 0 Corinthians, em 1974

Depoimento de Wladimir:

“O Corinthians tinha cerca de 80% da arquibancada. Ninguém imaginava que perderíamos a final. Mas foi um equívoco ir para Águas de Lindóia depois de ganhar o primeiro turno, deixando um time misto para o returno. Saímos do clima de decisão. Estávamos no paraíso, em outro mundo. Ficamos sem competir e perdemos a vibração. Demonstramos apatia em campo por conta desse afastamento. O Palmeiras tinha um grande time, mas a nossa equipe também era muito boa. O resultado poderia ter sido outro se mantivéssemos o ritmo no segundo turno. O Rivellino era a estrela do time e esteve apático como os outros. Todos deveriam ter sido responsabilizados pela derrota, e não só ele. Ele preferia não ter deixado o clube, mas foi muito bom para ele. Só voltamos a nos falar quando o Corinthians enfrentou o Fluminense, e ele estava mordido. Foi o maior jogador que vi atuar no Corinthians. A torcida acabou sendo manipulada na época pela imprensa, que vendeu a ideia de que Rivellino não tinha funcionado na decisão”

4º lugar: São Paulo 5 x 1 Corinthians, em 2005

Depoimento do goleiro Tiago (atualmente no Vasco):

“A gente vinha de uma eliminação conturbada para o Figueirense na Copa do Brasil, numa disputa por pênaltis, e ainda teve a confusão com o Roger e o Passarella. Era um técnico que cobrava bastante e tinha um método de trabalho que agradava a alguns e desagradava a outros. Eu gostava dele. Ele queria que todos se dedicassem da mesma maneira no jogo e no treino. Não queria ninguém devagar, com preguiça. Durante a partida, alguns jogadores novos no clube se assustaram com as invasões de campo. Eu era do Corinthians e sei como a torcida é apaixonada. A explicação é a ânsia que existe no clube por um título da Libertadores, e nós havíamos sido eliminados da Copa do Brasil, que é o caminho mais rápido. A confusão maior foi no portão de acesso ao campo, mas a minha preocupação era não levar mais gols. A conversa entre os jogadores antes da partida foi normal, estavam todos concentrados. Mas nada deu certo, não foi um dia bom. Levamos um gol, corremos atrás do empate e levamos o segundo. Aí já era. O time poderia estar jogando até hoje, que não ia conseguir nada.”

5º lugar: Juventude 6 x 1 Corinthians, em 2003

Depoimento do meia Robert:

“Eu até joguei bem nessa partida. Não fui vaiado, nem pegaram no meu pé no desembarque do time. O time foi bem até os 30 minutos, depois a situação desandou. Naquela época, nosso time estava sendo desmontado. Quando eu cheguei do Japão, estavam no Corinthians: Fábio Luciano, Jorge Wagner, Kleber, Liédson… Era um timaço. O clube vendeu esses jogadores e promoveu vários garotos, que tinham qualidade, mas eram inexperientes. Havia dificuldade financeira, mas o salário não atrasava. Em compensação, também não chegavam contratações. Após o jogo, fiquei surpreso com a atitude do Geninho. Soube no vestiário que ele havia pedido demissão ao vivo na TV Globo. Foi inusitado, mas foi a consequência de um desabafo. Gosto muito dele. Perder de seis é complicado, foi feio. Mas pelo menos nos mantivemos na Primeira Divisão. Não tenho um rebaixamento na minha carreira.”

Timão ganha o tri da Copa do Brasil e abre vantagem sobre rivais paulistas

qui, 02/07/09
por gm marcelo |

A torcida do Corinthians tem motivos de sobra para comemorar. Com o título da Copa do Brasil conquistado na noite desta quarta-feira, o Timão abre vantagem no duelo particular com os rivais locais como o time paulista com maior número de títulos da competição nacional (três em 17 participações). O Palmeiras (14 presenças) ganhou o torneio em 1998. Santos (nove participações) e São Paulo (11) ainda não têm um troféu do torneio em seus currículos.

E o terceira conquista foi assegurada, como nas duas anteriores, na casa do adversário. O primeiro título corintiano de Copa do Brasil ocorreu em 1995. Com várias semelhanças em relação à conquista de 2009. O rival nas semifinais também foi o Vasco (eliminado com dois triunfos – 1 a 0 no Maracanã e um sonoro 5 a 0 no Pacaembu – com três gols de Viola). E a final foi contra um gaúcho: o Grêmio. 

Futpédia: clique e confira detalhes da Copa do Brasil de 1995

Na finalíssima disputada no Olímpico, o Timão formou com Ronaldo, André Santos, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Zé Elias, Bernardo, Souza e Marcelinho Carioca; Viola e Marques (Tupãzinho). O treinador campeão foi Eduardo Amorim.

Em 2002, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o Timão deixou Cruzeiro e São Paulo pelo caminho para chegar à decisão contra o surpreendente Brasiliense. O time do Distrito Federal eliminou o Fluminense nas quartas de final e o Atlético-MG nas semifinais. Mas na decisão, prevaleceu a força do Corinthians. Após vencer o Brasiliense por 2 a 1 no Morumbi, com dois gols de Deivid, o Alvinegro fez valer a vantagem do empate e garantiu o troféu com o 1 a 1 na Boca do Jacaré. Artilheiro do torneio, Deivid mais uma vez balançou a rede, marcando seu 13ª gol na Copa do Brasil-2002.

Futpédia: os números da Copa do Brasil de 2002

O time campeão (escalação da finalíssima): Dida, Rogério, Anderson, Fábio Luciano e Kléber; Vampeta (Fabinho), Fabrício e Ricardinho; Gil, Deivid e Leandro (Renato).

Em 2010, o Timão não poderá defender o seu título da Copa do Brasil. Mas isso não será motivo de tristeza para a Fiel. No ano do centenário, o clube lutará para realizar um grande desejo de sua imensa torcida: ganhar o título da Taça Libertadores.

E o que você achou da final da Copa do Brasil de 2009? Deixe o seu comentário no espaço abaixo

Colorado x Timão: relembre momentos marcantes desta rivalidade

ter, 16/06/09
por gm marcelo |

Amigos

Corinthians e Internacional começaram a decidir nesta quarta-feira a 21ª edição da Copa do Brasil. O confronto entre dois campeões estaduais de 2009 – invictos – revive um duelo que tem finais de Campeonato Brasileiro no currículo. Uma oficial. E outra, que se não foi a finalíssima, foi fundamental para a definição do campeão e para aumentar a rivalidade entre os dois clubes.

Em 1976, o Colorado contribuiu para ampliar o longo jejum de títulos importantes do Timão, iniciado em 1955. O Corinthians chegou à final do Brasileirão daquele ano embalado por ter eliminado a Máquina do Fluminense nas semifinais. No dia da histórica invasão da Fiel ao Maracanã (5 de dezembro). Mas uma semana depois, o Inter confirmou sua força e conquistou o bicampeonato nacional, vencendo o Alvinegro por 2 a 0 no Beira-Rio, gols de Dadá Maravilha e Valdomiro (relembre a decisão no vídeo acima).

Quase três décadas depois, em 19 de novembro de 2005, os dois clubes, separados por apenas três pontos, ficaram frente a frente no Pacaembu, em jogo válido pelo antepenúltima rodada do Nacional. Em uma espécie de final no sistema de pontos corridos, o Timão foi para o intervalo em vantagem, gol de Tevez aos 37 minutos. No segundo tempo, Rafael Sobis empatou logo aos três. Mas o lance que poderia ter mudado o rumo da competição ocorreu aos 28 minutos. Tinga foi lançado na área e atingido pelo goleiro Fábio Costa. O árbitro Márcio Resende de Freitas não apenas não apontou a marca da cal, como expulsou o meia colorado. O empate manteve a vantagem corintiana, que não se alterou nas duas rodadas finais (assista aos principais lances do jogo no vídeo acima) .

Até hoje, muitos colorados não engolem a perda daquele título. Além do erro de Márcio Resende, lembram dos jogos anulados pelo STJD devido ao escândalo que envolveu Edílson Pereira de Carvalho. Se as partidas não tivessem sido repetidas, o Inter, comandado por Muricy Ramalho, teria sido campeão brasileiro em 2005. Um título que o clube busca há 30 anos.

Futpédia: veja os números dos duelos entre Corinthians x Inter em Brasileiros e na Copa do Brasil

A rivalidade entre corintianos e colorados foi reforçada em 2007. Na última rodada, lutando desesperadamente para tentar escapar do rebaixamento, o Corinthians torcia para que o Inter arrancasse pelo menos um empate diante do Goiás no Serra Dourada. Mas o Alviverde goiano venceu por 2 a 1 e causou a queda do Timão para a Série B. Após o jogo contra o Grêmio (1 a 1), ainda no gramado do Olímpico, o goleiro Felipe disse que alguns jogadores do Inter “não mereciam vestir a camisa” do clube, insinuando corpo mole para prejudicar o time paulista.

E não será a primeira vez que os dois clubes disputam um mata-mata na Copa do Brasil. Em 1992, na caminhada rumo ao seu único título na história da competição, o Inter eliminou o Corinthians nas quartas-de-final. O Colorado praticamente garantiu a classificação no jogo de ida, aplicando uma sonora goleada no adversário no Pacaembu (4 a 0) – no vídeo acima. No Beira-Rio, um empate sem gols foi suficiente para o time gaúcho.

Mas um capítulo histórico deste confronto começou a ser escrito nesta quarta-feira. Assista aos lances da partida no vídeo abaixo. Quem será lembrado no futuro como o campeão da Copa do Brasil de 2009? O Inter marcará o seu centenário com mais um troféu? Ou o Corinthians vai garantir vaga na Taça Libertadores de 2010, quando completa 100 anos?

Qual a sua opinião sobre a decisão? Deixe o seu recado na caixinha de comentários

O primeiro gol de placa

ter, 12/05/09
por gm marcelo |

A obra-prima criada por Nilmar no domingo foi um verdadeiro gol de placa. Não há dúvidas. Mas como surgiu essa expressão no futebol? Foi mais um legado de Pelé ao esporte mais popular do país. Em 5 de março de 1961, com apenas 20 anos de idade, o campeão mundial foi ao Maracanã com o Santos para enfrentar o Fluminense, em jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Com 40 minutos do primeiro tempo, com o Peixe vencendo por 1 a 0, o camisa 10 pegou a bola na intermediária, “bem perto da área do goalkeeper Gilmar”, segundo relato da época do jornal “O Globo”. O Rei iniciou a arrancada fulminante em direção ao gol de Castilho, seu companheiro na seleção campeã na Suécia três anos antes. Pelo caminho ficaram Pinheiro, Clóvis, Jair Marinho, Altair. Diante do goleiro, Pelé tocou no canto direito, sem defesa.

Os torcedores do Fluminense, lógico, não ficaram felizes com o gol sofrido pelo Tricolor carioca. Mas não tiveram como deixar de reconhecer a obra de arte que tinham acabado de presenciar. E o estádio ouviu uma longa salva de palmas, interrompida apenas quando o Fluminense deu a nova saída. Mas quando o juiz Olten Ayres de Abreu apitou o fim do primeiro tempo, os aplausos voltaram a ecoar no gigante de concreto, só cessando quando Pelé desceu as escadas rumo ao vestiário, segundo relato de Odir Cunha no livro “O time dos sonhos”.

Hoje, existem apenas registros fotográficos do lance. Não há imagens em vídeo. Tanto que na produção do documentário “Pelé Eterno”, o diretor Anibal Massaini, após procurar exaustivamente por registros do lance, precisou fazer uma reconstituição.

Mas a obra-prima ficou registrada para sempre no Maracanã. Por iniciativa do então jornalista esportivo Joelmir Beting, o jornal paulista ”O Esporte” mandou fazer um placa para eternizar aquele momento mágico do futebol. “Neste campo, no dia 5-3-1961, Pelé marcou o tento mais bonito da história do Maracanã”, diz a placa, que hoje é uma das atrações do recém-inaugurado Centro de Memória do estádio mais famoso do Brasil (à esquerda na foto).

Depois do pioneiro, outros lindos gols foram homenageados com placas nos estádios. Na Vila Belmiro em que Pelé fez tantos gols, Marcelinho Carioca é lembrado pelo gol marcado pelo Corinthians em cima do Santos em 11 de fevereiro de 1996. O camisa 7 corintiano recebeu a bola na entrada da área, deu um chapéu em Ronaldo Marconato e tocou de primeira para a rede, vencendo o goleiro…Edinho. Ele mesmo: o filho do Rei.

E o que Pelé e ex-atacante Vivinho têm em comum? Os dois têm gols de placa nos currículos. Em 11 de setembro de 1988, o então ponta-direita do Vasco aplicou três lençóis seguidos em Capitão (Portuguesa) e colocou a bola na rede, marcando o primeiro gol do time carioca na vitória por 4 a 2, em jogo válido pelo Brasileirão. O lance gerou uma homenagem em São Januário.

E para você: quais os gols que mereciam ser eternizados com placas nos estádios? Abaixo alguns candidatos: Dener, passando por meio time da Inter de Limeira no Paulistão de 1991; Pita, em 85, pelo São Paulo, superando toda a defesa do Palmeiras; Ronaldo driblando de letra e encobrindo Fábio Costa no primeiro jogo da final do Paulista deste ano; e claro, Nilmar no domingo. E também não podemos esquecer dos marcados no exterior. Como o de Maradona contra a Inglaterra na Copa de 86 e o de Messi no Espanhol de 2007/08. Relembre os lances nos vídeos abaixo e dê sua opinião na caixinha de comentários.

Corinthians x Palmeiras: um derby com 92 anos de muita história

ter, 05/05/09
por gm marcelo |

Texto: Eduardo Mello

Corinthians e Palmeiras mantêm uma das mais antigas rivalidades do futebol brasileiro. O Derby foi disputado pela primeira vez há 92 anos. Em 6 de maio de 1917, o Palestra Itália (atuando com as cores da bandeira italiana – verde, branco e vermelho) venceu o confronto inaugural por 3 a 0. Caetano marcou os três gols do jogo, válido pelo Campeonato Paulista.

Três meses depois, um novo embate e mais uma vez o Palestra levou a melhor, agora por 3 a 1. Caetano, Ministro e Severino fizeram os gols alviverdes, e Neco marcou o tento solitário do Timão, ainda pelo Paulista de 1917.

A rivalidade entre as torcidas dos clubes começou a surgir antes da terceira partida. Os atletas do Corinthians almoçavam em uma pensão na tarde do dia 17 de março de 1918, quando, diz a lenda, que os jogadores do Palestra Itália jogaram um osso de boi com a inscrição “O Corinthians é canja de galinha para o Palestra” sobre os atletas alvinegros. Isso mexeu com os brios da equipe corintiana, o que a fez lutar muito durante o jogo, que terminou empatado por 3 a 3 (Heitor marcou todos os gols dos palestrinos e Neco (2) e Bororó fizeram para os alvinegros). O osso se tornou um símbolo de garra do time na época e está guardado na sede do clube até os dias de hoje.

Futpédia: Confira a relação de jogos entre Corinthians x Palmeiras em Paulistas e Brasileiros

A primeira vitória do Corinthians aconteceu na sexta partida entre os dois times, disputada em 3 de maio de 1919. O Alvinegro venceu por 3 a 0 no estádio da Floresta, gols de Américo, Garcia e Roverso.


 
Tabu
 
O maior tabu da história do clássico ocorreu no ínício dos anos 30. De 4 de maio de 1930 a 5 de agosto de 1934, o Palmeiras obteve 11 vitórias e um empate diante do rival. A maior goleada do clássico aconteceu neste período: Palmeiras 8 a 0, em 5 de novembro de 1933, em partida válida por duas competições (Campeonato Paulista e Torneio Rio-São Paulo). Titular do Brasil na Copa de 38, Romeu Pellicciari marcou quatro vezes, Imparato, três, com Gabardo completando o placar. A equipe do Palestra foi comandada por Humberto Cabeli e formou com Nascimento, Carnera e Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu Pellicciari, Lara e Imparato. A farra palestrina acabou no 30 de setembro de 1934 com uma vitória corintiana por 2 a 0 (gols de Zuza).


 
Primeira final
 
A primeira decisão entre os dois clubes ocorreu em 9 de maio de 1937. E o Palestra confirmou seu predomínio na década. Após dois empates por 0 a 0 no Palestra Itália e no Parque São Jorge, a última partida foi marcada para o estádio dos palestrinos. Luizinho e Moacyr garantiram o placar de 2 a 1 (Filó descontou para o alvinegro), e o Palestra conquistou o Campeonato Paulista de 1936.

Em 25 de abril de 1948, o Palmeiras goleou novamente o Corinthians. Jogando no Pacambu, o Verdão venceu por 6 a 0, com gols de Bóvio (dois), Osvaldinho, Canhotinho, Artur e Lula. A maior goleada do Corinthians aconteceu em 27 de agosto de 1952, também no Pacaembu. Carbone marcou quatro vezes nos 5 a 1 (Cláudio para o alvinegro e Odair para o alviverde completaram o placar).

Apenas cinco meses depois, em 18 de janeiro de 1953, o Pacaembu presenciou um dos melhores jogos da história do clássico. Pelo Campeonato Paulista, o Corinthians venceu o Palmeiras por 6 a 4 em um jogo empolgante e cheio de viradas. Cláudio (3), Baltazar (2) e Carbone marcaram os gols alvinegros. Odair (2), Rodrigues e Liminha descontaram para os alviverdes.


 
Timão, campeão do centenário

No ano seguinte, os gigantes ficaram novamente frente a frente no Pacaembu, em jogo que decidia o título paulista de 1954. E o Corinthians ficou com a histórica taça do IV Centenário de São Paulo com um empate por 1 a 1, em um estádio lotado no dia 6 de fevereiro de 1955. Luisinho para o Timão, e Nei para o Verdão marcaram os gols da partida. Uma curiosidade do jogo é que a equipe comandada por Aymoré Moreira perdeu o título vestindo azul (uniforme que homenageava a seleção Italiana). O alvinegro foi campeão sob o comando de Oswaldo Brandão, que mandou a campo o time com Gilmar, Homero e Alan; Idário, Goiano e Roberto; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Simão.

Vinte anos depois, a festa foi dos palmeirenses. Com a vitória por 1 a 0 na decisão do Paulista de 74, o Verdão fez o maior adversário completar 21 anos sem conquistas estaduais. Após o gol de Ronaldo, em 22 de dezembro de 1974, o Morumbi foi invadido pelo grito “Zunzunzum, é 21!”.

Em 1º de agosto de 1982, o Corinthians iguala seu maior triunfo no derby e, novamente, venceu o rival por 5 a 1, desta vez pelo Campeonato Paulista. O destaque da partida foi o corintiano Casagrande, que deixou sua marca três vezes. Sócrates e Biro-Biro fazendo os outros gols alvinegros.  Jorginho descontou para os alviverdes. (Confira no primeiro vídeo).

Outro jogo marcante ocorreu em 1993. Após perder o primeiro jogo da decisão por 1 a 0, com o famoso gol de Viola imitando um porco, o Palmeiras voltou a comemorar um título em São Paulo ao bater o Timão por 4 a 0, incluindo a prorrogação (segundo vídeo). A última conquista havia sido em 1976.

Dois anos depois, o Timão deu o troco, vencendo o rival na decisão, com um golaço de falta de Marcelinho Carioca (terceiro vídeo). E em 1999, o Corinthians ganhou o Paulista em cima do adversário alviverde. No duelo que ficou marcado pela confusão após as embaixadinhas de Edilson. Mas no mesmo ano, foi eliminado da Libertadores pelo grande rival (quarto e quinto vídeos). Na disputa de pênaltis, Marcos pegou um pênalti cobrado por Vampeta. E o goleiro repetiu a dose no ano seguinte, agarrando um cobrança de Marcelinho.

No último confronto, em 8 de março, empate por 1 a 1. Em mais um jogo marcante, com o gol de Ronaldo nos acréscimos. O primeiro do Fenômeno com a camisa do Corinthians (sexto vídeo).

Estatísticas:

329 partidas
119 vitórias do Palmeiras
112 vitórias do Corinthians
98 empates
Gols do Palmeiras: 483
Gols do Corinthians: 442
 
Artilheiros:

Cláudio (Corinthians): 21 gols
Heitor (Palmeiras): 14 gols
Jogador que mais atuou: Ademir da Guia (Palmeiras): 57 partidas

E para você? Qual o seu Corinthians x Palmeiras marcante? Diga na caixinha de comentários

Santos x Corinthians: um grande jogo

sex, 24/04/09
por gm marcelo |

Qual o clássico mais antigo do futebol de São Paulo? Uma dica: é o duelo que vai decidir o título paulista deste ano. Sim. Corinthians e Santos ficaram frente a frente pela primeira vez em 22 de julho de 1913. E 96 anos depois, vão protagonizar mais um capítulo marcante da história do clássico alvinegro. Os detalhes do confronto estão registrados nas páginas do livro “O grande jogo – o maior duelo alvinegro do futebol contado por dois historiadores fanáticos”. Os dois são os jornalistas Odir Cunha e Celso Unzelte.

A dupla de pesquisadores não esconde sua paixão por um dos lados. O alvinegro praiano Odir reconhece que “é mais gostoso, para os santistas, ganhar do Corinthians”. Celso afirma que “só as vezes que o Corinthians eliminou o Santos em semifinais (nos Paulistas de 87 e 2001 e no Brasileiro de 98) compensam a falta de vitórias nas finais propriamente ditas” entre os dois clubes.

O blog Memória Esporte Clube conversou com os dois jornalistas. Confira o papo:

- Pelo lado do Santos/Corinthians, existe alguma particularidade ou característica marcante em relação ao clássico contra o rival de domingo em comparação com os duelos contra Palmeiras e São Paulo?

Odir: O Santos se motiva mais quando enfrenta o Corinthians. Como é o time que tem mais espaço na mídia, ganhar do Corinthians dá mais repercussão. É mais gostoso, para os santistas, ganhar do Corinthians.

Celso: A grande particularidade é que contra o Santos, a superioridade corintiana é muito maior. Foi maior antes do Pelé e continuou sendo depois que ele parou. A Era Pelé pode ser considerada uma exceção dentro da história do clássico. 

- Qual (is) o (s) duelo (s) entre os dois times que você consideraria o (s) mais marcante (s)?

Odir: Acho que a final do Brasileiro de 2002, com a pedalada do Robinho e a virada para 3 a 2, com o gol do Léo no último segundo. Este é um jogo épico, talvez a final mais emocionante de um Campeonato Brasileiro (melhores momentos no vídeo abaixo). Mas o Santos teve outras vitórias marcantes sobre o Corinthians. O primeiro título estadual santista foi conquistado em pleno Parque São Jorge em 1935 (2 a 0).

Celso: Sem dúvida, a quebra do tabu de mais de dez anos e 22 jogos sem vitórias do Corinthians em jogos pelo Campeonato Paulista, na noite de 6 de março de 1968, 2 a 0, gols de Flávio e Paulo Borges (no vídeo abaixo). Um jogo de primeiro turno que valeu por um título.

- Você poderia destacar algum dado estatístico sobre o clássico que lhe chamou a atenção na pesquisa para a produção do livro?
 
Odir: No início, o Santos passou seis anos sem perder para o Corinthians (de 1913 a 19) e agora ele tem um grande saldo sobre o rival nos últimos dez anos. Ou seja: nas duas pontas da história a vantagem é santista, apesar de, no total, o saldo corintiano ser bem maior.

Celso: O fato de Pelé ter marcado 51 gols em 50 jogos contra o Corinthians. Trata-se do recorde sul-americano de gols de um mesmo jogador contra um mesmo clube. Talvez até um recorde mundial.

- O Corinthians foi o time que mais sofreu gols de Pelé. Mas você poderia citar outros jogadores do Santos/Corinthians que marcaram seus nomes na história do duelo?
 
Odir: Robinho, Feitiço, Coutinho, Araken. Não dá para contar a história do clássico sem falar desses goleadores santistas.

Celso: Teleco, o “Rei das Viradas”. Ele fez 22 gols no Santos em 21 clássicos, a mesma proporção do Pelé. Era centroavante, jogou no Corinthians de 1934 a 44 e antes de encerrar a carreira, quem diria, jogou no próprio Santos.

- O Santos foi uma pedra no sapato do Corinthians durante muitos anos. E como você definiria o Corinthians em relação ao Santos? Poderia se dizer que uma vitória sobre o Corinthians tem mais sabor para o torcedor santista do que sobre Palmeiras e São Paulo?
 
Odir: Como eu já disse, vencer o Corinthians é a sensação mais parecida com o orgasmo para o santista. Você passa a semana inteira ouvindo e lendo que o Corinthians é favorito, e depois do jogo fica lendo e ouvindo as desculpas pela derrota do grande co-irmão da capital. O enredo tem sido sempre o mesmo nos últimos anos. (no vídeo abaixo, a final do Paulista de 84)

- Poderia se dizer que o Santos é uma pedra no sapato do Corinthians, devido ao longo jejum nos anos 50/60 e ao fato do Timão nunca ter vencido o rival em uma decisão?

Celso: Quanto à Era Pelé, sem dúvida: o Santos foi, sim, uma pedra no sapato. Quanto às decisões, elas foram muito poucas (no Paulista deu Corinthians em 1930, Santos em 1935 e 1984). E finais, mesmo, em dois jogos eliminatórios, só uma, a do Brasileiro de 2002, que o Santos ganhou. Além disso, só as vezes que o Corinthians eliminou o Santos em semifinais (Paulista de 87 com goleada de 5 a 1, Paulista de 2001 com gol nos últimos segundos (assista ao vídeo abaixo), Brasileiro de 98 antes de ganhar o título do Cruzeiro) já compensam essa falta de vitórias nas finais propriamente ditas.

E para você: qual foi o seu Santos x Corinthians inesquecível? Responda na caixinha de comentários

Futpédia: confira os duelos entre Corinthians e Santos em Campeonatos Paulistas e Brasileiros



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