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Ana Paula Araújo crê em recuperação mas lamenta vice da Libertadores: “Perdemos para um time horroroso”

Dom, 24/08/08
por joao marcelo garcez |

ana.jpgdsc03589.JPGdsc03599.JPGDona de uma simpatia singular, a carioca Ana Paula Araújo Londres, apresentadora e repórter da TV Globo, viu sua paixão pelo Flu crescer quando deixou Juiz de Fora para voltar a morar no Rio de Janeiro. “Comecei a ir aos jogos e ser mais presente ao Maracanã”. Descendente de portugueses por parte de mãe, Ana Paula foi criada com outros dois irmãos numa casa dividida por tricolores e vascaínos.

 

Peculiaridade ou não dos arianos, a superstição faz parte da vida desta tricolor, que depois de ver o Flu perder jogos decisivos no Campeonato Estadual, resolveu abrir mão de ir ao Maracanã por acreditar que levava azar ao time. “Mas depois da final com a LDU vi que não tinha esse poder todo”, diverte-se.

 

Nesta entrevista, realizada no café de uma livraria do Leblon, Ana Paula Araújo fala sobre o momento do Fluminense no Campeonato Brasileiro, a perda da Libertadores e os destaques na competição. A apresentadora conta ainda da emoção vivida em matéria que fez com o Casal 20 do Flu, formado por Washington e Assis, e do histórico gol de barriga de Renato Gaúcho, marcado na decisão do Campeonato Estadual de 95. No fim, Ana narra divertido causo envolvendo também o jornalista Pedro Bial, que a consolou ao vê-la chorando após uma grande frustração tricolor.

 

Carreira

 

Comecei numa rádio em Juiz de Fora (MG), onde cursava faculdade. Em 1991, consegui transferência para um estágio na Rádio Globo. Depois, fui para as TVs Record, Manchete (já extinta) e Serra e Mar (filiada da TV Globo na Região Serrana do Rio de Janeiro), mas nesta fiquei só por um mês (neste momento, Ana Paula pára a entrevista e ri dos flashes da câmera fotográfica de Christiane Couto, colaboradora da coluna. “Estamos no lugar certo, o Leblon é o paraíso dos paparazzi”, brinca). Atualmente, apresento o RJ TV (telejornal local), o Globo Comunidades e sou repórter do Jornal Hoje, onde tenho uma coluna (no último dia 2, estreou também na bancada do telejornal, que tem transmissão para toda a rede).

 

Paixão pelo Flu

 

Sou tricolor por influência de meu pai, mas meus familiares por parte de mãe, portugueses, são todos vascaínos, como meu irmão. Eu e minha irmã, porém, seguimos o caminho do meu pai. Depois que vim morar no Rio, comecei a ir aos jogos, participar mais… Adoro o Maracanã.

 

Superstição

 

Fui a alguns jogos com meu marido no Campeonato Estadual desse ano, mas não dei sorte (Ana esteve no jogo decisivo do Segundo Turno contra o Botafogo. “Quase matei um alvinegro na minha frente”, diverte-se). Comecei a achar então que o problema era eu. E quando começou a Libertadores, deixei de ir para não atrapalhar o time, olha que coisa! (risos) Acho que esse negócio de crença em pé-frio é bem coisa de mulher. Na decisão, contra a LDU (EQU), mais uma vez o Cristiano (marido) foi ao Maracanã sem mim, e deu no que deu. Agora vejo que deveria ter comparecido… (pára e pensa). Não me privo mais de ir. Vi que não tenho este poder todo (risos).

 

Razões da derrota

 

A altitude no jogo de ida influenciou decisivamente para que perdêssemos o título. O Flu esteve irreconhecível em Quito. Creio também que tenha havido excesso de confiança: como haveria o jogo de volta no Rio de Janeiro, imaginaram que qualquer que fosse o resultado lá, aqui daria tudo certo. Não se tocaram do perigo que era a partida no Equador. Ganhamos dos adversários mais difíceis e, no fim, perdemos para um time horroroso.

 

Reação no Brasileiro

 

O Fluminense focou tanto na Libertadores que esqueceu que havia um Campeonato Brasileiro em andamento. Agora, mesmo depois de terminada, parece que a frustração com a perda do título ainda vem acompanhando nossos jogadores. Mas acho que reagiremos, até porque já estou por aqui com novela de rebaixamento.

 

Pedo Bial, o salva-prantos

 

Na TV Globo, todo mundo sabe que fico chateada quando o Fluminense perde.  Então aproveitam para pegar mesmo no meu pé. Não chego a ficar de mau humor; fico triste e penso que é só um jogo. Aliás, quando ganha, é tudo na nossa vida; quando perde, é só esporte (risos).

 

Lembro que quando o Flu foi rebaixado em 1996, aos prantos, chorava compulsivamente pouco antes de entrar ao vivo para o Fantástico - e as pessoas não tinham a menor piedade. A minha sorte foi que encontrei o Pedro Bial, que também estava um caco. Assustado ao me ver naquele estado, achou que fosse algo grave, como a morte de algum ente querido. Quando disse que era por causa do Fluminense, ele virou-se e disse: “Puxa, até essa qualidade você tem (risos). Em seguida, consolou-me dizendo que outros grandes clubes também já haviam sido rebaixados e que o descenso seria bom para que o clube se reestruturasse e desse a volta por cima.

 

Dia D

 

Calhou do domingo do rebaixamento ser justamente o mesmo da inauguração da Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas. O Fantástico estava lá para mostrar ao vivo o momento em que ela seria acesa. Não faltaram colírios e maquiagens para disfarçar minha cara de choro, mas ainda assim estava destruída. E o pior é que ainda tive que entrar no ar sorrindo. Aquele dia definitivamente foi péssimo.

 

Destaques da Libertadores

 

Fernando Henrique foi muito bem. Na decisão, em Quito, não fosse por ele, o estrago teria sido ainda pior. Gostei também do zagueiro Thiago Silva, do meia Conca e do atacante Washington, que embora tenha pecado justamente nas partidas contra a LDU foi importante durante a trajetória do time na competição. Creio que a história pessoal dele (Washington superou problemas cardíacos) foi uma motivação a mais para time e torcida.

 

Momento inesquecível

 

O gol de barriga de Renato Gaúcho na decisão contra o Flamengo do Campeonato Estadual de 1995, ano em que o Rubro-Negro, de Romário e Vanderlei Luxemburgo, comemorava seu centenário. Senti ali uma emoção indescritível! No dia seguinte, ainda fui para a redação da TV Globo com a camisa tricolor para tirar onda com todo mundo.

 

Encontro de tricolores

 

Certa vez, entrevistei o Casal 20 (Washington e Assis) para um especial sobre o aniversário do Maracanã. Fizemos o jornal ao vivo de dentro do estádio e fiquei bem emocionada por ter encontrada duas lendas do nosso clube. Além de ídolos, Washington e Assis são simples, humildes e atenciosos.

 

Fla-Flu

 

Quando os flamenguistas vem perturbar, digo que o freguês tem sempre razão. Eles ficam enlouquecidos (risos). Aliás, jamais torceria pelo Fla; é contra a minha religião.

 

Família tricolor

 

Na minha casa, todos torcem pelo Fluminense: além de mim e meu marido, Cristiano, minha filha, Melissa (a quem carinhosamente chama de Mel), de apenas dois anos, e meu cachorro, Cotonete, também são tricolores. Morri de rir quando vi minha filha com meu marido, juntos, cantando uma música da torcida (“Fluminense, olé, olé, olé”). Está gravado em vídeo. Já o Cotonete tem bola e até uniforme do clube. Como ele está sempre pela sala, assiste aos jogos conosco. Ultimamente, porém, ele tem preferido sintonizar no Animal Planet (risos).

 

Pan Rio-2007

 

Tive uma experiência muito legal de cobertura esportiva durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro ano passado. Um mundo totalmente novo para mim, já que, sobre esportes, tinha feito apenas uma ou outra matéria para a TV. E, ainda assim, sobre comportamento (ouvir torcedores na rua etc.). Adorei fazer: é bem mais leve e descontraído do que outras editorias.

 

Outros esportes

 

Acho lindo de morrer ginástica artística. Gosto de ver as apresentações de todos os países. Patinação no gelo também é muito bonito. Com a cobertura do Pan, aprendi um pouco sobre as regras do hipismo e passei a acompanhar o esporte com um pouco mais de interesse.

 

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Domingo, 17 de agosto. O Fluminense ocupa a lanterna do Brasileirão, com 16 pontos, ao lado do Ipatinga. Sábado, 23 de agosto. Apenas seis dias depois, quem imaginaria que o Tricolor estaria com sete pontos a mais (23), fora do rebaixamento e na 15 posição.

 

Aos que lamentam o empate em casa com o Sport (1 a 1, com mais um gol de Washington), recomendo que deixe de lado a lente escura e olhe o pacote adquirido como um todo: em menos de uma semana, mesmo sem ser brilhante, o Tricolor lidera o returno do Brasileirão, galgou quatro posições e está a apenas quatro pontos da zona da Copa Sul-Americana, competição para a qual tenta se classificar pela quarta vez em seis anos.

 

Para quem, há bem pouco tempo, vivia um cenário desolador, a semana que termina é ou não para ser comemorada?

 

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E domingo ainda tem Fla-Flu.

 

Alegria, alegria!

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“Jogos às 22h interessam à Unimed”

Qui, 03/04/08
por joao marcelo garcez |
categoria Entrevista

A exemplo do que já havia acontecido na estréia tricolor em casa nesta Libertadores, o Maracanã recebeu na última quarta-feira mais um ótimo público para Fluminense x Libertad (PAR).

Apesar dos quase 40 mil presentes, o estádio esteve longe de ter sua lotação máxima ocupada. Talvez em função do jogo ter sido televisionado para a própria cidade do Rio de Janeiro ou, principalmente, pela hora tardia em que foi realizado.

Há muito, o horário das 21h50 vem sendo duramente contestado por torcedores que têm o hábito de freqüentar estádios. Em geral, são trabalhadores comuns que pegam cedo no trabalho e que dispõem de escasso tempo de lazer.

O que poucos sabem, porém, é que partidas programadas para o ingrato horário das 21h50 são uma exigência dos patrocinadores dos clubes, que desejam ter suas marcas expostas no horário nobre da TV Globo, emissora detentora dos direitos de transmissão da Taça Libertadores da América, além do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e dos Campeonatos Estaduais.

É o que afirma Marcelo Campos Pinto, diretor-geral da Globo Esportes, unidade de negócios criada em 1999 para produzir, comprar e vender eventos esportivos. “Reconheço que não é cômodo para o torcedor que vai ao estádio, mas este é o horário nobre da TV brasileira durante a semana, e os clubes querem aparecer neste período por exigência de seus patrocinadores”, conta.

Questionado se e TV Globo, embora hoje acompanhada de perto pela TV Record, teria um monopólio das comunicações nos esportes, Marcelo Campos Pinto rejeitou o rótulo. “Monopólio é um conceito jurídico-econômico. Adquirimos os direitos de transmissões de quase todos os esportes, porque as outras emissoras não demonstraram o mesmo interesse em comprar”.

Por fim, declarou que à TV Globo não interessa a exclusividade das competições esportivas porque a emissora se mantém imbatível no quesito audiência. “Mesmo com os jogos passando em outros canais, conseguimos um market share de audiência muito elevado”. Então qual a razão da exclusividade? “O vendedor só nos oferta o produto desta forma. E com o caminhão de dinheiro que gastamos, não podemos dá-lo de graça aos concorrentes”.

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Marcelo Campos Pinto concedeu-me esta entrevista em 2001. Então editor do ParaTodos, jornal institucional da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), produzi originalmente esta matéria (agora adaptada) na edição de novembro daquele veículo. Os trechos reproduzidos, porém, se mantêm atuais, tendo em vista que os conceitos para as questões abordadas não sofreram quaisquer alterações.

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Com a frase “Mereço ir ao Maraca porque o Nelson Rodrigues me telefonou lá do paraíso para me dizer que está escrito há 6 mil anos que o Fluzão vai arrebentar o Libertad por 4 a 0, e que eu e meu filho temos que estar lá para ver”, Rodolfo Queiroga, do Humaitá, faturou o livro Epopéia Tricolor – A Conquista do Brasil e a Volta à América, alem de dois ingressos de cadeira especial para o jogão da última quarta. Parabéns!

O Globoesporte.com continuará contemplando seus leitores com novas promoções em breve.

Fique ligado!

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O Fluminense foi dormir na noite de quarta como o melhor time da América. É que com a vitória de 2 a 0 sobre o Libertad (PAR), no Maracanã, o Tricolor obteve até aqui a melhor campanha entre os 32 clubes que disputam a Taça Santander Libertadores.

Diferentemente do jogo contra o Arsenal, desta vez o Flu não chegou a brilhar, mas teve pegada suficiente para vencer e controlar o jogo quando necessário.

O Libertad, que ainda não pontuou na competição, surpreendeu positivamente, ao apresentar um futebol muito mais dinâmico do exibido no jogo em Assunção. Com rápidas trocas de bola, chegou a ser melhor do que o Flu em determinado momento do primeiro tempo.

No fim, o terceiro triunfo do Fluminense na Libertadores, gols de Cícero e Thiago Silva, deixou o time na liderança do Grupo 8, com dez pontos, ao lado do LDU (COL), que tem, porém, saldo inferior (nove a oito).

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Thiago Silva pode até não ter falado, mas depois de seu gol, o segundo do Fluminense, deve ter se deliciado ao ver as caras de desânimo dos alienados jogadores do campeão paraguaio, que desdenharam da defesa tricolor no jogo da terceira rodada.

A defesa do Flu segue entre as melhores da competição com apenas um gol sofrido em quatro jogos (média de 0,25/jogo).

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“É gozado. Antes, o Fluminense não iria passar no Grupo da Morte. Agora, as pessoas não estão dando importância à nossa classificação. Como é isso? O Fluminense, entre 32 times, é o melhor porque fez por merecer. Temos que comemorar, sim, mas com os pés no chão porque não ganhamos nada. Sabemos que a outra fase será muito difícil. Para nós e para o adversário que encararmos”.

Palavras de um coerente Renato, que me poupou de escrever esta notinha aqui.

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Nem tudo está perdido. Depois de o Blog do Flu se queixar da manutenção da data original de Flu x Madureira, prevaleceu o bom senso e a FERJ remarcou o jogo para o mesmo horário (16h) de Flamengo x Vasco, domingo, em Édson Passos.

Em caso de vitória de ambos, o Tricolor terá que vencer por um gol a mais de diferença para faturar o primeiro lugar do Grupo A e pegar o Vasco na semifinal da Taça Rio.

Olho vivo!

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Para este jogo, Renato já adiantou que não escalará Thiago Neves, Arouca e Gabriel, que, contra o Libertad, atuaram no sacrifício (dores musculares). Mas desta vez, diferentemente do clássico contra o Botafogo, não atuaria com todos os jogadores de linha reservas.

A viagem à Argentina na próxima semana será desgastante, mas o jogo contra o Arsenal não deverá ser dos mais pegados. Já eliminado da Libertadores, o campeão da Copa Sul-Americana, que conta com poucos torcedores, não deverá levar público algum ao jogo em Sarandi.

Bom para o Flu, que jogará praticamente num campo neutro.

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Como está voando o Júnior César!

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“Horcades foi um pedido de Parreira”

Qui, 13/03/08
por joao marcelo garcez |
categoria Entrevista

Os lampiões acesos e o fretenir das cigarras denunciavam o cair da tarde. Já era noite quando Francisco Horta e eu nos despedimos. “Lembranças em casa”, disse-me cordialmente, após levantar-se do banco e seguir para sua residência, onde esposa e quatro netos o esperavam. Não sem antes dar uma olhada para o simpático lago dos jardins do Palácio do Catete, onde cinco patinhos banhavam-se harmonicamente, presenteando os visitantes com um “espetáculo da natureza”, como definiu.

Na segunda parte da entrevista com o presidente da Máquina Tricolor, Horta revela sua predileção por Branco para substituir Roberto Horcades na presidência do clube e narra detalhes da contratação de Carlos Alberto Parreira na fase mais caótica da história do clube, quando também era presidente (triunvirato com David Fischel e José de Souza). Entre outros temas destacados, diz ser Renato Gaúcho o técnico ideal para o Flu, aponta a solução para a camisa 1 tricolor e, gabaritado, dá a sua opinião sobre o futuro de Leandro Amaral, por onde começamos o papo.

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Preocupação de dez entre dez torcedores do Fluminense, o caso Leandro Amaral foi detalhadamente explicado por Francisco Horta. Ex-juiz criminal da Vara de Execuções Penais e com brilhante história na advocacia do Brasil, usou de toda sua experiência para dar o seu veredicto. “Acho que dificilmente Leandro Amaral voltará a jogar pelo Flu”.

E explica por quê. “O Leandro vinha atuando no Fluminense amparado numa liminar, conseguida por seu advogado porque o Vasco não depositava o FGTS do jogador, o que constitui um crime tributário. Recentemente, esta liminar foi cassada na Sentença de Mérito, e o atleta oficialmente voltou a pertencer ao ex-clube, com quem tem contrato até 31 de dezembro de 2008”.

Perguntado sobre a possível morosidade para a resolução do caso, Horta explicou: “Isso pode se arrastar porque o Fluminense, embora não seja parte, deverá entrar com um mandado de segurança contra o juiz trabalhista, que é a autoridade coatora que deu a sentença”. Mas não deixou de apontar uma solução. “O Flu não dará os R$ 9 milhões pedidos pelo Vasco. Assim, creio que deveria haver um acordo, como o feito com o Palmeiras no caso Thiago Neves (Lenny foi dado ao clube paulista, além de uma quantia em dinheiro). Em caso negativo, acho que dificilmente o Leandro voltará a jogar pelo Fluminense. E, pelo visto, nem no Vasco, já que não há mais clima para ele atuar lá”.

Mas a provável saída de Leandro Amaral, para Horta, está longe de ser um problema. Segundo ele, num paradoxo, a saída do craque ajudou Renato a encontrar a melhor formação tática para o time. “Tratavam-se de três centroavantes natos (de último toque), com as mesmas características, o que atrapalhava o time, que obrigatoriamente tinha que jogar para eles”.

Horta, porém, não deixou de bater palmas para a audácia da diretoria e do patrocinador. “Não faço a menor restrição à contratação dos três jogadores (Dodô, Washington e Leandro Amaral). A vinda do trio deu alma ao Flu, trouxe a torcida de volta aos estádios e o clube, às manchetes”, enalteceu, elogiando também a aquisição de Conca. “Diferentemente de Dodô e Washington, sonhos de consumo do Horcades, o Conca foi idéia do Celso Barros (presidente da Unimed), que acha o apoiador um craque de bola”, disse, explicando por que Renato o deixava no banco do Vasco. “Embora Renato pensasse igual a Celso, não o colocava como titular porque achava o jogador muito frágil, sem condições atléticas”.

Ainda sobre o treinador do Fluminense, Francisco Horta disse ter ele o time na mão. “É o técnico ideal, muito identificado com o clube e com uma visão extraordinária de futebol. Não é pra menos, Renato era top de linha, um senhor craque de futebol”. E disse-se surpreso com o presente do ex-jogador. “Nunca imaginei que ele fosse ser técnico, era muito indisciplinado”… (pára e reflete) “Cheguei a ter problemas com ele no Fla” (Horta foi manager do Flamengo em 90, atendendo a um apelo de Gilberto Cardoso, a quem tem como irmão. Saiu logo após a conquista da Copa do Brasil daquele mesmo ano).

Francisco Horta seguiu viajando no tempo e lembrou da dura missão de, então presidente do Fluminense, convencer o prestigiado Carlos Alberto Parreira a treinar o time tricolor. “Convenci Parreira a dirigir o Flu em 99, quando nos encontrávamos (o clube) numa situação terrível. Parreira queria um cargo gerencial, mas não o comando técnico da equipe naquele momento. Por ser tricolor e gostar do Fluminense, arregaçou as mangas e tomou frente da equipe. E o que poucos sabem: com um salário muito aquém de um técnico campeão mundial”, revela.

Ainda sobre o treinador bicampeão nacional pelo Flu (Campeonato Brasileiro de 1984 e Campeonato Brasileiro da Série C de 1999), disse que, somente para agradá-lo, levou o atual presidente para o clube na época. “Fui eu quem levou Roberto Horcades para o Fluminense, atendendo a um pedido de Carlos Alberto Parreira, que o tinha como seu cardiologista particular. Horcades passou a integrar nosso quadro de funcionários na época e seis anos depois já era presidente do clube”.

E repetindo o que já havia falado no lançamento de meu livro, em janeiro, voltou a apostar num certo gaúcho como futuro capitão da nau tricolor. “O Branco ainda será presidente do Fluminense. Para o clube, seria maravilhoso ter um ex-jogador e ídolo na presidência. Não só por isso: Branco possui profundos conhecimentos de gerenciamento e administração. É o nome ideal para substituir Horcades”.

De volta ao presente, disse não considerar o time de todo perfeito, apontando falhas no gol. “Não ter goleiro é duro. O time tem que fazer dois ou três gols por jogo”, disse, criticando Fernando Henrique, antes de apontar a saída para a camisa 1. “A solução está lá, é só recuperá-lo”, apontou, referindo-se a Diego, que também não chega a ser o arqueiro dos seus sonhos. “Reconheço que andou mal, não deu sorte. Mas por que o outro (FH) não dá sorte e continua? Tem que dar o mesmo tratamento para todos”. E concluiu: “Fernando Henrique passa insegurança pra nós e para o time. Não dá”.

No fim, a exemplo do que dissera sobre a Libertadores, deixou uma mensagem de otimismo à nação tricolor. “Confiança neste time. Não ganhamos ainda? Tudo bem, vamos ganhar! Ainda não acabou”.

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Ainda bem que não acabou, Dr. Horta, porque se depender da atuação do Fluminense contra o Resende o time mais uma vez vai ficar de fora da decisão de um turno. O gol de Luiz Alberto logo no começo fez com que o Flu pisasse de vez no freio, e sofresse rapidamente um duro castigo: a virada (no primeiro, FH estava mal colocado).

No segundo tempo, depois de ouvir de Renato que o time não havia tido vergonha na cara, os jogadores até se movimentaram mais, mas não o suficiente para ganhar o jogo. Na melhor oportunidade, Washington deu um balão na marcação adversária, mas furou o chute final, praticamente recuando para o goleiro. Nem mesmo o gol de Cícero, que substituiu o recém-operado Dodô, serviu de alento para o Flu e Renato, que deve repensar sua decisão de colocar reservas contra o Americano, sob risco de ver a classificação às semifinais ameaçadas (tem ainda clássicos contra Vasco e Botafogo). ´

Que a Libertadores é o plano A do clube, isso ninguém discute. Mas abrir mão do Campeonato Estadual e da hegemonia de títulos desta competição também me parece inoportuno e até certo ponto grave para um clube que sempre se orgulhou de ser o maior detentor de conquistas no futebol do Rio de Janeiro.

Luz amarela nas Laranjeiras.

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Quase dois meses depois de iniciada a venda de meu livro, Epopéia Tricolor – A Conquista do Brasil e a Volta à América, a edição caminha para o seu esgotamento. Deste cantinho, já tentei por duas vezes contemplar vocês, meus leitores, com alguns exemplares.

Não consegui. Não ainda. Porque acho que tenho uma boa surpresa pra contar a vocês.

Breve!

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Por motivos particulares, apesar do jogo do Flu contra o Americano no sábado, a coluna só será atualizada na madrugada de domingo para segunda-feira.

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Boa recuperação, Dodô!

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“Ganharemos a Libertadores”

Qui, 06/03/08
por joao marcelo garcez |
categoria Entrevista

Sentado no banco de um cenário onde ocorreram muitos dos principais acontecimentos do nosso país estava um ex-juiz criminal da Vara de Execuções Penais. De cabelos brancos e com um mundo de deliciosas histórias guardadas na mente e no coração, um ícone do Fluminense Football Club, para meu deleite, narrou-me por quase cinco horas inúmeros causos - um mais encantador do que o outro - sobre uma paixão em comum: o Tricolor das Laranjeiras.

Francisco Horta, 73 anos, dirigente-mito do mais antigo e tradicional clube da cidade do Rio de Janeiro, nos jardins do Palácio do Catete, percorreu a linha do tempo e falou do passado, presente e futuro, que prevê ser glorioso para o Fluminense.

Numa visão mais ampla e paradoxal, o homem que um dia revolucionou o futebol carioca, hoje, lamenta o marasmo e a pasmaceira que tomou conta do esporte. “Atualmente, querem coibir justamente o que buscávamos para os espetáculos”, disse o engenheiro-mor da Máquina Tricolor, citando como exemplo a histeria coletiva contra irreverentes comemorações após os gols. “Fazíamos deste esporte um grande show”, exalta.

Mas o entusiasmo de Francisco Horta com outrora não o impede de enxergar o presente: o presidente do Fluminense no triênio 75-77 e em 99 (no triunvirato com David Fischel e José de Souza) vê com excelentes olhos o atual plantel tricolor. “Acho sinceramente que podemos conquistar a Libertadores. O raciocínio é simples: temos hoje um elenco, mas não um time. Não ainda! Porque em breve teremos, sim, uma grande equipe”, opina, destrinchando o Grupo 8 da competição. “Dizem que caímos no grupo da morte – Arsenal (ARG), Libertad (PAR) e LDU (EQU). Penso que nossos adversários é que caíram, pois a primeira vaga, seguramente, será do Fluminense. Eles que briguem pela outra”.

Profundo conhecedor do assunto, Francisco Horta não se furtou a dizer como escalaria o Flu. “Roger não pode ficar de fora do time. Além de ter marcado o gol que nos levou à Libertadores, tem estrela de campeão. Não bastante, joga com amor e empenho, transmitindo confiança e entusiasmo aos companheiros. Por isso, escalaria o time no esquema 3-5-2, liberando os alas Gabriel e Júnior César”.

No meio-de-campo, Horta colocaria um único cabeça-de-área, Arouca. “É suficiente, este esquema favorece”. Conca e Thiago Neves comporiam o resto do setor. “Tratam-se de dois craques, uma dupla genial. Quando com a posse de bola, são excessivamente agressivos, fazendo com que o Flu chegue com até cinco jogadores ao ataque”.

Sobre os homens de frente, não economizou elogios. “Dodô seria titular em qualquer time do Brasil. Trata-se de um jogador de técnica apuradíssima. Já Washington é um sucesso no jogo aéreo. Ele deu ao Fluminense uma opção de jogada que nós não tínhamos. Penso que ele e Dodô formarão uma dupla formidável, sobretudo quando este recuperar a alegria”, opina, destacando a importância da moral dada ao atleta. “Renato foi inteligentíssimo ao pedir que Washington desse a bola ao Dodô na cobrança do pênalti (jogo contra o Cabofriense)”.

Perguntado se Thiago Neves seria o camisa 10 ideal, Horta foi direto. “É o craque do time”, afirmou categoricamente. “Da mesma forma que ia ao Maracanã para assistir ao Rivellino, hoje vou ao estádio para ver o Thiago Neves”, conta, sem compará-lo ao antigo ídolo. “Não só ele: os nossos Thiagos (Silva e Neves), pelo futebol que possuem, são de nível de Seleção Brasileira (ambos já convocados por Dunga: o primeiro para a olímpica, e Neves para a principal).

Nem mesmo o fato de ter mais canhotos no time parece ser um problema. Pelo contrário. Teórico, Francisco Horta destaca a importância de se atuar com jogadores assim. “É um engano dizer que uma equipe de canhotos joga torto. Ao meu ver, isso só favorece o time, pois confunde a defesa adversária. Além disso, atletas que chutam com a esquerda costumam ser diferenciados, mais habilidosos do que os destros”.

Na segunda parte desta entrevista, Francisco Horta, que, além do amor devotado ao Fluminense, tem rica trajetória de serviços prestados ao pais como advogado, magistrado e homem público, fala sobre o caso Leandro Amaral, sua aposta em Branco para futuro presidente do clube, a solução para a camisa 1 tricolor, Renato Gaúcho, entre outros assuntos palpitantes.

Imperdível!

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Flu x Arsenal? Blogueiro também é filho de Deus. À zero hora de quinta-feira, quando esta coluna entrou no ar, estava no Maracanã, como milhares de outros tricolores.

Comentarei sobre o jogão na continuação da entrevista com Horta, combinado?

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