“Muito se tem discutido sobre as imagens dum programa de TV mostrando a chegada dos ‘comandos’ da torcida organizada, pois no momento que deveria ser de paz, os gritos do ‘terror vai começar’ ecoam como trovão durante a tempestade. E no meio desta tempestade, existe uma nau à deriva chamada Coritiba.
Primeiramente, devo explicar que assisto os jogos no mesmo lugar do Couto a quase dois anos, e neste espaço existem diversos outros torcedores que estão ali jogo após jogo, inclusive, onde foi que conheci minha namorada. Todos ali, levavam bandeiras do clube, a um certo tempo atrás. Mas durante o decorrer de 2009, vimos cenas partidas da torcida organizada, principalmente a pessoas ligadas a comandos, que nos deixaram estarrecidos. Bandeiras do Clube cuspidas, provocações, confusões e ameaças de torcedores que deveriam ser do próprio time, foram as cenas mais vistas. No penúltimo jogo do campeonato brasileiro, contra o Atlético-MG, uma torcedora deficiente física foi assistir o jogo próximo de nós, pois segundo ela, estava cansada dos tais comandos que ficam no primeiro anel da arquibancada, e para a surpresa dela, no novo espaço que ela queria ficar para assistir à partida, aconteceu mais uma cena de ameças de tais integrantes, quando quase arrancaram uma faixa de apoio exclusivo ao time em campo, pois segundo eles, ali era espaço da torcida organizada e eles são os que mandam, e ‘torcedores de final de semana’ não teriam direito de utilizar espaço algum.
Muitas vezes meus comentários deixam a entender que sou totalmente contra torcidas organizadas, e se assim fosse, seria contra o Povão, contra a Mancha, contra a MUC, etc… O que sou totalmente contra, é pelas atitudes medíocres e mesquinhas, como arrogância, onde alguém, por ser integrante de uma organizada, se acha no direito de ser maior que qualquer outro torcedor. Analisando os fatos do último domingo, a Império foi vaiada devido à própria organizada vaiar outros torcedores (questão de reciprocidade). Muitos utilizam este fato como algo político. No meu ver, 90% dos torcedores que vão ao estádio querem, é ver um time competitivo (responsabilidade da diretoria) em paz (em partes, responsabilidade da organizada, salvo as devidas proporções). Existem culpados distintos pelo rebaixamento e pela perda de mando de campo, isso é muito claro e a maioria da torcida sabe muito bem disso, mas nenhuma das partes assumem seus erros, jogando a culpa sempre no outro.
O fato é que os comandos surgiram a diversos anos na Império, mas ultimamente a moral deles acabou sendo extrapolada, sugerindo um tipo de poder onde o ‘terror’ está em primeiro plano. Devido aos fatos de dezembro, com todos os holofotes estão voltados para nosso lado, e a diretoria, numa tentativa de resposta à sociedade e principalmente à mídia, acaba exilando a Império, onde nitidamente foi o foco dos atos registrados, mesmo que não represente o pensamento da maioria dos seus integrantes.
A Império está sendo encurralada, pois qualquer erro cometido poderá ter resultados desastrosos com o Clube (que por sua vez, também está encurralado), mas com um pouco de visão, esta pode ser a chance da mudança de uma torcida organizada, jamais vista em qualquer outro clube do Brasil. Pessoas normais desistem ou não fazem nada quando surgem os problemas, já os sábios utilizam o problema para encontrar a solução.
No papel, os comandos foram extintos, mas na prática, eles ainda se reúnem com suas camisas e cantam músicas, ambas relacionadas à Império. Neste momento, acho importante a Império tomar medidas mais rígidas, assim como ela própria vem sofrendo. Na minha opinião, como torcedor não ligado a nenhuma organizada, apresento medidas onde acredito, que com esforço e dedicação por parte da Império, poderá mudar sua relação com os demais torcedores, e talvez até mudar o conceito de torcida organizada (hoje, muito marginalizada, como razão) e dar uma sobrevida, pois hoje quase toda a população, assim como Ministério Público, Polícia, etc, está contra qualquer organizada.
Analisando friamente, os comandos possuem comportamentos semelhantes, sempre andando em grupos, vestindo camisas da torcida e cantando músicas de provocação (sem qualquer objetivo de rivalidade, apenas de exaltação ao terror). Acho importante, para definitivamente sejam extintos os comandos, mas caso eles ainda existam, mesmo contra a medidas tomadas pela Império, de se criar um código de conduta, com base no comportamento da torcida Coxa durante décadas passadas, onde a torcida era exemplo de comportamento e civilidade. Este código deve ser desenvolvido por pessoas ligadas à própria organizada, que conhece e deve saber como lidar com o grupo de torcedores.
É importante que qualquer pessoa que queira seguir a torcida organizada, sendo associado ou não, deverá segui-lo, e para isso, qualquer pessoa ligada à Império, seja diretor ou não, deverá ajudar na coibição ao desrespeito ao código, sendo este um trabalho tipo formiga, onde com o pequeno esforço de cada integrante chegará a um resultado maior e visível, onde todos devem retirar pessoas que possam prejudicar a torcida organizada, a torcida em geral e principalmente ao clube. Ressalto que o principal ponto é que qualquer atitude não correspondente deve ser duramente punido, pois quem não a seguir, estará caracterizado definitivamente como um não-integrante de torcida organizada, e deve ficar longe da mesma. Acredito que com isso, a separação entre comandos e Império estará fundamentada.
Quanto às punições que a Império vem sofrendo pelo Clube, acredito ser a oportunidade da Império mudar alguns conceitos, pelo menos durante este período tenebroso para todos nós. Com base no que sofri ano passado com a bandeira do Coxa, e a proibição de faixas, pode-se criar uma campanha da Império aos torcedores em geral, de quem for ao estádio, levar sua bandeira do Coxa. Na verdade, por fotos, na década de 1970 via a quantidade de bandeiras com o escudo ou somente com as cores do clube.
Lembro, que bem pequeno, no final dos anos 80, meu irmão me levava aos jogos sempre com uma bandeira enorme, que agitava próximo à própria Império, mesmo existindo a Mancha Verde na época (só para constar, ele nunca foi de qualquer organizada). Sinceramente, nunca tive a oportunidade de ver o Couto repleto de bandeiras, e ficaria feliz em poder ver isso. Acredito que esse tipo de campanha, jamais realizada por um clube e muito menos por uma torcida, poderá reaproximar a torcida com o time, silenciar os abutres e dar um sinal, de que nem tudo está perdido. Neste momento, é importante a união, seja quem for, para salvar um bem maior, chamado Coritiba.
Muitos devem falar que esse tipo de ação pode acabar ajudando a diretoria, mas antes de qualquer diretoria, qualquer torcida, qualquer imprensa, existe o Coritiba. Erros existem de todos os lados, e erros devem ser objetos de aprendizado. Está na hora de reformularmos a torcida (pois essa atitude está ao alcance de todos), seja organizada ou não, pois estamos num big brother, tem muita gente de olho em nós para acabarem com o Coritiba.
Somente nós podemos recuperar a imagem distorcida que nos foi generalizada. Precisamos de união, pois com a torcida unida, final do ano que vem pode-se começar uma história nova no Clube. Eu acredito nisso, mas para se tornar realidade, muita gente também precisa acreditar e lutarmos juntos”.