Formulário de Busca

1973 • A mais polêmica das decisões

Dom, 28/09/08
por luiz filho |
categoria Sagas Lusitanas

gustav.jpg

Caros amigos,

A atuação contra o Botafogo, especialmente no segundo tempo, deu mais ânimo ao time e aos torcedores nessa luta contra o rebaixamento. A próxima batalha não será nada fácil, contra o Santos na Vila, mas nossa Lusa não tem escolha: precisa pontuar.

Quando se fala no clássico contra o time praiano, logo vem à mente um dos jogos mais comentados na história do futebol brasileiro: a final do Campeonato Paulista de 1973. Estádio abarrotado, dois grandes times, Pelé em campo, um erro crasso do juiz Armando Marques… Tudo isso faz parte do contexto de uma partida que tem lugar cativo no anedotário do futebol nacional.

Em 73, a Lusa vivia um momento de euforia e otimismo. O ano anterior havia sido marcado pela inauguração do estádio do Canindé e também pela famosa “noite do galo bravo”, quando o então presidente, dr. Oswaldo Teixeira Duarte, dispensou vários jogadores numa tacada só. Esse ato até hoje é encarado pela nossa torcida como uma amostra de pulso firme e amor pelo clube. 1972 também ficou marcado pela fundação da torcida Leões da Fabulosa, uma das mais tradicionais torcidas organizadas do Brasil.

Para 1973, a Portuguesa tinha jogadores como Zecão, Pescuma, Calegari, Badeco, Basílio, Enéas e Cabinho, sob comando do técnico Oto Glória. Um grande time, que venceu o segundo turno do Paulistão de forma invicta (7 vitórias e 4 empates). Antes disso, a equipe havia conquistado a Taça São Paulo (não confundir com o torneio de juniores) após grande vitória sobre o Palmeiras por 3 a 0 na final.

Portuguesa de Desportos - 1973

Na decisão do Paulista, o adversário seria o Santos, em partida que ficaria marcada como a última decisão jogada por Pelé com a camisa do alvinegro. O clima no estádio era de adrenalina a mil, já que 116 mil torcedores se espremiam nas arquibancadas. Esse público, além de ser o maior já registrado em um jogo da Portuguesa, consta entre os 10 maiores da história do estádio do Morumbi. Alguns dizem que o estádio estava dividido meio a meio entre as duas torcidas, mas torcedores lusos presentes no dia afirmam que, embora nossa torcida estivesse presente em grande número, não chegava a igualar a do adversário.

O jogo foi muito disputado e, durante o tempo normal, o Santos teve maior domínio das ações. Na prorrogação, a Lusa Veneno conseguiu criar chances de perigo, mas o placar ficou mesmo no 0 a 0. Vale lembrar que o nosso artilheiro Cabinho teve um gol erradamente anulado, fato que gera discussões até hoje. Como as imagens desse lance específico se perderam nos arquivos das emissoras, a polêmica tende a ser eterna.

O título então seria decidido nos pênaltis. O Santos começou errando sua primeira cobrança, mas nossos jogadores estavam com o pé torto e não acertavam uma sequer. Após três cobranças para cada lado, o Santos vencia por 2 a 0. Qualquer um saberia calcular que, faltando duas penalidades para cada time, a Rubro-Verde ainda tinha chances. Mas o árbitro Armando Marques conseguiu errar uma simples conta e decretou o Santos campeão. Nesse momento, enquanto os atletas santistas comemoravam, a Lusa saía de campo… O folclore do futebol conta que, percebendo o erro, Oto Glória fez todos jogadores entrarem no ônibus para deixar o Morumbi o mais rápido possível. Sem condições de continuar a disputa, havia duas soluções: a realização de um novo jogo ou a divisão do título. Os presidentes dos dois clubes, junto com a direção da Federação Paulista, decidiram dividir o caneco.

Assim, uma partida que por si só já ficaria na história por diversos motivos, ganhou um asterisco ao seu lado nos guias de futebol. As razões, além da inusitada divisão, já seriam muitas: último título de expressão da Portuguesa, público e renda históricos, último título de Pelé pelo Santos, erros bisonhos de Armando Marques… Precisa mais?

A seção “Sagas Lusitanas” tem como fontes principais de informação o Almanaque da Lusa, produzido
pelos alunos de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, e o acervo do Museu Histórico da Portuguesa.
.

Opine, palpite, participe do nosso Blog
Aqui é Portuguesa, com certeza!

deixe seu comentário

8 comentários


  1. Ah.. tinha esquecido de comentar…

    Que juiz é aquele…

    Só faltou chutar contra, não podia encostar nos caras que era falta…

    é coincidência ou contra Santos sempre entra 12 em campo?

    Mas valeu, prefiro encarar como 01 ponto ganho!

    ;)

    Andréia Campinho


  2. Ganhamos 01 ponto! Graças ao Santo André Luis!

    Jogo a jogo continuo acreditando que permaneceremos na serie A!

    Abraços,
    Andréia Campinho


  3. EU ESTAVA LÁ!!!! ESTOU COM O GRITO DE “É CAMPEÔ GUARDADO ATÉ HOJE.___O DIA QUE EU SOLTAR ESSE GRITO, VAI SE OUVIR EM MARTE.___QUANDO SERÁ QUE ISTO VAI ACONTECER?


  4. Amigos, gostei.
    É verdade que poderíamos sair com a vitória, se tivéssemos arriscado mais chutes ao gol, no primeiro tempo, mas enfim o empate não foi ruím.

    Foi muito boa a presença dos torcedores, mesmo antes dos ônibus chegarem, já havia um público de torcedores LUSOS da cidade de Santos. A torcida não deixou de apoiar um só minuto!

    Não gostei da atuação do Sr.Paulo César de Oliveira (FIFA-SP), mesmo com os elogios para ele pela impresnsa , o que se viu foram cartões para o time Luso, e critério diferente para os jogadores santistas. Prova disso foi que o Hevérton, reclamou de uma jogada legal ele apitou falta e no lance seguinte ele deu cartão, para falta de jogo. ( A expulsão do Erick acho que foi merecida, embora se nós não tivessemos jogado a bola para lateral, o santista se levantaria e poderia ser apenas um amarelo ).
    No lance de gol do santos ele apita, o jogador do santos pega a bola ajeita, o juiz apita novamente e nossa defesa fica parada, o juiz dá sequencia a jogada e Kleber Pereira ( lembram que eu falei que era o cara a ser marcado ) marca!

    Pontos positivos
    André Luiz, voltou a dar segurança, e Bruno Rodrigo faz o que pode.
    Estevam, apesar de eu ter entrado com Hallison e Dias , acho que realmente foi uma boa Raí e Erick, embora nesse jogo, a substituição para a entrada do Waguinho seria no lugar do Edno, e deixaria Jonas em campo!
    Eu estou acreditando, espero que o time acredite e chute mais no gol!!


  5. Saudações rubro- verdes.
    Benazzi na Ponte Preta, em busca de colocar o time no G4.
    Desejo muito êxito ao nosso ex- técnico, pois se hoje estamos na série A, devemos muito disso a ele.
    Abraço a todos.


  6. Saudações rubro- verdes.
    Bons tempos esses onde tinhamos pulso firma na presidência de um clube, e jogadores que honravam a camisa que vestiam. Tempos em que o esquadrão luso tinha jogadores cujo nível técnico nos proporcionava fazer frente a qualquer time do Brasil e do mundo. Tempos em que, mesmo tendo uma quantidade menor de torcedores no estádio, se comparado com os demais times, demarcávamos nosso espaço territorial nas arquibancadas, fato este que infelizmente já não acontece mais com a constância que acontecia em tempos idos. Bons tempos esses… Hoje, vamos prá frente lusa, em busca de mais uma vitória.


  7. Para mim esse título de 1973 é só da Portuguesa. Eu estava lá. Dizer que dividiamos o estádio pode ser exagero, mas que havia mais de 30 mil trocedores da Portuguesa, isso eu posso jurar. Digo que o título é só da Lusa, por que tem o gol do Cabinho, erroneamente anulado por aquele juiz desquassificado, que nos tirou a honra de ganhar aquele título sozinho e ainda temos que aguentar torcedores e até jornalistas dizendo que a metade do título nos foi dada, quando foi justamente o contrário. Aquele juiz desclassificado (tem certas pessoas que não me digno dizer o nome, esse é um deles) já havia nos roubado outro título, em 1964, na Vila Belmiro, justamente contra o Santos novamente. Outra coisa que acho engraçado é que um lance tão polêmico como esse do gol do Cabinho foi apagado pelas TVs, mas o gol do fim do jejum do Corinthians, apenas 4 anos após, continua até hoje sendo exigido até dar nauseas.


  8. Caros
    Caro Gustavo,nossa torcida estava em grande número.Nossa auto-estima estava enorme,estavamos exultantes.Mas,na verdade estavamos num péssimo lugar nas arquibancadas,perto dos portões de entrada do estádio..Nada nos incomodava,nem mesmo as camisinas cheias de xixi que nos foram arremessadas pelos trogloditas santistas.Era um mar de bandeiras rubro-verdes que emocionariam qualquer um de vcs mais jovens.A minha está guardada pelo meu velho pai.
    Caro Gustavo, o gol anulado foi qualquer coisa de enojar qualquer ser humano,o quarto-zagueiro santista,um argentino que nem me lembro o nome,atrasou a bola para o goleiro da intermediária,sendo ele o último jogador santista,num êrro bisonho.Cabinho apanhou a bola a uns 10 metros do infeliz zagueiro,e partiu célere fazendo um golaço.Anulado por este infeliz árbitro,que já havia nos roubado um título na Vila Belmiro,contra o mesmo Santos.Neste dia felizmente Deus foi rubro-verde.Estamos eu e meu irmão dentro do meu Fusca voltando tristes para casa.Quando na altura do hoje Parque Alfredo Volpi,ouvimos pelo rádio,que éramos campeões.Foi um tal de colocar a bandeira para fora do carro,e rumar para o Canindé.
    Naquele ano era muito gratificante rumar mos para qualquer estádio e cruzarmos pelo caminho com vários outros carros de lusitanos,com nossas bandeiras rubro-verdes colocadas fora dos mesmos,com alegria,orgulho e ufania jamais vistosPrecisamos recuperar isto.Conto com vocês,jovens rubro-verdes.
    Este belo time resgatou,naquela época o orgulho de ser Portuguesa,com certeza.


Formulário de Busca


2000-2008 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade