Empate nas coxas
Fala, Zé! A vontade é de soltar um palavrão daqueles, dos mais escabrosos que você já ouviu. Impressionante, mas ontem a gente tinha tudo e mais um pouco para voltar do Paraná com três pontos e, novamente, entregamos a rapadura. Esses caras só podem estar de brincadeira com a gente, Zé. Ou eles matam alguém do coração ou assassinam a nossa paciência. Eu estou no primeiro grupo de risco. Tudo bem, não perdemos, e também não precisamos de um desespero escalafobético. Mas em compensação a gente deixou de vencer de uma forma bisonha. Jogo mais ganho do que o de ontem, esse ano, eu ainda não tinha visto. O fraco time do coritiba se entregou na maioria do tempo e guardou um gás extra para os últimos minutos, nos proporcionando um baita susto. Só não perdemos o jogo por um pentelho de sapo e por nossa exclusiva incapacidade de abrir larga vantagem. Inclusive já ouvi dizer que o nosso departamento jurídico iniciou um processo no INPI para patentear a marca de time que mais entrega resultado de bandeja, nesse campeonato. Ah! Temos que ficar chateados mesmo, independente da demonstração de melhora que os jogadores vêm apresentando. Podemos esbravejar, cobrar. O Glorioso é muito grande pra se contentar com empate em partida garantida. Hoje em dia, o Clube está precisando muito de vitórias, joga de forma superior por diversas vezes e ainda assim não tem tranqüilidade pra garantir um triunfo. Ai, meu Fogão. São pontos que podem fazer falta.
Estava um frio pra cada um no Paraná. E o jogo começou com domínio total do Fogão. Estávamos como xerifes de Curitiba. Tínhamos facilidade para entrar na área coxa branca, a nossa marcação dava conta do recado e o mais importante: no primeiro tempo, ninguém se escondeu do jogo, o time deu a cara pra bater. Até que chegou o minuto 34. Num escanteio cobrado pelo Lúcio Flávio, a bola resvalou numa disputa de área, no primeiro pau, e subiu para cair na cabeça do Victor Simões, na 2ª trave. Sabe o que ele fez? Ele encontrou o único lugarzinho que o caroço conseguiria dormir na rede. 1X0 pra colocar Fogo naquele clima gelado. De início, foi o suficiente. E como era o intervalo, tive tempo para pensar em uma questão: Zé, o tribunal desportivo adora usar imagens dos jogos para indiciar jogadores que passaram batido pelo crivo dos juizes, não é? Pois então. Cadê o indiciamento daquele rapaz que abriu o supercílio do Lúcio Flávio com uma cotovelada marginal, no jogo contra o náutico? Pelo visto, o mesmo pau que bate em chico não bate em francisco, na CBF. Até aqui, surpresa nenhuma. E a gente vai levando…
O 2º tempo consolidou a nossa acomodação. Demos mais espaço pra turma do “leite quiente”, recuamos absurdamente e o pior: perdemos gols que fizeram uma falta incrível. Meu amigo, teve um lance do André Lima e do Batista, que o zagueiro de lá tirou em cima da linha. Digno de chutar a arquibancada com força. Eu esfreguei a cara, respirei fundo e falei comigo mesmo “Sobra agora e falta no final”. Dito e feito. Em seguida, levamos o empate. A nossa zaga, que cisma em jogar na linha burra, falhou. A bola sobrou pro atacante e ele tirou o Castillo da jogada, que nem teve culpa. Mas uma coisa eu tenho clara na cabeça, não consigo ter segurança com ele no gol. Não estou dizendo que o garoto Renan é a solução imediata, só estou sendo sincero em dizer que o pequeno uruguaio não consegue me deixar tranquilo. Quando eu já achava que o empate era inevitável, o Batista encontrou a cabeça do Renato sozinha, dentro da pequena área. Ele fez a Estrela brilhar ainda mais solitária lá em cima. 2X1 e festa, que durou pouco. Aos 44’, o time repetiu o mesmo mole de sempre e cedeu o empate. 2X2 e só não perdemos porque a trave resolveu nos proteger no último lance do jogo. Ufa! Complicamos o fácil, mais uma vez. Tem problema não. O jogo era fora de casa e pelo menos defendemos um pontinho a mais na tabela. O negócio agora é fazer o dever de casa bem feitinho contra o barueri, aqui no Niltão. Vitória exigida. Eita chance danada de boa para lotarmos a nossa casa, fazendo uma baita comemoração, que só a gente sabe fazer. Te vejo lá, porque ninguém jamais nos calará (com rima e tudo). Abraço, Zé!
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Fala, Zé! Tum… Tumtum… Tumtumtumtum! Calma, respira e grita com vontade: Foooooooogooooooooo! Pode falar o que quiser, Zé, mas é num momento de dificuldade como esse que a gente valoriza a garra e a dedicação para alcançarmos os sorrisos. Esse camarada que está aí do lado, por exemplo, mostrou que tem a Estrela Solitária cicatrizada no peito. O André Lima jogou com a emoção na ponta da chuteira e foi premiado com o segundo gol do Glorioso na partida, rapidinho. Eu já estou careca de dizer e repetir por aqui: coração de Botafoguense não bate, espanca. E ontem tivemos mais uma prova disso. O jogo contra o inter lá do sul – que dizem que é campeão de tudo, mas para nós é campeão de ludo – se mostrou fácil e no final tornou-se mais um teste para os que vivem da pulsação que vem de General Severiano. Tirando os “enses” aqui do Rio (que entra ano e sai ano a gente ganha facilmente), você consegue lembrar de alguma partida importante em que abrimos 2X0 antes dos 20 minutos? Poi Zé. O certame de ontem foi anunciado como fácil e se encerrou disputadíssimo. A gente dominou o primeiro tempo com tranqüilidade e, pra variar, complicou o que estava mole. Eu fui pro intervalo querendo lavar a alma e voltei pro segundo tempo enxugando o suor, de tanta preocupação. Antes de destrinchar a luta desse último sábado, queria falar sobre a grande verdade desse Brasileirão: quando o talento não corresponde, o empenho precisa se multiplicar. Está aí o avaí mostrando uma tremenda vontade de permanecer na disputa. E parece que, no nosso time, alguns estão entendo muito bem esse capítulo. O Alessandro é um deles. Vamos, Fogão! Estamos contigo.
Fala, Zé! O Fogão está dando aula na matéria de agarrar pontos imprescindíveis. Segundo a turma do titio Ney, basta besuntar as mãos – generosamente – com a manteiga mais gordurosa que encontrar pela frente. Depois tente segurar firmemente o objetivo traçado. Faça isso e veja o quanto é fácil garantir a sua meta. É mais ou menos dessa forma que o Botafogo vem atuando em busca da sua recuperação na tabela. Foi assim contra o urubu, no domingo passado. Já havia sido desta mesma maneira com o vitória, lá na Bahia. Também contra o florminenC, aqui no Maraca. E a história se repetiu ontem, mais uma vez, lá em Pernambuco. Enquanto o nosso time deixa escapar o nosso crescimento com mãos de manteiga, nós – torcedores ativos da arquibancada, do sofá, do barzinho… de onde quer que seja – assistimos brochados a mais uma chance de reabilitação ir embora passivamente. Time mais afundado que o náutico, confesso que eu ainda não tinha visto. E nós voltamos dos Aflitos de novo com a sensação do “por que não foi?”. Antes de falar sobre arbitragem polêmica, fato que é mais antigo do que a avó da Dercy Gonçalves, precisamos olhar pro nosso próprio umbigo e constatar que o nosso ataque está perdendo a letalidade. Estamos cada vez mais dependentes das bombas longínquas do Juninho. Queria muito saber qual é a ligação que o nosso meio-campo faz? Do que com o que? Ai, meu São Quarentinha! Até quando?
Fala, Zé! Eu tenho tanto pra lhe falar. E com palavras eu sei dizer: o meu amor por você é grande pra cacete, Fogão! Acredito que nem os 50 anos de carreira do Rei Roberto Carlos proporcionaram tantas emoções quanto os últimos embates entre a Estrela Solitária e o menguinho. São sempre jogos difíceis, brigados, corridos e que, normalmente, acabam empatados. E quem ganha com isso somos nós, da arquibancada. É lá e cá, toda hora. Pra mim, é inadmissível um Botafoguense de verdade deixar de ir a um jogo que seja contra a mulambada. Ontem, tivemos outra chance de conferir de perto a maior rivalidade carioca dos últimos tempos. O Glorioso, mais uma vez, dominou a partida e eles sentiram a nossa marcação. Mas a nota triste é que parece que nós ainda não aprendemos com os erros passados. Um absurdo. Até quem acompanha o Campeonato de Bocha do Vale do Paraíba sabe que em clássico não dá pra descuidar um só minuto. Temos que ficar com os 100% de entrega até que o moço rubro-negro do apito termine a partida. Não sei porquê, mas tenho certeza que esse dever de casa e muitos outros o Lúcio Flávio não estuda nunca. Foi um empate com sabor de derrota, mas que pelo menos já nos acalmou bastante, por vermos a grande maioria dos nossos jogadores correndo, mordendo para vencer a partida. Não foi o jogo dos sonhos, mas que valeu o ingresso, isso ninguém pode negar.
Logo aos 13`, o Juninho aproveitou a bobeada dos estagiários de zagueiro – do adversário – e marcou cobrando falta. Enquanto a barreira pulou, o nosso camisa 3 esticou a pelota rasteirinha por baixo. Mais uma vez, o excelente batedor deixou seu 1X0 malandro. Com o placar aberto, continuamos donos do pedaço. O Alvinegro se manteve firme no campo de ataque, com uma boa marcação. O que vale dizer sobre o nosso meio-campo é que a contenção esteve satisfatória, mas a criação deixou muito a desejar (pra variar). Lúcio Flávio e Renato estão com uma baita timidez para armar e isso reflete lá na frente, porque o Victor Simões teve que voltar toda hora para buscar o caroço. Apesar da estreia, quero acreditar que o André Lima estava num péssimo dia, porque ele nem sabe dizer de que marca era a bola. O nosso segundo gol foi marcado por um dos piores em campo: o Renato. Com um brevíssimo lampejo de raça, ele se esticou todo para escorar um cruzamento, de falta, feito pelo Lúcio Flávio. 2X0 e começava a se desenhar uma vitória tranquila. Apenas 15 minutos de intervalo foram necessários para comprovarmos o engano.
Fala, Zé! Pode chegar, freguês. Até que enfim saiu. O Glorioso abriu a carteira na boca do caixa, de levinho, e liberou a tão esperada terça dos reforços. Faz mais ou menos um mês que a gente escuta o papo de que a “terça-feira gorda” vai chegar – o fatídico dia da semana em que as boas notícias de aquisições seriam espalhadas por General Severiano. Algumas terças passaram em branco e a de ontem, te confesso, não foi totalmente como eu desenhava. Mas pelo menos já vimos melhoras de muito bom tamanho. O carrinho de compras chegou com duas novidades. Concretas, porque a gente não agüentava mais as novelas de especulações. Se são boas ou não, mais uma vez, só o tempo e os desempenhos dirão. Uma contratação tem um motivacional tremendo para a torcida e a outra ainda vai carecer de resultados. De qualquer forma, pode colocar mais uma caixa de cerveja na lista de compras, Zé. A chegada de jogadores com condições para colocar Silvas e Corais, no banco de reservas, é digna de vários brindes.
O Émerson – muito pelo contrário – já fez de tudo e mais um pouco para ganhar uma demissão justa-causa. Ainda assim, pelo menos esses dois problemaços se mantém intocáveis no time. Ontem, nós empatamos com o momentâneo líder do campeonato (o patético lá de Minas), na casa lotada dele, e ficou na boca um gosto amargo de “podíamos ter ganhado”. O pedaço de madeira que corre, respira e ainda atende pelo nome de Alejassandro teve duas chances claríssimas de nos aproximar dos 3 pontos e as jogou fora, bisonhamente. Note: ele não perdeu os gols, ele simplesmente não teve condições de faze-los. Não por falta de oportunidade, mas por falta de capacidade própria. A culpa é dele? Claro que não. Intolerável é quem ainda confia num E.T. desses. Se não dá pra entender o que se passa na cabeça do nosso técnico, você imagina do nosso lateral. Aliás, dá sim. Porque deve ter tanto espaço vazio lá dentro, que deve passar de tudo um pouco.
Hoje é o segundo dia do 2º semestre de 2009. Metade da temporada já se foi e até agora a custosa contratação do Teco (afinal, ele onera mensalmente o Clube) nem pôde ser experimentada no campo, quanto menos justificada em seu investimento. Quem avaliou o estado físico desse camarada? O departamento médico do Clube já pode ser chamado de Hospital dos Servidores, pois a sua quantidade de funcionários públicos encostados, é impressionante. O Reinaldo tinha chance de enfrentar o menguinho, na 2ª partida da final, e 2 meses depois não dá as caras nem em coletivo. Torcedor não é otário. A nossa solução eu confesso que não tenho na gaveta, mas que não me falta vontade para encontrá-la, isso você pode ter certeza. O Glorioso está marcado, pra sempre, no coração de quem o acompanha. E não somos masoquistas para ficar baixando a cabeça para aquilo que nos é nocivo. Prego que se destaca merece martelada e nós vamos sempre descer a marreta em quem nos diminui. Mesmo com todos os poréns vou pra Minas, porque ganhar do galo é a única saída rápida para fugirmos das lamentações. Soooou, sooou, Bo-ta-fo-go! Abraço, Zé!