Uma dose de valentia
Fala, Zé! Foi derrota, foi. Foi na hora errada, foi. Foi ruim pro nosso lado, foi. Mas que foi um jogo brigado de igual pra igual, palmo a palmo, isso também foi. Pelo menos dessa vez a turma que representa o Glorioso correu atrás de um bom resultado e não se acovardou diante desse mini-bicho papão azulado. Eu, que presenciei no Niltão - há poucos meses atrás - um verdadeiro massacre do Fogão pra cima desse mesmo time do grêmio aí, não posso dar essa moral toda para a gauchada. O time deles é tão brigador quanto o nosso, quando quer. Uma pena constatar que, nessa altura do campeonato, o desfalque que mais fez falta, numa penca de rodadas, foi a vontade. Com ela em campo, com certeza, a nossa situação seria bem melhor. Mas… Nada de lastimar o que passou e tudo para os novos desafios que estão por vir. Ainda estamos lutando por aí, objetivo é o que não falta e volto a repetir uma coisa bem interessante, que merece a sua análise: vale mais a decepção quando se está à frente na tabela, do que a vergonha de raspar a panela lá embaixo da classificação.
O jogo de ontem foi corrido. Movimentado pra caramba. E o Tio Fester do apito tratou de assombrar a partida, junto com a Família Adams da arbitragem. Ao lado do bandeirinha, o juiz marcou um impedimento assustador do Jorge HENRYque, que entraria na área e marcaria o nosso 1º gol. Depois ficam chorando na imprensa e dizendo que a CBF só favorece o eixo Rio-SP. Aquele lance foi crucial, sem falar da expulsão marota do Jorge. Mas, vamos pra bola porque essa sim nos interessa. Numa boa jogada, o Alessandro entrou em diagonal pela direita, fez tudo certo e finalizou errado. Foi o gol que não entrou. Logo em seguida, o Lúcio Flávio bateu uma falta, o Jorge HENRYque resvalou de cabeça e a pelota sobrou livrinha para o Renato Silva estufar o filó. 1X0 pra comemorar de verdade. Vou aproveitar o breve clima de festa e dizer uma coisa: muitos reclamam da postura agressiva do Cazalbérto. Até concordo que ele exagera em alguns momentos. Mas quer saber? Prefiro mil vezes um brigão, um batalhador, um cara que dá a cara pra bater como o Cazalbérto, do que uma figura que se esconde na hora do “vamos ver”, como o Mudo Flávio, por exemplo. Sou muito mais 11 Cazalbértos em campo do que 6 Lúcios Flávios no banco. Nossa, até rimou!
Logo depois do nosso gol, a gauchada empatou. 1X1 de pura sorte, para agitar o Olímpico. Afinal, essa é a chance dos “matchotchê” do Sul se encoxarem. Um atrás do outro com força. Eu não entendo, mas respeito, cada um com seu estilo de comemoração. No intervalo, uma história se repetiu: o goleiro pediu pra sair. A impressão que dá é que o Castillo sente a pressão de um jogo importante. De novo perdemos uma substituição com ele. E pra piorar, o Ney não foi feliz nas outras poucas oportunidades que teve. Optou, erradamente, por abrir o time. Com dois a menos em campo, dar espaço é assinar o próprio óbito. Afrouxamos na marcação e fomos buscar a bola no fundo da rede. 1X2 e a virada gremista. Só pra registrar: o garoto novo deles lá – o tal de Douglas – parece ser bom de bola mesmo. Infelizmente perdemos e eu, sinceramente, gostaria de elogiar o “El Guordo” Zárate, pois a nossa escassez do ataque é evidente. Mas o que vimos ontem, com mais tempo, foi muito, mas muito pouco mesmo. O cara não soma na partida. De artilheiro sem estrela já nos basta o Uélito Feijoada.
Enfim, bola pra frente e nada de sentar na calçada e ver o fim de ano passar. Como disse, os objetivos estão aí. Só não ver quem quer entrar de férias. Eu, é claro, fico com a missão das arquibancadas. A minha parte eu farei e pode me encontrar, na quinta, lá no Niltão. Espero devolver a goleada na baianada. Quer motivação maior do que atropelar rubro-negro? Pra cima deles, Fogão. Abração, Zé!
Com ele, foi estrela no peito e taça na mão.
Carlos Roberto – O nosso motorzinho do meio-campo, em um dos Biênios mais vitoriosos da nossa história. Ele inclusive foi o nosso técnico, recentemente. Um marcador incansável que – pra variar – repetiu a dose no comando da equipe, marcando sua dedicação Gloriosa com o titulo de Campeão Carioca em 2006. 1967 – 1968, como eu queria ter vivido essa época. O Fogão foi Bi-Bi do Rio, pela dupla conquista da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca, isso sem falar da Taça Brasil de 1968, que era o nome dado ao atual campeonato Brasileiro da época. Eita Estrela Reluzente!
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