Zorra Tricolor Total
Não sou muito de ficar vendo TV no sábado à noite. Não que eu seja um cara popular e tenha programa para todo sábado. Longe disso. Mas eu tenho vídeo-game, o melhor amigo do homem que mora só.
Mas tem um sábado ou outro que eu dou uma olhadela na TV. Fico lá, fingindo de morto no sofá e assistindo Zorra Total. Não é um programa que combina comigo, mas tem uma coisa que chama a minha atenção: o bordão do final da piada. O comediante dá aquela olhada para a câmera dois e solta o bordão. Em todo quadro tem que ter um. Não entendo essa obsessão por bordões. Mas se eles podem, eu também posso. E já defini o meu, no melhor estilo Grande Otelo.
- Ah, não faz assim com seu neguinho.
Se eu tivesse no Zorra Total, depois das piadinhas ia sempre olhar para câmera dois e lançar:
- Ah, não faz assim com seu neguinho.
Um sucesso. Vamos para a primeira situação.
Estou saindo de casa com a bandeira do Bahia na mão. Vou para o jogo, seja em Feira ou em qualquer lugar. Até que encontro um dirigente do Bahia.
Dirigente:
- E aí, Zé, vai pra onde?
Eu:
- Ué, você não tá sabendo do jogo do Bahia? Você não é dirigente?
Dirigente:
- E o que uma coisa tem a ver com a outra? Eu dirijo os rumos do time… não dirijo o ônibus do time.
É nesse momento que eu olho para a câmera dois e digo:
- Ah, não faz assim com seu neguinho.
E emendo.
- E a torcida?
Dirigente:
- Enquanto a torcida enche o estádio. Eu encho o meu bolso.
Câmera dois de novo:
- Ah, não faz assim com seu neguinho.
Agora, o dialogo final:
- Mas você não tem vergonha?
Dirigente:
- Tenho. Mas só quando minha braguilha tá aberta.
O dirigente sai andando. Eu viro para a câmera dois e digo o derradeiro bordão:
- Ah, não faz assim com seu neguinho.
Sobe trilha e entra vinheta do Supercine.
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