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Coisas a fazer antes de morrer

Ter, 14/10/08
por jose ricardo novoa |
categoria Sem Categoria

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Um dia tava no aeroporto de bobeira e o avião resolveu dar uma atrasadinha (coisa muito rara aqui no Brasil). Precisava arrumar alguma nisgraça para passar o tempo, uma vez que meu saco já estava em carne viva de tanto que eu cocei o sacana. Foi aí que o café da manhã começou a mandar leves avisos de que queria sair do meu corpo e dar uma nadada. Entrei na livraria e me deparei com um livrinho com cara de banheiro. Sabe aqueles livros que você leva para o banheiro e não precisa se preocupar com continuidade, é só abrir em qualquer página e ler? Pode ser uma cagadinha rápida ou uma forte dor de barriga, o livro tem assunto para deixar a hora da força bruta bem mais leve.

“101 Coisas a Fazer Antes de Morrer”. Esse era o título do sacana. Um maluco listou 101 peripécias que ele jura que a gente tem que fazer antes de bater as botas. Tem de tudo na lista. Desde pichar um muro e andar de balão, até escrever o nome na calçada da fama. Comecei a ler e a viajar nas dicas. Mas também comecei a sentir falta do Bahia no livro. Não deu outra. Resolvi escrever eu mesmo a versão tricolor dessa maluquice.

101 Coisas que um Torcedor Tricolor Tem que Fazer Antes de Ir Encher o Saco dos Anjos (estilo academia, em séries de 30):

 1- Mandar a corja para o quinto dos infernos.

2- Atirar uma laranja chupada na cabeça do eterno, no meio da arquibancada.

3- Assistir a um jogo do Bahia no meio da torcida adversária.

4- Parar na frente da casa de um dos membros da corja e gritar: “Se pica, nisgraça, devolva meu Bahia!!!”.

5- Andar infiltrado no meio da torcida adversária com um sorrisinho maroto no rosto, depois de o tricolor ter brocado fora de casa e você ser o único cara feliz na multidão.

6- Imitar o padre e voar amarrado a balões azuis, vermelhos e brancos.

7- Saltar de bungee jump imitando o jeito de Cláudio Adão bater pênalti.

8- Transar em plena Fonte Nova e atingir o orgasmo exatamente na hora em que o Bahia marcar um gol.

9- Ganhar uma grade de cerveja numa aposta com um torcedor do vice.

10- Publicar um texto no baheaminhaporra.com

11- Deixar os cabelos do saco com o penteado de Ávine.

12- Pegar uma mulé na Fonte Nova.

13- Votar numa eleição para presidente do Bahia.

14- Gritar gol com a boca cheia de amendoim.

15- Assoviar o hino tricolor chupando cana.

16- Colocar a camisa tricolor no rosto de uma mulher (ou homem, se você for mulher) feia (ou feio) e mandar ver por amor ao Bahia.

17- Gritar gol do Bahia no meio de uma reunião com executivos estrangeiros.

18- Gritar gol do Bahia no meio do cinema.

19- Gritar gol do Bahia no meio de um enterro.

20- Gritar gol do Bahia no meio de uma suruba.

21- Gritar gol do Bahia no meio de um tiroteio numa favela do Rio.

22- Colar um adesivo com o escudo do Bahia nas costas de um policial.

23- Escalar o Himalaia só para tirar uma foto com a camisa do Bahia lá em cima.

24- Deixar o bigodão para homenagear Marinho Apolônio.

25- Rir alto e apontar para a TV toda vez que ouvir “Vitória da Bahia”.

26- Gritar “galera, tome cuidado com a carteira” toda vez que avistar algum componente da corja.

27- Limpar a bunda com a camisa do vice.

28- Casar ao som do hino tricolor.

29- Colocar o vídeo do último minuto da final de 88 para abrir a festa do casamento.

30- Ligar para Felipe, goleiro do Curíntia, depois de uma brocada tricolor.

 

Bahia 100%

Qua, 08/10/08
por jose ricardo novoa |
categoria Sem Categoria

Vou começar com uma historinha rápida. Nos meus tempos de colégio (sim, um dia eu também já fui um adolescente narigudo), tinha um amigo que não ligava muito para essa eterna pressão em cima de notas e resultados. Recuperação para ele era comum, todo ano o corno ficava em pelo menos uma matéria. Lá pelo meio da segunda unidade, o sacanildo já sabia qual ia ser a matéria problema e relaxava. Só ia nos dias de prova para não ficar em casa e para pegar o baba na quadra do ginásio esportivo.

Ele podia zerar todas as provas. Podia entregar tudo em branco. Mas não. O bicho resolveu inventar um método, digamos, curioso. Pegava as provas, escolhia uma questão, apenas uma, e resolvia (ou chutava sem dó). Questão resolvida, ele entregava.

Aí você me pergunta:

- Por que porra ele resolvia só uma questão, Zé?

Aí eu respondo:

- Ele seguia uma filosofia só dele: se acertasse a questão, era 100% de aproveitamento. Fez uma, acertou uma: 100%.

Aí você me pergunta de novo:

- E o que isso tem a ver com o Bahia, Zé?

Aí eu respondo:

- Tudo, caro leitor perguntão. Tem a ver com esse campeonato que o Bahia tá fazendo. Estamos longe do rebaixamento. Mas também estamos longe do G4 (eu ainda acredito, mas só porque sou um louco, um insano).

Aí entra a pequena intromissão do editor da globo.com:

- Agora chegamos ao momento do desfecho deste texto, ao ápice, ao climão. Deixa de lengalenga e explica logo isso, Zé.

Aí eu continuo:

- Bom, como o meu amigo, também escolhi apenas uma questão para o Bahia na prova da segunda divisão. E a questão é o Curíntia. Meu campeonato é esse. É o jogo de dois campeões nacionais. O jogo que as TVs esperam. O jogo que todo mundo quer ver. E o Bahia ganhou no Pacaembu. Vai ganhar em Feira também. O resto não interessa. Bahia: 100% de aproveitamento.

 

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Sobre o jogo de ontem?

O ataque é a única coisa que presta. A defesa é uma mãe. Parece show de axé: todo mundo para um lado, agora todo mundo para o outro. Aquele gol de Túlio foi brincadeira. Ou foi a zaga respeitando o vereador. Mesmo assim, ainda rola uma esperança.

 

P.S. em caixa alta: LARGA O OSSO, DIRETORIA DOS INFERNO. SE PIQUE, NISGRAÇA.

Zé, o pequeno ditador

Seg, 06/10/08
por jose ricardo novoa |
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Pensei em transformar os comentários aqui do blog em um espaço democrático, para todos que gostam de futebol, independente de cor, raça, credo, religião e Paquita preferida. Ainda mais que esse projeto da Globo.com é o Blog do Torcedor. E torcedor é torcedor. Sem viadagens, com gozação, com muito bom humor, mas com um certo respeito.

Porém tanta democracia se transformou em anarquia. A galera tá se passando. Muita idiotice e pouca discussão sobre o tema primordial do blog, o esporte bretão. O nível dos comentários chega a ser pior que o nível do futebol tricolor. Eu mesmo me canso de ler tanta besteira.

Por isso, acabou a festa, molecadinha. Eu mando nessa birosca aqui. Eu faço as leis. Eu sou o cara. Eu sou o mais bonito. Eu sou o mais gatão. Eu sou o mais legal. Eu sou o mais engraçado. Eu sou o mais inteligente. Eu sou o mais criativo. Eu sou o mais astuto. Eu sou o mais ponderado. Eu sou o campeão de cartas. Eu vou virar capa de revista. Eu sou o melhor. Eu sou o mais simpático. E, por fim, eu sou o mais humilde desse blog.

Sem blábláblá. Eu vou ser mais rigoroso nos comentários. Não vou ser politicamente correto demais, nem transformar isso aqui em uma coisa chata, mas vou moderar para valer.

Chega de “torcedores analfabetos”, “comedores de grama”, “baianos burros”, “faculdade de Santa Catarina”, “faculdade de Oxford”, “não-sei-quem gosta de dar”. Chega de coisa boba (uia). Se quiser comentar, pensa trinta segundos antes e comenta.

Pode (e deve) continuar com as piadas, mas tenta elevar um pouco o nível. Eu sou um moderador durão, um cara difícil. E já tô puto com o Bahia. Não me deixe mais revoltado.

Para encerrar, levante a mão direita e grite:

- Heil, Zé.

ABC 5×1 Bahia - No momento em que faltam as palavras

Sex, 03/10/08
por jose ricardo novoa |
categoria Sem Categoria

 





















Bom, isso é tudo que tenho para falar sobre essa nisgraça.  

Todo lo que usted busca

Qui, 02/10/08
por jose ricardo novoa |
categoria Sem Categoria

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Essa história de ficar pensando no Bahia em todo lugar provoca algumas situações pitorescas. Vou contar uma delas.

Eu tava andando pela cidade de Salta, lá nos cafundós da Argentina, e pensando no tricolor. Tá faltando jogador, tá faltando vontade, tá faltando técnico, tá faltando talento, tá faltando profissionalismo, tá faltando seriedade, tá faltando dinheiro, tá faltando vergonha na cara, tá faltando tudo.  Eu só me lamuriava. Meu corpo tava na terra das uvas Malbec, mas minha cabeça tava lá em Itinga. Eis que dobrei uma esquina e caí em uma das famosas armadilhas do destino. Avistei, meio sem querer, a solução para todos os problemas:

A banca de Gustavito.

Vou traduzir o que diz o letreiro na fachada da banca: Tudo que você procura, Gustavito tem. Rapaz, fiquei radiante. Um radiante másculo, claro, que eu sou espada. Parecia que tinha encontrado uma lâmpada maravilhosa com desejos ilimitados.

- Vou comprar logo um goleiro bom, dois laterais, dois meias rápidos e letais e uns três atacantes com faro de gol. Ah, vou ver também se Gustavito descola pra mim um técnico belezinha, preparador físico que prepara o físico do time e dirigentes novos e competentes. Vou comprar também uns pontos a mais na tabela para o Bahia. E um estádio novinho e perto lá de casa. 

Fodió. Era bom Gustavito se preparar: eu precisava de muita coisa. Corri para a banca do sacanildo com um enorme sorriso no rosto e assoviando o hino do Bahia.

Aqui vale um parêntese. Alguém aí já tentou assoviar o hino tricolor sorrindo e correndo? É difícil para carajo. Fecha parêntese.

Tudo que eu procuro, Gustavito tem. Que sorte da zorra. É agora que o Bahia volta a ser o Bahia de outrora. Ahora fudió. Mas minha felicidade durou pouco. Dá uma olhada cuidadosa na foto lá de cima de novo. Percebeu uma plaquinha grudada na banca?

“Me fui à fisioterapia”.

A banca tava fechada. Aí és fueda. Me convenci de vez que esse ano ninguém ia conseguir dar jeito no Bahia. Nem Gustavito.

 

P.S.: Que diabo você pediria para Gustavito?

P.P.S.: Uma salva de palmas para Tchelo “Brodinho”, o autor da foto.

Avaí 4×1 Bahia – Um Post Musical

Ter, 30/09/08
por jose ricardo novoa |
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Esse post começa com a Banda do Zé Pretinho fazendo um sonzinho instrumental. Só no suingue. Entram os metais. Agora eu pego o microfone e dou uma palhinha da minha belíssima voz:

- Alô, galera tricolor. Vamos começar a embalar esse post. Essa música vai para a querida diretoria do Bahia, aquela que vende ingressos para um estádio que ainda nem sequer está pronto. Vai também para o Eterno, o homem da volta dos que não foram. Vai para os jogadores carniças que estão por aí. Vai para os que são expulsos todo jogo, principalmente quando o Bahia mais precisa deles. Vai para os que pensam que são craques, mas que, na verdade, são malucos. Vai para o técnico que não sabe escalar, não sabe montar um banco, nem sabe substituir. Vai para a torcida do acordão. E para a torcida da porrada também. Vai para os conselheiros de hoje. Vai para os não largam o osso. Vai para o goleiro que não segura a bola.

Olho para o lado e continuo:

- Jorge Ben, é com você, pai véi.

A Banda do Zé Pretinho aperta o ritmo. A galera vai ao delírio. Um canhão de luz é jogado no centro do palco, iluminando nosso atualíssimo Jorge Ben. Com camisa do Bahia, calção, meião e chuteira. Sei que ele é Flamengo, mas foi convocado para dar uma força. Jorge Ben pega o violão, solta um fá sustenido e começa a cantar uma música antiga, mas que anda muito atual pelas bandas do Fazendão:

Si manda
Vai simbora

Eu não quero mais você
Eu não quero mais chorar
Eu não quero mais sofrer

Pois quem mandou você vacilar
E zombar do meu amor 
Pois quem mandou você vacilar 
E zombar do meu amor 

Vai simbora 
Tudo acabou 
Ficou o espinho
Pois a flor murchou 

Si manda
Vai simbora 

A galera, só no miudinho. Suingando e esquecendo que a Série A ficou ainda mais longe. Ainda dá, mas tá difícil acreditar. A galera dança e vai torcendo para que um dia essa diretoria dance também. A cidade é embalada por uma só música. Ouvimos o mesmo coro no Cabula, na Pituba, nos Pernambués, na Mata Escura, na Ribeira, em Amaralina, na Ondina, em Itapuã, enfim, nos quatro cantos da cidade.

Agora é com você, quem sabe canta e também entra nesse corinho:

Si manda
Vai simbora

P.S.: Procurei um clipe dessa música no youtube, mas não encontrei porras. Se encontrar essa nisgraça, manda aí pra mim, pai véi.

Natureza Selvagem e Tricolor

Qui, 25/09/08
por jose ricardo novoa |
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Rapeize, eu disse que ia e fui: me meti no meio do deserto. Precisava de um tempo para pensar nas questões essenciais do ser humano. De onde viemos? Para onde vamos? Mas que diabos é essa viagem louca chamada vida? (Na verdade, não precisava pensar nas questões essenciais do ser humano porra nenhuma. Fui trabalhar mesmo. Mas não custa nada deixar isso aqui mais romântico.) O fato é que passei uns dias no deserto de Jujuy, na Argentina, coladinho com a Bolívia. Um lugar mutcho louco, que lembra toda hora que não passamos de uma gota de água no oceano, uma pintinha no corpo de um dálmata, um fio de cabelo na cabeça de um black power. Bom, fora essas indagações existenciais e esses chavões básicos, também aproveitei o ar filosofal do deserto para pensar muito sobre o nosso Bahia.

Cinco graus Celsius, mais de 5 mil metros de altitude, gigantescas nuvens de poeira, montanhas marrons e verdes. Esse era o cenário. E eu lá, com uma camisa do Bahia por baixo dos quatro casacos, três meias e um par de luvas. Confesso que me senti ridículo. Não pelos quatro casacos, três meias e um par de luvas, mas pela camisa tricolor. O Bahia sendo administrado por uma corja que só pensa no próprio umbigo, a torcida discutindo questões pequenas, preferindo xingar os torcedores do Vitória a enxergar a nossa cruel realidade e eu perdendo meu tempo colocando a camisa para sair engraçadinho nas fotos do deserto.
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Ê, vida. A imensidão do deserto e a estranha solidão reflexiva que um lugar desse provoca, fizeram com que eu começasse a refletir ainda mais profundamente (uia) sobre o nosso Bahia. Saca só como eu consigo ser profundo (uia, de novo): apesar do Fazendão não ser um gigante, consegue ser um deserto ainda maior que o de Jujuy.
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É um deserto de craques, um deserto de ídolos, um deserto de seriedade, um deserto de respeito ao torcedor, um deserto de novas idéias, um deserto de organização, um deserto de credibilidade, um deserto de boa vontade, um deserto de honestidade, um deserto da caralheta toda. Só falta a altitude, o frio e o ar rarefeito. Ou os camelos, os dromedários e os beduínos.
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Fiquei pensando no processo de desertificação do Bahia e fui ficando com algo vivo aqui dentro de mim. No começo, pensei que eram gases. Mas depois descobri que era uma forte e justificada revolta. Pensei em desistir. Jogar a toalha. Esquecer que o Bahia ainda existe e lembrar só das glórias do passado. Não dá mais para acreditar. Isso aí não é o meu Bahia. O meu Bahia é outro, já morreu, ou está dormindo em um sono muito profundo. Mas eis que um vento frio bateu. Acho que estava mesmo longe: o vento fazia curva. Ele ia gelado e voltava mais frio ainda. Minhas camadas de casacos seguravam a onda. Mas o pescoço e o queixo sobravam. Lembrei que, na minha revolta, tinha atirado longe a minha camisa tricolor. Recolhi ela do chão, improvisei um lenço/cachecol e fiquei um pouco mais aquecido.
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O deserto me fez pensar mais uma vez. Não dá para desistir do Bahia. Mas a gente tem que pensar grande. Se a discussão for só se Emerson Cris é pior que Luciano Totó, eu vou voltar, mas vou continuar no deserto.

Putaquelospariu, sou um poeteiro da porra, pai véi.

Vou me picar

Seg, 22/09/08
por jose ricardo novoa |
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Continuo aqui em Buenos Aires, na labuta em portuñol. E continuo revoltado com a situação do Bahia nessa Série B. O campeonato tá fácil. Se o tricolaço tivesse um time, não um bando, o acesso seria tranqüilo. Mas o que a gente está vendo é uma palhaçada nunca antes vista na história do nosso país.

Tô na revolta. Tô pirado. Tô injuriado. Tô virado na nisgraça. Tô virado na porra. Tô com o cabrunco. Tô doidão. Tô dominado pela raiva. Tô insano. Tô possesso. Tô querendo mandar tudo para o espaço.

Já sei: vou comprar uma casa aqui em Buenos e ficar longe do Bahia. - Não, acho melhor não. Aqui tem internet em tudo que é lugar e eu ia acabar tendo uma recaída.-

Tá bom, então vou mudar para o meio da floresta amazônica e me isolar do mundo tricolor. - Péssima idéia, lá tem muito desmatamento e não ia sobrar árvore para eu me esconder atrás.-

Beleza, vou tentar me esconder lá no meio da Chapada. - Pensa melhor, Zé. É capaz de inventarem a “Trilha do Zé” e eu ainda virar atração turística.-

Eureca: vou para o meio do deserto. É isso. Vou fugir do Bahia e me picar para o meio do deserto. E vou me mandar hoje. Amanhã tem jogo e eu já quero estar bem longe.

No Chores Por lo Bahia

Sáb, 20/09/08
por jose ricardo novoa |
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Chicos, estoy em la capital del tango trabajando e gastando mi portuñol. Fiz lo maior bafafá com lo juego del Bahia e puedo garantir para ustedes: Buenos Aires parou para acompanhar o tricolor. Palermo parou. A Rigoleta parou. Las pelucarias pararam. Las parrillas pararam. Los cafés pararam. La Bombonera parou. Evita parou. Mas pararam por pouco tiempo. Foi só lo Ceará fazer lo gol que lo povo no quis mais saber de lo Bahia. Virei motivo de piada internacional. Argentino fazendo piada com lo Bahia és fueda.

Eu tambiem parei de acompanhar mi tricolor querido. No dá mais. Fui comer uno matambrito de cerro (costela de porco sem osso, deve dar um trabajo de la puerra tirar el uesso de la costela). Confesso que só entrei na internet poucas vezes para saber quanto estava la nisgraça del tricolor.

Mas antes do matambrito, antes de parar completamente de acompanhar lo juego, peguei mi camisa do Bahia del fundo da maleta, vesti e saí para una rua movimentada aqui de Buenos. Esperei lo sinal fechar, los carros pararem, fui para o meio da rua, enchi los pulmões e gritei:

- Fuera corja feladaputa que está acabando com mi Bahia!!!

Los argentinos me olharam assustados, balançaram seus mullets e sacudiram las calças skini.

E eu gastando meu tempo e meus pesos na internet para ver essa nisgraça.

Vou comer dulce de leche.

Desabafei.

Derrota Alucinógena

Ter, 16/09/08
por jose ricardo novoa |
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Vi o jogo de hoje no trabalho. Para falar a verdade, não vi, ouvi. Tinha que trabalhar feito um condenado e não podia sair do computador. Meti a rádio na internet, abri o word e comecei a trabalhar.

Foi aí que um fato inusitado me fez pensar diferente: uma galera da manutenção resolveu consertar algumas coisas aqui e usou e abusou de uma potente e fedorenta cola. O cheiro forte da bichinha foi dominando o ambiente, dominando minhas narinas, dominando minha mente. Fui ficando doidinho, doido e doidão. Fone no ouvido, documento do word em branco na tela e cola na mente. As coisas começaram a ficar maluquetes.

Quando o Bahia levou o primeiro gol, eu ainda estava entendendo tudo normal. Normal não. Tava com uma raiva da porra do Bahia. Ê time que não dá a mínima confiança. Depois do gol, o Bahia melhorou um pouquinho. Mas bem pouquinho mesmo.

Foi aí que os efeitos da cola começaram a se manifestar. A voz do locutor foi ficando estranha. Parecia que estava gravada em fita cassete e que a fita tava rodando num daqueles gravadores antigos. Ora a voz saía normal, ora saía mais lenta, ora saía mais acelerada:

- Lá vai o jogadoooooooorrr doooooo Paaaranáááá, vai expulso, vermelhooooo foooooooooiiiiiiii expul o atacannnnteeeee do paná.

Eu não entendia direito. Tava tudo mudado. Meu corpo tava mais leve, parecia que eu tava flutuando. Olhei para um boneco de girafa que tem aqui na minha mesa e ele falou:

- Acabou o primeiro tempo.

Achei uma loucura, mas a girafa continuou a falar e a falar. Tentei me concentrar na tela e voltar ao trabalho. Mas o computador tava de sacanagem comigo. O I de Itálico (aquele símbolo do word) ficava indo de um lado para o outro, querendo me hipnotizar. O sacaninha tava quase conseguindo. Até que fui salvo por outro grito:

- Golllllllllllll do Paraná.

Olhei ao meu redor para saber de onde veio. Sim, tinha esquecido que estava com fone de ouvido. Parei no troféu de um festival de publicidade: um galo. Era o sacana que tava gritando gol do Paraná. Porra, tava tudo mutcho louco. Aquela cola era da boa. Só o Bahia que era fraco mesmo.

Fiquei olhando o galo e ouvindo o galináceo narrar o jogo. Nenhum co-co-ri-có, só bola pra lá, bola pra cá. Quando eu já tava ficando amigo dele, já tava pegando gosto pelo sacaninha, ouvi outro grito:

- Golllllllll do Paraná.

- Quem gritou?! - Eu disse!!

Foi aí que ouvi uma voz do além, uma voz meio bíblica, uma voz carregada de sabedoria, uma voz celestial.

- Eu gritei.

Era Ele. Só podia ser Ele. Olhei para cima e uma luz me cegou.

A voz continuou:

- Pára de olhar pra lâmpada, menino. Sou eu, o tio da manutenção. Tá foda esse nosso Bahia, pai vêi!!

Aí lembrei do caralho a quatro. Eu no trabalho, a cola alucinógena, o documento do word em branco, a girafa de brinquedo, o troféu em forma de galo, o jogo no rádio, o Bahia levando uma piaba de um dos piores times do campeonato, a voz gutural do tio da manutenção… Ei, por falar no tio da manutenção:

- Ô, tio, dá mais um pouquinho dessa cola aí para ver se eu esqueço essa nisgraça de time.

 


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