
Imagem rara nas últimas três rodadas. Que se transforme em constante, a partir de agora. Foto: Alexandre Lops
Que me perdoem os mais afoitos, mas não vou desgarrar elogios, me rasgar em palavras bonitas para ilustrar a vitória de ontem. Não foi nada mais que a obrigação de um time que tem uma folha salarial de R$ 3,2 milhões mensais e conta com grandes nomes em seu elenco.
Um time em que seu comandante, que está a mais de três meses no cargo, ainda não conseguiu uma sequência, deixando a torcida apreensiva nas comemorações, pois logo após grandes vitórias, andam ocorrendo verdadeiros fiascos.
Realmente não sei se foi um bom resultado. Na tabela, é claro que sim. Mas na organização interna, temo pelo pior. Pode ter dado sobrevida a um morto e enterrado.
Tite gesticulou, esbravejou, peitou o quarto árbitro e gritou muito. Talvez tenha lido os posts aqui neste espaço colorado. Mas mesmo assim, não me convenceu. O time novamente esteve muito desorganizado. O esquema com três zagueiros não é simples como respirar. Demanda orientação precisa e funções muito bem pré-estabelecidas. Coisa que nosso sofista das casamatas não tem capacidade para coordenar.
Bolívar se perdia com facilidade e embolava o miolo, dando passagem aos contra ataques.
Contudo, Magrão mostrou que é a melhor opção para a frente de zaga. Muito guerreiro. Guiñazú fez outra monstruosa partida, fazendo meus colegas de emissora Kléber Machado e Noronha engolirem as besteiras que haviam proferido na primeira etapa (aliás, ontem foi dureza assistir com o áudio da plim-plim).
Índio esmirilhou. Foi um soberano na defesa e o melhor atacante da noite. Se faltar centro avante, que dêem a 9 para ele.
Olha só… disse que não iria elogiar… mas o coração fala mais alto.
Então, vou ponderar: o Internacional só se deu bem ontem no Gigante baseado em seus talentos individuais. Nilmar foi perigoso, mas não fatal. D´Alessandro, após a saída de Alex, comandou a criação de jogadas com muita competência. Caía de um lado para o outro, desnorteando a defesa palestrina e com La Surda calibrada e distribuindo passes precisos. Gostei muito de sua participação.
Rosinei foi honesto pela direita. Não comprometeu e até criou boas jogadas, mas sempre quando caía pelo meio. Cacoete de quem joga ali.
Alex mostrou que é o tal “ponto de equilíbrio” que Tite tanto procura. Com ele, o time simplesmente flui, anda, despacha. E ontem, fez mais um daqueles golaços que ilustrarão os corredores do gigante. Que paulada. Marcos, coitado, não viu nem por onde ela passou.
Mas, para mim, a noite serviu para calar muitos que vieram neste espaço e proferiram coisas impublicáveis a respeito de uma verdadeira entidade que segue jogando: Clemer.
Fez uma partida perfeita, tendo intervenções precisas, cirúrgicas, como no lance contra Diego Souza (que, aliás, não viu a cor da bola). Brilhante.
Vida de goleiro é duríssima. Se erra, é crucificado vivo e posto no sol com sal no lombo. Se defende, não fez mais que a sua obrigação. Perdoai os cegos, Clemer. Eles realmente não sabem o que dizem.
No mais, eu que não iria elogiar acabei extravasando meu sentimento de torcedor mais puro. Azar…
Valeu pelos três pontos, por ver D´Alessandro encontrando seu lugar na equipe, e principalmente ver o retorno de Alex. O melhor meia canhoto do Brasil. Disparado.
Um forte abraço aqui do Sul.
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Serviço de Jogo
Internacional (4): Clemer; Índio, Bolívar e Marcão; Rosinei, Magrão (Maicon), Guiñazu, D´Alessandro e Gustavo Nery; Nilmar (Adriano) e Alex (Taison). Técnico: Tite.
Palmeiras (1): Marcos; Sandro Silva, Jeci, Gladstone e Leandro; Martinez, Jumar (Denílson), Evandro e Diego Souza (Tiago Cunha); Alex Mineiro e Cléber (Maicosuel). Técnico: Wanderley Luxemburgo.
Gols: Alex Mineiro (P), aos 4min do primeiro tempo, Índio (I), aos 18min do primeiro tempo, Alex (I), aos 19min do primeiro tempo, Índio (I), aos 16min do segundo tempo, Taison (I), aos 40min do segundo tempo.
Cartões amarelos: Clemer, Bolívar, Marcão (I), Jumar, Cléber, Evandro, Martinez (P).
Público: 14.470 (12.648 pagantes) / Renda: R$ 160.158,00
Arbitragem: Jailson Macedo Freitas, auxiliado por Alessandro de Matos e Adson Leal (trio baiano).
Local: Beira-Rio, Porto Alegre.