Amigos santistas! Perdoem-me pela ausência no feriado, mas precisei de três dias para digerir a eliminação do Santos na Libertadores, e principalmente, esfriar a cabeça.
Passei a pior quinta-feira da minha vida tentando aceitar o fato de termos sido eliminados por um erro de arbitragem. Ou melhor, mais um erro daquele senhor que veste preto supostamente pronto para a cerimônia fúnebre de quem irá assassinar.
Passei o pior feriado prolongado da minha vida tentando encontrar palavras perdidas dentre tanta escuridão e razões para continuar acreditando nesse esporte criado pelos homens e manchado por alguns que não são dignos de receber tal classificação.
Destaco esta crônica como a mais nojenta de toda minha curta carreira como colunista esportivo. Primeiro porque entre uma ânsia de vômito e outra, levei três longos dias para concluí-la, e segundo, porque não consegui enxergar saídas para nós, reféns desta ditadura indiretamente imposta por quem administra o futebol no Brasil e na América Latina.
As últimas mudanças no regulamento da Libertadores mostram isso. Por que dois times do mesmo país não podem disputar uma final de campeonato mesmo sendo os melhores do continente? Por que os ingressos passaram a custar 40 reais inoportunamente sob o desejo do torcedor em ver seu time no jogo mais importante do ano?
Infelizmente, interesses financeiros e até mesmo políticos visando novos mandatos, fazem o futebol, refém da manipulação e da pré-determinação de resultados independente de quem é melhor ou pior.
Esqueça uma disputa limpa por dois grandes clubes do mesmo país que apresentem o melhor futebol no momento como São Paulo e Internacional em 2006, por exemplo. Como apreciador do bom futebol, parei para assistir esse grande jogo, mas esse ano… até este mínimo direito foi subtraído do torcedor.
Sinceramente… Alguém precisa assistir ao jogo que determina o melhor da América entre Lucro x Futebol? O resultado é obvio e é claro que o Futebol não tem a mínima chance.
O América do México foi melhor que o Santos para estar na semifinal? Morrerei e ninguém me convencerá que sim. Prefiro ver o Santos levar uma vergonhosa goleada dentro de casa como aconteceu com o Flamengo, do que vencer o jogo e ter que aceitar as coisas acontecerem de acordo com o roteiro escrito pela Conmebol.
1995 e 2004 se repetem na memória do torcedor com o gol anulado do Kléber Pereira lá no México. O golzinho fora de casa que seria suficiente para a classificação, mas que se transformou em ansiedade no jogo de volta perante a postura covarde de um time que se beneficiou de um erro estúpido de arbitragem e que se for campeão, poderá ser colocado junto ao Once Caldas, no hall dos piores campeões da história da Libertadores.
Tenho a absoluta certeza que alguns profissionais que amam o futebol e o Santos, por alguns instantes, pensaram em desistir assim como eu pensei em pendurar o teclado e como alguns torcedores optaram pelo jejum futebolístico no feriado… mas do que adianta? Nada mudará! Os homens caminham a passos largos para a banalidade e espero não estar aqui pra ver o planeta inabitável e o futebol, um esporte elitizado por ditadores mascarados de cartolas.
Os engravatados que comandam a brincadeira mais popular do mundo sabem que esse time geograficamente e teoricamente não poderia ser grande. E é justamente isso que faz tanta gente vir aqui registrar a inconformidade com ofensas e a crônica genuinamente carioca igualar seus melhores jogadores com o ícone máximo do futebol, que inexplicavelmente e nem por minha culpa, vestiu e amou somente esta camisa branca.
Não estamos localizados em alguma metrópole como manda o figurino dos “grandes”, mas temos estádio, estrutura de ponta, títulos, história, e principalmente, dignidade.
Não fazemos parte desta panela que transborda podridão, pois o Santos não precisou de ajuda para ser o melhor do século passado, e nem para se manter entre os melhores do novo. Século este que mal começou e já fedi mais que deveria com escândalos de arbitragem, campeonatos mundiais fabricados dentro de casa para clubes carentes, etc, etc, etc… e pode por etc nisso! No mínimo na mesma velocidade que muitos colocam estrelas sobre o escudo conseqüentes de “importantes” êxitos regionais.
Ao contrário de muitos, sinto orgulho quando me chamam de viúva. Pois sei que meu time composto de onze homens como todos os outros, foi capaz de conquistar em um curto espaço de tempo, tudo o que muito clube não conquistou em mais de 100 anos de história. E também porque depois que o mesmo raio caiu pela segunda vez na Vila Belmiro, os desprovidos de habilidade e talento começaram a liderar o movimento que tenta banir a arte dos gramados, assemelhando drible a desrespeito.
Ou seja, como santista, prefiro ser viúva a ser órfão! Órfão de história, órfão de orgulho, órfão de ídolos…
“Errar é humano, corrigir é digno”.
“Roubar é crime, armado de poder é covardia”.