
Torcida Trem Fantasma no jogo contra o Coritiba
Marcus Vinicius Adamowicz Filho é um dos líderes da torcida Trem Fantasma, do Operário de Ponta Grossa. No jogo em que eles receberam o Coritiba, infelizmente, apesar do alerta antecipado das organizadas às autoridades de que poderiam haver confrontos entre torcidas, alguns incidentes ocorreram no Estádio Germano Krüger. Erraram as minorias radicais de ambos os lados, errou a imprensa, que não investigou e noticiou o tema, errou a polícia que não fez uma prevenção e identificou os agressores, e errou a diretoria do Operário, clube mandante do jogo, que não deu boas condições de segurança aos torcedores.
Durante a semana, as lideranças da Trem Fantasma entraram em contato com o presidente da Império Alviverde e alertaram ANTES da partida que o jogo tinha um risco especialmente devido a grupos de torcedores locais que são filiados às torcidas de São Paulo. A Império oficializou a polícia desta situação, mas a separação das torcidas no estádio foi ineficaz para evitar todos os tipos de risco de conflitos.
A atual situação envolvendo jogos de futebol no Brasil – é um problema nacional, salvo raríssimas exceções -, requer obrigatoriamente a ação preventiva conjugada com a ação punitiva. As autoridades precisam estar atentas a este binômio. E os dirigentes dos clubes também.
Destaco uma nota oficial da Trem Fantasma que criticou aquela parte da torcida local pelo comportamento hostil. “Vemos que também pecamos em não realizar com antecedência uma divulgação mais incisiva sobre a postura que o torcedor deveria tomar”, justifica Marcus.
“A gente dentro de nossa torcida sempre partiu do princípio de manter a paz nos estádios e possuir boa cordialidade com todas as torcidas que venham ao Germano Kruger.
Nossa função sempre será somente torcer e apoiar o Operário Ferroviário, mantendo apenas a rivalidade sadia das arquibancadas, sendo que fora delas, são todos torcedores que possuem o mesmo sentimento e que passam pelos mesmos problemas nos estádios, não importando a cor da camisa. São todos pessoas iguais a nós, e devemos trata-los sempre com respeito e amizade (algo ainda utópico no futebol nacional)”, explicou o torcedor numa troca de mensagens eletrônica que tive com ele.
Além da nota, destaco um comentário do líder da Trem Fantasma ao blog A Torcida que nunca abandona, o qual transcrevo na íntegra:

Marcus Vinicius Adamowicz Filho e o Vô Coxa
Marcus Vinicius Adamowicz Filho postou um comentário no blog, depois de ler um editorial relacionado ao pós-jogo. Nele, destaque os incidentes, mas alertei que a Trem Fantasma tinha alertado antecipadamente da possibilidade da ocorrência do problema, mas que a atitude foi de parte da torcida e isto não poderia ser generalizado, pois a maioria dos torcedores dos dois times fizeram a parte que lhes cabia: apoiar o seu time durante o jogo e fazer a festa nas arquibancadas.
“Eu como torcedor do Operário, coordenador de marketing da Torcida Trem Fantasma, estava bem preocupado antes do jogo, para que fatos como os ocorridos na última quarta feira não se tornassem realidade.
Como comentei já em outros meios de contato, não venho justificar o erro, e lhe parabenizo por ler o primeiro texto coerente, onde não cai na generalização de toda a torcida alvinegra como vândala ou agressiva. Gente irresponsável existiu dos 2 lados, e quem pagou o preço infelizmente foi todo o torcedor presente na curva sul do Germano Kruger.
Indo aos fatos, alertamos sim a Império Alviverde sobre esse possível tumulto, e alertamos também a Polícia Militar já na semana anterior ao jogo. Como vimos, ela ficou lá, estática, não esboçando represálias tanto contra alvinegros ou alviverdes que tiveram condutas erradas.
Vimos erros também no percurso até o setor visitantes, sendo que nós como torcedor não deveriamos, mas fizemos o papel de segurança tentando dispersar e apaziguar quem estava tumultuando no alambrado do fundo.
Não estamos nem um pouco contentes com a diretoria do Operário, pois tudo o que falamos se concretizou, e mais uma vez não fomos levados a sério.
Sobre a situação do estádio, é uma vergonha, tivemos 5 meses após o acesso, e nosso Grupo Gestor brincando com a torcida, fez uma reforma mal feita de última hora, onde por atraso perdemos o primeiro mando sendo obrigados a jogar no Eco Estádio.
Infelizmente são vários os problemas que o Operário enfrenta, e tudo por falta de planejamento e seriedade de quem comanda as coisas em Vila Oficinas.
Peço desculpas a torcida coxa-branca, pois me envergonho com o que vi.
Abraço”
Trago o assunto à tona para mostrar que o problema relacionado a violência no futebol não pode ser tratado apenas em momentos de crise, quando a notícia dá audiência. Tem que ser um trabalho contínuo, que necessita de aperfeiçoamento e que é necessário interagir as lideranças das torcidas, a imprensa, as autoridades e os dirigentes de clubes.
Isto é, se REALMENTE o objetivo for o de buscar a pacificação das torcidas. É difícil, mas não é impossível e a redução do números de distúrbios violentos não é uma utopia. Prevenção e punição é o caminho.