Boca Juniors: uma relação antiga com jogadores brasileiros
Ex-capitão do Fluminense, o zagueiro Luiz Alberto assinou contrato com o Boca Juniors. A presença de um jogador brasileiro no time mais popular da Argentina é algo que pode chamar a atenção hoje, mais que foi algo comum até os anos 60.
Na década de 30, com o profissionalismo consolidado já na Argentina, antes do que no Brasil (começou em 1933), a transferência de atletas nacionais para o país vizinho não era rara. E também para o Uruguai. Um dos primeiros brasileiros a se destacar no clube, como lembrou o pesquisador Alexandre Aníbal, foi Martim Silveira, que se destacou no Botafogo e defendeu o Brasil nas Copas de 34 e 38. Ele atuou no Boca em 1933 e 34, sendo campeão argentino no segundo ano.
Em 1935, Domingos da Guia (foto) trocou o Vasco pelo Boca, sendo campeão argentino daquele ano. Já conhecido com um dos melhores zagueiros do país, o defensor brilhou em Buenos Aires, e até hoje é lembrado no clube portenho, apesar de ter atuado na equipe por apenas um ano.
Nos anos 40, a diretoria do clube decidiu investir um famoso atacante da seleção brasileira. Mas a passagem de Heleno de Freitas pelo Boca não foi das mais bem sucedidas. O clube pagou um fortuna para tirar o ídolo do Botafogo de General Severiano, na maior transação do futebol brasileiro na época. Mas o temperamental atacante não teve bom desempenho na Argentina e no ano seguinte estava de volta ao Brasil, defendendo o Vasco.
Mas outros atacantes brasileros tiveram sucesso em La Bombonera. Também contratado ao Botafogo, em 1960, Paulinho Valentim marcou seu nome da história do Boca Juniors, se tornando o maior artilheiro do time em clássicos contra o River Plate (dez gols em sete jogos). No total, marcou 71 tentos em 115 partidas pelo clube. Atuou na equipe até 65, quando, aos 32 anos, retornou ao Brasil, para defender o São Paulo.
Em 61 e 62, Paulinho Valentim fez dupla com Almir Pernambuquinho. E foram campeões argentinos de 62. Paulinho também ganharia o título de 64.
Campeões mundiais pelo Brasil também defenderam o Boca, como o zagueiro Orlando Peçanha (61/64) e o meia Dino Sani (59/61), integrantes da seleção de 58. E o treinador da equipe na Copa disputada na Suécia também comandou a esquadra xeneize: Vicente Feola (1961).
A partir de 2001, o Boca voltou a investir em atletas brasileiros. Naquele ano contratou o lateral-esquerdo Jorginho Paulista, campeão brasileiro pelo Vasco em janeiro daquele ano. Mas o jogador saiu no ano seguinte. Outro lateral teve passagem rápida pelo gigante da capital argentina: Baiano, que atuou no Boca em 2005 e denunciou ter sido vítima de discriminação racial no clube.
O brasileiro que obteve sucesso recentemente em La Bombonera foi o atacante Iarley, contratado após marcar o gol da vitória do Paysandu no mítico estádio em jogo da Libertadores de 2003. No clube argentino, usando a camisa 10 que foi de Maradona e hoje pertence a Riquelme, ajudou o time a ser campeão nacional e Mundial Interclubes daquele ano. E deixou sua marca em um clássico diante do River no Torneio Apertura (assista ao gol no vídeo acima). Em julho de 2004, foi negociado com o Dorados (México).
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Em 1970, a primeira Copa do Mundo disputada no México foi a que teve, talvez, o maior desequilíbrio entre os grupos, devido a uma série de pré-condições. O Brasil foi ‘reservado’ para a chave disputada em Guadalajara. Como a expectativa dos organizadores era que o time liderado por Pelé atraísse grande público, o estádio Jalisco, o segundo maior da competição, foi separado para o grupo da seleção brasileira. Que foi um verdadeiro grupo da morte, com os europeus Tchecoslováquia e Romênia. E a então campeã mundial Inglaterra. A presença dos ingleses atenderia, extraoficialmente, a uma vontade dos mexicanos, os anfitriões, que não queriam pegar nem Brasil nem Inglaterra na fase seguinte.