
Em entrevista à imprensa americana, há alguns anos, o cineasta Steven Spielberg declarou que não há no mundo espetáculo mais bonito do que uma partida de futebol bem jogada. Amante do esporte, este estadunidense nascido em Cicinnati, estivesse na última quarta-feira no Estádio do Maracanã, pensaria que um de seus filmes de maior sucesso de bilheteria, E.T. O Extraterrestre, estava sendo novamente exibido para uma platéia de quase 40 mil pessoas.
Não é para menos. A atuação do Fluminense em sua estréia em casa na Libertadores foi mesmo de outro mundo. A plasticidade, leveza e o toque de bola envolvente do time tricolor encantaram o planeta. Numa apresentação épica, que já entrou para a história do futebol, o Tricolor parecia atuar em outra dimensão. Fosse quem fosse o adversário do Flu naquela noite, seria impiedosamente goleado. Como foi o Arsenal (ARG), atual campeão da Copa Sul-Americana e candidato ao título do Campeonato Argentino, integrando atualmente o G-4 da competição.
Vencedor nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Melhores Efeitos Especiais, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Som, o filme do simpático alienígena está completando 26 anos em 2008. Pois daqui aos mesmos 26 anos, podem apostar, Fluminense x Arsenal, jogo de almanaque, estará vivíssimo na história dos amantes do futebol.
Dodô? Era o próprio E.T. personificado. Como explicar que um pobre mortal poderia fazer o que ele fez, participando dos seis gols. Não, não era Dodô. Era o personagem de Spielberg mostrando aos terráqueos que futebol é puro encantamento, muito mais que um simples esporte popular. Dodô não parararia no ar. Pois parou em seu primeiro gol. Como um beija-flor, estático, antes de escorar pro fundo da rede, deixou-se fotografar e filmar por cinegrafistas dos mais diversos lugares. Inclusive de Marte, de onde deve ser.
Após o quarto gol do Fluminense, em que Dodô fez uma das mais belas obras que o Mário Filho já viu, o pobre goleiro do time de Sarandi, atordoado com a atuação galáctica do Tricolor e talvez influenciado pela presença de Spielberg em seu imaginário, só conseguia balbuciar E.T., telefone e casa.
E, como que hipnotizado, seguiu assim no vestiário, depois no hotel, passando pelo avião, só saindo do transe na Argentina, onde perguntou a seus conterrâneos se tudo não passara de um sonho.
Ligou a televisão e, assistindo ao massacre do Maracanã, viu que não.
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A atuação impecável do Fluminense fez com que a cobiça sobre os jogadores tricolores voltasse à tona. Se ainda não é de nenhum outro planeta, o interesse vem da Europa, mais precisamente da Itália, onde o Milan teria oferecido milhões de dólares pelo nosso camisa 10, Thiago Neves, que com um golaço de falta abriu a goleada por 6 a 0 (Gabriel, Wasington e Cícero completaram o placar mais elástico de um brasileiro sobre um clube argentino na história da Libertadores).
Branco, porém, se adiantou, vindo a público declarar que não venderá nenhum jogador antes do término da Libertadores, em julho.
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Pela segunda rodada Taça Rio, o Fluminense voltou a golear: 5 a 2 no Friburguense. A nota triste do jogo foi a fratura facial de Dodô, que poderá ficar até dois meses fora, aproximadamente o mesmo tempo restante para o seu jugamento na FIFA. Se for mesmo suspenso por doping, Dodô poderá ter feito sua última partida pelo Flu, já que, em caso de condenação, o contrato do jogador será imediatamente rescindido, conforme acordo entre as partes.
Com o imbróglio de Leandro Amaral na Justiça, Somália se recuperando de delicada cirurgia e Soares emprestado ao Grêmio, o que parecia improvável aconteceu: depois de começar a temporada com uma fartura de bons jogadores para o ataque, o Flu se vê agora sem opções para a posição. Escalar o júnior Tartá de saída, ao meu ver, não me parece uma boa pedida. Uma opção seria adiantar Thiago Neves, como no Fla-Flu, escalando Cícero no meio-de-campo ao lado de Conca. Ainda assim seria uma pena, já que Thiago Neves e Conca vinham ganhando entrosamento, tornando-se uma dupla de apoiadores importantíssima na criação de jogadas de um time que marcou 14 gols nos últimos três jogos.
No campo, o Fluminense não repetiu contra o Friburguense a atuação de sonhos que tivera com o Arsenal (ARG) no meio de semana. Apesar disso, teve poder de decisão e soube definir a partida no momento certo. Afinal, quem poderia imaginar que um time que perdia por 2 a 1 até os 30 minutos do segundo tempo sairia de campo com o elástico placar de 5 a 2 a seu favor.
Pois o Flu novamente surpreendeu, jogando em 15 minutos tudo o que não jogara nos outros 75. Com isso, mostrou que tem munição e plantel de sobra para decidir jogos mesmo quando em condições adversas.
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Gabriel parece ter finalmente acordado: pelo segundo jogo consecutivo teve boa atuação, marcando em ambas as partidas (feito inédito desde que voltou ao clube).
Bola pra isso nós já sabíamos que você tinha, Gabishow! Que sua boa fase tenha vida longa.
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Thiago Neves, mais uma vez, marcou o primeiro gol tricolor na partida. Washington também deixou o seu e já é o artilheiro do Campeonato Estadual (oito). Thiago Silva e Conca completaram a nova goleada tricolor.
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Para manter o suspense, a segunda parte da entrevista com Francisco Horta será publicada na coluna de meio de semana.
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Isto é Fluzão!
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