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Exclusivo: erro de aplicação da regra daria ao Flu título inédito da Libertadores

Seg, 03/11/08
por joao marcelo garcez |

cavallos.jpgDia 2 de novembro de 2008. O Fluminense enfrenta o Vasco no Maracanã pelo Campeonato Brasileiro. Em situação delicada na competição, o Tricolor luta contra o rebaixamento à Série B.

 

Dia 2 de julho de 2008. Exatos quatro meses antes, o Fluminense, em situação absolutamente oposta à atual, decidia a Taça Libertadores da América no mesmo palco sagrado do Maracanã. Em jogo, o título mais importante de seus 106 anos de fundação. Com três gols do craque Thiago Neves, o Tricolor venceu o jogo por 3 a 1, mas deixou o título escapar por um fiapo ao perder nos pênaltis para a equatoriana LDU, do goleiro Cevallos (foto).

 

O choroso torcedor tricolor imagina, porém, que isso já é passado, está sacramentado sendo, portanto, definitivo, certo? Errado. Ainda inconformado com a arbitragem da partida, o Blog do Flu, 120 dias depois, foi atrás de profissionais da área para saber se Hector Baldassi não teria cometido um erro DE DIREITO, que comprometeria o rumo da competição.

 

O xis da questão está na cobrança de pênalti de Thiago Neves, a segunda do Fluminense. Na ocasião, Cevallos abandonou o gol, mesmo após a autorização da cobrança, para reclamar da demora da batida. Consultado pelo jornalista Ricardo Perrone (homônimo ao da Folha de São Paulo), o ex-árbitro Oscar Roberto de Godói explicou que a partir do momento em que o jogador corre para a cobrança ela não pode mais ser invalidada.

 

E o que fez Baldasi? Foi conivente com a catimba de Cevallos, invalidando a cobrança APÓS a corrida de Neves (mais precisamente no momento em que toca na bola). Ao infringir a lei do esporte, Baldassi cometeu um erro DE DIREITO.

 

Para esclarecer, peguemos duas polêmicas decisões em que o Fluminense tenha sido supostamente beneficiado e prejudicado, casos da decisão do Campeonato Estadual de 1971 (a famosa falta reclamada pelo Botafogo de Lula no goleiro Ubirajara) e da Copa do Brasil de 1992 (vez em que os tricolores reclamaram da marcação de um pênalti em Pinga, do Internacional). Em ambos os casos, os árbitros cometeram um erro DE FATO, já que, embora constatado por todos a falta no goleiro alvinegro e a cavada de Pinga, os juizes erraram como qualquer ser humano, sem dolo, fraude ou “roubo”. Interpretaram os lances equivocadamente e ponto. Diferentemente de Hector Baldassi, que, ao impedir a cobrança de Neves após a corrida, INFRINGIU A REGRA, cometendo um erro DE DIREITO (e não de interpretação).

 

Outro erro DE DIREITO aconteceu na final do Campeonato Paulista de 1973, quando Santos e Portuguesa também decidiram o título nos pênaltis, após empate no tempo normal em 0 a 0. Durante as penalidades, a Portuguesa errou suas três primeiras cobranças. Delas, o Santos converteu duas. O árbitro Armando Marques errou na contagem e declarou o Peixe campeão (a Portuguesa ainda poderia empatar, caso convertesse a quarta e quinta cobranças e o Santos as desperdiçasse). Ao errar a contagem dos pênaltis, Armando Marques cometeu erro DE DIREITO, infringindo o regimento do esporte que determina a cobrança de cinco penalidades. A Federação Paulista resolveu o problema dividindo o título entre os clubes. Tivesse o Fluminense recorrido, a Conmebol, diante da dificuldade da realização de nova partida, poderia fazer o mesmo, dando também ao Tricolor o inédito título da Taça Libertadores da América.

 

Embora não seja regedor da Libertadores, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, em seu artigo 259, parágrafo único, diz que “um erro DE DIREITO do árbitro, se comprovado, pode levar à anulação da partida”, o que só reforça o questão aqui levantada.

 

Não há leviandade nem, muito menos, “choro de perdedor” neste caso. Há, sim, um direito legítimo a ser reclamado pelo Fluminense, que não pode cruzar os braços para assunto de histórica importância.

 

E o que deve fazer agora o Tricolor? Se prescrito o prazo para recurso, o clube deve levar o caso à FIFA ou à Corte Arbitral do Esporte, a mesma que recentemente julgou (e condenou) Dodô por doping. O jurídico tricolor não tem nada a perder.

 

Já o glorioso Fluminense, este sim, tem MUITO a ganhar.

 

***

A derrota do Fluminense para o desmantelado Vasco não estava no script. Assim como não estava a atuação do técnico René Simões, que embora venha fazendo um ótimo trabalho à frente do time, domingo cometeu seus primeiros pecados num jogo em que poderia ter selado de vez a sorte cruzmaltina.

 

Mas perdeu e voltou para a rabeira (só está à frente do Ipatinga).

 

A situação, porém, não é pior do que a de quando René chegou ao clube. Pelo contrário, a derrota deve ser encarada como um simples tropeço numa caminhada de reabilitação, que visa à manutenção do Tricolor na elite do nosso futebol.

 

Se confirmar a vitória sobre o Figueirense nesta quarta-feira (o jogo foi interrompido por falta de energia com vitória parcial do Flu), subirá cinco posições na tabela, pondo-se novamente na décima-quarta colocação.

 

Para isso, porém, é preciso que volte a campo o Fluminense dos jogos contra Atlético-PR, Vitória e Palmeiras. Se o Fluminense que pisar o gramado do Orlando Scarpelli for o mesmo da derrota para o Vasco, aí a situação realmente pode se complicar.

 

O Flu está, portanto, com a faca e o queijo na mão para voltar à posição em que iniciou a rodada passada. É só manter a confiança em alta e não bobear.

 

Ah, e uma repassada na palestra do master mind também não seria nada mal.

 

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Obrigado, Fluminense!

Dom, 06/07/08
por joao marcelo garcez |

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Passada a ressaca da perda do título da Copa Libertadores da América, um tremendo orgulho bateu em meu peito. No íntimo, uma certeza: o Fluminense não perdeu rigorosamente nada na noite de 2 de julho. Pelo contrário, triunfou. E de maneira homérica.

Cerca de 120 países de todo o mundo foram testemunhas oculares da festa mais espetacular entre clubes que o Maracanã já recebeu em seus quase 60 anos. De quebra, o Tricolor passou a ser admirado por públicos colossais, que assistiram, orgulhosos, à trajetória do clube na mais importante competição das Américas.

Partidas contra Arsenal (ARG), São Paulo, Boca Juniors (ARG) e Liga Deportiva Universitária (EQU) foram absolutamente históricas e inesquecíveis para os privilegiados torcedores que estiveram no Maracanã - e até aos que não estiveram. Platéias de todo o continente acompanharam a saga de um time que se doou ao máximo em epopéicas batalhas dentro de campo, triunfando em todas sob seu território. A história sempre se lembrará deste Flu-2008, um time combatente e viril, com absurdo poder de reação e superação.

Não há, portanto, espaço para tristeza, o Flu terminou a competição da mesma forma que encerrou sua participação na primeira fase: dono da melhor campanha entre os 32 clubes disputantes da competição. A partir de hoje, o rótulo “vice-campeão da Libertadores da América” será useiro e veseiro neste Blog do Flu, por entendermos que tal mérito e conquista é para poucos – apenas dez agremiações brasileiras, em 49 anos de disputa, tiveram o privilégio de decidir a mais importante competição de nosso continente.

Por uma cultura tola iniciada não se sabe quando nem por quem, dá-se ao segundo colocado a alcunha de “primeiro dos últimos”. Pois dou a minha mão a palmatória que qualquer clube campeão estadual trocaria tal conquista pelas emoções de um vice-campeonato da Libertadores, competição que elevou a níveis estratosféricos a marca Fluminense. De quebra, despertou a simpatia de torcedores de diversos pontos do país e do planeta (os amigos leitores não fazem idéia do número de e-mails que recebo, de todos os cantos do mundo, de torcedores - ou não - que se dizem encantados com o Flu).

O Tricolor, assim, fez jus ao seu hino, orgulhando o Brasil, retumbante de glórias e vitórias mil.

Obrigado por tudo, Fluminense!

***

Há algumas semanas, publiquei e-mail de um leitor são-paulino desprovido de discernimento e boa educação. Exemplo claro de ser humano sem dignidade e compaixão, o torcedor em questão, felizmente, parece ter sumido do planeta após o lamentável episódio.

Para cada Mauro, porém, há muitas almas iluminadas que, felizmente, também habitam nosso planeta. É o caso de Marcelo Meinberg, também torcedor do São Paulo, que, após o revés do Flu na última quarta, prestando solidariedade aos tricolores, deixou transparecer toda a sua áurea e grandeza.

Não conheço nem nunca vi Marcelo, mas só por suas palavras, já sacamos que trata-se de um sujeito diferenciado em meio a uma sociedade absolutamente torta e conturbada.

De encher os olhos. Leia!

“João, sou são-paulino, mas com muito orgulho torci para o Flu. Gostei, e muito, da postura de seus torcedores e de seus dirigentes quando da épica vitória sobre o meu time. O Flu é grande, tem uma torcida nobre (talvez a mais nobre de todos os times brasileiros), são entusiastas sem soberba, são orgulhosos e humildes, sabem ganhar e sabem perder. Quem dera todos os torcedores e dirigentes dos grandes clubes do Brasil fossem assim.

“A derrota na decisão acontece com qualquer clube grande. Todos sabemos que se Flu e LDU jogassem 10 vezes, o Flu ganharia nove. Tem mais time e, com certeza, merecia ter sido campeão. Vocês, simplesmente, despacharam São Paulo e Boca Juniors, além de outros grandes clubes que ficaram no caminho, como Cruzeiro, Boca, Flamengo e River Plate. Falo isto sem desmerecer o time equatoriano, que também teve méritos. Mas, como é que um time com Thiago Silva, Thiago Neves e o grande e brioso Washington não pode ser considerado favorito?  

“Tenho certeza absoluta que vocês estão orgulhosos e assim devem continuar. O Flu, desde a volta para Primeira Divisão, tem dado importante contribuição para nós na revelação de jogadores, na reforma de estrutura do clube e, principalmente, uma aula de como se “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”.

“João, quando o São Paulo jogar contra o Flu, é lógico que vou torcer para o meu time. Mas, se ele perder, com certeza vai ser, para mim, a derrota menos doída, porque sei que perdeu para um grande clube e de grandes torcedores”.

Bravo, Marcelo Meinberg!

***

Verdades absolutas através das palavras do leitor Gilberto Couto Filho.

“João, nenhum outro clube do Rio de Janeiro alcançou o grau de projeção nacional e internacional que o Flu conseguiu. O último título de Libertadores de um carioca foi há 10 anos, quando a Internet, YouTube, mídia agressiva etc estavam apenas engatinhando.

“Hoje a história é diferente. Graças aos feitos recentes, o Flu extrapolou as fronteiras das Laranjeiras. Tenho visto meninas, adolescentes, crianças, velhos senhores e senhoras vestindo orgulhosamente nossa camisa.

“Temos que pensar como entramos e como saímos desta Libertadores”.

***

Pensamento parecido tem o leitor (nome), que ressalta a volta do Flu ao seleto grupo dos gigantes de nosso futebol.

“Irmãos tricolores, essa Libertadores foi um marco, um momento único. Nossa volta! Toda a imprensa, mesmo a Fla-press, a mesma que omite, distorce e de tudo faz para alavancar o rival, se rendeu a nosso sucesso. O Fluminense superou expectativas, foi um sucesso absurdo de marketing, movimentou o país, os noticiários, as conversas de botequins, os cafezinhos da empresa. Só se ouvia falar na final, fato tão grande que mobilizaram-se para secar-nos, criando nomes de torcidas, vestindo camisas que nunca viram na frente, adotando novos ídolos cujos nomes sequer sabem por completo.

“Roubamos a atenção que a imprensa comprada lhes dava, roubamos o foco de sua passageira liderança, tiramos a graça de qualquer pai pronunciar o nome de outro time a seu filho senão o do Fluminense. Acreditem, ganhamos milhares de torcedores com nossa festa e luta.

“Viramos o centro das atenções novamente. Por mais que cantarolassem quedas, viradas, por mais que tentassem nos diminuir com todas aquelas ladainhas de sempre, cada dia mais batidas, distantes e cansativas, éramos nós quem dominávamos, e isso mexeu com eles, porque no fundo no fundo eles sabem: com aquela torcida, linda como ela só, brava, guerreira, inteligente e capaz, ninguém pode.

“Por isso, é evidente, os mil comentários postados na última coluna são a prova viva: o Fluminense voltou.

“Tremam!”

***

Maldade da hora, enviada por Gustavo C.G.

“João, sabe qual a única maneira da camisa do Flamengo, em quase 30 anos, aparecer numa decisão de Libertadores? Pedindo a um jogador equatoriano para vesti-la”.

É, o próximo Fla-Flu promete!

***

Pra encerrar por hoje, só por hoje, publico depoimento emocionado do tricolor Owerlack Lins Júnior, que definiu com o nome do clube a fantástica trajetória do Tricolor na Libertadores. Fala, Júnior!

“João, nada, nada mesmo fará com que eu não me recorde da maravilhosa, inesquecível e insuperável festa da torcida tricolor. Por isso, orgulho-me de ser Fluminense e de ter herdado isso do meu amado paizão. Além de ter conseguido passar este amor às minhas filhas e sobrinhos e de ter compartilhado aquela noite de emoção e festa com meus amigos e mais de 80 mil tricolores.

”Lutamos muito, nossa torcida foi ao Maracanã com a certeza de que venceríamos e seríamos campeões. Nosso time é infinitamente superior à LDU, porém, o destino não nos reservou o título. Amo meu time, independente de qualquer coisa. Parabéns, Fluminense!

“Agradeço a Deus por ter me dado a bênção e a oportunidade de ter estado no Maracanã em mais uma noite muito especial de minha vida. Só quem esteve nos jogos contra São Paulo, Boca Junior e LDU, no Maracanã, sabe do que estou falando.  
 
“Foi lindo, foi épico, foi Fluminense!”

***

Na volta ao Brasileirão, o Flu, agora com seus titulares, perdeu para o Goiás por 1 a 0. O resultado deixa o time na última colocação da competição.

A partir de quinta-feira, dia seguinte ao jogo contra o Atlético-PR, a coluna voltará a tratar com profundidade o Campeonato Brasileiro.

Até lá!
 
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Uma nação ainda mais orgulhosa

Qui, 03/07/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

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O Flu tinha 90 minutos para fazer pelo menos dois gols. Fez três. Número suficiente para a conquista da taça. Mas levou um.

O Flu tinha então a vantagem de jogar mais 30 minutos com o apoio de sua torcida. Não aproveitou. Pareceu preferir arriscar a sorte nas dramáticas penalidades. Pecado fatal!

Das quatro cobranças, desperdiçou três. E a Libertadores, pela primeira vez, foi para as mãos da equatoriana LDU.

***

Pelos quatro gols marcados (um em Quito), Thiago Neves foi o grande nome do Fluminense nestas finais. Faltou pouco para virar herói.

***

O senhor Hector Baldassi é um fanfarrão de marca maior. Deixou de assinalar dois pênaltis clamorosos a favor do Flu no primeiro tempo e anulou um gol legítimo da Liga no final da prorrogação. Foi conivente ainda o tempo todo com a catimba do time visitante.

***

Antes do jogo, o Maracanã inteiro foi varrido por uma tempestade de queima de fogos e pó-de-arroz. Um espetáculo lindíssimo que emocionou a colossal platéia tricolor.

***

Platéia que silenciou ao perder o título. Mas não havia raiva, só tristeza.

E um orgulho infinito de torcer por um clube que ganhou notoriedade mundial e um respeito conquistado à base de triunfos apoteóticos.

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O novo épico ficou para depois.

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O dia do Juízo Final

Qua, 02/07/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

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Madrugada de quarta-feira, 2 de julho, data do mais importante certame de todos os tempos. Sozinho, estou sentado no círculo central do gramado das Laranjeiras, imortal estádio do Fluminense, também conhecido como Manoel Schwartz, saudoso ex-presidente do clube.

Sob a penumbra da lua – que apesar de refletir os raios solares parecia mesmo ter luz e brilho próprios –, almejo concentração máxima. “Não haverá amanhã”, pensei. Hoje é o grande dia de nossa gloriosa instituição. Tudo dará certo”.

Abro os olhos e percebo que o tempo parou. Não havia vento, não havia ruído, não havia nada. Repentinamente, noto uma sombra comprida à minha frente – comprida e humana. “Há alguém atrás de mim”, suspeitei.

Era Nelson Rodrigues, o Profeta Tricolor, um dos mais ilustres – quiçá o maior – torcedores do Flu. Fui às lágrimas quando, com extrema serenidade, pôs a mão em meu ombro.

-  O Tricolor tornou-se o assunto obrigatório. Parece que no futebol brasileiro só existe o Fluminense.

-  Pois é, mestre! Não se fala em outra coisa. Onde quer que eu vá o assunto é a finalíssima da Libertadores.

-  O Tricolor alcança, neste momento, uma exasperada plenitude.

-  Estou confiante, mas não escondo a apreensão. Aposto numa goleada de 4 a 1, sem sustos nem sofrimento. Será que dá?

-  Seria loucura pensar numa vitória certa ou fácil. A vitória terá de ser umedecida com um suor forte, épico.

Olho para cima e vejo que há mais alguém entre nós. Das tribunas de honra do místico estádio, um homem de cartola observa minha conversa com Nelson Rodrigues.

-  É o Gravatinha, João – disse Nelson com sua voz grave.

Custo a acreditar: pela primeira vez, criador e criatura juntos. E justo no dia mais importante de nossas vidas.

-  Que privilégio! – agradeci aos céus

Neste momento, Nelson e Gravatinha iniciam o que me parece ser um ritual, algo como um exercício de imaginação projetando acontecimentos da epopéica noite do Maracanã.

-  A torcida repete: “Nense, Nense, Nense”. Então, o adversário treme em cima dos sapatos…

- … ao passo que nossos jogadores só faltam subir pelas paredes como lagartixas profisionais - completou o mascote.

-  O Fluminense está com amok, uma loucura de elefante que o faz arrasar, a marradas…

-  … quero crer que é realmente o amok que potencializa nossos craques e parecem torná-los apavorantes, imbatíveis.

E eu ali, me deliciando com cada palavra, cada frase, todas predestinadas.

Um carro passa pela Rua Pinheiro Machado e seu motorista, um recalcado torcedor adversário, do alto de sua inveja, grita: “Clubezinho filho da mãe”.

Nelson e Gravatinha sorriem despudoradamente.

- Amigos, o que o Fluminense está fazendo com seus adversários é pior do que xingar a mãe.

Não resisto e faço uma pergunta ao ilustríssimo mestre e dramaturgo tricolor. Quero saber se um apagão como o do primeiro tempo em Quito pode voltar a acontecer.

-  Toda a estrutura defensiva tricolor é firme, harmônica, inexpugnável – disse Nelson.

-   João - acrescentou Gravatinha - o Fluminense joga com uma gana dionisíaca, ímpeto ágil e elástico, dinamismo que se traduz na euforia das grandes goleadas.

Alvorece; os primeiros raios solares já são notados, num céu rosado com vinho, quase grená, que, misturado ao verde do gramado e ao branco dos muros do estádio, indicava que o dia amanheceria tricolor.

É chegada a hora de nos despedirmos. Não sem antes uma convocação rodriguiana.

-   Tricolores vivos ou mortos, saiam de suas casas ou de suas tumbas. Chegou a grande hora.

-  É hoje: o dia do Juízo Final.

Abraçados, sumiram enrolados numa imensa bandeira do Flu.

-  O Maracanã esperou quase 50 anos para proclamar um campeão da América. Haverá de dar Flu - desejei firmemente, apesar da ponta de hesitação.

Pra quê. Um raio cruzou o céu, seguido de um trovão. Era a voz de Nelson Rodrigues.

-  Se quereis saber o futuro do Fluminense, meu filho, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória.

***

Tricolores, termina hoje a Copa Libertadores. Que às 21h50 mergulhemos fundo na magia e tenhamos a mais inesquecível noite de nossa presente encarnação.

Não haverá amanhã!!! Avante, Tricolor!

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Extra Deportes: “Vamos ao Rio passear e trazer a taça de souvenir”

Seg, 30/06/08
por joao marcelo garcez |

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Fluminense e LDU decidem nesta quarta quem será o representante sul-americano no Mundial de Clubes da FIFA, mas a julgar pelas notícias publicadas em alguns dos principais jornais equatorianos, a Liga Deportiva Universitária já pode ir arrumando as malas rumo ao continente asiático. 

Manchetes como “Fluminado” e “LDU ganha meio título” mostram que todo o Equador já se deixou contaminar pelo clima de “já ganhou”, considerando irreversível a vitória por 4 a 2 na primeira partida. O Extra Deportes, por exemplo, ignorando a força do Fluminense no Maracanã, chegou à linha do sarcasmo numa de suas matérias: “Vamos ao Rio passear e trazer a taça de souvenir”.

Sei não, mas se sou jogador do Fluminense, entraria em campo armado até os dentes e com gana de meter não três, mas sete ou oito gols nesta LDU.

A cobra vai fumar no Maracanã!

***

E é bom que fume mesmo. Milhares de tricolores de diversos locais do país e do mundo, seja por terra, céu ou mar, estão rumando para a cidade-palco da histórica decisão. Veja o sacrifício que fará, por exemplo, Alexandre Braga, um tricolor residente na Dinamarca, para estar no Maracanã.

“João, saio das Ilhas Faroe, condado da Dinamarca, dia 29, durmo em Lisboa e chego ao Rio de Janeiro na tarde do dia 30. Assisto à decisão dia 2, e retorno no dia seguinte à Europa. Serão mais de 10 mil quilômetros de viagem, mas sabe por que irei ao estádio? Porque eu acredito demais!”.

O amor pelo Flu move montanhas!

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E por falar nelas, recebo de Caracas (Venezuela), e-mail de Renato Arruda. Eufórico e muito otimista, o torcedor conta que depois de instituída a Família Scolari, agora está em voga a Família Tricolor, uma relação de extrema afinidade entre atletas e torcedores. Fala, Renato!

“João, este grupo do Flu desenvolveu nesta Libertadores uma relação conosco, torcedores, que nunca tinha visto antes. Jogadores falam com a torcida, fazem pedidos, dão recados como se fôssemos velhos amigos e como se estivéssemos em campo com eles. Tudo isso faz com que nos sintamos parte destas grandes vitórias e não apenas mero expectadores. Isso é demais!

“A Internet, como pano de fundo, tem proporcionado este espetáculo, já que, mesmo à distância, sinto-me na entrada das Laranjeiras. Cruzeirenses, palmeirenses, gremistas, são-paulinos e até alguns flamenguistas amigos meus têm se deixado contagiar pelos espetáculos da massa tricolor. Bom demais viver tudo isso!”

***

Há alguns meses, a FIFA se pronunciou oficialmente a respeito dos mundiais de clubes sob sua chancela. Em nota emitida em seu site oficial, porém, a entidade reconhece que as duas edições da Copa Rio, disputadas nos anos 50 e vencidas por Palmeiras (51) e Fluminense (52), apesar de não-oficial, são notadamente intercontinentais.

E o que isso quer dizer? Que Flu e Palmeiras são campeões mundiais? Não! Que são campeões intercontinentais.

Simples assim.

***

Eis o link da entidade com a informação (penúltimo parágrafo):

http://www.fifa.com/aboutfifa/federation/releases/newsid=660747.html

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Recebo de um gentil e competente leitor um emocionante vídeo motivacional em que alguns dos principais ídolos do Fluminense – do goleiro ao ponta-esquerda – são lembrados neste momento ímpar de nossa história. Em meio a dezenas e dezenas de e-mails, porém, deixei escapar o nome do autor da obra, a quem agradeceria se me enviasse novamente seu nome, para que eu desse o crédito na próxima coluna.

Segue o link: http://br.youtube.com/watch?v=yetDl77HpG8 

Assista também: http://www.youtube.com/watch?v=3WTbTVObAa8 

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Que o Fluminense vem sendo apoiado maciçamente por torcedores gremistas, sobretudo por ter em seu comando técnico Renato Portaluppi, ídolo do clube sulista, isso já se sabe há algum tempo. Curioso mesmo é encontrar um torcedor do Internacional, maior rival do Grêmio, engrossando o coro da nossa torcida. Roger Lemes pode até não ser o único, mas poucos são os colorados que estarão com o Flu nesta quarta.

Em seu e-mail, Roger diz acreditar piamente na conquista do Flu e aconselha a galera pó-de-arroz a saborear cada milésimo de segundo deste glorioso momento, já vivido por ele há dois anos, quando o Internacional bateu o São Paulo na decisão da Libertadores.

Fala, Roger!

“João, cansamos de ver a imprensa do Estado do Rio de Janeiro e de todo eixo do país idolatrar uma cruz de malta e um urubu. Sou Flu, meu amigo!

“Aproveite bem este momento. Lembro-me até hoje da tarde de 9 de agosto de 2006. Estava num ônibus rumo ao estádio do Morumbi, e vi Rafael Sóbis rasgar a camisa do atual campeão do mundo, uma conquista épica de um time de peleadores.. Hoje, vejo o Flu, tão machucado da guerra, chegar à porta do céu.

“Vai, Pó-de-Arroz! Mostra pra América o quanto tu é capaz e o quão grande é esse clube carioca!

“Sou colorado, mas hoje torço por vocês, para terem a grandeza de bater no peito e mostrar que podem, sim, conquistar o continente.

“Aproveitem essa semana. Vai ser inesquecível para todo o sempre. Nesta quarta-feira, viverás o meu 16 de agosto, um dia sem fim”.

***

Sugestão do leitor Márcio Chagas: que o Flu vá a campo rigorosamente com o mesmo uniforme das partidas contra São Paulo e Boca Juniors.

Superstição nessas horas pode até não fazer bem, mas mal com certeza também não faz.

***

Quer dizer que agora Renato e diretoria estão pedindo a presença em peso da torcida do Flu?

Difícil entender, afinal os ingressos estão em grande parte nas mãos dos cambistas, não é verdade, diretores?

***  

No que poderia dar um jogo entre o Flu-Sonífero e o modesto time do Botafogo?

Num sonolento 0 a 0, claro!

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… e vem chegando o Gravatinha.

Quarta-feira, aguarde!

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Treme, LDU!!!

Qui, 26/06/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

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“O Fluminense não vai entrar afoito no Maracanã. Quem tem que estar desesperado é a LDU, que vai enfrentar 100 mil pessoas contra ela”. As palavras intimidatórias do técnico Renato Gaúcho vão além. “Nosso adversário teve a faca e o queijo na mão para conquistar o título em seu estádio, mas não soube aproveitar. Agora eu sou mais o meu grupo”, confia o comandante, que banca a conquista da Libertadores. “Chegamos até aqui para ganhar. Ninguém vai tirar este título da gente”. E fez o convite ao torcedor. “Não deixe de ir ao Maracanã. Quem estiver lá terá uma felicidade muito grande. Eu garanto isso”.

Renato está certíssimo em chamar para si a responsabilidade da conquista, tirando-a dos ombros de seus jogadores, que não foram lá muito felizes nesta primeira partida da final. Depois de um primeiro tempo desastroso, a sorte sorriu para o Fluminense nos 45 minutos finais. O gol “achado” de Thiago Neves e a defesaça à queima-roupa de Fernando Henrique nos últimos minutos podem ter sido os lances capitais desta inédita conquista em caso mesmo de triunfo tricolor.

Em parte, a claudicante atuação da etapa inicial deveu-se ao meio-de-campo do Flu, que inexistiu. Júnior César foi outro que esteve irreconhecível. Pelo seu lado, aconteceram as principais jogadas de ataque da LDU, que também ameaçou com sucessivas jogadas de bola parada. Bola cruzada na área era um Deus nos acuda. O sistema defensivo tricolor, sempre compactado e ajustado, desta vez parecia uma peneira. Perdido, o Tricolor sentiu o golpe e rezou pelo fim do primeiro tempo.

O ímpeto ofensivo do time equatoriano foi menor na volta do vestiário. O Flu aproveitou-se disso e diminuiu, de cabeça, com Thiago Neves. Conca, que marcara o primeiro de falta, quase fez o terceiro em chute da intermediária. O goleiro José Cevallos bateu roupa, mas Washington não estava lá para pegar o rebote. O Coração Valente, por sinal, foi mal no jogo. Renato demorou até demais para substituí-lo por Dodô, que não teve uma única oportunidade de gol.

No fim, com a colaboração de Sobrenatural de Almeida, Fernando Henrique fez o que parecia impossível, ao espalmar uma cabeçada violentíssima de Urrutia. A (falta de) ajuda do personagem rodriguiano se deu no rebote do travessão. Estivesse inspirada, a rabugenta e traiçoeira figura teria feito com que a bola batesse no corpo de nosso goleiro e morresse no fundo das redes. Felizmente, o ar rarefeito da altitude de Quito impediu que ele lançasse mão de seus “serviços”.

***

Num primeiro momento, este 4 a 2 pode parecer um placar complicado de ser revertido, sobretudo numa finalíssima continental. Mas não vejo assim. Para mim, o Flu tira esta vantagem no Maracanã ainda no primeiro tempo, tendo todo o segundo para consolidar o título. Se ainda assim não fizer o terceiro, terá mais 30 minutos de prorrogação para tentar o feito.

***

Estou com Renato: no Maracanã, o Flu vai jogar muito e dificilmente voltará a falhar tanto quanto em Quito. Entrando com uma estratégia de jogo bem-montada, o Tricolor tem tudo para colocar a faixa no peito. Um golzinho de saída, como fez a LDU no Estádio Casa Blanca, ajudaria muito.

Eu acredito! Muito!!!

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O Fluminense já esteve em situações bem piores nessa Libertadores. Nas quartas-de-final, depois que Adriano empatou o jogo, o Flu tinha pouco menos de 20 minutos para fazer dois gols. Caso contrário, pulava fora da competição. E venceu por 3 a 1.

Nas semifinais, Palermo abriu o placar no segundo tempo; muitos achavam que a casa cairia, já que o jogo “não estava para o Flu”. Pois o Tricolor em pouco menos de 35 minutos, não só empatou o jogo, como ainda deu mais dois de troco para os argentinos.

Desta vez, teremos 90 minutos para marcar dois gols (ou três, para evitar a prorrogação). E o adversário, apesar de respeitável, não tem a força de São Paulo e Boca Juniors.

Por isso tudo, repito, eu acredito!

***

Em tempo: em suas duas últimas conquistas, o 30º Campeonato Estadual e o título inédito da Copa do Brasil, o Flu entrou em desvantagem na segunda partida. Em ambas as ocasiões, o Tricolor se superou e deu a volta olímpica.

***

Como se vê, o que não faltam são motivos para lotarmos o Maracanã e crermos na suprema glória tricolor.

O Incrível Flu já andou derrubando monstros pela América.

Pobre daquele que aviltar sua força e capacidade de superação.

Treme, LDU!!!

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Crédito da tela: Rafael Abreu de Oliveira.

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Rasgo de luz na amplidão

Qua, 25/06/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

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Vai começar! O Flu está pronto! O Estádio Casablanca, idem. Sede da primeira partida de uma histórica e inédita decisão, estará lotado quando a bola rolar.

Num exercício de imaginação, congele a hora de seu relógio quando o juiz autorizar o início do jogo. Volte agora 13 anos no tempo. Responda rápido: o que você estava fazendo às 21h50 de 25 de junho de 1995?

O tricolor mais fanático, sem titubear, respondeu que, àquela data, comemorava como nunca um histórico Campeonato Estadual conquistado com um gol de barriga de Renato Gaúcho sobre o grande rival Flamengo, que completava seu primeiro centenário.

Fique com aquela radiante felicidade e transfira-a para Quito, onde está o herói daquele triunfo. Já em terras equatorianas, esparrame toda a sua emoção sobre cada jogador do Flu. Sufoque-o de alegria e inspiração. Pronto! O Tricolor acaba de ligar as turbinas!

LDU x Fluminense, um marco na vida de milhões de tricolores. Espera-se toda uma encarnação por um jogo como esse. E ele está aí, diante de nossos olhos, ainda um tanto quanto incrédulos, já que nossos orgulhos foram feridos por um dolorido passado recente.

Machucou muito, é verdade! Sentimos na carne o drama de três rebaixamentos. Se fosse apenas um clube grande, por lá ficaria. Mas o Flu não é grande, nunca foi. O Fluminense é gigante, gigantesco! Glorioso e excepcional, já nasceu com a vocação da eternidade.

Depois de sair das profundezas do inferno, chegamos à porta do céu.

As chaves? Nas mãos de Fernando Henrique e nos pés de cada jogador.

Nove milhões têm as cópias. Mas um só irá abri-la.

Há seis mil anos não se fala em outra coisa.

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Um coração que não pára de pulsar

Dom, 22/06/08
por joao marcelo garcez |

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Homônimo de um dos grandes artilheiros da história do Fluminense, Washington chegou ao clube, no fim do ano passado, com a missão de resolver um antigo problema nas Laranjeiras: a carência de um exímio matador.

Washington está longe de ser um craque de bola, mas a nem tão apurada habilidade com os pés é sempre compensada com muita força, empenho e um senso de colocação aguçado, o que faz dele um sucesso no jogo aéreo.

Pelo estilo guerreiro, foi rapidamente apelidado de Coração Valente pela torcida tricolor, que, fiel, o apóia de maneira incondicional. Nem mesmo quando desperdiçou pênalti em jogo-chave do Estadual – a decisão da Taça Rio –, Washington foi questionado pelos tricolores, que não titubeia em apontar o Coração Leão como um dos principais jogadores na fantástica trajetória do time na Libertadores.

O golaço de cabeça que fez no último minuto diante do favorito São Paulo, classificando o Fluminense com ineditismo para a fase semifinal da competição, já entrou para os anais da gigantesca história do clube. Lances como o gol de empate contra o Boca Juniors, em bela cobrança de falta, também serão sempre lembrados. Mas, no frigir dos ovos, nada pode ser comparada à jogada que tirou da copa uma de suas maiores forças.

Com seis gols, Washington ainda está na briga pela artilharia da Libertadores. Se conseguir mesmo ser o goleador, o feito será apenas a cereja de um imenso bolo tricolor.

Por sua valentia e capacidade de tirar o Fluminense do sufoco em situações de grande dramaticidade, a conquista da América, apesar de sua ainda curta passagem no clube, coroaria o Coração Valente como um dos grandes ídolos da história recente do Flu.

Que o epílogo desta sufocante paixão seja escrito dia 2 de julho com maestria a autoridade.

Para felicidade geral: dele e da imensa nação tricolor.

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Washington anda agradando tanto os tricolores que um de nossos torcedores resolveu produzir um clipe com alguns dos melhores momentos do Coração Valente com a camisa do Flu. Foi o que fez Diego Safian, inspirado nos golaços do nosso camisa 9, através do link  http://www.youtube.com/watch?v=Hx1EiHkbJqY

Imperdível!

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Num intervalo de apenas 24 horas, recebi dezenas de e-mails de torcedores revoltados com a forma absurda com que foi organizada a venda de ingressos para o decisão da Libertadores. A começar pelo número de pontos-de-venda: apenas cinco. Repito: cinco! Inconcebível para um jogo de importância histórica deste Flu x LDU, que será transmitido para mais de 105 países em todo o planeta.

Numa época em que transações milionárias são feitas pela Internet, fica difícil entender por que o Fluminense insiste num arcaico e rudimentar sistema de vendagem, expondo sua torcida a situações humilhantes, como a de ficar por quase um dia inteiro a espera de uma entrada. Muitos dos que encararam as filas quilométricas foram vítimas, inclusive, de pancadaria da polícia, que deu borrachada e soltou spray de gás de pimenta à revelia.

Uma selvageria absolutamente lamentável que o tricolor decerto não merecia.

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Como entender 69 mil ingressos esgotados em menos de quatro horas. Intrigada com a questão, comunidade tricolor me envia a seguinte mensagem.

“João, suponha quatro guichês na Gávea, quatro em São Cristóvão, quatro em Olaria, oito nas Laranjeiras e 50 no Maracanã, totalizando 70 guichês. Se cada atendente vendesse dois ingressos por minuto, a velocidade de venda total seria 140 ingressos a cada dois minutos (supondo-se que todo mundo compra dois) ou 70 ingressos por minuto. Em quatro horas, 16800 ingressos seriam vendidos.

Quem explica?

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O Flu-sonífero (como dá sono estes jogos do time B) voltou a campo pelo Brasileirão neste fim de semana. De produtivo na derrota de 2 a 1 para o Coritiba só mesmo a estréia do lateral Uendel, que mostrou habilidade e boa visão de jogo.

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Este time reserva do Flu tem extrema vocação pra tragédia.

Vai gostar de tomar gol no final assim lá longe!

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Gostou da tela? É de nosso camisa 10, Marco Gall.

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O tempo custou a passar, mas, enfim, chegou a hora da decisão.

O Blog do Flu volta na quarta pra dividir aquele friozinho na barriga com vocês.

Até lá!

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Combo tricolor

Sex, 13/06/08
por joao marcelo garcez |

cuidadotel.jpgConsenso no Fluminense: se o time conquistar a Taça Libertadores da América, bastará ao grupo evitar o descenso no Campeonato Brasileiro que o ano estará ganho, principalmente se levar também o Mundial, em dezembro.

O raciocínio de comissão técnica, jogadores e dirigentes é coerente e dos mais simples: vencendo a Libertadores, o clube já estará classificado para a edição de 2009 desta mesma competição, o que não traz qualquer vantagem terminar entre a segunda e a quarta colocação.

Nem mesmo por uma vaga na Copa Sul-Americana (quinto ao 12º) o Fluminense poderá brigar, já que a Conmebol determina que as agremiações que disputam a Libertadores não podem, numa mesma temporada, disputar também esta outra competição organizada por ela (inclusive os campeões nacionais, a partir do ano que vem).

Diante deste cenário, o Flu não poderia almejar outra coisa no Brasileirão senão o título, hoje algo absolutamente inviável. Explica-se: encerrada a Libertadores, ainda que o time inicie uma reação daquelas, galgando posições rodada após rodada, chegando próximo ao topo da tabela, teria de abrir mão da competição justamente na reta final, já que viajaria, ainda em novembro, para adaptação ao fuso do Japão, país-sede do Mundial.

Nunca é demais lembrar que não é todo dia que se chega a uma final de Libertadores e que o título continental seria lembrado como o mais importante da história do clube.

Campeonato Brasileiro? Tem todo ano. O tri pode ficar para 2009.

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Uma vitória no confronto com o clube equatoriano daria ao Flu uma premiação daquelas 3 em 1 que se vê por aí. Num cartaz imaginário, leria-se: vença a LDU e leve a Libertadores, a vaga para o Mundial e para a própria Libertadores do ano que vem.

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Ou 4 em 1, quem sabe, já que Thiago Silva atrelou sua permanência no clube à conquista da América.

É! Esse combo está pra lá de caprichado.

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Com a cabeça em Quito. Foi assim que o Fluminense entrou em campo contra o Santos na noite de quinta-feira. O empate em 1 a 1 (Washington marcou para o Flu) foi péssimo para o Tricolor, principalmente porque o gol dos paulistas aconteceu já nos acréscimos. Mas, com bem disse Luis Alberto, o castigo foi merecido.

Gabriel e Dodô, sonolentos, faziam figurações em campo. Além disso, a pouca movimentação do meio-campo tricolor foi um convite para que o Santos tentasse seu gol diante de um Flu lunático, que nada parecia querer com a partida.

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Por mais que se diga que há que se ter profissionalismo nestas horas, considero normalíssimo o que vem acontecendo com nossos jogadores, que, antes de serem profissionais, são humanos. E, como tal, torna-se praticamente impossível que tirem o foco de uma decisão da grandeza de uma Libertadores, sonho de consumo de dez em cada dez atletas.

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E por falar na finalíssima, que grande maldade a diretoria do Fluminense quer fazer com a torcida tricolor para a histórica partida do dia 2 de julho. Os torcedores não podem, em hipótese alguma, serem sacrificados neste momento-clímax, embora o clube tenha todo o direito de cobrar mais por um jogo deste naipe.

Que fique claro, porém que “mais” não significa 100% de aumento. Se confirmado os valores, acredito que o público não deixará de lotar o estádio, mas a mancha deste episódio jamais será apagada por uma torcida que colocou o time no colo, dando a ele o merecido carinho pela extraordinária campanha realizada na Libertadores.

Presidente Horcades, a bola agora está com você!

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O vôo da balbúrdia

Seg, 09/06/08
por joao marcelo garcez |

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Inconformados com a eliminação do Boca Juniors na Libertadores, torcedores do clube que estiveram no Maracanã aprontaram o maior quebra-quebra no vôo de volta a Buenos Aires. Quem pessoalmente me conta essa história é a aeromoça Cíntia B., que estava no avião da Varig que partiu de Porto Alegre, onde fez escala, rumo à capital argentina.

“João, simplesmente inacreditável o que os torcedores do Boca aprontaram dentro do avião. Pareciam elétricos e enlouquecidos quando embarcaram na aeronave. Não bastante, passaram a se embebedar com litros e litros de vinho, enquanto socavam poltronas frontais e laterais ocupadas por outros passageiros. Mesmo depois de alertados pelo comandante de que poderiam sair algemados do avião, não sossegaram. Continuaram gritando e roubando garrafas de bebida em seus malotes”.

Irritadíssima com o mau comportamento dos hermanos, Cíntia, apesar de rubro-negra, disse ter ficado feliz da vida com a vitória do Fluminense.

“Foi um merecido castigo”, atestou.

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Foram quatro quartas-feiras para arrebentar o coração tricolor. As epopéicas vitórias sobre São Paulo e Boca Juniors, em confrontos absolutamente históricos pela Libertadores, levaram cardíacos e não-cardíacos a testar sua válvula motora durante intermináveis 360 minutos.

O Flu irá a campo novamente neste meio de semana. O jogo contra o Santos, quinta, pelo Campeonato Brasileiro, está longe de ser um aperitivo ou uma partida de menor importância. Mas, ao menos, a torcida poderá assistir a este clássico do nosso futebol um pouco mais sossegada, já que o duelo com o Peixe não tem o mesmo caráter decisivo dos jogos válidos pela competição continental.

Será também a primeira vez que o Fluminense atuará com sua formação principal no Rio de Janeiro por este Brasileirão, depois de “estrear” contra o Grêmio, no Estádio Olímpico. Sem dúvida, uma grande oportunidade pra torcida apreciar o time finalista da Taça Libertadores da América.

Sem moderação, é claro.

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Mais um ingrediente (apimentado) para o jogo da sexta rodada: Cuca, novo técnico do Santos, reencontrará Renato Gaúcho no Maracanã, palco onde, em 2008, venceu três vezes o Fluminense dirigindo o Botafogo. Mordido, Renato fará de tudo para impedir a quarta derrota consecutiva para o técnico rival.

É… Pensando melhor, jogo de Libertadores à vista.

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Em tempo: pelo Campeonato Brasileiro do ano passado, uma vitória pra cada lado: 2 a 1 Botafogo na inauguração do Engenhão; e 2 a 0 Flu no returno, no Maracanã.

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Recentemente, o técnico Abel Braga, campeão estadual em 2005 com o Fluminense, disse ter vivido uma grande frustração naquele ano. “Perder os últimos cinco jogos do Campeonato Brasileiro e a vaga na Libertadores, que parecia assegurada, foi duro demais”.

Numa declaração, a meu ver egoísta, Abel disse que depois que conquistou o Campeonato Mundial dirigindo o Internacional-RS no ano seguinte, não mais lamentou o papelão tricolor. “Se tivesse vencido qualquer um daqueles cinco jogos, continuaria no Flu para a disputa da Libertadores e não teria sido campeão do mundo com o Inter”.

Competente e vitorioso, Abel pisou na bola desta vez. Olhou para o próprio umbigo, esquecendo-se da frustração de milhões de tricolores, à época, há 21 anos sem disputar uma Libertadores.

O tempo passou mais um pouco e foi o Flu quem chegou à final da Libertadores. Se tivesse disputado a competição em 2006, ano em que o clube viveu momento de instabilidade com a formação de um elenco pouquíssimo confiável (Evando, Cláudio Pitbull e cia), fatalmente teria feito feio na competição internacional, como, aliás, fez no Campeonato Estadual (não se classificou às semifinais de nenhum dos turnos), Brasileiro (escapou do rebaixamento na penúltima rodada) e Copa Sul-Americana (eliminado pelo modestíssimo Gymnasia Esgrima, logo na segunda fase).

É, Abel, o tempo nos mostrou que aquela classificação não era mesmo pra acontecer. Mil vezes reaparecer na Libertadores em condições de brigar pelo título do que com um elenco frágil, que nada conquistaria, embora não houvesse nenhuma garantia de que isso fosse realmente acontecer.

Você é bom caráter e tudo mais, Abel! Mas hoje somos nós que agradecemos a você por aquele fracasso retumbante.

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Ainda curtindo a ressaca da espetacular classificação contra o Boca Juniors, o Fluminense entrou no Olímpico com o freio de mão puxado e jogou uma partida sem nenhuma inspiração. O Grêmio também não jogou lá essas coisas, mas teve o mérito de buscar o gol com mais impetuosidade do que o Flu. No fim, a vitória gremista por 2 a 1 acabou premiando o time mais audacioso.

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Bastou eu elogiar Thiago Neves para ele pisar feio na bola. Expulso infantilmente contra o Grêmio, Neves cumprirá suspensão automática contra o Santos. O gancho, porém, poderá ser maior, se o tribunal entender que houve dolo na jogada.

Se for mesmo vendido após a Libertadores, o gancho não trará muito prejuízo ao clube e a Thiago Neves, que não precisará se expor a riscos de lesões para a grande final, quando, aí sim, uma bobagem dessas não será perdoada.

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A torcida tricolor anda tão contente que nem mesmo a lanterna do Brasileirão parece incomodá-la. Se o Flu vencer mesmo a Libertadores, ótimo, jogaremos a competição já classificados para a Libertadores do ano seguinte, tendo como único objetivo disputar o Campeonato Brasileiro com hombridade, tendo em vista que o foco estará na preparação para o Mundial de Clubes, no Japão.

Agora, se o título escapar, aí meu amigo, o desmanche será inevitável e o Flu terá que cortar um dobrado para correr atrás do longo prejuízo que já acumula.

Melhor imaginar que tudo dará mesmo certo.

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Boa semana a todos. Até sexta!

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