

Dona de uma simpatia singular, a carioca Ana Paula Araújo Londres, apresentadora e repórter da TV Globo, viu sua paixão pelo Flu crescer quando deixou Juiz de Fora para voltar a morar no Rio de Janeiro. “Comecei a ir aos jogos e ser mais presente ao Maracanã”. Descendente de portugueses por parte de mãe, Ana Paula foi criada com outros dois irmãos numa casa dividida por tricolores e vascaínos.
Peculiaridade ou não dos arianos, a superstição faz parte da vida desta tricolor, que depois de ver o Flu perder jogos decisivos no Campeonato Estadual, resolveu abrir mão de ir ao Maracanã por acreditar que levava azar ao time. “Mas depois da final com a LDU vi que não tinha esse poder todo”, diverte-se.
Nesta entrevista, realizada no café de uma livraria do Leblon, Ana Paula Araújo fala sobre o momento do Fluminense no Campeonato Brasileiro, a perda da Libertadores e os destaques na competição. A apresentadora conta ainda da emoção vivida em matéria que fez com o Casal 20 do Flu, formado por Washington e Assis, e do histórico gol de barriga de Renato Gaúcho, marcado na decisão do Campeonato Estadual de 95. No fim, Ana narra divertido causo envolvendo também o jornalista Pedro Bial, que a consolou ao vê-la chorando após uma grande frustração tricolor.
Carreira
Comecei numa rádio em Juiz de Fora (MG), onde cursava faculdade. Em 1991, consegui transferência para um estágio na Rádio Globo. Depois, fui para as TVs Record, Manchete (já extinta) e Serra e Mar (filiada da TV Globo na Região Serrana do Rio de Janeiro), mas nesta fiquei só por um mês (neste momento, Ana Paula pára a entrevista e ri dos flashes da câmera fotográfica de Christiane Couto, colaboradora da coluna. “Estamos no lugar certo, o Leblon é o paraíso dos paparazzi”, brinca). Atualmente, apresento o RJ TV (telejornal local), o Globo Comunidades e sou repórter do Jornal Hoje, onde tenho uma coluna (no último dia 2, estreou também na bancada do telejornal, que tem transmissão para toda a rede).
Paixão pelo Flu
Sou tricolor por influência de meu pai, mas meus familiares por parte de mãe, portugueses, são todos vascaínos, como meu irmão. Eu e minha irmã, porém, seguimos o caminho do meu pai. Depois que vim morar no Rio, comecei a ir aos jogos, participar mais… Adoro o Maracanã.
Superstição
Fui a alguns jogos com meu marido no Campeonato Estadual desse ano, mas não dei sorte (Ana esteve no jogo decisivo do Segundo Turno contra o Botafogo. “Quase matei um alvinegro na minha frente”, diverte-se). Comecei a achar então que o problema era eu. E quando começou a Libertadores, deixei de ir para não atrapalhar o time, olha que coisa! (risos) Acho que esse negócio de crença em pé-frio é bem coisa de mulher. Na decisão, contra a LDU (EQU), mais uma vez o Cristiano (marido) foi ao Maracanã sem mim, e deu no que deu. Agora vejo que deveria ter comparecido… (pára e pensa). Não me privo mais de ir. Vi que não tenho este poder todo (risos).
Razões da derrota
A altitude no jogo de ida influenciou decisivamente para que perdêssemos o título. O Flu esteve irreconhecível em Quito. Creio também que tenha havido excesso de confiança: como haveria o jogo de volta no Rio de Janeiro, imaginaram que qualquer que fosse o resultado lá, aqui daria tudo certo. Não se tocaram do perigo que era a partida no Equador. Ganhamos dos adversários mais difíceis e, no fim, perdemos para um time horroroso.
Reação no Brasileiro
O Fluminense focou tanto na Libertadores que esqueceu que havia um Campeonato Brasileiro em andamento. Agora, mesmo depois de terminada, parece que a frustração com a perda do título ainda vem acompanhando nossos jogadores. Mas acho que reagiremos, até porque já estou por aqui com novela de rebaixamento.
Pedo Bial, o salva-prantos
Na TV Globo, todo mundo sabe que fico chateada quando o Fluminense perde. Então aproveitam para pegar mesmo no meu pé. Não chego a ficar de mau humor; fico triste e penso que é só um jogo. Aliás, quando ganha, é tudo na nossa vida; quando perde, é só esporte (risos).
Lembro que quando o Flu foi rebaixado em 1996, aos prantos, chorava compulsivamente pouco antes de entrar ao vivo para o Fantástico - e as pessoas não tinham a menor piedade. A minha sorte foi que encontrei o Pedro Bial, que também estava um caco. Assustado ao me ver naquele estado, achou que fosse algo grave, como a morte de algum ente querido. Quando disse que era por causa do Fluminense, ele virou-se e disse: “Puxa, até essa qualidade você tem (risos). Em seguida, consolou-me dizendo que outros grandes clubes também já haviam sido rebaixados e que o descenso seria bom para que o clube se reestruturasse e desse a volta por cima.
Dia D
Calhou do domingo do rebaixamento ser justamente o mesmo da inauguração da Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas. O Fantástico estava lá para mostrar ao vivo o momento em que ela seria acesa. Não faltaram colírios e maquiagens para disfarçar minha cara de choro, mas ainda assim estava destruída. E o pior é que ainda tive que entrar no ar sorrindo. Aquele dia definitivamente foi péssimo.
Destaques da Libertadores
Fernando Henrique foi muito bem. Na decisão, em Quito, não fosse por ele, o estrago teria sido ainda pior. Gostei também do zagueiro Thiago Silva, do meia Conca e do atacante Washington, que embora tenha pecado justamente nas partidas contra a LDU foi importante durante a trajetória do time na competição. Creio que a história pessoal dele (Washington superou problemas cardíacos) foi uma motivação a mais para time e torcida.
Momento inesquecível
O gol de barriga de Renato Gaúcho na decisão contra o Flamengo do Campeonato Estadual de 1995, ano em que o Rubro-Negro, de Romário e Vanderlei Luxemburgo, comemorava seu centenário. Senti ali uma emoção indescritível! No dia seguinte, ainda fui para a redação da TV Globo com a camisa tricolor para tirar onda com todo mundo.
Encontro de tricolores
Certa vez, entrevistei o Casal 20 (Washington e Assis) para um especial sobre o aniversário do Maracanã. Fizemos o jornal ao vivo de dentro do estádio e fiquei bem emocionada por ter encontrada duas lendas do nosso clube. Além de ídolos, Washington e Assis são simples, humildes e atenciosos.
Fla-Flu
Quando os flamenguistas vem perturbar, digo que o freguês tem sempre razão. Eles ficam enlouquecidos (risos). Aliás, jamais torceria pelo Fla; é contra a minha religião.
Família tricolor
Na minha casa, todos torcem pelo Fluminense: além de mim e meu marido, Cristiano, minha filha, Melissa (a quem carinhosamente chama de Mel), de apenas dois anos, e meu cachorro, Cotonete, também são tricolores. Morri de rir quando vi minha filha com meu marido, juntos, cantando uma música da torcida (“Fluminense, olé, olé, olé”). Está gravado em vídeo. Já o Cotonete tem bola e até uniforme do clube. Como ele está sempre pela sala, assiste aos jogos conosco. Ultimamente, porém, ele tem preferido sintonizar no Animal Planet (risos).
Pan Rio-2007
Tive uma experiência muito legal de cobertura esportiva durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro ano passado. Um mundo totalmente novo para mim, já que, sobre esportes, tinha feito apenas uma ou outra matéria para a TV. E, ainda assim, sobre comportamento (ouvir torcedores na rua etc.). Adorei fazer: é bem mais leve e descontraído do que outras editorias.
Outros esportes
Acho lindo de morrer ginástica artística. Gosto de ver as apresentações de todos os países. Patinação no gelo também é muito bonito. Com a cobertura do Pan, aprendi um pouco sobre as regras do hipismo e passei a acompanhar o esporte com um pouco mais de interesse.
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Domingo, 17 de agosto. O Fluminense ocupa a lanterna do Brasileirão, com 16 pontos, ao lado do Ipatinga. Sábado, 23 de agosto. Apenas seis dias depois, quem imaginaria que o Tricolor estaria com sete pontos a mais (23), fora do rebaixamento e na 15 posição.
Aos que lamentam o empate em casa com o Sport (1 a 1, com mais um gol de Washington), recomendo que deixe de lado a lente escura e olhe o pacote adquirido como um todo: em menos de uma semana, mesmo sem ser brilhante, o Tricolor lidera o returno do Brasileirão, galgou quatro posições e está a apenas quatro pontos da zona da Copa Sul-Americana, competição para a qual tenta se classificar pela quarta vez em seis anos.
Para quem, há bem pouco tempo, vivia um cenário desolador, a semana que termina é ou não para ser comemorada?
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E domingo ainda tem Fla-Flu.
Alegria, alegria!
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