Lusitanos, post atualizado em 26.nov.2009
Qualquer conversa sadia acaba terminando em discussão, principalmente quando o assunto é a nossa Portuguesa de Desportos. É difícil tentar explicar os motivos que fazem cair no descrédito, um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, no entanto deixo registrada a minha opinião (que não é novidade) que já foi base de outras colunas que escrevi, tempos atrás em outros veículos.
O pouco tempo que acompanhei de perto os bastidores da política lusitana, consegui identificar alguns pontos críticos que são visíveis a olho nú até mesmo aos mais míopes e que prejudicam qualquer tipo de administração ou gerência profissional que venha ser estabelecida pelos lados do Canindé. O que falta é vontade e competência para resolvê-los.
Nosso clube é carente de profissionais sérios, competentes e comprometidos com a “causa” rubro-verde. Os anos passam e o que sempre vemos, são cargos diretivos sendo preenchidos por interesses e distribuídos entre aqueles que fazem parte do “clube do bolinha” no momento. – É bem naquelas: Se eu sou vice-presidente de um departamento, meu filho ou meu sobrinho também podem ser diretores de alguma coisa. – Pouco importa se a pessoa é ou não é preparada profissionalmente para assumir a função que lhe foi designada. O que vale é ter uma carteirinha. Este sempre foi o modelo de gestão do nosso clube.
É lógico, estes “problemas” não acontecem apenas nos arredores da antiga Rua da Piscina, a grande maioria dos clubes de futebol em nosso país não possui uma gestão profissional e acabam enfrentando as mesmas dificuldades para mediar os conflitos de interesses nos bastidores de sua política interna. Isso acaba prejudicando o desenvolvimento de novos projetos e a evolução do modelo administrativo o que causa muitas vezes o retrocesso de algumas associações, como no nosso caso, por exemplo.
Independente da nossa nomenclatura (a mudança de nome seria a nossa salvação para alguns), o que espanta na nossa Portuguesa é que pelo menos nos últimos 20 anos, estes problemas e conflitos ganharam destaques e contornos épicos no dia-a-dia do nosso clube, dignos de uma tragicomédia.
No ano passado fiz uma analogia da nossa Lusa comparando-a com um paciente que caminhava para um estado terminal. Pois é, passou mais um ano e… mesmo sem querer acreditar, chegamos ao estado terminal.
De todas as causas responsáveis pela nossa condição precária, continuo classificando a vaidade, a intriga e os interesses pessoais como os sintomas cancerígenos causados e sofridos por grande parte dos homens que passaram pelo comando do nosso clube ao longo dos últimos anos. E a formação da metástase, fica por conta das dívidas acumuladas (trabalhistas, tributárias, fiscais), da desorganização e do amadorismo que se alastraram de forma avalassadora por todos os departamentos da nossa associação.
O que impediu e impede um possível tratamento são os problemas oriundos da falta de planejamento profissional dedicado ao esporte e da ausência de metas para o lado social que continuam impedindo qualquer tentativa de se encontrar uma solução, mesmo que paliativa.
Com o atual modelo de gestão é complicado livrar a nossa Portuguesa da situação em que se encontra. O clube continua na UTI da Série B na competição nacional e apresenta fraquezas administrativas que comprometem o seu sistema motor, que é o futebol. Para piorar, a ligação entre os poderes do clube (COF e Conselho Deliberativo) que deveriam dar sinais de recuperação e evolução, mostra-se totalmente inerte a várias gestões equivocadas.
Assim como em um organismo é difícil curar uma organização de uma enfermidade, sem uma medicação, uma solução. Principalmente em gestões retrógradas, onde os vírus (os dirigentes) se perpetuam e se fortalecem, vencendo os poucos anticorpos (torcida) que ainda lutam, pelo cansaço.
O que sei é que não dá mais para ficar de braços cruzados, enquanto vemos nosso clube do coração morrer lentamente. Para salvar a nossa Portuguesa é preciso uma solução milagrosa, uma injeção de ânimo no coração lusitano que bate por aparelhos. Mais do que torcer pelo acesso ou rezar contra um rebaixamento, nossa torcida precisa se unir, cobrar quando necessário e apoiar sempre que houver merecimento.
É preciso renovar para que a Portuguesa possa ressurgir! Essas são nossas palavras de ordem!
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