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Festa adiada

dom, 01/11/09
por JC |

Figueira e Lusa fizeram sua parte e mesmo que tivéssesmos feito a nossa a certeza matemática da classificação não teria aparecido ontem. De qualquer forma, da maneira como o Vasco empatou com o Fortaleza por 1 x 1 no Castelão, parece que o Gigante não estava mesmo com muita vontade de fazer a festa longe do Rio. A certeza da volta à Série A foi adiada para o jogo no Maracanã contra o Juventude, diante da torcida vascaína, sábado que vem.

Mas a vitória ontem não mudaria a data da possível comemoração da torcida e se o time resolvesse jogar um pouco mais, poderia ter trazido do Ceará os 3 pontos. Foi assim no começo do jogo, tanto que o Vasco finalizou 3 vezes com perigo em menos de 7 minutos. Ernani (arriscando de fora da área), Fernando e Titi – o primeiro num sem pulo e o segundo tentando pegar o goleiro desprevinido – quase marcaram.

Mas depois disso o Vasco parou de jogar. Debaixo de um sol desértico, o time pareceu achar que não valia a pena ficar em campo. Mesmo com o Fortaleza jogando pra frente e deixando muitos espaços, nossos jogadores só conseguiam errar passes e desperdiçar contra-ataques. E como um dos times não estava interessado na partida, o outro resolveu vencer. O Fortaleza passou a dominar as ações do jogo, tendo mais posse de bola e chegando com mais frequência ao nosso gol. Fernando Prass precisou fazer duas boas defesas, uma em um chute de fora da área e outra tirando a bola dos pés do atacante peso-pesado Luis Carlos, que apesar do peso descomunal se livrou facilmente do Fernando e apareceu de cara pro gol.

Antes do fim do primeiro tempo, Adriano ainda teve tempo de fazer o que sabe fazer melhor: perder gols. Aos 35, Allan dá um belo passe para Paulo Sérgio, que vai até a linha de fundo e cruza para o Adriano. O cruzamento foi na medida para o atacante cabecear por cima do gol, depois da saída errada do goleiro. Adriano ainda participou do último lance de perigo da etapa inicial. Ele se livrou do marcador, passou para o Elton e se colocou livre na área. Elton passou pelo zagueiro, mas errou o cruzamento e acabou quase marcando um gol por acidente.

Os times voltaram do intervalo sem alteração e o mais interessado na vitória começou melhor. O Fortaleza precisou de duas chances para abrir o placar, as duas contando com cochiladas da defesa. Aos dois minutos, dois atacantes tabelaram livremente entre uns 5 jogadores do Vasco e Eusébio teve toda liberdade para chutar da entrada da área, obrigando Prass a fazer outra boa defesa. Cinco minutos depois, nosso goleiro não pode impedir a abertura do placar. Nem Allan, nem Fernando conseguem parar a subida do meia que toca para o Bismark que deixou o Titi no chão e chuta sem chances para o Fernando Prass.

A jogada do gol tricolor começou num contra-ataque, depois de Amaral ter errado um passe simples. Foi o estopim de uma discussão entre Elton e Amaral que por pouco não chegou às vias de fato se Adriano não separasse os dois. O nervosismo do time só não aumentou porque dois minutos depois o Vasco empatou, numa jogada idêntica ao primeiro gol do Gigante contra o Bahia. Exatamente como fez o Fagner no jogo do Maraca, Paulo Sérgio avançou pelo campo adversário e tocou para Elton. Esse, assim como o Adriano contra o Bahia, devolve de calcanhar para o lateral direito que acerta um chute mortal da entrada da área.

E o empate fez com o que o Vasco mais uma vez parasse de jogar.  Satisfeitos com o ponto conquistado, o time praticamente não ameaçou mais o gol adversário. Tentando dar um novo gás à equipe, Dorival começou a mexer no time. Primeiro tirou Adriano e colocou o Pimpão. 10 minutos depois foi a vez de Elton e Alex Teixeira sairem para darem lugar ao Aloísio e ao Magno. As alterações não mudaram a cara do jogo e o anfitrião seguia mais ofensivo. Marcelo Nicácio e Luis Carlos tiveram chances claras de gol, aos 35 e 41, respectivamente. Nossos substitutos também desperdiçaram chances: Pimpão isolou uma bola aos 41 para logo depois cair sobre o próprio braço e ter uma luxação (que deve tirá-lo de ação até o ano que vem). Aos 42, Magno limpou um adversário e tentou um chute, defendido pelo goleiro.

O empate não era o resultado que a torcida queria, mas no fim das contas não altera muito o andamento do campeonato. A decisão da vaga ficaria mesmo para o Maracanã e olhando a rodada, ela acabou até sendo favorável, já que ampliamos a diferença para os outros três clubes no G4. Claro que isso não justifica mais uma atuação desinteressada do Vasco, que mesmo estando virtualmente na Série A em 2010 e com a mão na taça, não pode, por respeito às nossas tradições e torcida, jogar sem vontade. Que no sábado que vem, diante de um Maracanã que promete estar lotado, o time demonstre mais vontade.

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Falo mais sobre a atuação dos jogadores na coluna de hoje n´Os 4 Grandes. Mas antecipo: pra mim, a melhor atuação do jogo foi a do Paulo Sérgio. A concorrência estava muito fraca ontem.

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Papelão mesmo foi o bate-boca entre o Elton e o Amaral. Com o time perdendo o jogo os dois só faltaram se atracar em campo, como se isso fosse melhorar alguma coisa pro Vasco. É coisa pro Dorival dar uma chamada séria nos dois.

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A boataria segue bombando, dessa vez com reforços graúdos. Mas na minha opinião, nem adianta a torcida se animar muito com os nomes Keirrison e Ronaldinho Gaúcho. Mesmo que as conversas sobre os dois jogadores tenham mesmo acontecido, a vinda dos dois me parece improvável. O agente do K9 já descartou a possibilidade do jogador voltar tão cedo para o Brasil. E as conversas com o Assis (ex-jogador do Vasco e empresário do Ronaldinho), por mais que ele tenha um bom relacionamento com a diretoria, não devem ser muito diferente de várias outras que ele deve ouvir de outros tantos clubes brasileiros.

Com o sucesso do xará mais obeso nos gambás, uma penca de clubes deve ter crescido os olhos para cima do Ronaldinho, que pode não estar em alta nas “zoropa“, mas que certamente arrebentaria por aqui. Um reforço que alegraria qualquer torcida e que ainda traria muito dinheiro com marketing é o sonho de qualquer dirigente. O Vasco certamente terá muitos concorrentes nessa empreitada, isso, claro, se o Ronaldinho tiver alguma vontade de atuar no Brasil.

Nem a matemática pode impedir a festa

dom, 25/10/09
por JC |

Com a vitória do Vasco sobre o Bahia por 2 x 1 e as derrotas do Figueira e da Lusa na rodada, uma das vagas na Série A de 2010 já tem como endereço a Rua General Almério de Moura, 131. Com 15 pontos de diferença para o 5º colocado e faltando 18 a serem disputados, não há calculadora que mude essa realidade: o Gigante retornou para seu lugar de direito.

Diante disso, a partida em si até perde sua importância. Foi mais um jogo chato contra um adversário que se preocupou muito mais em se defender. Antes mesmo da partida começar, a torcida foi pega de surpresa pela ausência do Carlos Alberto, vetado em cima da hora e substituido pelo Allan. Somando um meio de campo com três volantes e apenas Fumagalli na criação, a retranca baiana e o forte calor do horário de verão e o resultado não poderia ser outro além do ritmo lento (quase-parando seria mais preciso) do primeiro tempo.

Os dois times não conseguiam criar lances de perigo, e tanto foi assim que o primeiro bom momento do jogo aconteceu meio que por acaso, aos 9 minutos. Uma falta da intermediária e a velha mania do Ernani de achar que pode bater faltas direto para o gol de qualquer lugar do campo. O chute sai forte, bate num jogador adversário e quase entra. O Bahia deu o troco dois minutos depois: Ananias recebeu um lançamento, se livrou do Ernani e arriscou de longe. Fernando Prass rebateu à la Tiago e a bola sobrou para o Nadson, que só tinha o olhar ao longe do Vilson para atrapalhar. Mas para a nossa sorte, o rapaz furou bisonhamente na frente do gol.

As melhores jogadas do Vasco apareciam pela esqueda, com Alex Teixeira e Ernani, que novamente começou bem uma partida. Aos 17, Alex bagunça com um marcador e cruza. Fumagalli chega fechando e o zagueiro desvia contra o patrimônio, colocando a bola no travessão. Em seguida, Ernani fez mais duas jogadas pela esquerda. Na primeira, depois de canetar de letra seu marcador, vai até o fundo e cruza. Elton recebe a bola mas não completa o giro. Na segunda, o lateral manda uma bomba cruzada do bico da área e Alex Teixeira quase completa para o gol.

Aos 34 minutos o Dorival foi obrigado a fazer uma substituição que mudou a história do jogo. Fumagalli, que já havia levado uma joelhada na cabeça, passa mal e dá lugar ao Adriano. E não demorou muito para o nosso especialista em perder gols participar da sua jogada mais inteligente vestindo a cruz de malta: um zagueiro sai mal a bola, Fagner a intercepta e passa de primeira para Adriano. O atacante dá um excelente passe de calcanhar e devolve para o lateral direito, que passa na velocidade por um marcador e fica na cara do gol. O arremate com a canhota foi perfeito, estufando a rede.

O primeiro tempo terminou sem maiores emoções e o Vasco voltou com o mesmo time para a etapa complementar. O sol deu um certo descanso aos jogadores, mas ainda não conseguíamos furar a retranca do Bahia. As laterais não estavam sendo eficientes como opção ofensiva, já que o Ernani, a exemplo do jogo contra o ABC, ficou mais preocupado com a marcação no segundo tempo e o Fagner igualmente não apoiava muito. O primeiro lance de perigo surgiu apenas aos 15 minutos, em um bom chute do Alex Teixeira de fora da área, mostrando que o garoto ganhou mais confiança depois do mundial. O lance acordou o Vasco, que passou a pressionar. Três minutos depois, Fagner levanta a bola na área em cobrança de falta. Elton cabeceia para trás e Adriano fez o que sabe fazer melhor: perder gols. A bola sobrou no seu pé duas vezes na pequena área e ele conseguiu desperdiçar as duas chances, uma chutando em cima do zagueiro e a segundo colocando a bola por cima da trave.

Talvez influenciado pelo camisa 39, foi a vez do Elton começar a irritar a torcida. Se no primeiro tempo ele não fez nada e o Maraca já pegava no seu pé, quando ele começou a apanhar seguidamente da bola foi o sinal para a torcida – que desde o jogo contra o Vila Nova nem precisa de motivos para vaiá-lo – começar a pedir a entrada do Pimpão. Mas depois de três ou quatro lances em que o artilheiro não conseguiu concluir as jogadas (e de uma finalização em que ele quase marca), Elton deu o troco. Amaral, que havia acabado de entrar no lugar de Souza, com dores, avança com liberdade e toca para o centro-avante. A bola não vem redonda, mas ele a ajeita, levanta a pelota e acerta um lindo chute no ângulo.

A torcida ainda comemorava o gol quando o Bahia resolveu fazer uma graça. Com o setor defensivo completamente desatento, o tricolor bate uma falta rapidamente, Fagner, Vilson e Titi não conseguiram impedir a troca de passes e Paulo Isidoro recebe livre (isso porque o Amaral não acompanhou o jogador), na cara do Fernando Prass e diminui para o Bahia.

Faltavam ainda 10 minutos para o fim do jogo, mas o Bahia não parecia ter forças para esboçar uma reação. Depois de rondar um pouco a intermediária do Vasco e terem dado dois chutes sem perigo para Fernando Prass, nosso adversário não conseguiu fazer mais nada. Prova disso é que o último lance de perigo ainda foi nosso, em um chute do meio da rua do Ernani que obrigou o goleiro baiano a fazer uma boa defesa. Nem mesmo a entrada do Dedé no lugar do Adriano aos 43 ajudou ao Bahia a fazer uma pressãozinha nos minutos finais.

O placar foi até o fim no 2 x 1 mas a torcida não precisou esperar pelo apito final para gritar bem forte que o “Vascão voltou” e até um prematuro “É campeão!“. Mas mesmo que o título ainda não esteja garantido, nada mais pode impedir o Brasileirão de 2010 de ter o privilégio de contar com o Gigante entre seus concorrentes. Nem adversários, nem as chances infinitesimais que ainda faltam para convencer a fria matemática.

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Uma análise mais detalhada das atuações do time está n´Os 4 Grandes. Mas é preciso falar um pouco do Allan. O que o garoto jogou ontem foi brincadeira. Foi excelente no desarme, roubando várias bolas sem cometer faltas desnecessárias e distribuiu a bola com objetividade. E nos dois quesitos foi muito melhor que o Nilton. Na minha opinião foi o melhor em campo e pela partida que fez (e mantendo uma regularidade), o Allan mostrou que pode jogar como primeiro ou segundo volante sem deixar a torcida preocupada.

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A torcida não lotou o Maraca, mas os quase 53 mil presentes fizeram um bom papel e tiveram a honra de gritar pela primeira vez “É campeão!” depois de muito tempo. Cada um tem sua opinião sobre o assunto, mas a minha continua a mesma: acho impossível que no Rio e nas regiões próximas não existam vascaínos em número suficiente para lotar o estádio e que pudessem ir ao jogo.

Faltaram 10 ingressos para que o jogo tivesse 50 mil vendidos. Como eu disse, poderia ser melhor, mas foi um bom público e uma boa renda (certa de R$ 820 mil). Resta ver, é claro, quanto será garfado pela justiça. Mas mesmo com a perda de parte da renda com penhoras, a grana ainda será maior do que se o jogo fosse na Colina lotada. A renda do jogo Vasco x Campinense é um bom exemplo: todos os ingressos foram vendidos – cerca de 18 mil – e a renda não chegou a R$ 140 mil.

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Mesmo o sempre comedido Dorival já admite que a classificação é certa. Isso é sinal de que a torcida pode mesmo festejar a volta do Gigante.

Troco apimentado

sáb, 24/10/09
por JC |

O Bahia foi o único time a vencer o time titular do Vasco no primeiro turno, numa partida em que perdemos – aliás, o Adriano perdeu – um caminhão de gols e levamos dois gols bobos em bolas paradas. Por isso, a partida de hoje contra o tricolor soteropolitano tem um gostinho de revanche. É hora de dar um troco, e com bastante pimenta, na turma do acarajé.

O Vasco entra em campo com quatro alterações (diferente do que mostra a ficha técnica da partida aí embaixo): Fernando não correspondeu nas chances que teve e, apesar do gol marcado na última partida, Vílson retomou a posição na zaga (como bem lembraram os leitores Wellington e  Bruno, o Fernando está suspenso pelo terceiro amarelo, por isso não joga. Mas que ele não tem correspondido ainda, é fato). Fágner volta de contusão e começa no lugar do Paulo Sérgio, também suspenso. No meio de campo, Souza e Alex Teixeira voltam ao time nos lugares do Amaral e do Allan. Faltando pouco para confirmar a volta à Série A e tendo mais opções no elenco, Dorival escalou o meio com nossos dois melhores volantes e dois armadores. Com isso, Carlos Alberto – que segue no ataque – deverá ter menos necessidade de voltar para buscar jogo e poderá ficar mais próximo ao Elton. Resta saber se o Fumagalli conseguirá dividir as atenções da marcação para que o Alex consiga jogar com alguma liberdade. O ataque e também o resto do time é o mesmo que venceu o ABC. Ramon e Gian seguem vetados pelo departamento médico e Ernani continua na lateral esquerda e Titi na zaga.

Ficha técnica

Ficha técnica

O Bahia vem ao Rio com a corda no pescoço e precisa desesperadamente somar pontos. Segundo o técnico tricolor, seu time precisa “jogar com inteligência para explorar bem os espaços deixados pela defesa deles para tentarmos sair do Rio de Janeiro com um bom resultado“. Entenda-se por “jogar com inteligência” e “explorar os espaços” como “ficar se segurando” e “esperar pelos contra-ataques“. Não será muito diferente do que o Vasco está cansado de encontrar nesse campeonato. E o que tem que ser muito diferente é a dificuldade que o time tem diante das retrancas. E como o Bahia voltou para o Z4 com a vitória do América-RN sobre a Lusa, o tricolor vai fazer de tudo para sair do Maracanã com pelo menos o pontinho que eles já começam ganhando.

Até agora, os resultados da rodada foram bons para garantir antecipadamente a nossa vaga (caso o Figueira perca pontos para a Ponte, será ainda melhor) mas foram ruins na luta pelo título: Atlético-GO e Ceará venceram e o Bugre tem grandes chances de fazer o mesmo, pois encara o ABC em casa. Ao fim dessa rodada manteremos a liderança independente dos outros resultados, mas temos que fazer o dever de casa hoje para mantermos a folga na tabela e para diminuirmos os números na nossa contagem regressiva.

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Até a véspera do jogo, as vendas de ingresso não chegaram a 30 mil. Os pontos de venda abrem as 9 da manhã e ficam aberto até as 14. No Maraca, as vendas começam ao meio dia e vão até o fim do primeiro tempo. A não ser que as filas hoje sejam quilométricas, a Globo acertou em transmitir a partida para o Rio. Com a quantidade de vascaínos cariocas que preferem ficar em casa, a audiência da emissora será enorme.

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Pai Santana será homenageado na partida de hoje e receberá uma placa pelo 50º aniversário do seu primeiro título como profissional massagista do clube. Como um dos símbolos vivos do Vasco, ele mais que merece a festa.

Salvos pelas bolas paradas

qua, 21/10/09
por JC |

Como era de se esperar, o desesperado ABC não facilitou as coisas para o Vasco e por pouco o vice-lanterna não conseguiu tirar pontos do líder do campeonato. O Gigante venceu por 3 x 2 um adversário que não se acanhou em campo e procurou a vitória a todo momento. E o jogo franco serviu para mostrar que não é apenas contra times retrancados que o Vasco passa dificuldades. A forma como vencemos evidencia nossos problemas: mesmo com todo o espaço que o ABC foi obrigado a nos ceder ao precisar da vitória, não conseguimos criar muito com a bola rolando.  E defensivamente, levar dois gols do segundo pior ataque do campeonato não é muito abonador.  Se não fossem os lances de bola parada, não teríamos conquistado os três pontos.

O Vasco começou melhor o jogo e não demorou a marcar. O primeiro gol veio depois de escanteio cobrado pelo Paulo Sérgio, aos 8 minutos. Titi desvia o cruzamento para o meio da área e Ferando aparece para escorar sozinho a bola para a rede. A desvantegem no placar abalou o time potiguar, que nos minutos seguintes apenas viu o Vasco jogar. Chegamos duas vezes com perigo logo após o gol. Aos 10, Fumagalli encontra Paulo Sérgio, que fez um surpreendentemente bom primeiro tempo. O lateral faz bom cruzamento, mas a bola foi cortada antes de chegar ao Elton, que receberia com plenas condições para marcar. Dois minutos depois, Carlos Alberto recebe cruzamento na área e, no cabeceio, quase marca.

Mas depois disso, foi o mandante que começou a mandar no jogo: aproveitando que o Vasco jogava no ataque mas tinha a marcação frouxa, o ABC começou a levar perigo ao nosso gol nos contra-ataques. Aos 15 minutos, o veloz atacante Ricardinho avança e sofre o combate do Amaral. O volante resolve fazer sua “marcação moonwalk“, acompanha o Ricardinho andando para trás e quando resolve dar o bote, já está dentro da área, é ultrapassado facilmente e comete pênalti. O zagueiro Gaúcho precisou cobrar duas vezes a penalidade para confirmar o empate.

O gol sofrido bagunçou de vez com a já confusa marcação do Vasco. Depois do empate, o ABC teve duas chances claras. Na primeira, novamente o Ricardinho passa como quer novamente pelo Amaral e chuta cruzado depois de correr livremente por todo o nosso campo. Na segunda, Ernani se embaralha com Fernando, a bola bate nos dois e sobra para o atacante do ABC, que por sorte arrematou fraco para fora.

Diante da bagunça que era a marcação no meio, Dorival acaba com o baile que Amaral levava do Ricardinho deixando a marcação do atacante sob responsabilidade do Nilton. Com isso, o Vasco conseguiu se segurar um pouco melhor e evitar os seguidos contragolpes que vinha sofrendo. O jogo mais brigado e com menos jogadas ofensivas. Até que aos 27, Elton dá belo passe para a infiltração de Ernani, que é derrubado dentro da área. O segundo pênalti da partida é cobrado pelo Carlos Alberto, que marcou seu oitavo gol na competição e mais uma vez colocou o Vasco na frente.

Novamente em desvantagem, o ABC partiu para cima do Vasco e quase marca com Jr. Negão, após se livrar facilmente do Fernando. Ele acerta a trave, com Fernando Prass vendido no lance. O ímpeto ofensivo do nosso adversário acabou o deixando mais vulnerável e o Vasco aproveitou os espaços. Aos 38, Nilton avançou livre para o ataque, mas Elton não conseguiu completar a tabela. Logo depois Paulo Sérgio rouba uma bola na linha de fundo e faz  bom cruzamento, novamente desperdiçado pelo nosso ataque. O lateral direito ainda participou de dois bons momentos do time antes do fim do jogo: aos 45 ele acerta um cruzamento na medida para Nilton perder o gol mais feito da partida, cabeçando livre de marcação para fora. E aos 48, Fumagalli passa para Paulo Sérgio dentro da área, mas seu chute saiu por cima.

Mas a ótima atuação do Paulo Sérgio foi comprometida logo na saída de bola do segundo tempo. Ele perde a bola de forma canhestra, perde na corrida para o jogador do ABC que passa para o Jr. Negão que não dá chances para o Fernando Prass. ABC 2 x 2 Vasco.

O empate aturdiu mais uma vez o Vasco, que começou a fazer faltas para frear as jogadas do ABC. Em quatro minutos Titi e Paulo Sérgio acabaram levando amarelos. O Vasco não conseguia mais criar jogadas e nas raras oportunidades em que chegava na intermediária, era a vez do ABC se utilizar das faltas. Foi o que acabou fazendo a diferença a nosso favor. Aos 8, Paulo Sérgio levanta uma bola na área e Fernando quase marca de peixinho. Cinco minutos depois, foi a vez do Fumagalli fazer a cobrança. A barreira não pula e a bola morre no gol. Vasco mais uma vez na frente do placar. Paulo Sérgio ainda teve outra chance de bola parada, ao bater direto para o gol uma cobrança e obrigando o goleiro do ABC a fazer boa defesa.

Com o time novamente em vantagem, Dorival começou a mexer no time. Primeiro, tirou o Elton, que não conseguiu entrar no jogo, e colocou o Aloísio.  Não adiantou muito, já que naquele momento da partida, o Vasco passou a se preocupar mais com a defesa do que com o ataque. Fumagalli não conseguia criar jogadas, Allan não ajudou a criação em momento algum da partida, Nilton não pode mais subir ao ataque por estar marcando o Robinho.

Os laterais cairam muito de produção na etapa final e também não ajudaram ofensivamente: Paulo Sérgio, talvez querendo compensar a falha que resultou no segundo gol do ABC, se lançou ao ataque como um louco. Com isso, além de não conseguir ser eficiente no apoio, deixou um buraco enorme na direita. Ernani, que equilibrou as ações de defesa e de apoio no primeiro tempo, se restringiu à marcação no segundo. E quando tentou subir, errou muitos passes.

Resultado? Sobrou para o Carlos Alberto. O capitão era obrigado a jogar mais longe da área e buscar a bola na intermediária. E quando fazia isso, acontecia o de sempre: era parado com faltas. De tanto apanhar, Casalberto acabou sentindo e saiu para a entrada do Adriano. Um minuto antes, aos 32, Allan já havia sido substituido pelo Mateus.

Se o time não conseguia criar há algum tempo, não seriam essas mexidas que mudariam o panorama do jogo. Daí em diante, o Vasco se limitou a defesa, se segurando como podia para evitar o empate. O ABC pressionou até o fim do jogo, e poderia ter empatado em dois lances: aos 38 toda a zaga bateu cabeça, Fernando Prass não conseguiu cortar um passe, e no meio do bate rebate, Titi consegue bicar a bola para fora da área (não sem antes cometer um pênalti não marcado pelo juiz). E aos 46, Fernando Prass conseguiu defender uma cabeçada a queima roupa.

Mesmo levando em consideração que o mais interessado na vitória tinha que ser o ABC, que luta contra o rebaixamento, não se pode ignorar a irregularidade do Vasco no decorrer da partida. O Vasco criou muito pouco com a bola rolando e mesmo que as inúmeras faltas sofridas e a falta de ritmo de alguns jogadores possam explicar a má apresentação, isso não melhora as coisas. Fernando ainda está fora de forma, Paulo Sérgio alterna bons momentos com pixotadas incríveis, Amaraljoga uma partida regular e outra horrenda, Allan não consegue ajudar na criação, Fumagalli não aproveita os espaços deixados pela marcação inclemente sobre o Carlos Alberto, Elton não consegue ser útil quando não tem um companheiro jogando mais próximo. Pra piorar, as substituições do Dorival muito raramente mudam para melhor a cara do jogo.

Vencemos, estamos novamente com folga na liderança, a vaga praticamente assegurada e com 99,5% de levar o título. Mas custa tanto jogar melhor? Não sou desses que acham que todas as vitórias acontecem por falhas dos adversários ou que as derrotas acontecem apenas pelas falhas nossas, mas ainda que levemos em consideração todos os méritos possíveis do ABC (que se esforçou muito, jogando com velocidade no ataque e uma forte marcação na defesa), o Vasco jogou aquém do que sua torcida espera, mesmo lembrando que esse time foi montado para disputar a Série B.  Parte das críticas da torcida são exageradas? Até são, mas o time e o Dorival poderiam solucionar pelo menos os problemas nos quais os vascaínos reclamam com razão.

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Mas também é fato: pelo teor dos comentários postados sobre o jogo de ontem, parece que o Vasco perdeu a partida, que estamos fora do G4 e sem chances de vencer a competição.

O time tem exagerado nas falhas, mas os comentaristas também têm exagerado muito nas reclamações.

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Além da vitória, tivemos sorte na rodada: Guarani, Ceará e Figueira perderam suas partidas. O Atlético-GO foi o único do G4 além do Vasco que venceu. A distância para o quinto colocado agora é de 12 pontos. Como o Figueirense e a Lusa agora só podem chegar aos 72 pontos, precisamos de 10 pontos para garantir matematicamente a vaga.

Isso por enquanto. A tendência é que essa conta seja ainda menor com o passar das rodadas.

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Foram colocados à venda 67.059 ingressos para o jogo contra o Bahia, no próximo sábado, no Maraca. Para pintar o Maior do Mundo com as cores do Vasco e torná-lo mais bonito novamente, temos que lotar o estádio mais uma vez. Vamos fazer de novo o recorde de público desse brasileiro?

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Mais sobre o jogo na coluna de hoje n´Os 4 Grandes.

Já somos campeões!

dom, 11/10/09
por JC |
categoria Resenhas, Update, Vídeos

Estamos sobrando na competição, o título da Série B já é nosso e nada pode mudar essa realidade. Podemos até nos dar ao luxo de perder pontos por rodadas seguidas sem que precisemos nos preocupar. Só isso pode explicar o comportamento do Vasco nesse empate em 1 x 1 com a Ponte Preta, ontem, em Campinas.

A falta de entrosamento era previsível. Alguns jogadores estarem fora de ritmo também. Mas em alguns lances era visível a falta de comprometimento e para isso não há justificativa. Muitos comentaristas voltaram a culpar o Dorival pelo empate, mas dessa vez me parece injusto responsabilizá-lo. Ele armou o time como todos queriam há muito tempo e não errou nas substituições (trocou um atacante e um lateral que não estavam rendendo por jogadores da mesma posição e quando o time ficou com mais um, tirou um jogador que apenas marcava por um que ajudaria na criação). Agora, se os jogadores não rendem, o que ele pode fazer? Pimpão está completamente fora de ritmo. Fumagalli se omitiu do jogo. Nilton voltou a errar dezenas de passes e ainda tentar gracinhas. Aloísio e Pará também sem ritmo. Sozinho para criar e apanhando como cachorro ladrão, Carlos Alberto não conseguia jogar.

Mesmo assim, o Vasco teve muito mais posse de bola e nos poucos momentos da partida em que resolvia jogar, conseguia criar alguma coisa. Mas aí os jogadores da Macaca paravam os lances com falta. Com isso, só criamos em bolas paradas ou em chutes de fora da área. E foi em uma cobrança de falta que o jogo poderia ter tomado outro rumo: Carlos Alberto marcou de cabeça após cruzamento do Paulo Sérgio. O bandeirinha marca impedimento inexistente e o gol foi invalidado injustamente.

Se o gol tivesse sido validado, a Ponte teria que partir pra cima e isso nos deixaria com mais espaços. Mas como isso não aconteceu, o Vasco continuou com aquele joguinho irritante até que num lance despretensioso da Macaca, o time pagou pela falta de atenção geral: bola cruzada na área, ninguém sobe para cortá-la e Evando, atacante da Ponte, cabeceia livre para abrir o placar.

O gol foi aos 26 minutos do primeiro tempo, mas até o intervalo o Vasco ainda continuou errando passes com displicência e apelando para a ligação direta entre a zaga e o ataque com chutões. Tanto que nos vinte minutos que faltavam para o fim da primeira etapa só ameaçamos duas vezes, e pra variar com um chute de fora da área (do Nilton, que acertou o travessão) e numa bola parada.

No intervalo Dorival tirou Pimpão, que não conseguiu fazer nada, e colocou Elton em campo. Mesmo voltando de contusão, o artilheiro conseguiu dar maior movimentação ao ataque e o Vasco, pela primeira vez no jogo, pressionou a Ponte. A única forma que nosso adversário encontrou para parar nossas jogadas foi com faltas. E foram tantas que aos 20 minutos uma inevitável expulsão aconteceu. O Vasco passou a dominar completamente, mas não conseguia criar jogadas eficientes. Ou se erravam passes, ou se isolavam cruzamentos ou éramos parados com faltas. E apenas nas bolas paradas conseguíamos levar perigo ao gol adversário. Paulo Sérgio tentou acertar os cruzamentos nas cobranças, mas o goleiro da Macaca estava atento e conseguiu cortar todos.

E o empate veio numa das poucas jogadas que fizemos com a bola rolando. Carlos Alberto se livra de um marcador, avança dentro da área e cruza. Elton é empurrado e o juiz marca pênalti. O capitão cobrou e marcou, igualando o placar.

Dorival, que já tinha trocado o Amaral pelo Allan assim que a Ponte perdeu um jogador, dessa vez não optou por encher o time de atacantes. Ele tentou reforçar as jogadas pelas laterais trocando o Pará – que tirando um belo chute no começo do jogo não fez mais nada – pelo Ernani. Obviamente, a mudança não surtiu efeito. Ernani até chegou algumas vezes à linha de fundo, mas pedir que ele acertasse um cruzamento já seria demais.

E depois do empate, o time voltou a mostrar a displicência e desinteresse na partida. Continuávamos com mais posse de bola, jogávamos mais tempo no campo adversário, mas até o apito final, quem conseguiu criar chances de gol foi a Ponte. Em dois contra-ataques, Fernando Gadelha só não marcou porque em um deles Fernando Prass fez boa defesa em chute de fora da área e no segundo, o jogador foi travado na hora do arremate pelo Fernando.

O Vasco jogou como se já estivesse cumprindo tabela, com o título garantido. Ainda somos líderes, mas a diferença para o Guarani foi toda embora. A rodada teria sido desastrosa se o Figueira e o Atlético-GO tivessem vencido seus jogos. A vaga para a Série A é praticamente uma certeza, mas um time que se pretende campeão – e esse é o mínimo que todos esperam de um clube como o Vasco em uma competição como essa – não pode nunca jogar com tanto desinteresse. Perder sete pontos em nove disputados é inadimissível.

Se tivéssemos feito nosso papel e vencido os últimos três jogos, já estaríamos com as mãos na vaga (o Figueira continuaria em 5º, mas com 45 pontos e nós teríamos 21 pontos de vantagem faltando nove rodadas) e com o título muito bem encaminhado. Agora temos o Guarani na nossa cola e não tem mais essa de achar que um empate é bom. Mais um tropeço e a liderança pode muito bem mudar de dono.

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Não serve como justificativa pela atuação irritante do time, mas a frequência com que os árbitros erram contra o Vasco é impressionante. O gol que marcamos, legítimo e mal anulado, aos 18 minutos do primeiro tempo é apenas mais um dos vários enganos que, conicidentemente, são sempre contra nós. Como eu falei na resenha, esse gol poderia ter mudado a história do jogo.

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Mais tarde falo sobre a atuação dos jogadores n´Os 4 Grandes.

Update: já está n´Os 4 Grandes o texto sobre as atuações do time contra a Macaca. Também falo sobre o legado do Rio 2016 para o Vasco e sobre o que a torcida precisa fazer amanhã. Cliquem aqui para ler a coluna.

Para garantir dois armadores no meio

sáb, 10/10/09
por JC |

Uma vitória do Vasco hoje, no jogo contra a Ponte Preta, será importante por três motivos:

1) Primeiro – e mais óbvio – é porque toda vitória é importante;

2) Garantir três pontos hoje pode nos deixar mais confortáveis na liderança (podemos abrir até seis pontos de vantagem, caso o Jacaré surpreenda o Bugre) e ainda mais distantes da 5ª colocação: com a derrota do Atlético-GO ontem, podemos abrir 9 pontos de vantagem em relação aos times fora do G4. Ou até 11 pontos, se o Figueira perder para o Fortaleza (o que, convenhamos, é bem difícil).

3) Mas é o terceiro motivo que torna a vitória ainda mais importante: se vencermos a Macaca em Campinas, o Dorival Jr. pode manter o esquema da partida de hoje pelo resto do campeonato. Se o time com dois volantes, dois armadores e dois atacantes conseguir ter eficiência ofensiva e ao mesmo tempo não relaxar na parte defensiva, aumentam as chances de que o técnico siga com esse esquema.

Não que as várias reclamações sobre o time ter sempre três volantes proceda. Na maioria das partidas do Vasco esse ano, atuamos com dois armadores e dois volantes. A opção por um terceiro volante, quando acontecia, era por conta dos desfalques. O problema é que desde a chegada do Fumagalli, o Dorival teve pelo menos quatro chances de montar o time com dois meias de criação e não o fez: contra o Guarani, Duque de Caxias, Figueirense e Bragantino. Dorival demorou muito a associar a queda de rendimento do time com a saída de um armador do time.

Ficha técnica

Ficha técnica

Mas com a armação de hoje, o Vasco deve ter um maior equilíbrio entre as ações ofensivas e defensivas. Dentro do escolhido 4-4-2 (com o meio em forma de losango), Dorival colocou o Amaral como “cão de guarda“, mais fixo na frente da zaga e deve permitir que o Nilton suba para apoiar o ataque quando aparecer a oportunidade. Com isso, Fumagalli deve ter que marcar mais do que estaria acostumado. Apenas o Casalberto deve ter liberdade para chegar à frente sem se preocupar muito com a marcação pelo meio.

No restante do time, a torcida deve prestar mais atenção às novidades do time. Fernando volta a ser titular depois de mais de 5 meses e Pará tem sua segunda chance no time (a outra foi no longíquo Paraná X Vasco). O primeiro, se fizer o arroz-com-feijão simples deve garantir a posição. Já o lateral esquerdo precisa se destacar para segurar a vaga, já que o Ramon, mesmo oscilando muito ultimamente, é um dos poucos titulares absolutos do Vasco esse ano. O ataque também tem a volta de antigos titulares: Rodrigo Pimpão começa a partida e também precisa jogar bem para recuperar o espaço perdido no elenco para Adriano e Robinho. Seu companheiro de ataque ainda não está definido (pode ser o Aloísio ou o Elton). Qualquer que seja a escolha do técnico, Pimpão não deve ter muito problema, já que as duas têm características parecidas.

A posição intermediária da Ponte Preta não é motivo para esperarmos um jogo fácil. Mesmo que a Macaca dificilmente consiga chegar ao G4, vencer o líder do campeonato sempre dá uma moral para o time. Além disso, com a chegada de um novo técnico ao clube, os jogadores do time de Campinas certamente vão querer mostrar serviço.  A partida não será diferente das outras nesse campeonato: para vencê-la, será necessário não apenas inspiração, mas muita disposição.

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O rúgbi fará parte dos Jogos Olímpicos de 2016 e São Januário será mesmo a sede das partidas da modalidade. A Associação Brasileira de Rúgbi aprovou a escolha da Colina e a diretoria do Vasco, por motivos óbvios, também ficou muito satisfeita.

Tão importante quanto as melhorias que São Janu precisará efetuar para receber os atletas do rugbi são as mudanças pelas quais o entorno do estádio necessariamente terá. A participação da Colina no Rio 2016 tornam obrigatórias melhores condições de transporte de massa, estacionamento, escoamento para o trânsito, etc. São Januário só tem a ganhar com essa escolha.

Por conta das reformas que o estádio precisa para abrigar os jogos de rúgbi, a estátua do Romário precisará mudar de lugar. Como já sei qual é a impressão que a maioria dos leitores tem sobre a presença da homenagem ao Romário na Colina, nem vou perguntar qual seria a sugestão de vocês para o novo local para a escultura…

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Hoje também tem coluna nova n´Os 4 Grandes. Falo mais uma vez sobre o possível fim da era dos pontos corridos e um pouco sobre o jogo de hoje do Vascão.

Tropeço em casa

qua, 30/09/09
por JC |

É, meu pombo! Deu Figueira na Colina. Em mais uma noite na qual o Vasco foi muito mal, perdemos o jogo por 2 x 1 (a quarto tropeço no Brasileiro), a invencibilidade em São Januário e permitimos que o Guarani diminuisse a diferença para a primeira colocação para três pontos.

Antes do começo da partida, já aconteceram coisas estranhas: Carlos Alberto e Elton, que foram vetados pelo departamento médico estavam em campo. E Fagner, Enrico e Adriano, que nada indicava que jogariam também. Não se sabe o que aconteceu na conversa do Dorival com o time na véspera, mas o resultado do papo fez com que o Vasco viesse a campo com quem não podia jogar e com quem não deveria entrar.

Se vinhamos jogando mal com grande parte do time tendo uma sequência de jogos, qual é a chance do Vasco acertar dois passes seguidos com o meio de campo e ataque mudando completamente? Nenhuma. E foi isso que vimos ontem. O time até começou correndo mais em campo que nas partidas anteriores, mas não conseguíamos manter a bola mais que 30 segundos até um passe errado parar nos pés do Figueirense.

E nosso adversário, vendo a dificuldade que tínhamos em fazer jogadas e se acertar na marcação, cresceu no jogo e começou a nos ameaçar. O time catarinense jogava com inteligência, esperando receber a bola dos nossos jogadores e partindo com velocidade para o ataque. Já o Vasco arriscava chutes à distância sem perigo ou tentava furar o corpo dos zagueiros alvinegros chutando a bola em cima deles perto da área. Carlos Alberto tentava alguma coisa na base da insistência, mas não parecia estar na melhor das suas condições físicas. Elton estava visivelmente jogando no sacrifício. Apesar das vaias, o Enrico pelo menos corria, mas na marcação ele é bem mais fraco que o Allan. Vílson, Gian e Amaral batiam cabeça com a movimentação do Figueira.

O Figueira jogava com facilidade e aos 30 minutos chegou ao primeiro gol. Falta na frente da grande área, a bola é rolada para o Schwenk que chuta com categoria. Bizarro no lance foi ver a barreira ficar imóvel, mesmo depois da falta ter sido cobrada. Só Ramon, que não estava na barreira, correu para tentar impedir o chute. Com a visão encoberta pela barreira estática, Prass nem viu por onde a bola passou.

O gol desnorteou ainda mais o Vasco. Minutos depois, o Figueirense quase amplia, num bate-rebate dentro da área em que a bola sobrou umas 15 vezes para os jogadores adversários enquanto nossos defensores olhavam a bola ir de um lado para o outro. Dessa vez Fernando Prass evitou o gol fazendo dois milagres no mesmo lance.

O Vasco seguia jogando mal, a torcida vaiva o time e não conseguíamos criar nada. Ainda fizemos um gol, acertadamente anulado, mas o Figueirense seguia bem na defesa. No final do primeiro tempo, eles ampliaram depois de uma sequência inacreditável de lambanças: Gian ganha uma bola na sorte do meia Fernandes e toca sem querer para o Amaral. Esse, ao invés de dar um chutão, tenta passar pelo mesmo Fernandes, tropeça na bola e a perde. Nilton prefere esticar a perninha para tentar evitar o chute do meia e é facilmente driblado. Vílson nem tenta dar o combate e esperou pelo jogador do Figueira igualmente com a perna esticada. Só que o Fernandes preferiu chutar, o gambito esticado do Vilson não ajudou em nada e a bola morreu no gol depois de bater no travessão. Final de primeiro tempo, o Vasco perde por 2 x 0 e a torcida vaia clamorosamente o time.

Dorival mudou o time no intervalo: Amaral e Elton saem para as entradas de Coutinho e Robinho. O time partiu para cima e conseguiu dominar as ações do jogo. Infelizmente, as tais ações não renderam nada. Seguíamos rondando a intermediária do Figueirense sem conseguir finalizar decentemente. Aos 18 minutos, a escolha pelo tudo ou nada: Dorival tirou Fagner e colocou o Pimpão em campo. A troca de um lateral por um atacante foi uma medida desesperada e infrutífera. Pimpão até tentou aplicar sua conhecida correria, mas não finalizou sequer uma vez. E o pior é que tentar abafar o Figueira desordenadamente abriu ainda mais espaços para o adversário. Sem um lateral e com apenas um volante, o Figueirense ainda conseguiu criar algumas chances nos contra-ataques. E essas foram mais perigosas que os ataques vascaínos.

Ainda conseguimos diminuir aos 37, depois de uma lambança do juiz que marcou uma falta inexistente. Ramon cobrou a falta e Nilton, que não fazia gols desde o jogo contra o Vitória pela Copa do Brasil, marcou de cabeça. Mas não dava mais tempo para a reação. O Figueira se segurou com eficiência até o fim e tirou nossa invencibilidade na Colina.

As vaias no final do jogo foram justas. O time voltou a se apresentar mal e mereceu a derrota. Mas a reclamação por ontem não deveria ser diferente das que o time já vem merecendo há algum tempo. O Figueirense se aproveitou dos nossos erros – que foram muitos – mas talvez não chegasse à vitória se não fossem por erros individuais dos jogadores.  Com as constantes alterações no time, Dorival não vem colaborando para que a equipe consiga ter um entrosamento maior, mas é preciso levar em consideração que uns e outros têm vacilado muito em campo. A folga que tínhamos na liderança diminuiu e já passou da hora do Vasco ter algum padrão de jogo e se impor nas partidas. O mais importante, que é a vaga para a Série A, pode já estar quase garantida. Mas o título da competição é algo que a torcida exige e tropeçando nas nossas próprias pernas dessa forma,  será tudo muito mais complicado.

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Falei sobre a atuação dos jogadores na partida de ontem n´Os 4 Grandes.

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Dorival diz que alguns jogadores não jogaram porque corriam o risco de se contundir, de acordo com resultado mostrado pelo Reflotron, aparelho que mede a enzima CK (creatia-quinase) no sangue dos jogadores. A decisão de poupá-los teria levado em consideração a opinião do departamento de fisiologia.

Tudo bem, até aí entende-se. Agora, por que não pouparam também Elton e Carlos Alberto, que só não tinham o risco de se contundir porque JÁ ESTAVAM contundidos?

Competência e qualidade

ter, 29/09/09
por JC |

Apesar da torcida de um modo geral querer o título, todo mundo sabe que o que realmente importa é volta do Vasco para a Série A. Levando isso em consideração, o objetivo é se afastar o mais rapidamente possível da quinta colocação da tabela, a primeira que não nos garantiria a volta.

E nosso adversário de logo mais em São Januário é justamente o atual número 5 na classificação. A partida contra o Figueira ganha em importância por esse motivo: uma vitória hoje nos deixará 16 pontos a frente do alvinegro catarinense e, já que o São Caetano pode perder pontos para o Guarani e a Lusa só pode chegar aos 41 pontos, com a vaga cada vez mais assegurada.

Mas não será fácil. O Figueirense está numa curva ascendente na competição (venceu três dos seus quatro últimos jogos), vem de uma goleada sobre o Paraná fora de casa e ainda tem uma escrita para defender: não perde para o Vasco há seis jogos. E mesmo contando com um desfalque importante – Rafael Coelho, artilheiro do time, não joga – seu substituto não tem feito feio: o veterano Schwenck marcou três vezes nas duas últimas partidas.

Para complicar ainda mais, os dois jogadores que mais têm se destacado no Gigante podem não jogar: Carlos Alberto e Elton não foram liberados pelo departamento médico e dificilmente estarão em campo. Dorival Jr. não confirmou o time e deve esperá-los até o último minuto, mas as probabilidades do Vasco ter dois desfalques importantíssimos são grandes.

Ficha técnica

Ficha técnica

Mas os desfalques não são menos graves do que a postura do time nas últimas partidas. Dorival teve uma longa conversa com o elenco para tentar resolver a queda de rendimento que recaiu sobre o grupo. Se apenas o papo vai solucionar nossos problemas é um mistério. Se conversa fizer com que Paulo Sérgio, Mateus, Allan, Robinho, Adriano, entre outros, joguem mais, ótimo.  Senão, melhor testar, de uma vez por todas, outras opções do elenco.

Apesar do momento do adversário e dos nossos problemas, a torcida quer é mais uma vitória. Fechar a sequência de jogos em casa com 100% de aproveitamento e completando 5 vitórias seguidas seria um estímulo mais que necessário para os vascaínos, que começam a perder a paciência com a incostância do time. Se for jogando razoavelmente, ainda melhor. A torcida nem tem motivos para reclamar dos resultados do Vasco, mas seria muito melhor aliar a competitividade do time a um bom futebol. Com isso, a festa pela volta ao nosso lugar de direito no futebol brasileiro seria completa.

***

A torcida tem comparecido em bom número nos jogos do Gigante no Maior do Mundo. Hoje voltamos à nossa casa depois de três rodadas e não podemos desapontar. Todos na Colina para apoiar o Vascão e – por que não? – cobrar mais qualidade do nosso time. Quando a massa vascaína entra na partida para empurrar o time, dificilmente perdemos. A vitória hoje é muito importante, assim como a nossa presença no estádio.

Faltou vontade

dom, 27/09/09
por JC |

Vamos começar com o que foi bom: o Vasco venceu o Duque de Caxias por 1 x 0, mantivemos a liderança da competição e a diferença de 6 pontos para o vice-líder, ampliamos para 13 a vantagem para o 5º colocado e conseguimos a primeira sequência de quatro vitórias no Brasileiro.

De resto vimos um time que não se esforçou muito para conseguir a vitória, que foi disperso em grande parte do jogo, que voltou a perder muitas chances de gol e que por pouco não saiu do Maracanã apenas com um empate.

O Duque de Caxias entrou em campo com o claro objetivo de se segurar na defesa e , se desse sorte, marcar um golzinho no contra-ataque. O Vasco tentou se aproveitar disso e criar jogadas, principalmente explorando as laterais do campo. Mas o time pecava na objetividade, tanto que depois de uma boa jogada do Robinho pela direita – que terminou num sem-pulo mal executado pelo Elton – logo aos três minutos, o Vasco demorou a criar outra chance de gol. Ela só veio aos 17, com Carlos Alberto cabeceando com perigo após cruzamento de Paulo Sérgio, um dos dois lances em que  acertou alguma coisa na partida.

O Vasco marcava forte, a partir do meio de campo e impedia que o tricolor de Caxias conseguisse atacar. Mas bastou um descuido na marcação para que o nosso adversário tivesse a melhor chance até aquele momento: a zaga inteira foi envolvida por dois jogadores do Duque de Caxias e Leandro Chaves apareceu livre de frente para o Fernando Prass, que foi obrigado a fazer mais um dos seus milagres.

A jogada perigosa acordou o Vasco, que voltou a marcar com mais atenção e impediu que o Duque de Caxias voltasse a ameaçar na primeira etapa. Mas ofensivamente não conseguíamos finalizar as jogadas. Os homens de frente demoravam a passar a bola, ou erravam os toques e finalizações. Primeiro, Carlos Alberto desperdiçou um excelente contra-ataque por demorar a fazer o passe. Depois, Robinho fez boa penetração pela esquerda mas preferiu o chute em cima da zaga ao invés de passar a bola. O último lance de perigo do Vasco no primeiro tempo começou com uma bela tabela entre Allan e Elton, que deixou Robinho na cara do gol. Mas o atacante perdeu mais um gol feito ao chutar em cima do goleiro.

O primeiro tempo acabou com parte da torcida vaiando o time. Mal sabiam os vascaínos presentes que a coisa ia piorar. Tivemos um começo enganoso de segundo tempo. A saída do inoperante e irritante Paulo Sérgio para a entrada do Fagner tinha animado a torcida e o gol do Casalberto ainda aos 4 minutos da etapa complementar (depois de excelente passe de Robinho para a subida de Ramon, que chutou para o capitão, livre, aproveitar o rebote do goleiro) deram a impressão de que o Vasco faria uma apresentação melhor depois do intervalo.

Mas o que vimos depois de aberto o placar foi o time esperando o Duque de Caxias em seu campo, abandonando a marcação mais adiantada do primeiro tempo. Com isso, o adversário – que precisava desesperadamente da vitória – começou a gostar do jogo e partiu para cima do Vasco. Aos nove minutos, Tiaguinho, velho conhecido dos vascaínos, perdeu um gol feito. O ex-volante do Vasco teve outra chance alguns minutos depois e novamente chutou para fora. Entre essas chances do Duque de Caxias, a única chance que o Vasco criou não foi responsabilidade nossa,  mas de outro ex-vascaíno, o medonho Marquinhos: ele tentou cortar um cruzamento do Carlos Alberto e quase marcou um golaço contra.

Vendo que o Vasco perdera o controle do jogo, Dorival começou a mudar o time. Mas sua primeira tentativa foi o “seis por meia dúzia” de sempre, trocando Robinho por Adriano. Mas os contra-ataques que deviam ser puxados pelo novo atacante não aconteram, já que os passes continuavam a demorar a sair ou eram simplesmente errados. Na defesa, a marcação estava frouxa e era visível a desatenção em alguns lances. O Vasco passou a ver o Duque de Caxias rolar a bola no nosso campo e passou a usar como recurso rifar todas as bolas.

Elton, que vinha jogando bem, acabou se contundindo e saiu para a entrada do Coutinho. A mudança deu mais mobilidade ao meio e o Vasco voltou a equilibras as ações da partida. Apesar disso, o jogo acabou ficando tedioso: o DC não conseguia ameaçar o nosso gol e o nosso ataque não tinha competência para dar prosseguimento às jogadas.

No fim do jogo o Vasco conseguiu encaixar três contra-ataques, mas todos foram mal finalizados. No primeiro, Ramon arrancou pelo campo adversário, deu um drible da vaca no marcador e chutou, mas dessa vez Carlos Alberto não conseguiu aproveitar o rebote do goleiro. No segundo, Adriano recebeu do Carlos Alberto, passou pelo zagueiro dentro da área mas chutou em cima do goleiro. No último lance de perigo do jogo, Carlos Alberto recebeu uma linda bola do Coutinho, limpou o marcador mas chutou por cima da meta do Caxias.

A partida terminou com o terceiro 1 x 0 seguido para o Vasco e deixou a impressão de que o time poderia ter feito mais no jogo se realmente desejasse. O Duque de Caxias é uma equipe apenas esforçada e quando o Vasco se esforçou um pouco mais, chegou com facilidade ao gol do adversário. Porque o time não fez o mesmo esforço pelos 90 minutos é a questão que nos intriga (aliás, intriga até ao Dorival, pelo visto). Estamos cada vez mais perto da vaga na Série A em 2010 e também do título, mas isso não justifica desinteresse ou desatenção, qualquer que seja o adversário, qualquer que seja o momento nas partidas.

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Falei sobre as atuações do time no jogo contra o Duque de Caxias n´Os 4 Grandes. Quem estiver interessado, é só dar uma conferida.

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Ninguém é obrigado a se sentir bem antes de um jogo, mas o pedido do Aloísio para não ser relacionado para o jogo contra o Duque de Caxias é uma decepção para a torcida. Depois de meses esperando pelo jogador, ele alegar falta de confiança para não jogar é pra desanimar qualquer torcedor.

Segundo a matéria publicada no GE, Aloísio dificilmente será relacionado para o jogo de terça. Mas essa ausência contra o Figueira tem mais jeito de punição do que de dispensa.

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Souza e Alex Teixeira foram titulares na estréia da Seleção Sub 20 no mundial da categoria no Egito. Alex ainda deixou o seu na goleda por 5 x 0 sobre a Costa Rica. Alan Kardec, também titular, marcou dois.

Basta o fantasminha tirar o peso da cruz de malta do peito para virar goleador….

Apenas um

dom, 28/06/09
por JC |

O Vasco conseguiu apenas um empate contra o Figueirense ontem, em Florianópolis. Apenas (mais) um empate, o quarto seguido.

Novamente o time jogou com vontade e atenção por apenas um tempo, o primeiro. No segundo, o time recuou, errou passes, falhou na marcação e, pra variar, perdeu gols feitos.

Ter apenas um volume maior de jogo e mais chances de marcar não resolvem se os gols não são feitos.

Assim como não resolve marcar apenas um gol se levamos outro.

Continuamos dependendo de apenas um jogador, o Carlos Alberto. Que ainda assim, como o resto do time, só jogou mesmo apenas um tempo.

Não adianta ter apenas um time titular, ou nem isso. É preciso ter substitutos que pelo menos mantenham o nível dos titulares.

Apenas um homem pode resolver os problemas do time, e esse seria o técnico. Mas Dorival Jr. parece não encontrar a solução para a pouca efetividade do ataque. Tampouco consegue fazer o time jogar de modo consistente por 90 minutos. O técnico não pode entrar em campo para fazer gols, nem acertar passes, mas pode tentar modificar a equipe, seja com substiuições, seja com estratégias alternativas. Depois dos jogos da semifinal da Copa do Brasil, Dorival não conseguiu sucesso em nenhuma dessas possibilidades.

A insatisfação da torcida cresce e o grito das arquibancadas é apenas um primeiro protesto. A diretoria tem que correr atrás de soluções antes que os vascaínos, além de reclamarem do time, deixem de apoiar de vez a equipe.

Esse é apenas um começo irregular de campeonato e o Vasco ainda pode chegar com alguma facilidade ao seu objetivo no fim do campeonato. Mas as vitórias já demoraram demais a voltar. Empates nos dão apenas um ponto. E fazendo apenas um ponto toda rodada, não conseguiremos voltar à Série A.

***

Por setor:

Defesa – apesar de ter levado um gol, não há novamente do que reclamar do Fernando Prass. Fez pelo menos três grandes defesas no jogo e levou muito azar no lance do gol do Figueira, que só entrou porque o atacante Clodoaldo errou o chute.

Já a zaga nos leva a pensar se o fiel da sua balança é o Gian: a segunda partida sem sua presença é a segunda em que levamos gol. Vilson e Titi não comprometeram individualmente e no lance do gol do Figueirense, que poderia comprometer a atuação de ambos, não tiveram menos culpa que o Paulo Sérgio, que estava parado na linha do gol observando a jogada.

Aliás, nosso lateral direito foi um dos piores da partida. Além da inoperância no lance do gol de empate, não acertou um cruzamento, sobrecarregou os volantes com suas subidas e não criou nada ao apoiar o ataque e isolou todos chutes que tentou ao gol. Faz tempo que não faz uma boa partida e já merece amargar um banco. Na média Ramon também não foi muito bem. Apesar de um bom começo de jogo, quando apoiou bastante o ataque, errou muitas jogadas no segundo tempo. Perdeu duas boas chances de gol por conta de um defeito que já é uma constante: quando tem que finalizar, prefere o passe e quando é pra passar, finaliza mal.

Meio campo – Amaral jogou a maior parte do tempo mais como um terceiro zagueiro que como volante. Se saiu como a torcida espera, com muita vontade e pouca técnica. Como não subiu muito, errou pouco. Já seu companheiro na cabeça-de-área está merecendo há muito tempo uma temporada na reserva. Nilton caiu muito de produção, e está longe de ser o jogador que impressionou a torcida no Carioca. As toneladas de passes errados e chutes sem direção não justificam sua titularidade. O destaque negativo para sua péssima atuação foi a bola que ele perdeu displicentemente no meio do campo e que originou o gol de empate. Saiu para a entrada do Souza, que não teve tempo para fazer nada no jogo.

Enqunto teve liberdade para jogar, Léo Lima esteve bem partida. Com o time pressionando o Figueira, teve menos preocupações defensivas e conseguiu fazer bons passes (como o que deixou o Robinho na cara do goleiro). No segundo tempo, com a queda de rendimento do time e a melhorada do adversário, Léo Lima sumiu do jogo, criando menos e mostrando a antiga displicência na marcação. Saiu para a entrada de Ernani que só apareceu ao bater duas faltas à longa distância. Bater muito mal, diga-se.

Mesmo não fazendo uma partidaça, Alex Teixeira mostrou mais uma vez que seu lugar é na armação, não no ataque. Pelo bem (se movimentando, criando algumas jogadas e dando bons passes) e pelo mal (finalizando muito mal). No primeiro tempo, deixou na cara do gol o Robinho (duas vezes), o Carlos Alberto e o Ramon. Em contrapartida, no segundo tempo perdeu dois gols: um que quase entra por acidente e outro em que estava sozinho com o goleiro.

Ataque – Robinho fez uma boa estréia, apesar de não ter marcado. Se movimentou muito durante o jogo, dando opções para os armadores e mostrou habilidade. Finalizou mal algumas vezes e por azar colocou uma bola no travessão. Deve fazer sombra ao Pimpão daqui pra frente. Foi substituido pelo Alan Kardec que só conseguiu aparecer ao tentar desfazer sua mítica habilidade como bom cabeceador, dando uma cabeçada ridícula na sua única chance no jogo.

Carlos Alberto mostrou no primeiro tempo porque é o jogador mais importante do elenco. Quem acreditava que podemos prescindir do capitão do time tem que dar a mão à palmatória. Ontem ele jogou com muita disposição, infernizou os marcadores, criou jogadas, se movimentou bem entre o ataque e o meio, finalizou e pos fim ao jejum de gols do time. Não manteve o ritmo do primeiro tempo na segunda etapa e o time produziu menos com isso. Também levou o cartão amarelo habitual, mas diante da semi-carnificina que o jogo virou com a conivência do árbitro, a falta que originou a advertência não foi nada demais.

Técnico – O esquema armado pelo Dorival Jr. para a partida contra o Figueira foi um dos que mais deu certo. Abdicar de um homem de referência na área poderia não funcionar, mas a velocidade e a maior movimentação do ataque formado pelo Casalberto e Robinho compensaram a falta de um centro-avante típico.  Com Alex Teixeira numa posição em que se sente mais confortável, o Vasco conseguiu pressionar o adversário e criar muito mais que o Figueirense no primeiro tempo.

No segundo tempo, porém, Dorival colocou todo o trabalho a perder. Uma das qualidades que o Dorival demonstrou no começo da temporada era conseguir adaptar o time às mudanças feitas pelos adversários. Não foi o que aconteceu ontem. O Figueirense mudou sua forma de jogar na etapa final, começou a pressionar o Vasco e nosso técnico não fez nada para reverter essa situação. E as coisas só pioraram quando o time sofreu o empate e o Dorival começou a fazer substituições equivocadas: primeiro, Kardec no lugar do Robinho, o que diminuiu ainda mais a movimentação na frente e depois Léo Lima por Ernani. Mesmo que o Léo Lima não estivesse mais rendendo, não seria o Ernani quem poderia dar um passe para o gol da vitória.

Ao invés de fazer substituições inócuas, melhor seria tirar quem realmente não estava rendendo em campo. Nilton e Paulo Sérgio, não de hoje, têm jogado mal. Dorival não parece concordar com isso e segue mantendo os dois como titulares absolutos. Não será a hora de tentar Fágner na lateral e Paulinho (ou mesmo o Souza) como volante? Tratar a titularidade de alguns jogadores como dogma não ajuda em nada a equipe.

***

Ficou para amanhã a resposta sobre a prorrogação do empréstimo do Carlos Alberto. Depois da partida de ontem – e da emocionada comemoração dele após o gol – fica cada vez mais evidente que a permanência do nosso capitão no time é o melhor para o clube e para o jogador.



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