O conceito de humilhação
Conseguimos nossa primeira vitória fora de casa no campeonato. Na teoria, uma vitória na casa do adversário vale os mesmos três pontos que uma vitória em casa. Mas, na prática, sabemos que vencer fora dos nossos domínios faz bem para o moral e para a confiança da equipe.
Ano passado, passamos toda a temporada perseguindo uma vitória fora do Ipatingão. E ela não veio. Agora, o triunfo aconteceu logo na segunda oportunidade.
O jogo foi equilibrado e a verdade é que poderia ter sido vencido por qualquer um dos times. Em nosso favor jogou a sorte e Márcio Diogo, que estava em tarde inspirada. Mas o que marcou o encontro foram as vaias da torcida pontepretana ao próprio time, ao fim da partida, e os gritos de “não é mole não, perder para o Ipatinga já é humilhação”.
Entendo a exaltação, mas não posso deixar de apresentar meus argumentos para dizer que o que aconteceu no sábado não foi, de modo algum, humilhação.
Perder para um time que em onze anos de vida conseguiu ser campeão estadual é humilhação? Ser derrotado para um semifinalista da Copa do Brasil é humilhação? Perder para um dos quatro times que até ano passado eram da Série A é humilhação?
São perguntas retóricas, já que as respostas são óbvias. Vale lembrar que a Ponte Preta em 109 anos de história nunca foi campeã de seu estado e o melhor resultado numa Copa do Brasil foi também uma semifinal, no já distante ano de 2001. E que, desde 2006, não sabe o que é jogar entre a elite do futebol nacional.
Mas se perdêssemos para eles seria humilhação? Claro que não, forcei na argumentação apenas para dar um leve troco à audácia dos pontepretanos. A Ponte é indiscutivelmente tradicional, mas seus torcedores parecem ter esquecido que já vencemos o Botafogo no Maracanã, o Cruzeiro no Mineirão, o Náutico nos Aflitos, a Portuguesa no Canindé, o Bahia na Fonte Nova…
Pra cima deles, Tigrê! A hora parece ser propícia para novas “humilhações”.
rss do blog


