Sherazade me contou
Benazir era um tricolor fanático. Onde quer que estivesse, parava para acompanhar o Bahia. Mas ele também era um tricolor diferente. Benazir vivia no meio do deserto do Saara, vendendo tapete voador para os beduínos. Não me pergunte como o bicho conseguia acompanhar o Bahia no meio do deserto, mas eu posso te garantir que ele acompanhava.
Pois bem, um dia, Benazir estava andando pelo deserto, sozinho, com um sol da porra na cara, areia até na cueca e uma sede dos infernos, quando tropeçou em algo e caiu estatelado no chão. Benazir levantou e olhou ao seu redor, procurando o motivo do tropicão. De repente, viu a luz do sol bater em alguma coisa na areia e refletir em seu rosto. Benazir correu para ver que diabos era aquilo. Para sua surpresa, era uma lâmpada maravilhosa.
Benazir pegou a lâmpada e, como a bichinha estava cheia de areia, resolveu limpá-la. Algumas esfregadelas e a lâmpada começou a tremer e a expelir uma fumaça branca. Assustado, Benazir largou o objeto no chão. Foi aí que, do meio da fumaça, surgiu um gênio.
- Você me libertou da maldição da lâmpada. Agora, você é meu amo e tem direito a três desejos.
Benazir respondeu:
- Que amo, que nada, rapaz. Pode me chamar de brother, corrente, pedra noventa, moral, pai véi. Mas nada de amo.
- Tudo bem, pai véi. Você tem direito a três desejos por ter me libertado.
Benazir pensou, pensou e pensou. De dinheiro ele não precisava, as vendas de tapete voador iam muito bem, obrigado. Saúde ele tinha de sobra, menino criado a caldo de mocotó e ovo de codorna. “Só se eu pedir algo para o meu time…”.
- Gênio, já sei. Eu queria que você mandasse para o Fazendão um lateral direito bom pra caceta. Um que saiba marcar, apoiar, driblar, criar, cruzar, chutar, fazer gol e ainda corra feito um louco.
O gênio ouviu com atenção, cruzou os braços e disse:
- Seu desejo é uma ordem. – Scataplan!! (ruído de desejo sendo realizado). – Qual o segundo?
- Rapaz, eu quero um lateral esquerdo também. Que faça tudo que o direito faz, mas pelo lado esquerdo do campo.
Mais uma cruzada de braços do gênio:
- Seu desejo é uma ordem de novo. – Scataplan!! (ruído de desejo sendo realizado mais uma vez). – Qual o terceiro?
- Agora eu quero um meia. Um cara que crie as jogadas, bata com os dois pés, faça gol, lance, seja bom de cabeça, chute de dentro da área, de fora, do meio-campo, da área do Bahia, drible, marque, seja rápido, enfim, faça tudo.
Outra cruzada de braços do gênio:
- Mais um desejo, mais uma ordem. – Scoplubum!! (esse ruído foi diferente porque era o último).
Pronto, três desejos realizados. O gênio deu um abraço em Benazir e seguiu seu caminho. Benazir partiu para o outro lado, feliz com o Bahia. Pode colocar oito carniças para completar o time. Com três craques, o Bahiaço sobe fácil.
Os dias passaram, até que Benazir se ligou que tinha jogo do tricolor. Mas calculou mal o fuso e só lembrou algumas horas depois do fim da partida. “Tem nada não. Com os três reforços, o Bahia só pode ter vencido”, pensou Benazir. Ele entrou na internet e viu o resultado. O Bahia levou 3 x 0. Não pode ser. Foi lá na escalação do time e nada dos reforços. Estavam lá: Luciano Baiano na direita, Ávine na esquerda e Emerson Cris no meio. Nem sinal dos reforços do gênio.
“Aquele gênio é pilantra. O sacana me enganou. Caí como Al Patinho!”, pensou em voz alta Benazir.
Revoltado, Benazir foi conferir a ficha técnica do jogo e encontrou os três reforços. No banco. Os caras chegaram, mas Arturzinho colocou no banco.
Moral da história: mudança para ser mudança mesmo tem que começar de cima, pai véi.
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