A Nightmare on Maracanã Stadium
Bem que Francisco Horta avisou. E seu Juarez também. A estréia de Fred no Fluminense enlouqueceu e renovou os ânimos da apaixonante torcida tricolor, que desde o histórico 15 de março já tem um novo e predestinado ídolo.
O depoimento de Horta e a previsão do pai de Fred na véspera do jogo se confirmaram no sagrado palco do Maracanã, que tem agora a sorte de ver mais um craque dos campos desfilar seu talento sobre seu gramado.
Tais quais Rivelino, em 1975, e Romário, em 2002, Fred, mesmo sem atuar há três meses, envergou o uniforme tricolor marcando gols. Assim mesmo, no plural. E gols de puro mérito do novo e iluminado camisa 9 tricolor, que tem a virtude de saber se posicionar e de balançar a rede como poucos. No primeiro, o de empate, até lembrou o Baixinho na decisão da Copa América-1989, antecipando o goleiro após belo centro de Conca. No segundo, o terceiro do Flu, aproveitou desvio de Éverton Santos, para, com espantosa tranqüilidade, só tocar no canto direito de Darci, após bela matada no peito.
Quando Fred fechou o caixão do Macaé, os torcedores já faziam festa e reverenciavam o novo craque tricolor. “Que torcida”, exclamou. Pelo menos quatro novas canções foram preparadas exclusivamente para o atacante – duas delas provocativas a Ronaldo e Washington, o ex-Coração Valente do Flu. A principal delas, porém, tal qual diz a letra, já pegou. “Fred vem te pegar” é o novo hit da cidade e já está na boca de todos.
Em lua-de-mel com Fred, como ele mesmo declarou – “Rolou uma química” –, os tricolores já aguardam com ansiedade a chegada dos clássicos para ver o Krueger brasileiro afiando as facas de sua luva e aterrorizando as defesas de Botafogo, Flamengo e Vasco. “Fred vai te pegar”, repetiu a torcida inúmeras vezes.
Registre-se também a ótima participação de Éverton Santos na partida, que se movimentou muito, abrindo espaços, e participou diretamente de dois gols: o segundo, ao chutar no travessão bola que sobrou para o lindo voleio de Thiago Neves; e o terceiro, quando só raspou de cabeça para a conclusão de Fred.
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Fred declarou que sequer estava conseguindo dormir de tanta ansiedade pela estréia com a camisa tricolor. Na série “A Hora do Pesadelo”, é durante o sonho dos personagens que Freddy Krueger ataca suas vítimas, que, para escapar das garras do monstro, chegam a tomar remédios para não dormir.
Que os homens encarregados de marcar o craque daqui pra frente tomem isso como um aviso porque uma mínima cochilada durante o jogo e… Fred vai te pegar.
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É, mas se Fred é o novo Krueger tricolor, os laterais parecem ser nossos Brinquedos Assassinos. O boneco Chucky deve estar orgulhoso de ver como Mariano e Leandro comprometem o rendimento do Fluminense, que sem apoio pelos lados do campo fica previsível e de uma nota só.
A impaciência com a dupla já é tanta que a mudança já é praticamente uma unanimidade. Seus reservas imediatos, porém, Ratinho e João Paulo, infelizmente, também não chegam a ser nenhum sopro de esperança. Por isso, o lançamento de QUALQUER outro jogador na posição já será de grande valia – até Ricardo Berna. Pensando bem, não é má idéia… Está lançada a campanha para Berna ser o novo lateral tricolor.
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Parreira não caiu de pára-quedas no futebol. Muitíssimo pelo contrário: entre cargos de preparador físico e técnico, tem décadas de experiência e vivência no esporte. Tamanha bagagem e conhecimento faz dele consultor da FIFA e freqüentador de centro de convenções modernas em todo o mundo.
E Parreira foi cirúrgico contra o Macaé, tirando de campo justamente as peças que atravancavam o rendimento do time no primeiro tempo – Romeu, Mariano e Leandro. Em seus lugares, colocou Leandro Bomfim, que teve destacada atuação, Maicon e Marquinhos, que caíram pelas laterais fazendo os que os jogadores de ofício das posições não fizeram.
O trio deixou mais insinuante o time do Fluminense, que contou também com a subida de produção de Conca no segundo tempo. O argentino e Thiago Neves passaram a tabelar na entrada da área do Macaé, confundindo a marcação adversária.
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O público de 25 mil pessoas foi, sim, decepcionante – embora três vezes maior do que o de quarta passada, contra o Volta Redonda. É compreensível também que a chuva e a indefinição em torno da escalação de Fred, que praticamente descartou sua escalação na sexta, tenha confundido a torcida, que, na dúvida, preferiu assistir ao jogo pela TV aberta.
Sorte de quem foi, como eu, que viu de perto a emoção do craque – louva-se os simpáticos corações que mandou em retribuição para a torcida, que, desde a sua chegada, é só carinho ao jogador.
Mas àqueles que preferiram a pipoca caseira, não faltará oportunidade para ver Fred em ação com a camisa tricolor.
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Das 25 mil pessoas presentes ao Maior do Mundo, uma não pagou ingresso. Era Gravatinha, que – pluft! – apareceu nas sociais quando o jogo estava ainda em seus minutos iniciais.
Assim como os demais tricolores, Gravatinha não gostou nada do que viu no primeiro tempo. Mas foi só Parreira mexer no time e Fred deslanchar no segundo tempo para o fantasminha camarada lembrar seu pai, Nélson Rodrigues.
“Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. E vem a grande verdade: a obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão elitista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões”.
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“Ufa”. Suspiro de alívio que Celso Barros deve ter dado após a estréia apoteótica de Fred e o investimento de quase R$400 mil mensais pagos ao jogador.
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Créditos das telas: Marco Gall (Krueger) e Ricardo Lima (”Fred Chegol”).
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Fred, Chucky, Maicon (Meyer, do Halloween)… só faltou o Jason na tarde-noite de terror do Macaé, que de Fred, Flu e Cia quer distância por um bom tempo.
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“Fluminense, prazer, Fred!”
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Esta coluna é publicada duas vezes por semana (geralmente às segundas e quintas-feiras), sempre nos dias seguintes aos jogos do Fluminense.
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