Derrota
Tirando o espírito de luta e o poder de reação que não vemos há muito tempo no time, o empate de ontem contra o Sport não teve outro gosto para a torcida além do da derrota. Se em alguns momentos jogamos até razoavelmente, analisando o jogo em sua totalidade tivemos mais uma apresentação bem abaixo do que desejamos.
Como eu havia imaginado, jogar com 3 volantes matou as oportunidades que poderíamos ter de contra-atacar. Isso é ruim, mas se os três homens de contenção nos dessem a contrapartida de uma maior proteção à zaga, uma coisa compensaria a outra. Mas nem isso aconteceu. O time estava disperso em campo, os volantes não marcavam em cima e o Sport teve todo o espaço que quis durante a partida inteira, principalmente na meia hora final do jogo. Nossa marcação era sempre frouxa, permitindo que o adversário tocasse a bola com toda tranquilidade até a nossa área, onde, aí sim, os zagueiros chegavam mordendo. Resultado? Pressão dos pernambucanos o tempo todo e chutões da zaga pra rechaçar o perigo. E com Jonílson, Mateus e Victor, não adiantava esperar que o rebote ficasse conosos ou, ainda mais difícil, que um dos três criasse um contra-ataque.
E como nem os laterais faziam muita questão de apoiar ao ataque, os únicos dois que tinham pretensões ofensivas eram o Alex Teixeira e o Leandro Amaral. Mas sem receber as bolas, os dois só tinham duas opções: ou tentavam dominar alguns dos vários chutões vindos da nossa defesa (o que era complicado, já que eram eles sozinhos contra os três zagueiros do Sport) ou eram obrigados a recuar e iniciar as jogadas no nosso campo.
Ou seja, o cenário era dos mais terríveis. Apesar do primeiro lance de perigo ter sido nosso - uma bola no travessão depois de bela cobrança de falta do Baiano - o que vimos foi o Sport em cima do Vasco o tempo todo. Mesmo sem transformar o domínio de bola em muitas chances claras de gol, o rubro-negro levou perigo, principalmente em chutes de fora da área. Essa foi a consagração de Rafael, que entrou na fogueira depois de Roberto passar mal antes do início do jogo. Pelas defesas que fez no jogo, nosso terceiro goleiro mostrou - pelo menos até agora - que merece a vaga.
Mas como Rafael não é santo pra fazer milagre, num lance de sorte o Sport abriu o placar, depois do Baiano ter desviado a bola para nossa rede depois de despretensioso chute do meia adversário. Nesse momento todos os vascaínos devem ter pensado que a novela ia se repetir e que veríamos outra derrota fora de casa.
Mas a impressão durou pouco tempo. Dois minutos depois chegamos ao empate, na única maneira que poderíamos com a escalação feita pelo Churrasqueiro: uma roubada de bola na vacilada de um zagueiro, Alex Teixeira dá um passe açucarado para Leandro Amaral que, de primeira, empata a partida. E para nossa surpresa, viramos a partida em seguida. Depois de mais uma roubada de bola, o Vasco subiu em bloco e depois de uma troca de passes Leandro Amaral arrematou de esquerda marcando um golaço. O primeiro tempo terminou com os vascaínos esperançosos de uma segunda e mais que providencial vitória fora de casa.
Veio o segundo tempo e o Sport seguiu pressionando. Apesar disso, o Vasco era quem chegava com algum perigo, indo na boa e contando com as corridas do Leandro Amaral, que ontem parecia ter alugado um terceiro pulmão. Apesar disso, nossa zaga ainda cedia muito espaço ao rubro-negro, que rondava nossa área o tempo todo. Seguíamos nos segurando e tentando encaixar outro contra-ataque na base dos chutões. Enquanto Leandro Amaral teve pernas, conseguíamos fazer alguma coisa, mas na metade final do segundo tempo, seria humanamente impossível ele não estar cansado. Renato começou a fazer suas alterações, trocando Valmir e Fernando, contundidos, - por Eduardo Santos e Odvan respectivamente - e Alex Teixeira por Abubakar. As alterações não alteraram o panorama da partida. O Sport seguia martelando e os 428 defensores do Vasco continuavam espanando a bola da área. O time recifense atacava sem muito perigo e o Vasco esperava o jogo acabar quando, no finalzinho, a zaga dá um daqueles apagões coletivos que nos rendem o título de pior zaga do campeonato, e sofremos o empate.
Olhando no contexto do campeonato, foi um resultado razoável. Prum time que não tem conseguido empates nem em casa, arrancar um ponto do Sport na Ilha seria um feito. Mas depois de 90 minutos se segurando na defesa, ver dois pontos indo embora dessa forma é de matar qualquer torcedor de raiva. Serve de consolo imaginar que, mesmo jogando novamente mal, a disposição e a garra do time foram outras e que isso já é uma ajuda para as próximas batalhas que vêm por aí. Como o próprio Leandro Amaral falou ao fim do jogo, se jogarmos sempre com esse empenho, dá pra se livrar do rebaixamento contando com nossas próprias pernas.
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Depois da partida de ontem, nós já temos um novo titular no gol, não é, Renato? Não dá pra voltar com o Tiago ou Roberto depois da atuação excelente do Rafael ontem.
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Vão falar mal do cara e crucificá-lo por conta do gol contra, mas achei que pelo menos ontem o Baiano não foi tão mal. Além da bela cobrança de falta no início da partida, foi depois de uma jogada sua que Leandro Amaral fez o segundo gol. Baiano não foi nenhuma maravilha, ainda está fora de forma, mas pelo menos dá mostras de que pode se útil ao time. Já o Valmir se ateve à marcação, coisa que não faz com muita eficiência (graças ao seu porte físico esquálido). A seu favor, no segundo tempo ele fez o que deve ter sido o primeiro cruzamento certo do Vasco no ano - desperdiçado pelo Mateus numa cabeçada ridícula. Ele cedeu lugar ao Eduardo Santos que entrou bem e tentou segurar a bola no ataque na base da habilidade. Mas como ele não tem tanta assim, alguns lances foram desperdiçados por preciosismo.
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Se a função dos volantes era dar segurança à zaga, ontem os nossos três falharam completamente ontem. Espalhados, marcando à distância e, pior, marcando a bola e não o jogador, Jonílson, Victor e Mateus não conseguiram evitar a pressão do Sport. Deixando para “morder” já na nossa intermediária, nossos volantes acabaram se embolando com nossos zagueiros. Isso criou um congestionamento na nossa área que até ajudou em alguns momentos. Mas quando tomávamos as bolas, havia um rombo enorme entre o meio campo e o ataque. Some isso ao fato de que nunca saíamos tocando a bola e só dávamos bicões pra frente e fica compreensível porque tivemos tão poucos contra-ataques.
Pelo menos, não faltou vontade aos três volantes. E me parece que o problema maior deles na partida de ontem foi de posicionamento (coisa que quem tem que corrigir é o Churrasqueiro).
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E a nossa zaga? A nossa zaga é o de sempre: pouca inteligência e muito desespero. Mas ontem a zaga foi até acima da média habitual. Conseguiram se antecipar em vários lances, jogaram firme quando preciso e deram seus bicões de sempre. E, incrível, nenhum dos três zagueiros foi expulso!
Mas é claro que, como nada é perfeito, rolaram as vaciladas. Um time armado com 3 zagueiros não pode ser o tempo todo atacado pelas laterais como fomos ontem. Os laterais tinham que cobrir os avanços dos alas do Sport, mas era pra ter um zagueiro na sobra sempre. E em muitos momentos ontem nem os laterais cobriam bem, nem a sobra existia. O lance do primeiro gol foi ridículo: bola espanada depois de escanteio, sobra para um jogador do Sport dentro da área que rola para um meia do seu time quase na linha lateral. Ele recebe livre, dá três passos com a bola e NINGUÉM apareceu pra fechar o chute. Aí não dá!
O lance do segundo gol então…desatenção total da zaga, já crendo que o jogo estava resolvido. Mas vale frisar que um dos zagueiros teve a chance de destriur a jogada, mas não conseguiu. E novamente ele, Jorge Luiz (que nem tinha comprometido até aquele momento) vacila: ele entrou com pé de moça numa dividida e não roubou a bola do atacante do Sport que centrou para um jogador praticamente aleijado marcar, livre de marcação.
E ontem também teve a reestréia do Odvan no time do Vasco. Para ele, deve ter sido um momento inesquecível. Para os torcedores, o melhor é esquecer a quantidade de lances em que ele quase faz pênaltis porque está sem ritmo de jogo algum.
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A participação do Alex Teixeira merece apenas um comentário. Das duas uma: ou o rapaz se alimenta direito ou pára de conviver com o Wagner Diniz. Pra ser cai-cai desse jeito, só pode ser por insuficiência vitamínica ou influência negativa. Pelo menos ele roubou a bola e deu um belo passe para o Leandro Amaral marcar o primeiro. Mas tirando isso, só pedaladas infrutíferas e tombos. Abubakar entrou no seu lugar e mostrou que pode muito bem ser uma opção melhor que o Alan Kardec.
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Se foi pra mostrar serviço pra diretoria do Sport, tomara que a mulambada ligue para o Leandro Amaral às vésperas do clássico. Dois golaços, muita correria e a entrega de sempre. Torcemos que sua pontaria tenha voltado de vez.
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Renato: qual é o seu problema com o Pedrinho?
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Update de falta de tempo: estava redigindo o post sobre o jogo quando fui chamado às pressas para uma reunião. Só pra terminar a resenha, mais alguns pontos.
Como bem lembraram vários comentaristas, apesar de ter sido disparado o melhor do jogo, foi justamente Leandro Amaral que iniciou a jogada que originou o gol de empate do Sport. Com a bola no ataque ele recuou a bola displicentemente nos pés de um jogador adversário e deu no que deu. Seria injustiça culpá-lo pelo resultado, mas quem vive reclamando que os companheiros precisam ter atenção o tempo todo não pode cometer uma falha dessas.
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Muitos disseram que o time melhorou com a saída do Edmundo. Acho isso um engano. O time continuou frágil na defesa e sem ligação entre meio e o ataque. A diferença é que dessa vez o time correu e jogou com vontade. E não teve um sujeito paradão em campo gritando com todo mundo.
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Outra coisa que ficou evidente com a ausência do Animal: mesmo não se acertando em campo, o time se falou o tempo todo. Isso, ainda mais em um time que não parece ter muito a mão do técnico, é fundamental para que todos fiquem espertos (pena que não funciona em 100% dos casos). E outra: há quanto tempo não vemos uma comemoração de gol tão empolgada e com tantos jogadores se abraçando como a do gol da virada? Se lembrarmos da “festa” feita pelo time no gol do Edmundo contra o Ipatinga, é fácil ver a diferença gritante.
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“É melhor nem pisar na Ilha”, “Menos de 4 x 0 é vergonha”, “impossível perder”, “vamos massacrar vocês”. Esse era o teor dos vários comentários feitos – e deletados – pelos torcedores do Sport antes do jogo.
Hoje o número dos comentários dos torcedores pernambucanos diminuiu muito e o teor dos que sobraram é bem mais ameno….
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A partida não foi boa, o adversário era fraco, o campo era horroroso, algumas idéias do Tita claramente não deram certo, mas o mais importante do jogo entre a Portuguesa e o Vasco em Santa Bárbara d´Oeste ontem foi o resultado: 