
No Rio de Janeiro e em todo o Brasil não se fala em outra coisa. O Fluminense deu um show de garra e determinação contra o São Paulo e, empurrado por sua fantástica torcida, classificou-se à semifinal da Taça Libertadores da América. Único clube brasileiro nesta fase da competição, o Tricolor vem ganhando o carinho e a simpatia de torcedores de Norte a Sul do país, que, entusiasmados com a qualidade e o brio do elenco do Flu, dizem ser o clube das Laranjeiras merecedor da conquista continental e da vaga sul-americana ao Mundial de Clubes, em dezembro.
Vaga esta que poderá vir ainda que o Fluminense não conquiste o título. Para isso, o Tricolor precisa passar pelo Boca Juniors (ARG) e torcer para que o América (MEX) também chegue à decisão. Como o time mexicano, pertencente à Concacaf, participa como convidado da Libertadores, organizada pela Conmebol, ele não pode ir ao Mundial via Confederação Sul-Americana.
Mas se for mesmo à finalíssima contra o time de Cabañas, o Flu, obviamente, não se contentará com a simples vaga. Partirá com tudo para a conquista inédita de um valiosíssimo troféu que ainda não tem em sua gloriosa galeria. Mais um detalhe (pouco comentado): se vencer a Libertadores, o Tricolor estará automaticamente classificado para a edição de 2009 da competição.
Para chegar lá, entretanto, é preciso calçarmos as velhas e surradas sandálias da humildade de Nélson Rodrigues. Pela frente, uma parada duríssima: Fluminense e Boca Juniors travarão, indubitavelmente, o maior duelo das Américas este ano. Ambos estariam agora reeditando a semifinal de uma outra competição organizada pela Conmebol, a Copa Sul-Americana, se o Flu não tivesse jogado pela janela uma classificação que parecia certa contra o Universidad Católica (CHL) em 2005.
Pra quem não se lembra, foi a partir daquele jogo que o time começou a descer a ladeira, perdendo os últimos cinco jogos do Brasileirão e deixando escapar a vaga para a Libertadores, mesmo depois de estar dez pontos à frente do Palmeiras. Pecado histórico! Mas águas passadas…
Vivendo o mais saboroso momento de sua existência, o Fluminense vem enchendo de orgulho o coração de seus torcedores, que vêem o grupo comprometido e imbuído do sonho maior. O abraço do goleiro reserva Diego em Fernando Henrique, após o gol de Washington contra o São Paulo no último minuto, retrata com exatidão a união que a cada dia fica mais evidente entre os jogadores.
Fascinados pela disciplina, o Fluminense parece dominá-los.
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Baixada a poeira do choque de tricolores, parabenizo a torcida são-paulina pelo show de elegância e civilidade com que se manifestou após a eliminação do seu time na Libertadores. Entre e-mails e comentários, dezenas de mensagens de cumprimentos ao Fluminense foram dignamente escritas ao Blog do Flu por internautas polidos e de boa estirpe. Mas para toda regra sempre há uma exceção…
Normalmente avesso a publicações negativas ou depreciativas, abrirei uma exceção a um leitor são-paulino que se dispôs a escrever-me um e-mail agressivo, para ficar só nesse adjetivo. Assinada por Mauro Ferreira, a mensagem, recheada de erros gramaticais, contém cunho irônico, pra não dizer ignorante. E o mais impressionante: o e-mail me foi enviado logo depois da publicação de uma coluna em que eu só enaltecia as qualidades e a grandeza do São Paulo.
Pobre de espírito, Mauro, que se mostra um sujeito completamente ignorante no que diz respeito às conquistas do Fluminense, à estrutura e à torcida do clube carioca, parece carecer mesmo de muito apoio emocional. Do alto de sua arrogância, assim escreveu o pretenso torcedor, queixoso da expressão “gigantes tricolores”, que utilizei para designar o confronto entre Flu e São Paulo na Libertadores.
“Caro colunista, ninguém em sã consciencia (sic) pode comparar o Tricolor Carioca com o Tricolor Paulista, nem o mais apaixonado e cego torcedor do Fluminense pode cometer uma imbessilidade (sic) dessa.
“Tricolor Paulista - Tradicional time de competições internacionais, conhecido como o time copeiro que ostenta os títulos de PentaCampeão (sic) brasileiro, TriCampeão (sic) da América e TriCampeão (sic) do mundo. Clube de maior estrutura do futebol sul-americano, dono do maior estádio particular do mundo, possui a terceira maior torcida do Brasil, sendo o time brasileiro que melhor sabe jogar a Libertadores.
“Tricolor Carioca – Tradicional time do “Rio de Janeiro”, detentor de títulos de nível regional e apenas um título brasileiro, sem nenhuma conquista fora do Brasil. Clube sem estrutura, sem estádio, com pequena e fria torcida.
“Por favor, não desrespeite o Gigante (sic) Tricolor Paulista comparando (sic) com um time acostumado a jogar na Segunda e Terceira Divisão (sic).
“Saudações tricolores TriMundiais (sic)”.
Encerrou Mauro Ferreira, esquecendo-se de que o próprio clube para o qual torce já foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Estadual.
Longe de querer dar-lhe uma lição ou coisa parecida, publico seu e-mail, Mauro, para uma breve reflexão: o que leva um sujeito a sentar-se diante do computador para, em vez de buscar evolução, praticar um gesto tão indigno? Que nesta sua passagem pela Terra você cresça e amadureça espiritualmente.
Sorte também ao seu time nas próximas Libertadores, porque nessa ele já foi eliminado. E, veja só que incrível, justamente pelo clube “sem estádio, estrutura e de uma fria e pequena torcida”, que, de tão insignificante, lotou o Maracanã, empurrando o time “acostumado às divisões de acesso” a mandar o “Gigante” pra casa.
Respeitar a própria individualidade é o primeiro passo para o aprendizado do respeito à individualidade alheia. Pedante, Mauro parece não saber que a humildade é o caminho para a glória.
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Pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense foi a Recife (PE), onde, com apenas três titulares (FH, Arouca e Dodô), enfrentou o Sport pela terceira rodada da competição. O Tricolor foi dirigido interinamente por Vinícius Eutrópio, já que Renato preferiu ficar no Rio para preparar o time que enfrentará o Boca Juniors, nesta quarta-feira.
O Fluminense já havia vivido situação parecida em 2000, quando, também pelo Campeonato Brasileiro (Copa João Havelange), foi interinamente dirigido por Rivellino Serpa, filho de Valdir Espinosa, em partida contra o Corinthians, vencida pelo Flu por 3 a 1. Naquela ocasião, porém, não foi por opção que o treinador não viajou com o time: o pai de Espinosa, avô de Rivellino, falecera na véspera da partida.
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A injusta derrota por 2 a 1, com um gol irregular do Sport, deixa o time distante da liderança da competição. Se vencer mesmo a Libertadores, periga o Brasileirão se tornar uma ultrapré-temporada para o Mundial do Japão.
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Como tem perdido pênalti o Fluminense.
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Para irmos entrando no clima da partidaça histórica contra o Boca, excepcionalmente, publicarei nova coluna nesta quarta-feira. Até lá!
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