Formulário de Busca

Contra “fatos” há argumentos

Qui, 16/10/08
por joao marcelo garcez |

suderj.JPGUma grande notícia agitou esta semana a crônica esportiva: a administração do Estádio do Maracanã, a partir de 2009, poderá ficar a cargo de Fluminense, Flamengo, Confederação Brasileira de Futebol e International Stadia Group (empresa responsável pela reconstrução de Wembley), consórcio favorito para vencer a concorrência da administração do Mário Filho. 

   

A novidade é ótima para os tricolores, que, com o Gigante em suas mãos, poderão proporcionar verdadeiros espetáculos como os da Libertadores deste ano. O tamanho da paixão da torcida pelo Fluminense, por sinal, pôde ser medida no jogo decisivo daquela competição, ocasião em que uma multidão de tricolores presentes ao estádio fez seguramente a mais bela festa da história do estádio. 

    

O jornalista Juca Kfouri, da Rádio CBN, que não comparecia ao Maracanã desde o Fla-Flu decisivo da Taça Guanabara-2004, se disse deslumbrado com o espetáculo de pirotecnia e a profusão de cores no estádio, aliada aos cânticos das arquibancadas. “A torcida do Fluminense me encantou. Cheguei a pensar que estava em Barcelona. Foi mesmo de emocionar”, comentou. 

   

Mas não foi somente na finalíssima da Libertadores que o Tricolor levou público ao Maracanã. Levantamento feito pelo site da Flusócio mostra que, ao longo desta temporada, o Fluminense foi responsável por 45,90% do valor total arrecadado pelo próprio Fluminense e pelo Flamengo, a outra agremiação envolvida no consórcio. 

   

Não é preciso ser expert em Matemática para descobrir que o Rubro-Negro foi então responsável por 54,10% deste total, números ainda muito longes dos 70% ditos pelo presidente Márcio Braga. 

 

  Negar a força do Fluminense é negar o óbvio. Enaltecer o poderio de uma torcida em detrimento doutra, então, soa como falácia, leviandade. É querer “jogar pra galera” uma situação que os números insistem em não mostrar. 

 

  Ao menos desta vez, os “fatos” de Márcio Braga foram facilmente combatidos pelos argumentos dos borderôs. 

    

***

Confrontos envolvendo Fluminense e Vitória, adversário do próximo domingo, já renderam boas histórias no Campeonato Brasileiro. E foi justo num duelo entre os times carioca e baiano que um caso de amor foi iniciado, ainda que por linhas tortas.   

Em 2001, o Tricolor desempenhava campanha razoável no início da competição, quando recebeu o time baiano no Maracanã pela quarta rodada.  Yan abriu o placar para o Flu logo aos 12 minutos. Mesmo sem jogar bem, o time dirigido por Oswaldo de Oliveira manteve o 1 a 0 até a cinco minutos do fim, quando Váldson empatou para o Vitória. Vaias e coro de “burro” para o treinador ecoaram das arquibancadas. 

   

Magoado, Oswaldo de Oliveira repreendeu a torcida tricolor, à qual chamou de ansiosa e afobada. “Entendo que a cerência de títulos faz com que os torcedores se comportem assim. Mas eles tem de saber que estão lidando com um técnico campeão brasileiro e mundial pelo Corinthians”, esnobou, colocando-se acima da instituição Fluminense. 

   

Com o relacionamento estremecido, Oswaldo só foi mantido no cargo porque o Fluminense fez, na seqüência, boa campanha no Brasileiro, terminando a fase classificatória na vice-liderança, ao lado do Atlético-PR. 

   

No dia 5 de dezembro, porém, técnico e torcida trocaram juras de amor. Na ocasião, Fluminense e Ponte Preta duelariam por uma vaga na semifinal do Campeonato Brasileiro. Pouco depois da entrada do time em campo, milhares de vozes cantaram “Parabéns a você” para Oswaldo de Oliveira, que aniversariava naquele dia. O treinador não resistiu e desabou em lágrimas. A noite foi coroada com a classificação tricolor, após árduos 120 minutos de jogo, que teve até uma dramática prorrogação. 

   

Oswaldo deixaria o clube no ano seguinte após insucessos no Torneio Rio-São Paulo e Copa do Brasil, competição das quais foi eliminado num intervalo de apenas três dias para São Caetano e Brasiliense, respectivamente. 

   

Anos depois, em entrevista ao canal a cabo SporTV, Oswaldo foi lembrado da homenagem tricolor pelo apresentador Luis Carlos Júnior, que classificou-a como a maior a um treinador num estádio de futebol. O treinador abriu largo sorriso e, novamente com os olhos marejados, deixou que seu coração falasse: “É, a torcida do Fluminense é fantástica”.

____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br 

Todos na onda de René

Seg, 13/10/08
por joao marcelo garcez |

simoes.jpgMelhor do que a vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-PR na estréia de René Simões, foi a postura do novo treinador do Fluminense logo após o término da partida. Ao entrar no vestiário e encontrar jogadores eufóricos com o resultado, tratou logo de arrefecer os ânimos e dizer aos atletas que absolutamente nada havia sido conquistado.

 

Em sua entrevista coletiva, pouco depois, declarou que já estava pensando em sua segunda “bolinha”, domingo, no Barradão, depois de triunfar numa partida em que esteve com um jogador a menos por quase todo o segundo tempo – Luiz Alberto, com dois amarelos, foi expulso aos 16.

 

Abre parênteses: apesar da firmeza nas marcações dos pênaltis – claríssimos –, Carlos Eugênio Simon mostrou total falta de critério ao expulsar Luiz Alberto e não tirar de campo o zagueiro atleticano Antônio Carlos, ex-Flu, após o pênalti em Arouca, quando também já tinha amarelo. Fecha parênteses.

 

Noves fora essa pisada de bola do árbitro, gostei da atuação do Fluminense, principalmente pela determinação e aplicação tática. A impressão que passou é que cada jogador cumpriu à risca tudo que fora determinado por René na semana de treinos em Itu.

 

Atlético-PR x Flu foi, enfim, daqueles duelos ao qual assistimos “podendo torcer”, já que o time nos deu essa condição, dadas as alternâncias de jogadas apresentadas e oportunidades de gols criadas.

 

Bendito, master mind!

 

***

Com os três gols marcados, Washington já é o vice-artilheiro do Brasileirão, ao lado de Alex Mineiro, com 17 gols. Restando nove rodadas para o fim da competição, o Coração Valente está a apenas quatro gols de fazer história com a camisa do Flu. É que, se chegar a 21, será o maior artilheiro tricolor dentro de uma mesma edição do Campeonato Brasileiro.

 

Nota: em 2000, Magno Alves, artilheiro da Copa João Havelange ao lado de Romário e Dill, balançou as redes adversárias em 20 ocasiões, mas o Fluminense jogou apenas 26 vezes na competição. Neste ano, serão ao todo 38 certames, o que dá vantagem ao Magnata.

 

***

Reparem bem no único gol atleticano na partida. É, exatamente: falha de Fernando Henrique.

 

***

Galo era o nome preferido de Celso Barros para assumir o comando técnico do Fluminense após a demissão de Cuca. A diretoria, porém, votou contra. Celso, então, apontou Carlos Alberto Parreira, campeão brasileiro em 1984 e 1999 (Série C), para voltar ao clube.

 

Contatado, Parreira agradeceu o convite, mas recusou. Diz-se que o desgaste com José de Souza, vice-geral, que chamou-o de ultrapassado em 2000, quando presidia o clube com David Fischel, pesou na decisão.

 

Para não deixar o clube de coração na mão, porém, o técnico campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1994 indicou René Simões para o cargo.

 

Em tempo: René Simões também é torcedor do Fluminense e disse estar diante de um grande desafio em sua carreira. Pelo envolvimento emocional que tem com o clube, René vinha assistindo a jogos do time, como o contra o Botafogo, no Engenhão, onde esteve com sua filha.

 

***

Em 2008, completam-se 20 anos da conquista sul-americana da Seleção Brasileira Sub-20, em Buenos Aires (ARG). O que tem isso? É que no comando técnico do time campeão estava René Simões, atual técnico tricolor.

 

Prova que o master mind já era eficaz há duas décadas.

 

***

O jogo contra o Palmeiras, no próximo dia 25, trará uma novidade àqueles simpáticos mascotinhos que entram em campo com o time. Das cerca de 40 crianças que terão a emoção de pisar no gramado do Maracanã, cinco delas serão da equipe paraolímpica do Fluminense.

 

A iniciativa terá seguimento com a inscrição de jovens excepcionais para as partidas subseqüentes realizadas no Rio de Janeiro.

 

Bola dentro!

 

***

Destaque tricolor na Taça Libertadores da América, o meia Thiago Neves, atualmente no Hamburgo (ALE), esteve semana passada nas Laranjeiras, onde treinou por alguns dias com um profissional do clube alemão.

 

Sensibilizado com o momento ruim do ex-clube, Neves teria ido a Curitiba assistir a Atlético-PR x Fluminense para dar força aos antigos colegas.

 

Antes de voltar a Europa, o Créu Tricolor pretende desejar sorte a todos na reta final da competição.

 

***

No mesmo dia em que o Flamengo era goleado por 3 a 0 no Maracanã, Cabañas fazia o gol da seleção paraguaia pelas Eliminatórias Sul-Americanas.

 

O placar foi o mesmo que eliminou o Rubro-Negro, também no Mário Filho, ainda nas oitavas-de-final da Libertadores, que teve o Flu com um de seus finalistas. Na ocasião, o próprio Cabañas havia tratado de despachar o Fla prematuramente para casa, na despedida de Joel Santana.

 

Sinistro déjà vu!

 

***

Recebo de Antônio de Padova aflito e-mail sobre o plano Sócio Torcedor. Desconfiado, queixa-se de ter recebido dois boletos de pagamento no mês de outubro.

 

“João, participo do plano Sócio Torcedor desde o lançamento e pago sempre em dia os boletos enviados. Esse mês, já havia recebido o documento, com vencimento para o dia 10, sendo correto que o papel continha o símbolo oficial do Sócio Torcedor.

 

“Ocorre que estranhei a chegada de um novo documento, sem o emblema característico do plano, cobrando o mesmo valor. Olhei o remetente e vi que estava identificado como Torcedor Afinidade LTDA, com endereço na Rua Voluntários da Pátria, 301/602, em Botafogo.

 

“Como meus dados e endereço estão corretos, temo ser este algum golpe envolvendo funcionários do clube”.

 

Antônio, pode se despreocupar. O departamento Sócio Torcedor esclarece que o endereço mencionado por você é a razão social, jurídico, gerador dos boletos de pagamento do plano. O departamento ainda agradeceu o contato, se desculpou pelo ocorrido e disse que entrará em contato com você nesta semana.

 

***

Na coluna anterior ao jogo com o Furacão, para preparar terreno e animar a festa, citei três vitórias do Fluminense na Arena da Baixada.

 

Deu certo.

 

Contra o Vitória, então, repetirei a tática.

 

Senta que, quinta, lá vem a história.

 

Uma boa semana a todos.

_____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Apalavrado com patrocinadora tricolor, Leandro Amaral comandará ataque do Flu em 2009

Ter, 07/10/08
por joao marcelo garcez |

celsoeleandro.jpg Leandro Amaral voltará às Laranjeiras em 2009. O atacante, que se envolveu em um imbróglio jurídico nesta temporada, estaria apalavrado com o presidente da patrocinadora do Fluminense, Celso Barros, para ajudar o time na conquista do trigésimo-primeiro título estadual de sua história e da segunda Copa do Brasil, que conduziria o Flu a mais uma edição da Libertadores, em 2010.

 

Quem garante a veracidade da notícia é o companheiro Paulo Rocha, jornalista com quem trabalhei por dois anos no Jornal dos Sports, que noticiou em sua coluna do Cor-de-Rosa ter adquirido a informação de uma fonte fidedigna dentro de São Januário.

  

Ainda segundo a raposa felpuda, o aluguel do apartamento onde hoje reside Leandro Amaral estaria sendo custeado por Celso Barros, que é fã confesso do futebol do jogador.

  

A esta altura, além de ajudar o Vasco na luta contra o descenso, Leandro deve estar torcendo como nunca para a manutenção do Flu na elite do futebol brasileiro.

  

***

 

Em tempo: a julgar pela bolinha que vem jogando, tenho lá minhas dúvidas se a volta de Leandro ao Fluminense será benéfica ao clube.

  

***

 

Artigo publicado na “Máquina do Esporte” elucida a destacada importância da torcida do Fluminense no cenário esportivo brasileiro e mundial. Graças a ela, que levou em média 52.801 torcedores em jogos no Maracanã, a Copa Santander Libertadores registrou significativo aumento de público na edição de 2008 (35%), que, dada a belíssima campanha tricolor, teve pela primeira vez em sua história uma decisão disputada no sagrado palco do Estádio Mário Filho.

  

Em sua totalidade, a maior competição das Américas teve na edição deste ano um público superior a 2,9 milhões de pessoas. Em 2007, a quantidade de torcedores tinha sido inferior a 2,2 milhões.

  

Se o título escapou por entre os dedos do Fluminense, o Tricolor ficou na liderança ao menos na média de público, com 49.011 expectadores por jogo, seguido de América do México (48.853) e Cruzeiro (37.538).

  

Números que enchem de orgulho a nação tricolor, que não parece nada disposta a corroborar com a mais recente declaração do presidente do clube, a de que disputar a Segunda Divisão não é nenhuma vergonha.

  

Por eventualidade não, presidente! Mas por incompetência e desleixo é, sim, altamente vexaminoso.

  

***

 

Ainda que injustamente, foi-se Cuca e veio René Simões. Quando chegou ao clube, logo em sua primeira entrevista coletiva, o novo treinador tratou de convocar todos que gostam do Fluminense para criar uma onda em que todos estariam numa mesma vibração.

  

Perguntado sobre como venceria o desafio de triunfar em seis de dez partidas, não se desesperou. René pegou o gancho de uma declaração do tenista suíço Roger Federer à imprensa internacional - que disse não entrar em quadra pensando na longa duração dos jogos - para explicar como trabalharia até o restante da temporada.

  

“Bolinha a bolinha”. É desta forma que o novo técnico tricolor desenvolverá seu projeto de manter o clube na elite do futebol brasileiro. Para seguir à risca o passo a passo de René, todos no clube vem pensando exclusivamente na próxima “final”, contra o Atlético Paranaense, adversário direto do time na briga contra o descenso.

  

O master mind tricolor parece ter atingido até mesmo torcedores do Coritiba, principais adversários do Furacão, que desejam ver o rival na pior. Para isso, contam com a vitória tricolor, sábado, na Arena da Baixada.

  

Um deles, que assina como Marlopes, dá até o mapa da mina para o triunfo tricolor em terras paranaenses. “Tomem cuidado com as jogadas de bola aérea, é a única (única mesmo!) que possuem”, escreve.

  

Fica aí esta boa dica para o estreante René “master mind” Simões.

  

***

 

Não é de hoje, a Arena da Baixada já não vem sendo mais o alçapão temível de outrora. Em confrontos recentes, o Fluminense tem conseguido vitórias importantes no estádio. No ano passado, com um gol de Adriano Magrão nos minutos finais, o Tricolor avançou às semifinais da Copa do Brasil. Um ano antes, na estréia do Flu no Campeonato Brasileiro, o time, então dirigido por Oswaldo de Oliveira, venceu por 2 a 1 num jogo em que poderia ter até goleado.

  

Voltamos sete anos no tempo e chegamos a 2001. Aposto que você pensou na derrota por 3 a 2 (três gols de Alex Mineiro) que tirou o Flu da decisão do Brasileiro? Mas não é desse jogo que quero lembrar, e sim de um outro válido pela primeira fase dessa mesma competição: a histórica vitória por 2 a 1 (gols de Roni e Sidney), que pôs fim à escrita do Tricolor até então nunca ter vencido na Arena.

  

Eis minha singela contribuição para o “master mind” de René.

  

***

 

Não é só o Maracanã que pode se orgulhar de receber milhares de torcedores em seu estádio. Este Blog do Flu, no mês de setembro, registrou a marca de 73.608 acessos únicos, número absoltamente fantástico, principalmente se levarmos em conta a fase pífia por que atravessa o time. Em julho, por exemplo, quando foi decidida a Libertadores, o blog do Flu bateu a porta dos incríveis 100 mil acessos únicos.

  

Os quais agradeço imensamente a você, querido leitor, que há quase um ano e meio me acompanha nesse espaço, escrito sempre a milhares de mãos.

  

A todos vocês, reitero meus mais profundos cumprimentos e agradecimentos.

  _________________________________________________________E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

É… Tá difícil

Qui, 02/10/08
por joao marcelo garcez |

015613180-ds00.jpg01_chb_washington.jpgSerão turbulentos os dias nas Laranjeiras até a partida do dia 12, contra o Atlético-PR. O empate com o Goiás, considerado o último jogo para o início de uma reação que nunca chega, deixa o Fluminense numa situação pseudocatastrófica no Campeonato Brasileiro. A dez jogos do fim, o time necessita de 18 pontos para não se ver novamente assombrado pelas bruxas da Série B. Mas, infelizmente, há muitos indícios de que o Halloween vem mesmo para ficar e de que as vassouras voadoras rumarão com o Flu para estádios de clubes menos tradicionais em 2009.

 

Não há crueldade nas palavras acima. Há, sim, crueldade nos dois gols perdidos por Ciel, incompatíveis para um jogador profissional. Há crueldade no festival de baboseiras desta diretoria inócua que aí está. Há, sim, crueldade, nos “reforços” trazidos ao time depois da perda de sua espinha dorsal. Há crueldade em deixar milhares de torcedores dormindo nas ruas enquanto ingressos eram repassados a cambistas para que os vendessem com ágio…

 

O 1 a 1 com o Goiás é só a ponta do iceberg desta sucessão de equívocos, que apontam para um inevitável rebaixamento (torço muito para queimar a língua). O Blog do Flu seguirá apoiando o time enquanto houver esperanças (leia-se chances matemáticas), mas não hesitará em responsabilizar os pretensos dirigentes se a quarta queda do clube for mesmo sacramentada.

 

O futebol do século XXI não comporta mais gestões amadoras como a do Fluminense. O vice-campeonato da Libertadores é, sim, histórico e digno de registro. Mas a conquista se deve muito mais ao substancial suporte financeiro da Unimed, que finalmente acertou a mão e montou um time brioso, qualificado e competitivo, do que ao planejamento dos homens que lá estão.

 

Lamento muito mesmo que o Fluminense passe novamente por isso. A torcida, maravilhosa, forte, triunfal - como se viu na Libertadores - não merecia mesmo.

 

Mas vamos lá… Mesmo nas cordas, pra cima do Furacão.

 

***

A TV Globo só aguarda a definição dos quatro clubes rebaixados para decidir se continuará ou não com os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro da Série B de 2009. Se uma ou mais agremiação de grande porte cair, a emissora manifestará seu desejo de continuar exibindo-a, como vem fazendo a Rede TV. A TV Globo pensou em abrir mão da Segundona, mas a possibilidade de contar com Flu ou Vasco (ou até mesmo os dois) na competição fez a direção rever a decisão.

 

***

Terminou em pizza a ameaça da Unimed deixar o Fluminense. O presidente da empresa de saúde que há dez anos investe no clube, Celso Barros, convocou uma reunião às pressas depois de chegar de viagem e tomar conhecimento de que conselheiros haviam pedido o rompimento da parceria.

 

Revoltado, Celso Barros estava disposto a assinar o distrato ainda na terça-feira. E só não o fez porque o presidente Roberto Horcades pôs panos quentes na situação, dizendo que aquela era a vontade de um único conselheiro. Barros então repensou e, resignado, decidiu manter o patrocínio, por enquanto, apenas até o fim do ano. Segundo ele, um rompimento unilateral neste momento seria péssimo para a imagem da Unimed.

 

***

O futuro, porém, a Deus pertence. Apesar de ter contrato firmado até 31 de dezembro de 2009, Celso Barros já não tem mais a menor convicção de que manterá o patrocínio no próximo ano. O clube, porém, garante que não ficará com o pires na mão e até já teria proposta de nova parceria com outro investidor, como noticiou meu amigo Rafael Marques, repórter da Rádio Globo.

 

Os bastidores do Fluminense fervem.

 

***

Um deboche. Só assim posso entender a promoção feita pela diretoria do Fluminense para o jogo contra o Goiás. Caracterizada por ser “mão fechada” (menos para os cambistas) nessa questão, a direção tricolor parece não entender a gravidade da situação do futebol do clube. Abarrotar o Maracanã para que a torcida empurre o time passa a ser uma necessidade quando o Flu, a poucas rodadas do fim, não consegue sair do atoleiro onde se enfiou.

 

Será que baixando míseros R$10,00 e cobrando R$20,00 por uma arquibancada a diretoria achou mesmo que o Maracanã receberia 69 mil tricolores?

 

Enquanto isso, no Engenhão, o Botafogo cobrou R$5,00 (R$2,00 meia) para seu jogo pela Copa Sul-Americana.

 

Como se vê, a medida da diretoria do Flu não é uma questão de ingenuidade. É uma questão de… disso mesmo que você está pensando.

 

***

O Blog do Flu volta na terça-feira seguinte às eleições.

 

Cabeça fria, se é que é possível, e bom voto.

_____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br 

Para voltar a sorrir

Seg, 29/09/08
por joao marcelo garcez |

28_mhg_golflu.jpgA má notícia todo mundo já sabe: o empate em 1 a 1 com o Botafogo deixou o Fluminense em último lugar no Campeonato Brasileiro. A boa é que, à exceção do Ipatinga, nenhum dos clubes que brigam contra o rebaixamento também venceu, deixando a tabela ainda mais embolada.

 

Para se ter uma idéia, uma vitória simples sobre o Goiás nesta quarta-feira fará com que o Flu suba cinco posições, estacionando à frente do Figueirense em décimo-quinto. É claro que será apenas a partida de abertura da vigésima-oitava rodada, mas, se conseguir mesmo os três pontos, o Tricolor poderá acompanhar o seu desfecho com um pouco mais de tranqüilidade, secando seus adversários diretos.

 

O triunfo sobre o líder do Segundo Turno seria importante também para que o Fluminense tivesse dez dias de calmaria nos treinamentos antes de sua primeira grande decisão, contra o Atlético Paranaense, dia 11 de outubro.

 

O Flu, porém, não terá moleza no Maracanã. O Goiás vem de ótimos resultados, recente vitória fora de casa contra o então líder Grêmio (2 a 1) e será um osso duríssimo de roer. Não bastasse a qualidade do adversário, o Tricolor ainda não poderá com Thiago Silva e Tartá, suspensos, e, possivelmente, Luiz Alberto, machucado.

 

Meio a zero é goleada.

 

***

A exemplo do que havia acontecido contra o Coritiba, o Fluminense mais uma vez jogou bem e não levou. Pior: nas duas vezes que tinha domínio absoluto das ações, sofreu duros golpes – o gol de Carlos Alberto no primeiro tempo e a expulsão de Thiago Silva no segundo -, que impediram a vitória tricolor.

 

O gol de Edcarlos nos acréscimos foi um justo prêmio ao time do Fluminense, que teve seu esforço minimamente recompensado com o pontinho conquistado. Pouco para quem necessitava desesperadamente dos três pontos, é verdade. Mas que carrega na bagagem uma boa dose de injeção de otimismo para quarta.

 

***

As reclamações do presidente do Fluminense, Roberto Horcades, até têm fundamento, dados os sucessivos erros de arbitragem ocorridos contra o Tricolor ao longo do Campeonato Brasileiro. Mas feitas da forma que aconteceram – ainda sob o calor do jogo e com o time na lanterna da competição – mais parecem chororô de uma diretoria sem rumo e em desespero pela caótica situação do clube, cada vez mais à beira do precipício.

 

Esperar o caldo entornar para botar a boca no trombone é só mais uma das inúmeras trapalhadas da direção, que praticamente afronta a torcida ao perguntar à Comissão Nacional de Arbitragem quem pagará a conta pelos prejuízos de um possível rebaixamento?

 

Quem pagará a conta nós sabemos, presidente! A torcida, como sempre! Agora, o causador do prejuízo todos também saberão quem foi. Ou vai dizer que os remedos de reforços que chegaram às Laranjeiras após as saídas de Thiago Neves, Cícero e Gabriel também são culpa do senhor Sérgio Corrêa?

 

***

Trapalhadas e reivindicações fora de hora à parte, não deixe de acessar flusocio.com.br/blog para assistir ao vídeo produzido pelo site com diversos erros crassos de arbitragem contra o Fluminense neste Brasileirão.

 

Haja ponto surrupiado.

 

***

Sabe aquele golaço que você marcou na pelada do fim de semana e que foi registrado pela câmera de algum amigo que esquentava o banquinho? Além da satisfação pelo gol de placa, você agora ainda poderá ganhar prêmios com sua obra-prima. Para isso, participe da promoção Gol de Pelada do site Futsite.com, parceiro do Globoesporte.com A promoção vai até 30 de novembro e os três gols mais votados serão contemplados.

 

Não perca essa, peladeiro!

___________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br 

Pega na mão e vem

Sex, 26/09/08
por joao marcelo garcez |

cartaz.jpgO Blog do Flu adere à mobilização da nação tricolor e convoca e galera para lotar seu espaço do Estádio Olímpico João Havelange na difícil batalha contra o Botafogo, domingo à noite.

Faltam 12 jogos e o Fluminense, mais do que nunca, precisa de você neste momento. Esqueçamos por ora nossa indignação com a diretoria e ajudemos esse clube maravilhoso, patrimônio histórico do país e de nossos corações, a se manter na elite do nosso futebol.

“Tudo pode passar, só o Fluminense jamais passará”.

Arrebenta, Gigante! Imponha-se! 

Pega na mão e… VAMOS JUNTOS!

___________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Agora é com a gente

Seg, 22/09/08
por joao marcelo garcez |

torcida.jpgO Fluminense brigou, mordeu a bola, tomou a iniciativa do ataque mas esbarrou na maior organização do Coritiba, que se aproveitou do momento de instabilidade do Tricolor para, em três lances de pura bobeira, decidir o placar a seu favor. Não se pode culpar os jogadores de falta de empenho ou coisa parecida. O time correu, lutou, mas a fase não ajuda. A 12 rodadas do fim do Brasileiro, o Fluminense está na UTI e, mais do que nunca, precisará da força de sua torcida.

 

De nada adiantará agora apupar atletas e pedir impeachment de presidente. O momento requer todos os esforços para salvar o clube do trauma de um novo rebaixamento. Como já era esperado, fenômeno parecido com o de 2003 deverá voltar a ocorrer. Naquele ano, temendo a queda do Flu, a torcida começou a encher estádios na reta final do Brasileirão e tirou o time da degola.

 

O Fluminense, paixão de milhões e milhões de torcedores, está doente e em sérias dificuldades. Se dirigentes e jogadores não estão conseguindo curá-lo, caberá a nós torcedores abraçarmos o clube para tirá-lo dessa situação.

 

A exemplo da Libertadores, daremos nova demonstração de força. Não queremos - nem merecemos - um final tão triste assim. Não é hora também de caça a bruxas e culpados. Todos unidos pelo Flu, nosso amor, nossa paixão!

 

É pra lotar nosso espaço no Engenhão, galera! Gritar por 90 minutos é pouco! Gritemos por 100, 120 para o Flu voltar a respirar. 

 

Salvemos o Fluminense! NÓS temos amor ao Tricolor!

 

***

O árbitro Jaílson Macedo Freitas (BA) teve sua atuação comprometida logo aos 3 minutos, quando Washington sofreu pênalti clamoroso. No lance, o goleiro do Coritiba esquece a bola e estica a perna para desarmar o atacante tricolor. Vanderlei deveria ter sido expulso e o pênalti, marcado a favor do Flu.

 

Como nem uma coisa nem outra aconteceu, sobrou para Washington, que erroneamente levou seu terceiro cartão amarelo e não poderá enfrentar o Botafogo, domingo.

 

Quando a fase não é boa, até a arbitragem joga contra. E olha que ele é aspirante para o quadro da FIFA…

 

***

Confesso que esperava mais de Wellington Monteiro. A impressão que passou é que se Ygor ou Fabinho estivessem em campo no lugar dele não daria para se notar a diferença. Pra piorar, o volante ainda deu uma “assistência” no lance do segundo gol do Coritiba, ao resvalar de cabeça uma bola que Thiago Silva tiraria.

 

***

E por falar em Thiago Silva, o zagueiro não teve o aniversário que imaginava. Ídolo tricolor, Silva não merece a fase por que o Fluminense vem passando.

 

***

Em contrapartida, gostei da estréia de Ciel. O ex-jogador do Ceará não se intimidou com o Maracanã e atuou com personalidade, criando, driblando e arriscando chutes a gol. O atacante sabe cair pelas pontas e tem velocidade. Deverá render ainda mais com a volta de Conca na próxima rodada.

 

Já Edcarlos substituiu Luiz Alberto, que saiu machucado, e foi apenas discreto. Pelo menos, igualou-se em vontade com o restante do time.

 

***

Os amigos leitores são testemunhas de que há duas semanas não falo de Fernando Henrique. Mas também há duas semanas Fernando Henrique não vinha jogando. Agora que Fernando Henrique está de volta, já posso novamente falar dele. Serei justo, não houve falha de FH desta vez, mas cabem aqui algumas perguntas: alguém entendeu por que o pretenso goleiro saltou no lance do primeiro gol quando a bola já estava lá dentro (ah, claro, os fotógrafos)? Outra: no terceiro gol, por que FH esperou estático Keirrison chegar à sua meta em vez de sair para ao menos dificultar as ações do atacante? E, por fim: por que FH foi escalado?

 

***

Antes que digam que estou querendo tirar de Tartá a responsabilidade do gol que deu a vitória ao Coritiba, adianto-me em dizer que a culpa foi inteiramente do apoiador. Apesar da falha grotesca, defendo a escalação do jovem jogador ao lado de Conca no meio campo. O quadrado Tartá, Conca, Ciel e Washington poderá aumentar o poder de fogo do Fluminense nesta reta final do Brasileirão.

 

***

Curtas: o gol que Carlinhos perdeu é inadmissível para um jogador profissional (chute no travessão na risca da pequena área quando ainda estava 2 a 2). Assim como os que Washington, livre, perdeu no começo do jogo. O lateral segue sem acertar um cruzamento e o atacante a desperdiçar gols feitos. Imputar à irritação com a arbitragem a péssima conclusão das jogadas é o mesmo que chamar o torcedor de pouco inteligente.

 

***

Noves fora os gols que perdeu, Washington teve méritos no bonito gol que marcou aos 31, ao perceber o goleiro adiantado no momento que corria para a conclusão da jogada. No gol da virada, aos 45, mostrou oportunismo para chutar a bola que sobrou à sua feição.

 

***

Finalmente, a CBF se posicionou a respeito dos clássicos cariocas em que o Botafogo é o mandante, marcando-os para o Engenhão – contrariando determinação da Polícia Militar, que não deu garantias de segurança para jogos entre dois grandes clubes nesse estádio.

 

Se não é a ideal, ao menos se mostrou coerente a medida. A lamentar apenas a declaração do presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, quando, a pedido da FERJ, a partida esteve para ser transferida para o Maracanã. “Essa medida deve ser para garantir o champanhe do Fluminense no fim do ano”.

 

A fina ironia de Bebeto só comprova o velho ditado de que brasileiro tem memória curta. Esquece o cartola que apenas dois anos depois do triste episódio envolvendo o ex-presidente do Fluminense Álvaro Barcellos, a própria agremiação que hoje dirige foi escandalosamente beneficiada com a mudança de um resultado de campo nos tribunais – o Botafogo fora goleado de seis pelo São Paulo mas obteve os pontos da partida no tapetão no famoso Caso Sandro Hiroshi. Os três pontos “ganhos” (literalmente) foram determinantes para a manutenção do clube na Primeira Divisão.

 

Tem gente que não enxerga o próprio umbigo, sabe!

 

***

Estranho fenômeno vem ocorrendo em esfera nacional. Jogadores que hoje atuam na Série B, em busca de projeção e visibilidade, largam por qualquer trocado seus clubes em plena reta final de Brasileirão para defender agremiações da Série A – notadamente do eixo Rio-São Paulo.

 

Para ficar no Fluminense, somente no Fluminense, temos os casos recentes de Ciel e Elias, que trocaram Ceará e Bahia pelo Tricolor.

 

Nesses tempos difíceis de debandada de jogadores por atacado para o exterior, em que a competição de uma e outra economia é até covardia, as regiões Sul e Sudeste, no âmbito futebolístico, se consolidam como uma genuína Europa Brasileira.

 

***

Renato Gaúcho não é mais técnico do Fluminense e nem deveria ser assunto aqui, mas impossível deixar passar batido sua declaração, com dose de empáfia, após sua estréia com derrota à frente do Vasco. “O torcedor vascaíno pode ficar tranqüilo: o Vasco não vai ser rebaixado, não”.

 

Incrível e lamentável a imaturidade do treinador, que parece não ter aprendido rigorosamente nada com o tombo que levou há pouco mais de dois meses. A rigor, o Vasco tem até condições de se manter na Série A, mas Renato definitivamente ainda não aprendeu que não se deve dar garantias de nada a torcedor algum – sobretudo no futebol, esporte traiçoeiro, espinhoso e cheio de armadilhas.

 

Há muito, Renato vem perdendo seu carisma - sua maior virtude -, para trocá-la pela soberba, que alguns ainda insistem em chamar de autoconfiança.

 

***

A mudança de comportamento de Renato me é confirmada por André Miquimba, que jogou com o ex-craque no Fluminense em 1997. “Roger (Flores) e eu éramos os pupilos de Renato nas Laranjeiras. Tínhamos um relacionamento bacana. Mas ele está mudado, diferente mesmo. Parece deslumbrado com sua carreira de treinador”, disse Miquimba, durante evento realizado na Ilha do Governador na noite de sábado.

 

Integrado ao elenco tricolor rebaixado em 1997, André lembra com tristeza da fase negra do clube. “Quando o time fica na parte de baixo da tabela, as coisas simplesmente não acontecem e os jogadores entram em parafuso. Lembro que bastava sairmos atrás para bater desespero no time. A bola parecia que queimava nos nossos pés”, conta Miquimba, que vê o Fluminense com mais chances de se manter na elite do que o Vasco. “O elenco deles é realmente muito fraco”.

 

André Miquimba marcou um único gol com a camisa tricolor - vitória sobre o Botafogo (2 a 1)  na última rodada do Terceiro Turno do Estadual-97 – e encerrou a carreira há dois anos no exterior. Atualmente, trabalha com automóveis.

 

***

Irreverente frase de um torcedor tricolor escrita em cartaz flagrado pelas lentes do fotógrafo Rafael Moraes, do Jornal do Brasil. “Arouca 200 jogos: em 150, não jogou nada. Parabéns, Pipoca!

 

Há controvérsias!

 

***

Pela Copa Sul-Americana a LDU eliminou o Bolívar e agora enfrenta o Boca Juniors pelas oitavas-de-final. A galera tricolor tem toda a razão em não querer assistir aos jogos do time equatoriano. O trauma da Libertadores vive e a realidade do momento não nos permite sonhar.

_____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br 

Palmas que ele merece

Qui, 18/09/08
por joao marcelo garcez |

tsilva.jpgO Fluminense não pode mais tardar sua reação. Terá neste sábado, às 18h20, jogo decisivo para sua pretensão de se manter na elite do futebol brasileiro em 2009. Vencendo o Coritiba no Maracanã, terá grandes chances de deixar a zona do rebaixamento já nesta rodada. Todos os seus adversários diretos - Portuguesa, Ipatinga, Vasco, Atlético-PR e Figueirense - enfrentam equipes que estão na briga pelo título ou, no mínimo, uma das vagas para a Libertadores.

 

***

Se acontecer, será no mínimo estranha a decisão de Cuca escalar Wellington Monteiro de ala direito mesmo depois do jogador deixar claro sua posição original em sua apresentação – cabeça-de-área.

 

Sacrificar o jogador numa posição em que não está acostumado a jogar não parece ser a melhor solução, sobretudo porque o time hoje também carece de bons volantes – Arouca há muito não é o mesmo jogador; Romeu, hoje o melhor deles, é apenas esforçado; e Ygor e Fabinho nunca caíram nas graças da torcida.

 

O ideal seria definir um lateral-direito - Eduardo, Carlinhos e Rafael são as opções -, dar confiança ao jogador e ir com ele até o fim do ano. Testar uma formação a cada partida desestabiliza e confunde o time, que fica com seu entrosamento e padrão de jogo comprometidos.

 

A continuar com invencionices e troca-trocas, Cuca justificará a fama de professor Pardal, adquirida justamente por testar, sem sucesso, jogadores fora de sua posição original.

 

***

Embora não confirme oficialmente, Thiago Silva acertou sua ida para o futebol italiano e deixará mesmo o Fluminense ao fim da temporada. Cotado para o exterior ao término dos Jogos Olímpicos, o zagueiro retornou às Laranjeiras para cumprir sua promessa de ajudar o time no restante do Brasileiro.

 

Contratado em 2006 a pedido do então técnico do Flu Ivo Wortman, Thiago Silva se diz grato ao clube que apostou em seu futebol após atravessar delicadíssimo problema de saúde na Rússia. Tricolor de coração desde a decisão do Estadual de 1995, quando o Fluminense conquistou sobre o Flamengo seu vigésimo-oitavo título da competição, o “melhor zagueiro do Brasil” lamenta a transferência e diz que, se pudesse, jamais deixaria as Laranjeiras.

 

De olho no futuro, Thiago Silva tem planos condizentes com um atleta de sua grandeza – humana e profissional: quer fazer sua independência financeira na Europa, seguir sendo convocado para a Seleção Brasileira (para, quem sabe, disputar uma Copa do Mundo) e encerrar a carreira no Fluminense, preferencialmente com novas conquistas.

 

Silva baterá asas e voará ainda mais alto. Os três anos de (brilhantes) serviços ao Fluminense jamais serão esquecidos pela torcida tricolor, que o tem como um dos grandes zagueiros da história do clube e maior ídolo dos tempos modernos.

 

É mesmo um orgulho esse cracaço chamado Thiago Silva.

 

***

Thiago Silva completará 24 anos neste domingo. Para comemorar a data, torcedores vem preparando homenagens para o zagueiro neste sábado, quando o jogador mais uma vez vestirá a camisa tricolor.

 

Por tudo que Thiago já nos proporcionou, bem que a galera poderia chegar junto no Maracanã para saudar este monstro da retaguarda tricolor.

 

Se Thiago já ficou emocionado no Fla-Flu só de ouvir novamente seu nome depois de servir a Seleção, desta vez não sei nem o que poderá acontecer com o zagueirão após as reverências que receberá.

 

Certo mesmo é que Thiago Silva comerá grama para sair de campo com a vitória e ajudar o Flu a se afastar da zona perigosa.

   

***

Muito tem se falado a respeito da mudança de campo de Botafogo x Flamengo, que por medidas de segurança passou do Engenhão para o Maracanã – e olha que a partida será só em novembro.

 

Em contrapartida, Botafogo e Fluminense jogarão no próximo dia 28 e a diretoria tricolor ainda sequer se manifestou sobre uma possível transferência do local do jogo, também originalmente marcado para o Engenhão.

 

A coluna lamenta a ineficácia e a pouca disposição dos homens que comandam hoje o Fluminense de lutar pelos interesses do clube, cada vez mais à deriva e caminhando a passos largos para o abismo.

 

***

No começo da semana, a diretoria do Flu anunciou que estudava uma redução de ingressos para Flu x Coritiba. O curioso é que o estudo ficou mesmo apenas no papel, já que não baixaram um único centavo para o importante jogo desse sábado.

 

Do jeito que a coisa vem sendo conduzida, dá-se margem para pensarmos verdadeiros absurdos, como o da diretoria não querer casa cheia por temer represálias e manifestações contrárias da torcida.

 

Absurdos à parte, complicado mesmo entender o que se passa na cabeça dos dirigentes, que parecem viver numa redoma de vidro e num mundo particular onde só benesses são propaladas em detrimentos das mazelas, que, ao vir à tona, queiram ou não, já comprometeram a atual administração.

 

***

Com parceria firmada com o Fluminense até 2009, a Unimed poderá deixar o clube na mesma situação que o encontrou – na Série B.

 

É que a empresa de saúde começou a apostar no futebol tricolor em 1998, quando o Tricolor disputava justamente a Segunda Divisão do futebol nacional.

 

Para quem ambicionou conquistar o mundo – e esteve bem perto disso – terminar a parceria desta maneira seria trágico demais, não?

 

***

A chegada de Ciel ao Fluminense me fez lembrar de deliciosa história acontecida em 1997, quando seu irmão, o atacante Nildo, era jogador do clube.

 

Jogador arisco e de razoável habilidade, Nildo formava dupla de ataque com Roni durante a disputa do Campeonato Estadual daquele ano. Dirigido por Julio César Leal, o Tricolor ia mal das pernas e fazia campanha ruim na Taça Guanabara. Leal não resistiu aos maus resultados e foi logo substituído por Valdir Espinosa – primeira das três passagens do técnico campeão mundial pelo Grêmio no clube.

 

Repentinamente, o Fluminense se transformou, passando a liquidar adversários, chegando inclusive a virar um clássico sobre o Flamengo de Romário (3 a 2) com dois gols dele, do baixinho Nildo.

 

Com a boa campanha, o time chegou confiante à decisão da Taça Rio (Segundo Turno). Do outro lado, o difícil Botafogo, que havia conquistado de maneira invicta a Taça Guanabara e que jogava pelo empate para ficar também com a Taça Rio.

 

Jogo pegado, de muita disputa, e nada do placar sair do zero. Eis que numa escapada Nildo sofre pênalti escandaloso, mas ignorado pelo árbitro. Revoltada, a torcida tricolor passou a pegar no pé do juiz até o fim da partida. 

 

Fim de jogo. 0 a 0 e Botafogo campeão. Time tricolor inconformado e uma sonora vaia para o homem de preto.

 

Na saída do estádio, jogadores e dirigentes do Fluminense, ainda de cabeça quente, foram para suas casas. Menos Álvaro Barcelos, o presidente-champanhe, que seguiu para os estúdios da CNT, em São Cristóvão, onde participaria do programa Mesa Redonda, uma daquelas resenhas dominicais, apresentada pelo Garotinho José Carlos Araújo.

 

Roda VT e começam a mostrar os melhores momentos do jogão. Pinta o lance crucial e Barcelos levanta a voz.

 

- Um absurdo! Todo o Marananã testemunhou a infração. Só o árbitro da partida não enxergou o pênalti.

 

Mal terminou de falar e o jornalista Denis Meneses rebateu o presidente.

 

- O senhor me desculpe, mas eu também achei que não existiu o pênalti.

 

Visivelmente contrariado, Álvaro Barcelos tomou de novo a palavra e, fitando o jornalista, bradou.

 

- Corrigindo, José Carlos! Só o árbitro da partida e o Denis Meneses não enxergaram o pênalti.

 

O Garotinho achou melhor pedir os comerciais.

 

***

Simplesmente maravilhosa a matéria sobre o Tricolor postada no site da FIFA no último dia 17. Sob o título de “Para sempre Fluminense”, a reportagem traça um rápido balanço da história do clube, citando o Estádio das Laranjeiras – palco de jogos da Seleção Brasileira no começo do século -, grandes ídolos que já vestiram a camisa tricolor e conquistas inesquecíveis como os campeonatos nacionais de 1970, 1984 e 2007, que deram ao Fluminense o direito de participar da Taça Libertadores da América, também lembrada – com destaque – pelo site da entidade.

 

Quem quiser conferir a merecida homenagem ao Flu, acesse

 http://www.fifa.com/classicfootball/news/newsid=882713.html#forever+flu

_____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

O inferno astral de Cuca

Seg, 15/09/08
por joao marcelo garcez |

cuca.jpgCom uma atuação burocrática no primeiro tempo e apenas esforçada no segundo, o Fluminense perdeu sua invencibilidade no returno e caiu mais uma posição na tabela – ocupa agora o décimo-oitavo lugar.

 

A vitória do Santos por 2 a 1 foi justa pela formação excessivamente defensiva com que o Fluminense entrou em campo. Everton Santos – salvo o gol feito que perdeu – e Maicon ficaram isolados no ataque e praticamente nada criaram.

 

O gol de Kléber Pereira no último minuto do primeiro tempo obrigou o Tricolor a abrir mão da covardia e a arriscar mais no segundo tempo, quando, ainda assim, escassas foram as oportunidades de gol.

 

O Fluminense só se lançou realmente com bravura e organização ao ataque depois que Romeu, casualmente, diminuiu o placar aos 44 minutos. Tivesse atuado durante toda a partida com a disposição com que buscou o gol de empate nos acréscimos, a história certamente seria outra.

 

Eis, portanto, o xis da questão: por que nossos treinadores esperam sempre a vaca caminhar para o brejo para tornar o time mais agressivo? Sim, porque não se trata de uma postura enraizada em nossa cultura, historicamente ofensiva desde os tempos de preto e branco.

 

O futebol brasileiro vive, ao que parece, um processo de involução, em que o grande barato é jogar fechado para ver se num lance de sorte ou numa rebatida o time faz um golzinho para sustentar a formação covarde com que vai a campo.

 

Ah, mas o Fluminense hoje carece de bons jogadores na armação e no ataque, alguns defenderão. Concordo, mas será que renunciar ao ataque e se entrincheirar atrás também vai resolver alguma coisa?

 

Cuca é bom técnico, como já provou em suas passagens por Goiás, São Paulo e Botafogo, time que, sob seu comando chegou inclusive a ser reconhecido como o que praticava “o futebol mais vistoso do Brasil”. O que diabos teria acontecido com Cuca então? Torçamos para que o treinador não “involua” justamente este ano e na sua passagem pelo Fluminense.

 

***  

Em tempo: Cuca foi muito xingado por torcedores do Santos que, próximo ao alambrado, babavam impropérios sobre o treinador, que não teve boa passagem pelo clube paulista, antes de assumir o Flu. Maldade!

 

Em tempo 2: Cuca hoje deve lamentar o golzinho de empate que o Santos marcou contra o Fluminense no último lance na partida do turno, quando ainda dirigia o Peixe. Com dois pontos a mais na tabela, o Tricolor estaria fora da zona da degola.

 

Em tempo 3: quando chegou ao clube, Cuca disse que o Flu disputaria o título do returno. Seis rodadas depois, o discurso é outro: chegar aos 45 pontos e escapar do rebaixamento passou a ser o grande objetivo.

 

Pergunta que não quer calar: estaria Cuca vivendo seu inferno astral em 2008?

 

***

Particularmente, sigo apostando no profissional, que, justiça seja feita, ainda nem esquentou no cargo de treinador do Fluminense.

 

Duas vitórias seguidas e o time, quem sabe, dá uma boa respirada no campeonato.

 

***

Conca recebeu o terceiro cartão amarelo e não enfrenta o Coritiba sábado no Maracanã. Em compensação, o meia tricolor estará de volta – e com a carteira zerada – no clássico contra o Botafogo, dia 28.  Washington cumpriu suspensão e entra normalmente contra o Coxa.

 

***

Diego não vem deixando furos no gol do Fluminense e, se tiver uma seqüência de jogos, poderá mesmo se firmar na posição. A lamentar apenas o término de seu contrato de três anos em dezembro próximo. A renovação, acredito, não acontecerá porque Diego tem salário muito alto e a diretoria certamente levará em consideração a relação custo-benefício do goleiro nos últimos 36 meses, quando pouco jogou como titular.

 

***

Manhã de domingo. O pequeno tricolor lê o resumo da semana esportiva no jornal e sai correndo pela sala.

 

- Papai, papai! O Fluminense contratou aquele nadador medalhista olímpico nos 50 metros livre.

 

- Está louco, filho! O Flu hoje não tem nenhum grande projeto olímpico.

 

- É sério, pai! Lê só aqui na página 32.

 

O pai toma o jornal das mãos do garoto e, refestelado no sofá, vai direto na manchete.

 

“Ciel é o novo reforço tricolor”.

 

É mole?

 

***

O torcedor do Fluminense que ficou de preguiça em casa no último sábado e é assinante do pay-per-view se pegou em sinistra realidade: ficou torcendo contra o Ipatinga em partida com o Atlético-MG.

 

Cruel!

 

***

Júnior César, Roger, Maurício e Everton Santos, seja por deficiência técnica seja pelo mau momento que atravessam, não podem continuar no time. O quarteto há muito não vem jogando bulhufas e representam 40% dos jogadores de linha.

 

Não é preciso ser matemático para saber que quando quase meio time não está jogando bola a tendência é que esta equipe desça a ladeira.

 

***

Wellington Monteiro e Ciel estrearão com uma baita responsabilidade nos ombros e um fardo nas costas: ajudar o time na inglória luta pelo descenso.

 

Certo é que, sozinhos, nada resolverão. Mas vamos ver como se sai a dupla aliada à experiência de Diego, Thiago Silva, Luiz Alberto, Conca e Washington.

 

Afinal, a esperança… você sabe.

_____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br 

A tampa do baú

Qui, 11/09/08
por joao marcelo garcez |

050925flu_nota.jpgUma de minhas diversões prediletas é ser desafiado por parentes e amigos a lembrar de jogos e resultados do passado. São partidas que variam entre reles amistosos sem importância a grandes clássicos presenciados por platéias colossais. A memória privilegiada e o aproveitamento de quase 100% nas respostas já me renderam até o apelido de “Luis Mendes do Século XXI”. Acho graça e logo me coloco à disposição para o próximo desafio.

Nesta semana, que findará com o importante jogo entre Santos e Fluminense, domingo à noite (tá bom, eu sei que a semana começa no domingo, mas, há de convir, já está mais do que consagrado considerarmos a segunda-feira o primeiro de um espaço de sete dias seguidos), fui abordado no trabalho por um amigo que pediu que eu citasse três vitórias tricolores no alçapão da Vila Belmiro.

Fui além, lembrando também da dramática classificação tricolor ainda na primeira fase da Copa Sul-Americana de 2005, quando, dirigido por Abel Braga, o time foi a São Paulo precisando de um simples empate para avançar às oitavas-de-final da competição – o Fluminense havia vencido por 2 a 1 no Rio de Janeiro, com Tuta desperdiçando inclusive uma penalidade, que chegou a repetir.

No jogo de volta, na Vila Belmiro, o Tricolor, de Petkovic e Arouca (foto), saiu na frente e segurou a vantagem até a poucos minutos do fim, quando tomou dois gols seguidos, provocando a disputa por pênaltis, vencida pelo Fluminense. O time enfrentaria na fase seguinte o Banfield (ARG), por quem também passaria.

Volto no tempo e chego a 1989, quando o Flu teve um início de Campeonato Brasileiro promissor, vencendo o Bahia na Fonte Nova (2 a 1) e o Santos na Vila (1 a 0). Infelizmente, porém, o time não repetiu a campanha do ano anterior, quando chegou às semifinais contra o próprio Bahia, e ficou pelo caminho.

Quatro anos pra frente e lembro de uma vitória por 2 a 0, pelo Campeonato Brasileiro de 1993, quando o Fluminense era dirigido por Nelsinho. O triunfo tricolor foi apenas um oásis em meio à nova campanha irregular e decepcionante.

Por fim, chego a 2007 e lembro da convincente vitória por 4 a 2 na última rodada do Brasileirão, resultado que deixou o Fluminense a apenas um ponto do próprio Santos, vice-campeão da competição, “classificando” o Tricolor mais uma vez à Libertadores – o Flu já havia assegurado a vaga com a conquista da Copa do Brasil.

Ao contrário do ano passado, a campanha do Flu no Campeonato Brasileiro deste ano não é nada boa, com o clube seguindo sua via-crúcis depois de bater à porta do céu na Taça Libertadores da América.

Seja lá como for, três pontos no atual momento cairiam como uma luva para o Fluminense, embora o empate lá dentro não possa ser desprezado - na rodada seguinte, o time receberá o Coritiba no Maracanã.

O SporTV transmite a partida para o Rio de Janeiro, a partir das 17h30.

***
Wellington Monteiro e Ciel não resolverão a vida do Fluminense, mas têm lá suas virtudes e podem dar fôlego ao Tricolor nesta reta final de Campeonato Brasileiro.

__________________________________________________________
E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br