Uma ode ao heroísmo
Um pedacinho do Centro do Rio se vestiu de verde, branco e grená na última segunda-feira. Entre pagantes e convidados, seiscentos apaixonados tricolores tiveram o privilégio de assistir à única apresentação do filme A conquista, de Bernardo Belfort, na noite de gala do Cine Odeon BR.
Vestida a caráter, a grande maioria do público que se dirigia à sala escura parecia estar chegando ao Maracanã para uma grande decisão. A animação era tamanha que torcedores mais empolgados colocaram até faixas no deque do espaço.
Com uma platéia acostumada a jogos de futebol, a reação a cada cena não poderia ser mesmo indiferente: aplausos, vaias, cânticos e gritos efusivos ecoaram pela sala durante os 110 minutos de projeção do emocionante documentário, que mostra os bastidores da gloriosa conquista da Copa do Brasil.
Um dos mais aplaudidos foi Renato Gaúcho. Impressionante a empatia do técnico do Fluminense com a galera tricolor. Com seu tradicional óculos escuros, Renato só aparece lá pelas tantas em depoimento antecedente aos melhores momentos dos jogos contra o Atlético-PR, adversário contra o qual reestreou oficialmente. Dei carinho ao grupo, disse Renato, que prometera em sua apresentação que, com ele, o time iria jogar.
Outro que mostrou estar em alta com a torcida é Celso Barros. Sempre que notado, o presidente da Unimed era reverenciado com gritos de é o maior patrocínio do Brasil. Uma cena curiosa deixou evidente o tamanho da paixão de Barros por este clube tantas vezes campeão. Já no vestiário da vitória, em Florianópolis, o empresário, na roda com toda a delegação, até tentou fazer um discurso correto e polido. No desenrolar de suas palavras, porém, seu amor foi se aflorando de tal forma que, não se agüentando de tanta emoção, começou a gritar e a abraçar jogadores que pulavam de maneira alucinada.
É nesta hora que aparece Renato literalmente acabado de tanto chorar. Numa das cenas mais emocionantes do filme, abraça seu fiel escudeiro, Alexandre Mendes, que, ao pé do ouvido do treinador, conforta-o. Você merece.
Depoimentos como o de Roger, autor do gol do título nacional, também arranca lágrimas. O jogador, há dois anos no clube, disse só ter entendido a dimensão do feito quando desembarcou no Santos Dumont (foto), onde milhares de torcedores esperavam a delegação campeã. Vi pessoas de cinco a 40 anos chorando emocionadas. Não há dinheiro que pague imagem igual. Chegar ao clube e ver aquele mundo de gente no gramado também foi inesquecível, relatou, com os olhos marejados.
Carlos Alberto, hoje no futebol alemão, também foi bastante saudado em seu depoimento. É bem verdade que mais por seu coração tricolor do que por seu desempenho durante a competição. Luis Alberto, surpreendentemente, também teve tratamento igual. Com sua seriedade e profissionalismo, o xerifão vem ganhando status de ídolo entre os torcedores, apesar de sua passagem pelo maior rival.
E Thiago Silva? Ah, este é hour concours. Seus importantes gols contra Atlético-PR e Brasiliense no Maracanã foram comemorados como se marcados naquele momento. Considerado por muitos o melhor zagueiro do Brasil, Thiago Silva teve que ouvir de Renato que ele poderia ficar sossegado porque o treinador já havia parado de jogar futebol. Trecho que arrancou gargalhadas da platéia.
A cena mais engraçada da noite, entretanto, aconteceu antes mesmo do filme começar. Uma empresa de desodorantes que distribuía seus produtos entre os cinéfilos presentes teve o anúncio de sua marca veiculada no telão quando muitos ainda se acomodavam. Coincidentemente, a garota-propaganda da grife é ninguém menos que Ana Paula de Oliveira, a bandeirinha que teria prejudicado o Botafogo na semifinal da Copa do Brasil. Foi a senha para que a galera debochasse muito do rival, que ficou pelo caminho na competição.
O deboche virou apupo quando Joel Santana, hoje técnico do Flamengo, apareceu em longo depoimento. À frente do time durante apenas quatro jogos Adesg (1), América-RN (2) e Bahia (1) -, o Natalino se disse 40% responsável pelo novo título nacional do Flu.
Polêmica à parte, o mergulho no vestiário tricolor minutos antes do time pisar no gramado do Estádio Orlando Scarpelli trouxe à tona toda a tensão do importante momento da vida daqueles jogadores e do clube. O preparador físico, Fábio Mahseredijan, aos berros, pedia concentração máxima a todos. Só quem sentiu na pele o que sentimos há 40 dias sabe a importância deste momento, disse, referindo-se ao descrédito do time com a torcida durante o Estadual. O que vem a seguir deixo para que você veja com seus próprios olhos.
Olhos de lince como os de Adriano Magrão, uma das figuras mais importantes da campanha, também muito lembrado no longa. Fernando Henrique, Carlinhos, Júnior César, Fabinho, Arouca, Cícero e Alex Dias não foram esquecidos. Mas curioso mesmo foi ver Thiago Neves, ainda sem o status atual, no canto do vestiário após o triunfo. Mal sabia o jogador que o destino reservaria um ótimo segundo semestre a ele.
A cena final do filme é digna de aplausos. Estivesse presente ao Odeon BR àquela noite, o bonequinho do Globo por-se-ia de pé e aplaudiria efusivamente o desfecho épico.
A Copa do Brasil, agora eternizada, tal qual o nome do filme, foi mesmo uma conquista e tanto, que atingiu em cheio o coração de milhões tricolores de todo o Brasil.
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Quer ver o documentário? A Flu Boutique disporá os DVDs de A conquista a partir desta quinta-feira, dia 22, na sede do clube.
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Não deixe também de ler Epopéia tricolor A conquista do Brasil e a volta à América, livro de minha autoria com lançamento previsto para janeiro.
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Nem bem acabou de fazer um e Bernardo Belfort já está pensando noutro longa. Com apoio da Unimed, Bernardo Belfort irá usar agora equipamento profissional para filmar a Libertadores.
É o Flu bem na foto. Quer dizer, na tela.
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