O ano de 2009 vai ficar marcado na história do Coritiba. Mas não da forma que diretoria e torcida coxa-branca esperavam. O clube se preparou para comemorar os 100 anos, programando uma série de eventos. Mas em campo, o time não correspondeu. E o centenário acabou marcado pelo rebaixamento para a Série B e pelas cenas lamentáveis de violência no Couto Pereira após o empate com o Fluminense. E terminou com a perda de 30 mandos de campo e a pesada multa de R$ 610 mil.
O clube não conseguiu comemorar conquistas em uma temporada tão especial. No Estadual, o clube teve que se contentar com a terceira colocação, atrás de Atlético-PR e J. Malucelli. A campanha na Copa Brasil foi boa. O time chegou à fase semifinal, mas foi desclassificado pelo Internacional no saldo de gols.
Mas a queda para a Série B tornou o centenário do Coritiba o pior dos principais clubes brasileiros que já completaram 100 anos.
Confira o desempenho de alguns clubes nos anos em que fizeram 100 anos:
Flamengo – 1995
Sob a presidência de Kléber Leite, o clube investiu bastante para tentar marcar positivamente o ano de centenário rubro-negro. Edmundo foi a principal contratação, para formar o ‘melhor ataque do mundo’ com Romário e Sávio. Mas os resultados foram escassos. O Flamengo começou bem o Carioca, vencendo a Taça Guanabara, mas perdeu a final do Estadual para o Fluminense, com o famoso gol de barriga de Renato Gaúcho.
No Campeonato Brasileiro, terminou em um modestíssimo 21º lugar geral. E sob o comando do jornalista Washington Rodrigues, chegou à decisão da Supercopa da Libertadores, mas perdeu a taça para o Independiente (Argentina).
Vasco – 1998
Dos principais clubes brasileiros, o Vasco é o que registrou um centenário mais vitorioso. O time foi campeão carioca, vencendo a Taça Guanabara e a Taça Rio (esta foi marcada por uma série de WOs). E chegou ao título da Libertadores, superando o River Plate na semifinal e o Barcelona de Guiaquil na decisão.
No segundo semestre, o Brasileiro ficou em segundo plano diante da disputa do Mundial Interclubes. Mas o ano não terminou alegre para a torcida vascaína, com a derrota para o Real Madrid no Japão.
Fluminense – 2002
Mais antigo dos grandes clubes do Rio de Janeiro a praticar o futebol, o Fluminense conseguiu incluir em seu currículo o título estadual no ano em que completou 100 anos. Mas o Carioca de 2002 foi tremendamente esvaziado, devido à realização do Rio-São Paulo no primeiro semestre e pela Copa do Mundo. O torneio ganhou o apelido de “Caixão”, com a presença de times reservas. Mas o Fluminense não abriu mão de conquistá-lo, batendo o Americano na decisão.
No Brasileiro, o Tricolor foi bem, chegando às semifinais do torneio, caindo diante do Corinthians.
Grêmio – 2003
A torcida gremista festejou o centenário do clube em 2003, mas, em campo, o time não deu motivos para alegria. No Campeonato Gaúcho, a equipe foi mal, não se classificando para a fase semifinal. E ainda viu o grande rival Internacional levantar o caneco. No primeiro semestre, a prioridade foi dada à disputa da Libertadores. Mas o Tricolor foi eliminado pelo Independiente Medellín (Colômbia) nas quartas-de-final.
O time também não foi bem no Brasileirão, terminando em 20º lugar em um campeonato com 24 clubes.
Botafogo – 2004
O centenário do Botafogo não foi marcado por conquistas para o clube da Estrela Solitária. No Estadual, a equipe ficou distante do título, não se classificando nem para as semifinais da Taça Guanabara e Taça Rio.
E o ano poderia ter sido até pior. O Alvinegro carioca somente conseguiu escapar do rebaixamento para a Série B na última rodada do Brasileiro, ao arrancar um empate diante do vice-campeão Atlético-PR na Arena da Baixada.
Atlético-MG – 2008
A torcida do Galo não teve muitos motivos para comemoração nos 100 anos do clube mineiro. No Estadual, a equipe chegou à decisão, mas viu a taça ir parar na Toca da Raposa. Pior: no primeiro jogo, o Cruzeiro fez 5 a 0.
Na Copa do Brasil, a equipe parou nas quartas-de-final, eliminada pelo Botafogo. No Nacional, a equipe ficou em um modesto 12ª lugar.
Inter – 2009
O ano 100 do Inter começou bem, com a conquista do Gaúcho. Mas a torcida colorada ficou com o gosto de “quero mais”. O clube chegou à decisão da Copa do Brasil, mas perdeu o caneco para o Corinthians. Na final da Recopa Sul-Americana, derrota para a LDU. E o Colorado ficou perto do título brasileiro, mas também teve que se contentar com a segunda colocação, dois pontos atrás do Flamengo.
Confira a seguir os Jogos na Memória desta semana, com o Atlético-MG. Os momentos marcantes são lembrados por jogadores como Guilherme, Robert, Euller, Marcelo Djian, Sérgio Araújo…
Sentiu falta de alguma partida? E, na sua opinião, quais jogos são motivo de orgulho e de vergonha para os atleticanos? Mande o recado nos comentários.
OS ORGULHOS
1º lugar: Botafogo 0 x 1 Atlético-MG, em 1971
Depoimento de Humberto Ramos:
“O Atlético mescalava jovens, como eu, e jogadores experientes. Tinha dois zagueiros muito bons, o Grapete e o Vantuir, eu e Vanderlei no meio-campo, e no ataque o artilheiro do campeonato, o Dadá. E tinha no comando o Telê Santana, que gostava de um time que jogasse para frente e era avesso a violência e indisciplina. Nunca mandou pegar um adversário. Por isso, ganhamos naquele ano o Troféu Disciplina. Palmeiras, Cruzeiro, Santos e Inter eram mais virtuosos do que o Atlético-MG. No triangular, o São Paulo era o favorito, sem dúvida. Ganhamos deles no Mineirão, com uma defesa milagrosa do Renato. Foi ali que passei a acreditar no título. O Botafogo via como remota a possibilidade de título, porque era muito difícil nos vencer por seis gols. Eles tentariam ganhar de qualquer jeito, e se isso acontecesse o São Paulo seria campeão. Mas o maior motivador para o Botafogo foi o dinheiro prometido pelo São Paulo. O Gérson havia conversado sobre isso com o Jairzinho, que comentou com o Oldair em campo. Mas não podíamos deixar escapar o título. Não teve orientação especial do Telê para esse jogo. Atuamos como sempre fazíamos, qualquer que fosse o adversário. Quando marcamos o gol, me ajoelhei no gramado porque tinha visto o Petráš, da Tchecoslováquia, fazer isso na Copa do Mundo. E fiquei sensibilizado quando vi, achei um gesto bonito. Por isso me ajoelhei para agradecer a Deus. Com aquele gol, matamos o Botafogo. Eu ainda tive chance de fazer o segundo gol, mas perdi por excesso de preciosismo.”
2º lugar: Atlético-MG 3 x 2 Cruzeiro, em 1999
Depoimento de Robert:
“O Cruzeiro tinha teoricamente um time melhor e era mais badalado. Nosso time foi feito naquele ano e se deu muito bem: conquistou dois títulos mineiros, chegou á final do Brasileiro contra o Corinthians e ganhou um torneio no Vietnã. Era um time com garra e muito bem montado, com jogadores certos no momento certo. A imprensa, de um modo geral, dava como certa a nossa derrota, mesmo que já tivéssemos eliminado o Cruzeiro no Estadual. Eles estavam de salto alto, pelo momento que viviam e pelos jogadores que tinham. O Levir reclamou, após a primeira fase, que havia perdido a vantagem por ter se classificado em segundo lugar, já que os dois jogos seriam no Mineirão. Essa declaração deu moral ao Atlético. Pensamos: ‘Eles estão temerosos, estão nos respeitando. Se ele está falando isso, é porque temos qualidade’. Conseguimos a classificação na raça e eliminamos o Cruzeiro. Foi muito bom”
3º lugar: Atlético-MG 4 x 0 Cruzeiro, em 2007
Depoimento de Danilinho (atualmente no Jaguares-MEX):
“Quando enfrentamos o Cruzeiro na primeira fase precisávamos do resultado para conseguir a classificação, por isso fizemos 3 a 1. Naquele momento foi mais na base da vontade, mas sabíamos que tínhamos qualidade, mesmo com o Cruzeiro fazendo melhor campanha. O Atlético tinha um time rápido, com a dupla de ataque formada por mim e Éder Luís, e com o Marcinho armando as jogadas. Era comum atuarmos atrás do meio-campo e explorarmos os contra-ataques. No primeiro tempo, criamos muitas chances. Em algumas situações, você se pergunta: ‘Será que a bola não vai entrar?’. Mas estávamos confiantes, principalmente depois que o Gladstone foi expulso. Era importante manter a tranquilidade para o segundo tempo. No vestiário, o Levir pediu para mantermos a pegada. Não podíamos deixar a vitória escapar com um jogador a mais. Marcamos o primeiro gol cedo, numa jogada em que o Bilu roubou a bola, me lançou na ponta e eu cruzei para o Éder Luís. O Bilu roubava muitas bolas e tinha um bom passe. Foi um dos melhores em campo. Depois tivemos chances com o Galvão e o Eder Luis, mas não nos desesperamos. Já tínhamos a vantagem. No fim fomos premiados com três gols. O segundo foi o mais marcante da minha carreira, por tudo o que fiz no Atlético e por ter sido num clássico contra o Cruzeiro. Depois que fizemos 3 a 0, imaginamos que bateria o desespero no Cruzeiro. Estávamos tão concentrados, que eu e Vanderlei fomos para o abafa na saída de bola. Ele roubou a bola e viu o Fábio de costas. Com 4 a 0, a final já estava resolvida, por mais que houvesse o jogo de volta.”
4º lugar: Inter 0 x 3 Atlético-MG, em 1980
Depoimento de Palhinha (atualmente comentarista):
“O Atlético vinha com uma turma boa, e nesse ano chegamos eu, Chicão e Éder. Eu e Chicão fomos contratados para dar mais experiência ao time, que era muito novo. Passamos a ter essa mistura, além de conciliar técnica e força, que era uma das nossas grandes virtudes. Era um time vencedor. Naquele ano ganhamos mais com bichos do que com nossos ordenados. Na sua fase boa, o Atlético teve dois times que marcaram: o de 1977, quando subiram jogadores como Reinaldo e Marcelo, e o de 1980. O Inter tinha um estilo parecido ao do Atlético: marcava bem, tinha força física e jogava de forma bem ofensiva. Sabíamos que seria um jogo difícil, pois o Inter viria para cima. Então, nos armamos para atuar no contra-ataque. O Atlético fez uma grande partida, tanto é que eliminou o Inter – que vinha com uma grande campanha – da maneira que foi. Naquele campeonato, Atlético, Inter e Flamengo estavam em grande fase. Infelizmente, fomos prejudicados pelo árbitro na final contra o Flamengo, no Rio.”
5º lugar: Corinthians 0 x 4 Atlético-MG, em 1999
Depoimento de Guilherme:
“Tínhamos um time equilibrado, com o Gallo e o Valdir Benedito atrás, além do Velloso no gol. O ataque se saiu bem. O Marques estava numa fase espetacular, voando baixo e caindo pelos dois lados do campo, e eu tive um ano inesquecível como finalizador. Jogamos muito naquela partida. É verdade que havia uma diferença de disposição entre o Atlético e o Corinthians, mas não dá para tirar os méritos do nosso time. Além disso, o Corinthians tinha o Cruzeiro no encalço e brigava pelo primeiro lugar. O Corinthians tinha o melhor time da competição, mas o Atlético fez o jogo ficar fácil. O nosso time sempre jogava para frente, não tinha jeito. Todos diziam que o Atlético éramos só eu e Marques, mas ninguém conseguia nos marcar. Jogávamos num 4-4-2 clássico, difícil de se ver hoje. O time nem era tão espetacular, e havia outros melhores. Mas chegou à final pela vontade, pelo comprometimento entre os jogadores. No mata-mata, não teve para ninguém. O Darío Pereyra saiu depois, por problemas com a diretoria, e entrou o Humberto Ramos. Mas aquele time iria andar com qualquer um no comando. Foi o ano em que o Atlético começou a se estruturar, até se transformar no que é hoje. Até então, não havia nada. Tínhamos que viajar para treinar, por exemplo.”
AS VERGONHAS:
1º lugar: Atlético-MG 0 x 5 Cruzeiro, em 2008
Depoimento de Juninho (atualmente no Juventude):
“Havia expectativa nem tanto pelo centenário, mas porque em 2007 o Atlético havia conquistado o Mineiro e terminado bem o Brasileirão. A massa atleticana ficou esperando um presente no início do ano. O time começou bem no jogo, mas facilitou para o Cruzeiro. Era o jogo mais importante do ano, pois decidiria um título no centenário e nos daria mais tranquilidade para o resto da temporada. Foi o que aconteceu neste ano com o Inter, que ganhou o Gaúcho e agora pode trabalhar com calma. Tínhamos jogadores experientes no Atlético, como Petkovic, Souza e Marques, mas nem assim foi suficiente para ajudar os mais novos. Toda equipe precisa ter uma defesa forte para dar confiança ao ataque. E era assim como o Atlético, pois o Geninho treinava muito os goleiros e os homens de defesa. Para aquele jogo, tivemos problemas de contusão, o que atrapalhou. Levamos gols em erros individuais e coletivos. Era preciso ter alguém para impedir a cabeçada no primeiro gol (de Marcelo Moreno), e deveríamos ter matado o contra-ataque na jogada do segundo gol. Depois, o time perdeu a cabeça e quis resolver, indo para a frente. No intervalo, perdendo por 3 a 0, partimos para o tudo ou nada. Perdido por três, perdido por cinco. O Geninho trocou os dois laterais, mantendo o esquema no 4-4-2, mas atacaríamos como num 3-5-2. Ficamos mais ofensivos, mas aumentou a responsabilidade dos zagueiros, que teriam de cobrir as laterais. Naquele dia nada deu certo. Quem está realmente concentrado na partida não percebe a torcida deixando o estádio. Mas às vezes bate um desânimo e você olha em volta, principalmente no caso do Atlético, que tem sua força não apenas dentro de campo. Quando chegaram os momentos finais, depois de tentar tantas vezes e a bola não entrar, você acaba torcendo para o jogo terminar logo. Não adiantava tentar, porque não estava dando certo. Outros jogadores pensaram da mesma maneira. Podia acontecer para qualquer um dos lados, mas infelizmente aconteceu com o nosso”
2º lugar: Rosario Central 4 x 0 Atlético-MG, em 1995
Depoimento de Euller (atualmente no América-MG):
“O que eu lembro desse jogo é foguete, bagunça, foguete, bagunça… Os torcedores do Rosario invadiram o campo e partiram para cima da gente depois da partida mesmo ganhando. Imagina se tivessem perdido… Eu levei duas coronhadas nas costas, arrancaram a minha camisa e quase tiraram o meu short. A maioria dos jogadores chegou pelada e machucada ao vestiário. E ainda soltaram foguetes dentro do vestiário, ficamos acuados. São coisas que acontecem na Argentina, principalmente em Rosário. Antes do jogo, soltaram foguetes no hotel durante a madrugada. Aí chegou a polícia e fez mais barulho ainda. A caminho do estádio, bateram no nosso ônibus com pedras e bombas. Durante o jogo, tivemos chances para marcar, mas o Rosario foi agressivo e teve felicidade de marcar quatro gols, assim como o primeiro jogo foi nosso. O Taffarel não esteve bem naquela noite, mas espero que todos tenham consciência de que todos podem errar, mesmo os maiores goleiros. No intervalo, o Procópio pediu para não deixarmos a peteca cair e agredir o adversário, para que ele recuasse um pouco. Acho que o time se defendeu muito no segundo tempo. Chegou um momento em que o Rosario partiu para o tudo ou nada, e o número de atacantes deles falou mais alto. Na hora da decisão por pênaltis, eles estavam muito mais confiantes. Aquilo não estava programado, embora tivéssemos treinado.”
3º lugar: Atlético-MG 2 x 3 Fortaleza, em 2005
Depoimento de Marco Aurélio:
“O Carlos Alberto Silva era diretor do Atlético na época e meu amigo. Conversamos muito sobre a situação do time, que tinha 40 ou 50 jogadores e precisava passar por uma reformulação. Comecei a fazer isso, trazendo jogadores dos juniores, outros de fora, e afastando alguns. Mas chegou uma hora em que precisei sair para dar espaço para que outro terminasse a reformulação. Era difícil cobrar algo com os salários atrasando, cheques retornando… Houve jogador que veio até mim e disse: ‘Marco, para mim não dá mais, eu já larguei’. Estavam desmotivados, já tinham largado. Chegamos a conseguir uma boa sequência de resultados, mas os problemas internos atrapalharam. Quando saí, avisei: ‘Faz um time pensando no ano que vem, porque esse aí já era’. A vitória por 2 a 0 sobre o Fortaleza estava caindo do céu. Não estávamos merecendo. E aí o nosso goleiro (Diego) se complicou em uma bola fácil, embora estivesse bem no jogo. Foi uma infelicidade. A torcida queria que o Danrlei jogasse, mas ele não tinha mais espaço. Eu avisei que, se não dava para o Bruno jogar, entraria o Diego, que é fera. Hoje ele está bem na Espanha, o que mostra que eu tinha razão.”
4º lugar: Atlético-MG 0 x 3 Brasiliense, em 2002
Depoimento de Marcelo Djian (atualmente empresário de jogadores):
“O Brasiliense tinha um time bem montado, e tivemos alguns desfalques nesse jogo. O principal deles foi o Marques, que era decisivo. O jogo foi uma catástrofe, e ficou quase impossível de inverter a vantagem deles. Tanto que perdemos lá por 2 a 1 (no Distrito Federal). O Brasiliense não tinha a tradição do Atlético, mas estava bem montado, com jogadores rápidos na frente, principalmente o Wellington Dias, e marcação forte na defesa. Depois que levamos o primeiro gol, ficamos desprotegidos, pois tínhamos que correr atrás para melhorar o resultado em casa. Tivemos que nos expor. Nossa torcida estava empolgada, mas teve a segunda decepção em seis meses, já que havíamos perdido de virada para o São Caetano na semifinal do Brasileiro de 2001″
5º lugar: Botafogo 3 x 0 Atlético-MG, em 1993
Depoimento de Sérgio Araújo (atualmente técnico de divisões de base):
“Houve uma mudança muito grande entre os times de 1987 e o de 1993. O Atlético tinha muitos jogadores qualificados e mudou muito o elenco. Entrou num processo de decadência que dura até hoje. A exceção foi aquele time que tinha Guilherme e Marques, em 1999. O Atlético estava formando um novo time em 1993, depois do título da Conmebol, no ano anterior. Muitos jogadores saíram, como o Moacir, que foi para o Atlético de Madri, e o Aílton, que foi para Portugal (Benfica). Achamos que o jogo já estava ganho, depois que fizemos 3 a 1 na primeira partida. Foi uma derrota desastrosa. Depois, o time só caiu, só levou pancada. Não foi um bom ano. Mudava muito, já não tinha o entrosamento de antes. Eu saí pouco tempo depois, para o Flamengo”
Em 1969, a seleção vivia uma lua de mel com os brasileiros. A equipe comandada por João Saldanha havia brilhado intensamente nas Eliminatórias para a Copa de 70, vencendo suas seis partidas, com 23 gols marcados e apenas dois sofridos.
Três dias depois de garantir a classificação para o Mundial do México, com a vitória de 1 a 0 sobre o Paraguai diante de 183.341 torcedores no Maracanã (maior público da história do futebol nacional), a seleção disputou um amistoso contra o Atlético-MG em Belo Horizonte. A expectativa geral naquele 3 de setembro de 1969 – há 40 anos – era de mais uma vitória das “Feras do Saldanha”. Mas quem foi ver Pelé, também viu Dadá Maravilha.
Comandado pelo treinador Yustrich, inimigo declarado de Saldanha, e vestindo a camisa vermelha da seleção mineira (uma exigência da CBD), o Galo levou muito a sério o amistoso e derrotou a seleção por 2 a 1, diante de mais de 71 mil pessoas no Mineirão.
O Galo foi para o intervalo em vantagem, graças a um gol do meia Amauri, aos 42 minutos. Logo no início da etapa final, aos cinco minutos, Pelé empatou. Até hoje, os atleticanos juram que o gol foi marcado em impedimento. Mas o Galo mostrou sua força e voltou a comandar o placar, graças um gol de Dario aos 22 (veja imagens da partida no vídeo acimaeouça os gols da partida abaixo).
Um resultado histórico, que para sempre será lembrado pelos torcedores do Galo.
Atlético-MG: Mussula; Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair, Amauri Horta (Beto) e Laci; Vaginho, Dario e Tião (Caldeira). Técnico: Yustrich
Brasil: Félix; Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza, Gérson (Rivelino) e Pelé; Jairzinho, Tostão (Zé Maria) e Edu (Paulo César). Técnico: João Saldanha
A convocação de Diego Tardelli para o amistoso do Brasil contra a Estônia, no próximo dia 12, fez o Atlético-MG, líder do Campeonato Brasileiro, voltar a ter um representante efetivo na seleção brasileira principal depois de sete anos.
Até esta terça-feira, o último jogador do Galo que defendeu o Brasil foi Gilberto Silva, titular do time campeão mundial em 2002. Logo após a Copa disputada na Coreia do Sul e Japão, o jogador, valorizado pela conquista, foi negociado com o Arsenal (Inglaterra). Em 2007, o goleiro Diego Alves chegou a ser incluído em uma pré-lista para a Copa América, mas ficou fora da relação oficial (definitiva), não sendo convocado para a competição (Doni e Helton foram os arqueiros brasileiros).
Na Copa de 1998, o Atlético-MG também contava um jogador na seleção. Na França, Taffarel defendeu os pênaltis cobrados por Cocu e Ronald De Boer na semifinal contra a Holanda como atleta do Galo.
Reinaldo, Toninho Cerezo (78), Éder, Luisinho, Cerezo (todos em 82), Elzo e Edvaldo (86) também disputaram Copas do Mundo quando atuavam pelo Alvinegro mineiro. Além de Dario, reserva do time campeão mundial em 70.
E quais foram os últimos representantes de clubes na seleção brasileira? A partir da década de 80, a maioria dos atletas de ponta passou a atuar no exterior, reduzindo drasticamente a presença de representantes de times nacionais no selecionado. Entre os 12 clubes de maior torcida do país, o maior jejum é o do Botafogo, clube que contribuiu com campeões mundiais como Garrincha, Didi, Nilton Santos, Zagallo, Amarildo e Jairzinho. Os últimos representantes do Alvinegro carioca com a amarelinha foram Bebeto e Gonçalves, na Copa de 98. Em seguida, vem o Vasco, que teve Morais chamado para o amistoso contra a Noruega em agosto de 2006.
Veja a lista dos últimos representantes de cada clube:
Atlético-MG: Diego Tardelli (2009) Botafogo – Bebeto e Gonçalves (1998) Corinthians – André Santos (2009) Cruzeiro – Ramires (2009) Flamengo – Kleberson (2009) Fluminense – Thiago Silva (2008) Grêmio – Victor (2009) Inter – Nilmar (2009) Palmeiras – Henrique (2008) Santos – Kléber (2008) São Paulo – Miranda (2009) Vasco – Morais (2006)
O Atlético-MG comemorou em 2008 o seu centenário. Em 100 anos, o Galo usou vários modelos de camisas. E boa parte desta história está em poder de um colecionador. O engenheiro civil Rafael Perez, 36 anos, possui aproximadamente 300 camisas usadas pelo Alvinegro mineiro nos últimos 50 anos.
No acervo, há modelos marcantes da trajetória do Galo. Como a utilizada pelo zagueiro Vantuir contra o Botafogo na final do Campeonato Brasileiro de 1971 (número 6, terceira foto). Um dos principais títulos – para muitos atleticanos, o principal – do clube. E outras ’suadas’ por alguns jogadores que marcaram época no Atlético-MG, como Dario, Reinaldo, Éder, Toninho Cerezo e Paulo Isidoro. A mais antiga é um modelo número 11 de 1958 usada pelo atacante Amorim (foto abaixo).
A peça inaugural da coleção de camisas foi um modelo de 1986 autografado pelo meia Zenon, presenteado por um parente. Na época, aos 14 anos, Rafael já procurava guardar “todo tipo de material do Galo (pôsteres, revistas, recortes, gravação de gols, chaveiros etc)”. Além de camisas, o acervo reúne hoje fotos e vídeos com momentos marcantes do Galo.
O item preferido do colecionador é um modelo de 1981, número 13 (quarta foto).
- A concepção das listras, estilo da gola e o material da camisa fazem dela o modelo mais bonito da história do Galo.
Um artigo curioso do acervo é uma camisa branca de 1999 (quinta foto). O patrocinador era uma companhia telefônica, que tinha o logotipo em azul. E que foi estampada assim no ‘manto’ alvinegro. Durou apenas uma partida (a primeira da decisão do Campeonato Mineiro daquele ano, contra o América-MG). No jogo seguinte, a diretoria do Atlético-MG fez com que a marca apresentasse as cores do clube.
Camisas de loja também têm espaço no acervo de Rafael. Como uniformes comemorativos lançados para marcar ocasiões especiais da história do clube. Também estão na coleção modelos usados por equipes de vôlei, futsal, atletismo e basquete do Galo.
O engenheiro também guarda camisas de outros clubes nacionais e de equipes estrangeiras. Além de uma rara camisa da seleção brasileira usada em amistoso contra um combinado da Fifa em 1968. Utilizada pelo atacante Natal – por ironia, ídolo do Cruzeiro nos anos 60 -, a camisa é um modelo com duas estrelas sobre o escudo da CBD. Considerada um verdadeira raridade entre colecionadores de camisas.
Sobre o que busca para aumentar sua coleção, Rafael Perez despista, mas reconhece que gostaria de conseguir uniformes do Atlético-MG das décadas de 20, 30 e 40.
E se você também tem uma coleção de artigos esportivos, envie uma mensagem para o blog Memória Esporte Clube (blogmemoriaec@globo.com).
Nascido e criado na Tijuca (RJ), Marcelo Monteiro é jornalista há 14 anos. Trabalhou na sucursal do Rio do jornal "Folha de S. Paulo" e atua em sites desde 1998. Na retaguarda, participou da cobertura das Copas de 1998, 2002 e 2006.
Atualmente é responsável pelas áreas de memória e estatísticas do GLOBOESPORTE.COM.
Tem como hobby uma modesta coleção de itens antigos relacionados a futebol.