Não sei se foi calor senegalês que fez na cidade ontem, se foi o longo período sem jogos oficiais ou qualquer outra razão. Mas dessa vez, mesmo com uma vitória fácil sobre o Friburguense por 3 x 0 (que poderia ter um placar ainda maior), vou ficar com o Dorival Jr. e conter a empolgação – que já foi demonstrada por alguns comentários – e dizer que não gostei muito do jogo ontem. Não que o time tenha se apresentado muito mal. Mas depois de tanto treino, do massacre pra cima do CFZ (que, por pior que seja, não pode ser tão mais fraco que o Friburguense) e de tantas declarações sobre a evolução do time, eu esperava um pouco mais.
Talvez tenha sido o tal “ritmo de treino” tão falado por aí. Mas mesmo um treino poderia ter sido um pouco melhor. O primeiro tempo, sob o maçarico inclemente do verão carioca, tornou o jogo muito lento. Mesmo diante de um adversário que parecia querer provar o porquê de ser o último colocado do campeonato, quem levou o primeiro susto fomos nós: Fernando, que já não prima pela velocidade em temperaturas mais amenas, perdeu na corrida para o atacante adversário e só não levamos o gol porque Tiago fez uma excelente defesa.
A resposta veio rápido. Fagner se infiltrou pelo meio e com um belo passe deixou Carlos Alberto de cara pro gol. Ele não perdoou, tocou pras redes e foi pro abraço. Depois disso o jogo voltou à lentidão habitual. O Friburguense não conseguia nos ameaçar e o Vasco chegava eventualmente com perigo. Antes do final da primeira etapa ainda perdemos duas chances claras, uma com Elton – depois de mais um passe do Fagner – e outra com Jéferson.
No segundo tempo, com a temperatura um pouco mais baixa e com a conversa que o Dorival teve com o time no intervalo, o jogo melhorou um pouco. Logo aos oito minutos o Vasco ampliou o placar: “Casalberto” avança pela lateral, sofre um pênalti – não marcado pelo juiz ¬– se recupera e chuta. O goleiro espalma nos pés do Alex Teixeira que finaliza do jeito que ele sabe, mal. A bola ainda sobra e Elton vai pra dividida com o goleiro, levando a melhor e marcando o gol mais chorado e feio do Vasco esse ano. Mas é como dizem por aí, “feio é não fazer gol” e o que importa é que nosso centro-avante marcou o segundo.
Com o jogo sob controle, Dorival fez algumas substituições. Cansado, Carlos Alberto dá lugar a Fernandinho e o sumido Alex Teixeira sai para a entrada do Pimpão. Mas quem entrou no jogo mesmo foi Ramon, que depois de um fraco primeiro tempo e resolveu jogar e além de criar várias jogadas pela esquerda quase marcou um golaço.
Por outro lado, Fernandinho, que tinha acabado de entrar, só conseguiu ser notado duas vezes: quando tomou um amarelo e quando saiu por contusão (para a entrada do Enrico). Fora isso, era melhor não ter entrado no jogo. Foram mais 14 minutos em campo sem justificar a confiança do Dorival no seu futebol. Antes do fim do jogo, o Vasco fez o terceiro e mais bonito da partida: um foguete de Rodrigo Pimpão, mostrando um tempinho no banco pode fazer bem ao garoto.
O jogo não foi difícil, mas poderia – ou melhor, DEVERIA – ter sido ainda mais fácil. Pra uma primeira rodada de returno, o resultado foi bom, mas o futebol apresentado deixou a desejar. A torcida pode ter se empolgado com um ou outro jogador, ter gostado muito do placar e tal, mas estou com o Dorival: o time não foi muito bem. Se na próxima quinta jogarmos dessa forma contra a cachorrada, poderemos ter sérios problemas.
Pode parecer que estou sendo do contra, mas fazer o que? Acho que já podemos nos dar ao luxo de sermos um pouco mais exigentes com o time.
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Tiago não foi muito exigido – e nem poderia, diante de um adversário tão fraquinho – mas fez umas duas ou três grandes defesas. A primeira, logo aos 5 do primeiro tempo, foi excelente.
Aos poucos nosso camisa 50 vai mostrando que a temporada de 2008 é mesmo pra se esquecer. Que o Tiago siga nesse crescente (e não nos desaponte em algum jogo mais decisivo).
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Fernando e Tite não deveriam ter muitas complicações ontem, mas ainda assim deram uns vacilos, principalmente no primeiro tempo. Não se pode culpar o calor, que foi brabo pros atacantes adversários também, nem mesmo o constante apoio dos nossos laterais, já que ontem tivemos volantes que na grande maioria do tempo apenas marcaram.
Os dois podem ter sido os titulares da melhor zaga do campeonato até agora, mas ainda assim eu gostaria de ver o Leonardo jogar.
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Até os 15 minutos do segundo tempo, Ramon vinha fazendo uma das suas piores partidas pelo Vasco. Errando muitos passes – e quase entregando o ouro numa dessas, no começo do segundo tempo – e não aparecendo muito no ataque, o garoto só resolveu jogar direito depois do segundo gol do Vasco. Não que tenha se empolgado com o placar, mas porque durante a comemoração o Dorival Jr. o chamou para lhe dar uma bronca daquelas. Aí o Ramon a que estamos acostumados apareceu: foi uma boa opção ofensiva pela esquerda, partindo pra cima dos marcadores com personalidade e criou boas jogadas. Quase marcou um golaço por cobertura.
O Fagner fez uma estréia promissora. Não se intimidou com a primeira partida pelo time, jogando com personalidade. Apoiou, marcou quando necessário, correu o jogo todo e ainda acertou dois belos passes, um que rendeu o primeiro gol do jogo e o segundo que foi desperdiçado pelo Elton. Não diria que foi uma apresentação que ameace a titularidade do Paulo Sérgio, mas serve para deixar a torcida animada com a possibilidade de termos não apenas um bom lateral direito, mas também uma boa opção de reserva para a posição.
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Amaral novamente não desapontou a torcida e marcou com firmeza e, para espanto geral, sem violência e não errando passes. Ontem, no primeiro tempo, chegou a acertar um lançamento de uns 30 metros numa inversão de jogada. O Dorival Jr. deve ter feito alguma coisa com o sujeito para ele ter melhorado tão significativamente.
O Mateus também não foi mal. Não foi nem de longe tão útil na ligação com os armadores como teria sido o Nilton ou o Leo Lima, mas pelo menos fez bem – para os seus padrões – o trabalho de marcação. Pelo menos impediu um chute perigoso do Friburguense no segundo tempo e não foi o jogador irritante que costuma ser.
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O esquema do Dorival não favorece muito ao Jéferson. E se normalmente ele não pode apresentar um futebol dos mais vistosos, com a lentidão do time no jogo de ontem ele aparece ainda menos. Ele deve ter alguma importância tática para o time, mas ele se esconde tanto no jogo que é difícil perceber qual é essa importância. No primeiro tempo, o Jéferson apareceu depois de perder um gol feito depois de jogada com “Casalberto”. No segundo ele cresceu de produção junto com o time, mas ainda assim sem maior brilho.
Já o Carlos Alberto, talvez inspirado pela notícia de que será papai, fez uma bela partida. Buscando o jogo, partindo pra cima dos adversários e brigando sempre (e o que é melhor, sem levar cartão), Casalberto foi o melhor da partida ontem. Fez o primeiro com um toque sutil tirando o goleiro e iniciou a jogada do segundo, depois de sofrer pênalti, não assinalado pelo juiz, e chutar para o goleiro serrano oferecer o rebote. Saiu cansado, o que é até compreensível, já que foi o que mais correu enquanto esteve em campo.
Ele saiu para a entrada do Fernandinho que não conseguiu fazer nada certo mesmo diante de um adversário fácil e já batido. Se contundiu depois de 14 minutos dentro de campo, mas se fosse um famoso “pedido pra cagar e sair”, não faria diferença. Ainda não mostrou o futebol que o Dorival parece crer que ele tenha. O Enrico entrou em seu lugar e não teve chance de mostrar muita coisa. Mas ainda assim, foi melhor que o Fernandinho.
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O ataque parece ter sido o setor do time que mais sofreu com o calor. Elton não repetiu as atuações anteriores e no primeiro só não passou em branco porque perdeu um gol feito –depois de dar um chute digno de um Alex Teixeira de tão fraco – na cara do goleiro. No segundo tempo continuou não sendo ao atacante perigoso que mostrou ser em outras partidas, mas pelo menos marcou o seu, depois de um lance muito brigado.
O Alex Teixeira também não fez muito na partida. Se o Dorival o colocou em campo para dar uma maior movimentação na frente, a medida não surtiu efeito. Alex teve um primeiro tempo apagado e quando teve uma chance clara de gol foi derrubado e o juiz ainda fez o favor de não marcar a falta. Na etapa final, no pouco tempo que ficou em campo, apareceu apenas no lance do segundo gol, pra variar, finalizando mal diante do goleiro. Saiu para a entrada do Pimpão, que amargou pouco mais de uma hora no banco e entrou mostrando serviço, dando mais movimentação ao ataque e marcando um golaço, depois de um belo chute da entrada da área. Se não voltar a ter aqueles ataques de marrentice, pode ser que a reserva tenha durado apenas um tempo e alguns minutos para o Pimpão.
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Com os resultados da primeira rodada, já somos líderes da Taça Rio, pelo saldo de gols. Mas a julgar pela dificuldade que TODOS os outros times do nosso grupo tiveram, não vejo dificuldades em nos mantermos nessa liderança até às semifinais.
Isso, claro, se o time ainda der uma melhorada. Mesmo mostrando o melhor futebol da primeira rodada, ainda estamos um pouco longe de termos um time 100% confiável.