O Réveillon do Gravatinha
Convidado para uma festa de arromba, cujo figurino deveria ser traje passeio ou branco (fiquei com a segunda opção), tratei de levar elevada dose de alegria e boas energias para a chegada do Ano-Novo.
Jorge Benjor, em carne e osso, e com seu “W Brasil”, é o artista contratado para embalar a chegada de um novo tempo. No ar, um indisfarçável clima de euforia.
Troco o agito da festa por uma ida ao lago. Lá, sou abordado por um leitor do Blog do Flu.
- João, o que houve com o Gravatinha? Há muito tempo não aparece.
- É, rapaz… O baque pela perda da Libertadores foi um duro golpe para o nosso amigo.
- Águas passadas não movem moinho, João. Todos nós sobrevivemos àquilo e estamos aqui, firmes e fortes.
- Pode ser… Mas soube que o Gravatinha se sentiu responsável pelo que aconteceu.
- Por quê?
- Depois que o Thiago Neves fez o terceiro gol, de falta, sobre a LDU, ele estava certo de que sua missão seria cumprida em questão de minutos e voltou para o além.
- E daí?
- Daí que ele não contava com a chegada do Sobrenatural de Almeida.
- Ah, não!!! Jura?
- Foi aquela figura dantesca que puxou o freio de mão do Flu, impedindo o quarto gol do time. Depois, fartou-se, fazendo com que o Tricolor perdesse três penalidades na disputa final.
- Puxa vida! Posso imaginar como o Gravatinha se sentiu. Agora entendo tão longo período de reclusão.
Despeço-me e volto para a festa. Uma criança puxa a bainha da minha calça e faz um pedido.
- Tio, desenha um coração pra mim?
- Como?
- Desenha um coração pra mim? – repetiu, entregando-me um lápis de cera e um papel em branco.
- Você está perdida, menina?
- Por favor, tio! Desenhe – insistiu
Mesmo contrariado com aquilo, atendi ao apelo da jovem meninha e fiz a gravura.
- Não, tio! Não ficou bom. Não se parece com um coração. Por favor, desenhe de novo.
Refiz para ela, entregando-a.
- Pronto, é definitivo. Gostou?
- Mais ou menos, tio! Sei que pode fazer melhor.
Já sem paciência, procurei caprichar no desenho, aperfeiçoando suas curvas, a fim de que não houvesse mais volta.
- Vê agora?
- Agora sim, tio! Ficou lindo!
- Ótimo!
- Tio, você já leu “O pequeno príncipe”?
- O quê?
- Você já leu “O pequeno príncipe”?
Mesmo intrigado, respondi.
- Já, claro, um clássico infantil de Antoine de Saint-Exupéry. Mas por quê?
- Por nada, não, tio! – disse ela, saindo.
É meia-noite! Todos correm para acompanhar a queima de fogos enquanto saúdam a chegada de um novo ano. Em meio ao mar de pessoas, vejo a menininha do desenho sentada à beira do lago e com o papel na mão.
Aproximo-me e percebo que o reflexo do desenho na água não era igual ao que eu tinha feito a ela. O coração estava lá, no papel. Mas o reflexo…
Não acreditei. Esfreguei os olhos e os abri com firmeza. Estava lá, não era imaginação. O desenho do coração refletia um imenso distintivo do Fluminense na água.
A menininha pôs-se de pé e me deu longo abraço.
- O que está acontecendo, filhinha?
- Você é responsável por tudo aquilo que cativa.
- O quê?
- Você é responsável por tudo aquilo que cativa – repetiu.
- É… Eu???
- Não, tio! Ele – disse, apontando para o lindo e luminoso escudo tricolor.
Volto os olhos para a menininha e, ainda abraçada a mim, noto que ela está se transformando. Fecho os olhos e, apesar de assustado, mantenho-me firme. Olho de novo. Agora é Gravatinha quem me afaga com um fiel e caloroso abraço.
- Meu amigo!!!
- Feliz 2009, João!
- Pra você também, querido! Soube que andou afastado porque…
- João, João, esqueça isso – disse, cortando-me.
- Se vai lhe fazer bem…
- Em
- Derrubamos gigantes, emocionamos gerações e promovemos uma festa maravilhosa na grande decisão.
- É por isso, João, que vos digo (em tom profético): em 2008, não conquistamos a América, mas conquistamos o direito de, orgulhosos, gritarmos ainda mais forte:
SOU TRICOLOR, EU ACREDITO!
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Feliz Ano-Novo, querido leitor! A coluna pára por nove dias e retorna no próximo dia 7 (não responderei a comentários até lá). A você, o meu muito obrigado pelo carinho de sempre e pela companhia neste ano em que, juntos, vivemos tantas e tão intensas emoções.
Que 2009 seja um ano abençoado e de muita saúde, paz e realizações para todos nós.
Feliz Ano-Novo! (bis)
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