Não existe solução fácil

O time em campo continua um horror. A derrota de sábado (e, principalmente, a atuação do time) foi para enterrar as esperanças de qualquer otimista. Caminhamos firmemente para mais uma campanha medíocre que nos deixará muito distantes de qualquer chance de disputa pelo título Paulista – realidade que se repete desde o início deste século, que já chega a uma década.
Mas eu tinha prometido ao Luiz Filho que escreveria sobre outros temas, fora do futebol. E cumprirei a promessa.
O assunto desta semana que será debatido neste Blog é polêmico e, desde já, sei que o que escreverei irá suscitar opiniões divergentes e críticas. Deixo claro que se trata da minha opinião estritamente pessoal, não necessariamente compartilhada em sua totalidade pelo Luiz ou por qualquer outra pessoa.
O tema é: mudança de nome.
Minha abordagem é: por que, neste momento, sou contra.
Antes de iniciar o debate sobre o assunto em si, um preâmbulo: não gosto e não acredito em soluções mágicas. Gosto muito de uma frase famosa, de George Bernard Shaw – “Para todo problema complexo existe uma solução clara, simples e errada”. Os problemas de nossa Portuguesa são grandemente complexos e parece reconfortante imaginar que a mudança de nome poderia representar uma solução clara e simples. Mas em minha opinião, tratar-se-ia de solução, senão errada, no mínimo insuficiente.
Não refutarei o argumento de que “se tivéssemos outro nome desde a década de 50, como Palmeiras, Cruzeiro e Vasco, poderíamos ter tido um destino diferente, pois nosso nome, muito excludente, serviu para afastar torcedores, principalmente no período em que a migração para SP era mais intensa”. De fato, acredito mesmo que se trata de um argumento verdadeiro – embora a análise contra-factual seja obviamente impossível.
O fato é: não estamos mais na década de 50. Nem no século XX, a propósito. O ano é 2010, os títulos que (não) ganhamos e os torcedores que (não) temos, aí estão. Essa é a realidade com a qual temos que lidar – e não uma realidade hipotética, caso o mundo tivesse sido diferente.
E na nossa realidade atual, são poucos os ativos “mercadologicamente relevantes” de que dispomos. Nossa torcida é pequeníssima (0,5% dos torcedores do estado de S. Paulo, segundo pesquisa recente, o que corresponde a aproximadamente 150.000 pessoas); nosso estoque de títulos, idem. E, principalmente, nosso desempenho recente é pífio: desde 2002, estivemos por 6 anos na série B do Campeonato Nacional (e nos dois anos em que estivemos na série A, fomos rebaixados) e não chegamos nem perto de disputar nenhum título paulista ou da Copa do Brasil. Fomos, inclusive, rebaixados para a série A-2 do Paulista, algo inimaginável no meu período de infância – quando, a propósito, nossa torcida já era pequena e o debate sobre a mudança de nome já existia, talvez com maior propriedade.
Mudar o nome agora não alteraria essa realidade. Ao contrário, poderia inclusive afastar alguns torcedores – o que, no nosso caso, seria uma perda inestimável.
O ponto que defenderei neste texto, porém,vai um pouco além: creio que no atual (e desanimador) cenário, nossa ligação com Portugal é um de nossos poucos ativos e certamente o maior.
Nossos dois principais patrocinadores atuais – o Grupo Votorantim e o Banco Banif – estampam suas marcas em nossa camisa justamente por essa ligação.
Hoje somos poucos e pequenos (lamento escrever isso, mas lamento principalmente ter que reconhecer que acredito que essa é uma realidade indiscutível). Não seremos muitos e nem grandes num passe de mágica. Para crescermos, temos de investir em nossos pontos fortes. É nisso que eu acredito.
Na década de 50, fazia sentido discutir meios de atrair torcedores de fora da colônia. Hoje, a discussão é muito mais embaixo: como manter e trazer torcedores DE DENTRO DELA.
Somos um clube de raízes portuguesas, é indiscutível. Muitos de nós torcemos pela Lusa em função dessas raízes. Mas não conseguimos manter os filhos de portugueses como nossos torcedores. Mesmo portugueses que vêm agora de Portugal (conheço alguns, executivos de empresas portuguesas) – optam por outros times, ganhadores de títulos, dos quais eles próprios já ouviam falar em Portugal. Não é apenas um problema de nome. É muito mais do que é isso.
Não é que a Portuguesa de hoje, por ser demais portuguesa, deixe de ser uma opção para os não-portugueses. A Portuguesa de hoje não é uma opção óbvia sequer para os portugueses.
Para concluir, não creio, obviamente, que conseguiremos crescer baseando-nos nesses torcedores imigrantes. Vejo-os apenas como nosso “mercado óbvio” – e mesmo óbvio, que não conseguimos atingir.
Não existe solução fácil. A solução difícil é uma reconstrução, que nos gere novamente ORGULHO de nosso clube. E que passa, necessária e obrigatoriamente, por uma melhora DENTRO DO CAMPO, que é onde a Portuguesa se construiu e de onde ela se poderá reconstruir.
Portugal é um país maravilhoso, cuja imagem no Brasil é muito pior do que a realidade. Nossa meta deveria se construir uma Portuguesa que melhore essa imagem. ORGULHO é mesmo a palavra.
O texto já ficou enorme e, obviamente, está longe de esgotar o assunto. Voltarei a ele em futuro próximo.
» P.S. 1: Não gosto do nome “Luso” para definir o torcedor da Portuguesa. Desde criança, sempre achei estranho quando me perguntavam “o que eu era” e eu dizia luso – que, afinal, é sinônimo de português (o que eu adoraria ser, mas não sou). Gostaria que tivéssemos um “nome de torcedores”.
» P.S. 2: Gosto do Leão como nosso mascote. Meu pai, a propósito, era sportinguista fanático e eu, obviamente, herdei essa simpatia pelos lagartos de Alvalade. Mas, conversando com alguns portugueses recém-chegados notei, principalmente entre os benfiquistas, alguma resistência a assumir como mascote o símbolo de um rival. Qual a solução para isso? Deixo para as pessoas de marketing. Mas acho que poderíamos trabalhar mais com outros símbolos além do Leão. Por exemplo, Águia e Dragão.
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Pois bem: o Nilson não jogou, a Portuguesa perdeu, o Dinei teve mais uma atuação ridícula, já o garoto revelado pela nossa Lusa arrumou um empresário que comprou o seu passe (R$ 1,5 milhões) e foi embora do nosso clube – onde estava DESDE OS 12 ANOS.
Estamos viciados em tropeçar nas próprias pernas. Transformamos o que poderia ser uma festa no próximo domingo num jogo tenso, em que a vitória é fundamental e o clima entre nós torcedores é de absoluta e justificada desconfiança.







