Entrevista José Macia (Pepe)

Entrevista José Macia (Pepe)
Na semana em que o segundo maior artilheiro do Santos Futebol Clube completa 73 anos de vida, tive a honra e o prazer de bater um papo com esse “monstro sagrado” da história do alvinegro de Vila Belmiro.
Esbanjando bom humor, ele me contou detalhes de sua carreira, seleção brasileira, propaganda e principalmente, sobre a época em que costumava disparar seu canhão esquerdo contra as defesas inimigas.
BLOG DO TORCEDOR: Como o senhor tem um filho publicitário, qual sua opinião sobre a invasão da publicidade no futebol? Lembrando que hoje, alguns patrocinadores não respeitam mais as cores dos clubes e torneios importantes que foram comprados por grandes marcas como a Taça Libertadores.
PEPE: Acho que em tudo tem que haver um equilíbrio. O incentivo da publicidade e os patrocínios são fundamentais, principalmente para os clubes com menos estutura. Mas não pode haver um exagero de propaganda, como por exemplo, ferir a tradição das cores de um clube.
BLOG DO TORCEDOR: Você tinha preferência por jogar ao lado de algum companheiro específico?
PEPE: Sim, o Pagão. Quando jogávamos juntos, metade dos meus gols vinham de passes dele.
BLOG DO TORCEDOR: Como foi convencer seu pai a deixá-lo jogar futebol? Já que ele era contra e queria que o senhor e seus irmãos seguissem outra profissão.
PEPE: Na verdade não fui eu que convenci. Foram alguns amigos que viviam dizendo para ele que eu teria um grande futuro no futebol.
BLOG DO TORCEDOR: Alguma vez o senhor acertou um chute em cheio que chegou a desacordar algum jogador?
PEPE: Aconteceram algumas vezes, mas não me recordo o nome dos jogadores. O mais famoso foi o Alfredo Ramos, lateral-esquerdo do São Paulo, que estava na barreira e desmaiou após levar uma bolada minha em um Santos x São Paulo na década de 50 na Vila.
BLOG DO TORCEDOR: Por que o senhor nunca vestiu a camisa de outro clube além do Santos? Recusou alguma proposta pra sair?
PEPE: Durante toda minha carreira tive várias propostas para sair, principalmente de times espanhóis, já que era filho de espanhóis e o nome Pepe é muito comum na Espanha. Assim como no Brasil todo José é Zé, lá todo José é Pepe. Me procuraram: La Coruña, Barcelona, Valência, Sevilha, além do Milan, Corinthians e Portuguesa. Não fui por puro amor à camisa. Comecei e encerrei a carreira no Santos, sempre me senti feliz e tinha grande carinho da torcida. Não tinha porquê sair e não me imaginava jogando com outra camisa.
BLOG DO TORCEDOR: Verdade que o senhor sempre jogava de boné?
PEPE: É verdade. Jogava sempre com boné e com a aba para trás na várzea de São Vicente. Quando eu corria tirava o boné. Ao chegar no Santos, o técnico Salú disse para eu ir comprar uma redinha nas Lojas Americanas que custavam 2 Cruzeiros.
BLOG DO TORCEDOR: A maior dificuldade que o senhor enfrentou comandando o Inter de Limeira em 1986 (campeão paulista daquele ano) foi o fato do time ser do interior?
PEPE: Naquela época, a Inter tinha uma boa estrutura e a prefeitura de Limeira também ajudava. Conseguimos montar um bom time com a maioria de jogadores que já tinham passado por grandes clubes e queriam uma nova chance. Deu certo e considero este título, o primeiro de um time do interior a ser campeão paulista, como o mais difícil e importante da minha carreira como técnico.
BLOG DO TORCEDOR: Atualmente, aos 73 anos, o senhor está trabalhando como coordenadortécnico da Itapirense na série A3. Fale um pouco desse trabalho.
PEPE: Recebi um convite do Toninho Bellini que é prefeito de Itapira e sobrinho do meu companheiro de seleção Bellini. Estou lá de coordenador, o time tem boa estrutura, já subiu uma divisão e estamos tentando o acesso novamente.
BLOG DO TORCEDOR: Apesar das cinco estrelas, o senhor acha que a camisa da seleção perdeu sua força diante os adversários, ou hoje não existe mais jogo fácil?
PEPE: Eu acho que hoje não existe mais jogo fácil. Isso é fruto do excesso de informação. Todo mundo conhece todo mundo e aprende a melhor maneira de enfrentar os adversários.
BLOG DO TORCEDOR: Se o senhor nunca tivesse sido técnico antes, aceitaria um convite para assumir a Seleção Brasileira?
PEPE: Eu aceitaria, seria um orgulho e um grande desafio.
BLOG DO TORCEDOR: No primeiro jogo do Santos na Vila pela Libertadores neste ano, contra o Chivas, o senhor receberá um presente da Torcida Sangue Jovem que fez uma bandeira de 25 metros em sua homenagem. O que achou da iniciativa?
PEPE: Fico muito feliz e emocionado. É o reconhecimento por só ter jogado no Santos e de tudo que fiz com essa camisa. Tenho orgulho de ter feito vários gols que valeram títulos na minha carreira. Sei que a maioria destes torcedores são jovens que devem ter sido induzidos pelos pais e avós que me viram jogar.
BLOG DO TORCEDOR: Dizem que na vida, a gente precisa plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. E como seu filho é meu amigo e tenho seu livro (Pepe. Bombas de Alegria), o senhor já plantou alguma árvore?
PEPE: (Risos). Verdade, só falta a árvore. Boa idéia. Tem um lugar que eu considero o meu refúgio, meu paraíso, e que passo grandes momentos com a minha família, que é uma chácara na cidade de Socorro, interior de SP. Quem sabe eu não planto essa árvore lá, né?
Agradecimento especial: Rafael Macia
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