Bota louco, Botafogo!
Fala, Zé! “Dizem que sou louco por pensar assim / Se eu sou muito louco por eu ser feliz / Mas louco é quem me diz / E não é feliz, não é feliz”. Fui buscar na letra de “Balada do Louco”, escrita pelo Arnaldo Baptista e a Rita Lee, a explicação exata do que estou sentindo. Pensar que esse fraco time do Botafogo vai ganhar do menguinho, nessa semi de Carioca, é loucura? Muito prazer, sou louco de carteirinha. É louco quem acha que o nosso grupo capenga vai superar esse blábláblá de império do amor? Bem-vindo ao hospício. Estou certo que podemos vencer. E de mais a mais, a fera que afia as garras pra arrebatar o urubu atende pelo nome de Loco Abreu. Aqui, corinthians, é que tem um verdadeiro bando de loucos. Loucos pelo Clube da Estrela mais bela do planeta. Loucos capazes de acreditar que, mesmo com as nossas deficiências em campo, podemos fazer uma história diferente. É esse sentimento que vai me levar para o Maracanã, na outra quarta-feira. Os “frás” serão as cinzas do nosso carnaval. Chegou a hora do Fogão sair da pré-temporada e entrar no ano pra valer. Está mais do que dito que não estamos nada satisfeitos com o time titular. Sim, mas e daí? É o que temos e vamos pra cima da mulambada como franco-atiradores. O favoritismo é todo deles, mas a garra em campo e a energia positiva que vem da arquibancada está sempre do nosso lado.
A história está querendo nos pregar uma peça, Zé. Nos últimos 3 anos, éramos melhores no papel e fomos superados dentro das quatro linhas. O inverso está a caminho. Afinal, ganhar o Carioca significa ser meia-boca em toda competição e se superar apenas em 4 partidas. Bastam 4 jogos inesquecíveis (2 semis + 2 finais, ou 1 semi + 3 finais) e até mesmo um time com Alessandro, Eduardo e Cia pode sagra-se Campeão. Pra cima deles, Fogão!
Ontem, contra o resende lá em Casa, levamos um gol antes mesmo do jogo começar. 26 segundos foram mais do que necessários pros caras sacudirem a rede do Jefferson. A nossa zaga dormiu de novo e foi 0X1, sem nem tocarmos na bola. Os mais atrasados na arquibancada nem acreditavam no placar. Mas o sofrimento não se concretizou por inteiro. O uruguaio Loco Abreu abriu sua caixa de loucuras e nos serviu, de cabeça, com 3 lindas razões pra pular da cadeira. Foram 2 gols no 1º tempo e 1 no início do 2º – todos de testada. E o placar virou pra 3X1. Depois, o Marcelo Cordeiro e o Wellington Júnior ainda ampliaram pra 5X1. A goleada tomou corpo. Aliás, o garoto Wellington Júnior entrou bem e mostrou que o Estevam Soares e o Ney Franco tinham uma baita implicância com ele. No apagar das luzes, o resende até marcou, mas o 5X2 ficou de bom tamanho. Luz de alerta para o Caio. Garoto, nada de firulas. Futebol objetivo é futebol produtivo. Baixe a sua impetuosidade e trabalhe pra ser – de verdade – uma jovem promessa. Zé, com o passar do jogo, as vaias deram espaço pros aplausos. Tô de pleno acordo. Muito ajuda quem não atrapalha. Agora, levar faixa de apoio pra jogador que já desperdiçou várias chances de mostrar a que veio, aí já é demais. Pombas, o Lúcio Flávio sobrevive desse bom e ruim há quatro anos. Ele joga mal cinco partidas e na sexta consegue fazer algo de bom. Aí, os torcedores que só assistem aos gols do Fantástico vem aqui defender o meia. Já estamos vacinados. Todos os esforços apontam para a Gávea, no Cariocão. Vamos livres de obrigações, porque o time não é bom e já fez muito em chegar até aqui. O que vier é lucro e queremos quebrar a banca. Torcida não vai faltar. Passaremos de Azarão para Campeão com 2 vitórias.
Zé, parece que está rolando uma iniciativa bacana: uma produtora aqui do Rio está fazendo um documentário sobre o nosso Glorioso São Nilton Santos. O filme vai relatar a trajetória da Enciclopédia do Futebol dentro e fora dos gramados. Os diretores buscam fãs do Niltão e do Botafogo que disponham de algum material que registre a história dele, ou que tenham algum tipo de relação com o craque. Os interessados em participar podem entrar em contato com a produtora pelo filmeidolo@remakefilmes.com.br. Taí uma oportunidade para fazer parte dessa importante história. Chegou a hora de entrarmos de cabeça no principal atalho para a Libertadores: a Copa do Brasil. Quarta, vamos pegar a estrada, ou melhor, a rota certa e embarcar rumo ao Pará. Vamos acabar com a disputa contra o são raimundo logo no 1º embate. Pra não ter volta. Te vejo em Santarém. Abraço, Zé!
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Fala, Zé! O momento é de idolatria? Não. O momento é de desistência? Jamais. Vivemos um momento crucial, nesses últimos anos. É tempo para pararmos, com muita calma mesmo, e reavaliarmos tudo o que nos cerca, enquanto ainda há tempo. Praticamente ontem, levamos uma sulapada com areia, do único time grande que enfrentamos até agora. Sinceramente, da minha cabeça esse vexame ainda não saiu, até porque eu vi a escuridão bem de perto. E, pra nossa infelicidade, os mesmos caras que mostraram a indolência desse fatídico dia, em campo e fora dele, continuam sendo prestigiados. Zé, eu acredito quando, no final do jogo de ontem, o Fahel chorou. Isso mostra que a pressão no Fogão é grande. E é assim que tem que ser. A quem muito é dado, muito é cobrado. Na conclusão fria dos fatos, o culpado não é ele, não é o Alessandro, o Lúcio Flávio e muito menos o Eduardo. O nosso problema reside muito acima. Esses caras não chegaram outro dia no Botafogo. Estão lá faz tempo e o futebol já está mostrado e desgastado. Eles não reservaram nenhuma surpresa pra nós nessa temporada. Culpado de verdade é quem confia neles e ainda os colocam pra trabalhar no meio desse furacão todo. Sentar para conversar o Glorioso e se resumir a trocar 4 ou 5 nomes de jogadores de futebol é puro desconhecimento de causa. O buraco é bem mais embaixo. Veja bem, ganhar dos “enses” e dos “inhos” aqui do Rio é quase que uma obrigação para um time tradicional como é o Botafogo de Futebol e Regatas. O resultado de ontem não me animou. Mas foi uma vitória e, como um Botafoguense na essência, eu comemorei. Afinal, é impossível assistir a qualquer gol da Estrela Solitária e não levantar da cadeira. Se é que eu não já estou de pé. Vamos, Fogão. Acima de tudo e todos é o seu lugar.


Fala, Zé! É inevitável. Eu tenho que abrir o texto de hoje exaltando o fim de tarde mágico que tivemos ontem, na porta do Niltão. Foi maravilhoso e me faltam palavras para definir o que senti na inauguração do louvor Alvinegro ao maior driblador de todos os tempos: a estátua do Mané Garrincha. Ansioso como uma criança que embarcava pela primeira vez numa excursão de escola, tive o prazer de comandar o evento, que contou com mais de 3 mil torcedores incendiados, além de ilustres Botafoguenses e ex-jogadores do Glorioso. Foi uma honra ter o privilégio de simplesmente estar ali, junto com tanta gente boa e o que é melhor: Botafoguense. Agradeço muito pela oportunidade e saiba que aquele momento está no meu coração, grafado em ouro com uma das pontas da nossa Estrela Solitária. Agora, o Anjo das Pernas Tortas e a Enciclopédia do Futebol estão lado a lado, na recepção principal da nossa casa, e esperando por muitos outros craques que ainda virão em bronze (dava pra ir até Copacabana, colocando um em cada esquina). Zé, aos poucos o nosso santuário Alvinegro da entrada Oeste está se encorpando e, muito em breve, se consolidará ali o maior museu a céu aberto do Botafogo de Futebol e Regatas. Homenagear esses craques não significa apenas perpetuar a história do Clube mais Glorioso do mundo. Significa exaltar e sempre lembrar o passado fantástico do futebol mundial. Os deuses nos abençoaram com esses mitos em campo e a nossa torcida, unida, está tratando de materializar essa benção. Palmas pra nós. Garrincha pra sempre.

O primeiro tempo compensou as 4 horas de viagem. Foi lá e cá, com emoção na maioria dos lances. Mal nos acomodamos na pequena e alvinegra arquibancada, ainda comentávamos sobre o péssimo estado do gramado, quando o Lúcio Flávio jogou a bola – quase que com a mão – para o Herrera, dentro da área, testar a pelota pro fundo da trama. 1X0 precoce e a saudade de gritar gol, dentro do estádio, foi embora instantaneamente. Logo aos dois minutos, saímos na frente. Mas, nos mesmos 2 minutos seguintes, demos uma bobeada incrível na zaga e os caras empataram, numa cobrança de escanteio. 1X1 infantil. O Herrera se movimentou bastante, apareceu pro jogo em diversos momentos e me fez esquecer os constantes sumiços de Reinaldo e Cia. É daí pra melhor, Hermano. Ele perdeu um gol feito, quando driblou o zagueiro e bicou o caroço pra passar rente à trave, de frente pro crime. Em seguida, levamos a virada. E logo em cima do Wellington, que estava muito bem na partida, se antecipando e roubando bolas importantes. O atacante girou na marcação dele e sacudiu o gol do excelente Jefferson, no cantinho. 1X2, mas o Fogão não se entregou. Logo depois, o Lúcio Flávio bateu uma falta com perfeição e empatou. 2X2 alegre. Pra melhorar, a nossa linha de frente fez uma jogadaça, daquelas pra levantar a galera, e o desfecho foi a mostarda espirrando no fundo do balaio. 3X2 saboroso. Vale a descrição: o Herrera recebeu a redonda na ponta direita da área, limpou o zagueiro pra dentro e mandou um canudo esticado, que beijou a trave. Na volta, o Marcelo Cordeiro (que estreou bem) também saiu do adversário e alçou novamente para o argentino. Ele nem deixou a bola cair e, de peito, ajeitou para o Lúcio Flávio. O nosso meio-campo serviu o estreante lateral-esquerdo, que não teve trabalho para balançar as redes. Lindo, lindo, lindo. 3X2, como já disse. Há muito tempo eu não via um 1º tempo tão movimentado. Tanto que não sobrou nada para o segundo e o placar se manteve intacto e sem maiores destaques.