Formulário de Busca

De boca aberta com o Flu

Qui, 29/05/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

bocaa.jpg

Majestoso, heróico, guerreiro. Sobram adjetivos para qualificar a atuação do Fluminense em mais uma noite de gala de sua história. O empate em 2 a 2 arrancado com o Boca Juniors, dentro de Buenos Aires, abre boas possibilidades para o time nas semifinais da Libertadores.

Numa noite inesquecível, o torcedor tricolor parecia não caber dentro de si tamanho era o orgulho em ver o time de coração atuando com personalidade diante do tradicional clube argentino na reta final da “Champions League Americana”.

O Flu começou o jogo trocando passes curtos e envolventes, mostrando ao Boca que não se intimidaria com a pressão. O gol de Thiago Silva, de cabeça, apenas três minutos depois de Riquelme abrir o placar, emudeceu temporariamente o Estádio Juan Domingos Perón, que logo entendeu por que o Fluminense chegou às semifinais da competição.

Eufóricos, centenas de tricolores que viajaram até Buenos Aires faziam uma festa incrível, entoando cânticos que já nos acostumamos a cantar no Maracanã. Por ora, podia-se ouvir nitidamente a voz da minoria incomodando a multidão, que, de tão irritada, chegou a vaiar a torcida do Flu.

O segundo tempo foi muito parecido com o do jogo contra o São Paulo. Com um resultado que lhe interessava nas mãos, o Flu se deixou pressionar e foi encurralado em seu campo de defesa. Maurício destoava e praticamente nada acertava. Arouca, encarregado de marcar Riquelme, também não deu conta do recado. E foi o próprio camisa 10 que, de falta, voltou a colocar o Boca Juniors em vantagem, em lance que contou com um providencial desvio na barreira.

Em desvantagem no placar, o Flu ficou em dúvida se tentava novo empate ou se se fechava ainda mais para segurar a derrota por 2 a 1. Mas a sorte, aquela que parece acompanhar os campeões, estava do lado do Flu. Em chute despretensioso de Thiago Neves, o goleiro Migliore aceitou. 2 a 2.

Festa pó-de-arroz numa noite tricolor e sem tango em Buenos Aires.

***

Justiça seja feita: Fernando Henrique teve uma atuação inspirada e muito segura. Com duas defesas de grau altíssimo de dificuldade no segundo tempo, ajudou o Fluminense a trazer um bom resultado de Avellaneda. Contra o Boca Juniors, o goleiro mostrou a personalidade de um autêntico camisa 1 tricolor.

***

Em condições normais, poderia-se pensar que o empate em 2 a 2 deixou o Fluminense com um pé na decisão da Libertadores. Mas só mesmo “em condições normais”. Porque do outro lado está o tarimbado Boca Juniors, hexacampeão da competição, que, dentro desta própria edição, já provou que sabe jogar, talvez até melhor, em campo adversário.

A história nos mostra que uma boa dose de cautela se faz necessária em momentos como esse. O Flu está perto, mas ainda não ganhou nada. Se quiser mesmo chegar lá, o Tricolor terá que frear o entusiasmo e jogar muita bola quarta-feira no Maracanã.

A humildade, vale repetir, é o primeiro passo para a glória.

***

Domingo tem Fla-Flu? Ih, é mesmo!

____________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Flu e o seu maior desafio II – A (difícil) missão

Qua, 28/05/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

cristofluiitela.jpg

Não tem jeito. Desde que se classificou para as oitavas-de-final da Libertadores, cada jogo passou a ser o da vida do Fluminense. E é dessa forma que os jogadores parecem estar encarando seus desafios na mais importante competição do nosso continente.

Depois de terminar a fase de grupos com a melhor campanha entre os 32 participantes, o Tricolor não tomou conhecimento do Atlético Nacional (COL) e, mesmo sem empolgar, venceu-o em Medellín e no Maracanã. Nas quartas-de-final, sobrou garra: de maneira heróica, eliminou o tricampeão São Paulo no Mário Filho, estádio onde tem feito a diferença – em cinco jogos, venceu todos, tomando um único gol.

Quando se pensava que o pior já havia passado, uma incrível combinação de resultados (eliminações de Atlas, San Lorenzo e Santos) colocou ninguém menos que o hexacampeão Boca Juniors (ARG) no caminho do Flu. Se o São Paulo já era difícil, agora a pedreira é da altura do Cristo Redentor.

O Flu que não se engane: liderados por Riquelme, Palácio e Palermo (vide Raio-X dos dois times na home do Flu), o Boca Juniors, ainda que longe da Bambonera, tentará sufocar seu adversário logo nos primeiros minutos.

Mas se não se intimidar e souber sair em velocidade, o Tricolor poderá surpreender, já que o Boca tem como ponto fraco seu sistema defensivo, que inclui o goleiro Migliori, substituto do lesionado Caranta. Exemplo disso aconteceu ainda na primeira fase quando o Colo Colo (CHL) encarou o Boca de igual pra igual em seu temido estádio, fazendo uma partida de sete gols: 4 a 3 Boca.

A classificação do Fluminense deverá passar pela anulação do camisa 10 argentino, o craque Riquelme, função que deverá caber a Arouca. Se tiver êxito em sua ingrata missão e os jogadores de criação, bem como os de frente, estiverem em dia inspirado, o Flu poderá sair de Buenos Aires até com uma vitória.

***

Sei que corro alto risco ao dar palpites aqui, mas vou fazê-lo assim mesmo: aposto em vitória tricolor por 3 a 2, com brilhos individuais de Cícero e do predestinado Roger.

Gravatinha que me escute!

_________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Bem-vindos à Tricolândia

Dom, 25/05/08
por joao marcelo garcez |

pavpeq1.jpg

No Rio de Janeiro e em todo o Brasil não se fala em outra coisa. O Fluminense deu um show de garra e determinação contra o São Paulo e, empurrado por sua fantástica torcida, classificou-se à semifinal da Taça Libertadores da América. Único clube brasileiro nesta fase da competição, o Tricolor vem ganhando o carinho e a simpatia de torcedores de Norte a Sul do país, que, entusiasmados com a qualidade e o brio do elenco do Flu, dizem ser o clube das Laranjeiras merecedor da conquista continental e da vaga sul-americana ao Mundial de Clubes, em dezembro.

Vaga esta que poderá vir ainda que o Fluminense não conquiste o título. Para isso, o Tricolor precisa passar pelo Boca Juniors (ARG) e torcer para que o América (MEX) também chegue à decisão. Como o time mexicano, pertencente à Concacaf, participa como convidado da Libertadores, organizada pela Conmebol, ele não pode ir ao Mundial via Confederação Sul-Americana.

Mas se for mesmo à finalíssima contra o time de Cabañas, o Flu, obviamente, não se contentará com a simples vaga. Partirá com tudo para a conquista inédita de um valiosíssimo troféu que ainda não tem em sua gloriosa galeria. Mais um detalhe (pouco comentado): se vencer a Libertadores, o Tricolor estará automaticamente classificado para a edição de 2009 da competição.

Para chegar lá, entretanto, é preciso calçarmos as velhas e surradas sandálias da humildade de Nélson Rodrigues. Pela frente, uma parada duríssima: Fluminense e Boca Juniors travarão, indubitavelmente, o maior duelo das Américas este ano. Ambos estariam agora reeditando a semifinal de uma outra competição organizada pela Conmebol, a Copa Sul-Americana, se o Flu não tivesse jogado pela janela uma classificação que parecia certa contra o Universidad Católica (CHL) em 2005.

Pra quem não se lembra, foi a partir daquele jogo que o time começou a descer a ladeira, perdendo os últimos cinco jogos do Brasileirão e deixando escapar a vaga para a Libertadores, mesmo depois de estar dez pontos à frente do Palmeiras. Pecado histórico! Mas águas passadas…

Vivendo o mais saboroso momento de sua existência, o Fluminense vem enchendo de orgulho o coração de seus torcedores, que vêem o grupo comprometido e imbuído do sonho maior. O abraço do goleiro reserva Diego em Fernando Henrique, após o gol de Washington contra o São Paulo no último minuto, retrata com exatidão a união que a cada dia fica mais evidente entre os jogadores.

Fascinados pela disciplina, o Fluminense parece dominá-los.

***

Baixada a poeira do choque de tricolores, parabenizo a torcida são-paulina pelo show de elegância e civilidade com que se manifestou após a eliminação do seu time na Libertadores. Entre e-mails e comentários, dezenas de mensagens de cumprimentos ao Fluminense foram dignamente escritas ao Blog do Flu por internautas polidos e de boa estirpe. Mas para toda regra sempre há uma exceção…

Normalmente avesso a publicações negativas ou depreciativas, abrirei uma exceção a um leitor são-paulino que se dispôs a escrever-me um e-mail agressivo, para ficar só nesse adjetivo. Assinada por Mauro Ferreira, a mensagem, recheada de erros gramaticais, contém cunho irônico, pra não dizer ignorante. E o mais impressionante: o e-mail me foi enviado logo depois da publicação de uma coluna em que eu só enaltecia as qualidades e a grandeza do São Paulo.

Pobre de espírito, Mauro, que se mostra um sujeito completamente ignorante no que diz respeito às conquistas do Fluminense, à estrutura e à torcida do clube carioca, parece carecer mesmo de muito apoio emocional. Do alto de sua arrogância, assim escreveu o pretenso torcedor, queixoso da expressão “gigantes tricolores”, que utilizei para designar o confronto entre Flu e São Paulo na Libertadores.

“Caro colunista, ninguém em sã consciencia (sic) pode comparar o Tricolor Carioca com o Tricolor Paulista, nem o mais apaixonado e cego torcedor do Fluminense pode cometer uma imbessilidade (sic) dessa.

“Tricolor Paulista - Tradicional time de competições internacionais, conhecido como o time copeiro que ostenta os títulos de PentaCampeão (sic) brasileiro, TriCampeão (sic) da América e TriCampeão (sic) do mundo. Clube de maior estrutura do futebol sul-americano, dono do maior estádio particular do mundo, possui a terceira maior torcida do Brasil, sendo o time brasileiro que melhor sabe jogar a Libertadores.

“Tricolor Carioca – Tradicional time do “Rio de Janeiro”, detentor de títulos de nível regional e apenas um título brasileiro, sem nenhuma conquista fora do Brasil. Clube sem estrutura, sem estádio, com pequena e fria torcida.

“Por favor, não desrespeite o Gigante (sic) Tricolor Paulista comparando (sic) com um time acostumado a jogar na Segunda e Terceira Divisão (sic).

“Saudações tricolores TriMundiais (sic)”.

Encerrou Mauro Ferreira, esquecendo-se de que o próprio clube para o qual torce já foi rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Estadual.

Longe de querer dar-lhe uma lição ou coisa parecida, publico seu e-mail, Mauro, para uma breve reflexão: o que leva um sujeito a sentar-se diante do computador para, em vez de buscar evolução, praticar um gesto tão indigno? Que nesta sua passagem pela Terra você cresça e amadureça espiritualmente.

Sorte também ao seu time nas próximas Libertadores, porque nessa ele já foi eliminado. E, veja só que incrível, justamente pelo clube “sem estádio, estrutura e de uma fria e pequena torcida”, que, de tão insignificante, lotou o Maracanã, empurrando o time “acostumado às divisões de acesso” a mandar o “Gigante” pra casa.

Respeitar a própria individualidade é o primeiro passo para o aprendizado do respeito à individualidade alheia. Pedante, Mauro parece não saber que a humildade é o caminho para a glória.

***

Pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense foi a Recife (PE), onde, com apenas três titulares (FH, Arouca e Dodô), enfrentou o Sport pela terceira rodada da competição. O Tricolor foi dirigido interinamente por Vinícius Eutrópio, já que Renato preferiu ficar no Rio para preparar o time que enfrentará o Boca Juniors, nesta quarta-feira.

O Fluminense já havia vivido situação parecida em 2000, quando, também pelo Campeonato Brasileiro (Copa João Havelange), foi interinamente dirigido por Rivellino Serpa, filho de Valdir Espinosa, em partida contra o Corinthians, vencida pelo Flu por 3 a 1. Naquela ocasião, porém, não foi por opção que o treinador não viajou com o time: o pai de Espinosa, avô de Rivellino, falecera na véspera da partida.

***

A injusta derrota por 2 a 1, com um gol irregular do Sport, deixa o time distante da liderança da competição. Se vencer mesmo a Libertadores, periga o Brasileirão se tornar uma ultrapré-temporada para o Mundial do Japão.

***

Como tem perdido pênalti o Fluminense.

***

Para irmos entrando no clima da partidaça histórica contra o Boca, excepcionalmente, publicarei nova coluna nesta quarta-feira. Até lá!

__________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Páginas de nossa história

Qui, 22/05/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

paginas.jpg

Quando Washington subiu para cabecear o escanteio batido por Thiago Neves, milhares de tricolores, congelados pelo nervosismo da pseudo-desclassificação, prenderam a respiração. Na derradeira oportunidade da partida, o semestre dependia do êxito na conclusão do atacante.

Sentado na quina da baliza são-paulina (junção da trave com o travessão) estava Gravatinha, evocado por tudo e por todos no mais importante momento da centenária história do Fluminense. Semblante plácido, limitou-se a apontar para onde o Coração de Leão deveria colocar a bola.

Com leveza e maestria, Washington subiu mais que a marcação e estufou a rede de Rogério Ceni. Explosão e alívio no Maracanã, que recebeu uma daquelas partidas imortais. Time e torcida, num só compasso, não cabiam em si de tanta emoção. Extasiados, pareciam envoltos por um imenso coração rodriguiano.

Uma linda e épica festa de um clube que se agigantou de tal forma que está a dois passos de escrever a mais importante página de sua rica e gloriosa história.

Time e torcida? Ah, continuaram por lá, se abraçado, se aplaudindo… Se ficassem assim para sempre, seriam felizes para sempre.

Com a bênção de Gravatinha!

***

Engana-se quem pensa que apenas o mascotinho deu as caras na extraordinária vitória de 3 a 1 sobre o São Paulo. Logo após o gol de empate de Adriano, o imponderável, representado pela figura do Sobrenatural de Almeida, sempre esbaforido, chegou às sociais.

E bastaram alguns segundos para que aprontasse das suas: quando viu Dodô cara a cara com o goleiro paulista, puxou o compasso de Ceni, que deixou a bola passar por entre as suas pernas. 2 a 1 Flu, que, como a Fênix, ressurgiu das cinzas num momento em que as coisas pareciam desandar. De maneira paradoxal, o Artilheiro dos Gols Bonitos talvez tenha feito o seu menos belo gol justamente no tento mais importante de sua carreira.

Sobrenatural de Almeida já tinha cumprido sua missão.

***

O Flu já está entre os quatro melhores da América, mas a sua classificação à semifinal da Libertadores foi muito valorizada pelo São Paulo, que foi um time valente nos dois jogos. Bravo e destemido, não foi à toa que conquistou as duas últimas edições do Campeonato Brasileiro, ainda que grande parte do elenco bicampeão já não integre mais o clube paulista. Teve ainda a virtude de não apelar pra catimba e faltas duras quando tinha a classificação nas mãos.

Dirigido pelo competente Muricy Ramalho, o São Paulo, por tudo isso, só engrandeceu o feito do Flu, portando-se como um digno campeão.

***

A destacada atuação do Flu no primeiro tempo e a exibição de gala do argentino Conca, que quase marcou um gol de placa ao encobrir Rogério Ceni, resgataram a confiança da torcida, que soube reconhecer o esforço e a garra do time, aplaudindo e apoiando-o incondicionalmente.

***

Ao chegar do Maracanã já na madrugada de quinta-feira, abri minha caixa de correspondência eletrônica e fui surpreendido com dezenas de e-mails de leitores de Norte a Sul do país. Entre cumprimentos e votos de sorte no restante da competição, absolutamente todos se diziam felizes com a vitória do Flu no jogaço contra o São Paulo.

O Fluminense agradece muito a todos que estiveram conosco nesta emocionante batalha do Maracanã, a Esparta Tricolor.

***

Pensei em encerrar a última coluna com um palpite para o jogo contra o São Paulo, mas, confesso, desta vez faltou coragem. Apesar disso, em roda de amigos de pelada, disse na noite de segunda que o Fluminense venceria por 3 a 1, seguindo o exemplo do Sport, que sofreu o gol de empate do Internacional, após abrir o marcador na Ilha do Retiro (vide coluna “O Sport como exemplo”, escrita após a derrota no Morumbi).

Já tem gente pedindo para eu dar os números do próximo sorteio da Sena.

***

“Epopéia Tricolor – A Conquista do Brasil e a Volta à América”, livro de minha autoria, prefaciado por Francisco Horta, segue à venda na sede do clube, que recebeu nova remessa. Se você não mora no Rio de Janeiro, encomende-o pelo site www.fluboutique.com.br

***

A emoção de Renato e de todo o time após a espetacular classificação é, até agora, a imagem do ano e de todos os corações tricolores.

O de Washington, encantado, que o diga.

__________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

A vida por um ideal

Seg, 19/05/08
por joao marcelo garcez |

oitenta-ideal.jpgDiante de guerrilheiros visivelmente poderosos, o exército do Flu jogará a sua vida nesta quarta, no Maracanã. A batalha, prevista para o horário das 21h50, apontará qual tropa reúne mais condições de seguir adiante na Taça Libertadores da América.

O lado de lá virá municiado de armas poderosas como o Tanque Adriano, autor do gol da vitória do time paulista no jogo de ida, no Morumbi. Já o exército de cá contará com a volta de Conca entre os titulares. O argentino terá, ao lado de Thiago Neves, a missão de municiar Washington e Dodô, que chega da Suíça horas antes do embate. O Artilheiro dos Gols Bonitos tem presença garantida, já que o resultado do julgamento por doping só sairá em três semanas.  

Fluminense x São Paulo, o jogo do ano. Tal qual o filme “300”, dirigido por Zack Snyder, o Tricolor terá que se espelhar no reino espartano, onde, com muita garra e união, sua população, liderada por um enxuto exército de 300 homens, enfrentou guerrilheiros persas que queriam dominar a região.  

Analogicamente, o Maraca é a Esparta do Flu. Aqui, é a nossa casa, é a nossa terra. Combatentes adversários não podem se criar numa terra em que há 58 anos conquistamos nossas glórias e idolatrias. Quando pisarem no campo minado de nosso reino, sentirão o peso de 88 mil vozes, que durante 90 minutos estarão empurrando o exército das Laranjeiras rumo às semifinais de uma competição que conduz seus adoradores de verde, grená e branco a um sonho estrelado.

A conquista máxima do futebol do planeta, o Mundial de Clubes.

Atacaaaaaaaaaaaaaar!!!

***

Autor dos dois gols que deram o título mundial ao Grêmio em 1983, Renato Gaúcho vem angariando a torcida do Tricolor do Rio Grande do Sul, que quer ver o Fluminense bater o São Paulo e levar a Libertadores.

Fernanda Freitas, natural de Porto Alegre, engrossa a torcida do Flu neste difícil confronto com time paulista. “João, o atual técnico do Flu deu ao Grêmio o mais importante título de nossa história. Torço por vocês contra o São Paulo. Aliás, todos os gremistas que conheço dizem que querem que o Fluminense siga em frente na Libertadores”.

A torcida do Flu agradece a torcida de nossos coirmãos gaúchos, Nanda! Estamos juntos neste duelo.

***

Torcedores do Flu que moram em Niterói reclamam dos minguados pontos de venda daquele município, que recebe carga ínfima de ingressos, mesmo diante da numerosa quantidade de tricolores na cidade. Alexandre Berwanger é um dos que lamentam o descaso. “João, numa época em que ações de marketing deveriam facilitar a aquisição de ingressos, ainda acontecem absurdos como esse”.

***

Ainda não comprou o seu? Então se ligue nessa: o Globoesporte.com está oferecendo dois ingressos de cadeira especial para Flu x São Paulo. Será contemplado o leitor que responder mais criativamente à seguinte pergunta: “Quem levará a melhor no duelo entre os tricolores carioca e paulista e por quê?”. Para participar, basta acessar http://promocoes.globo.com/Promocao/0,,GLP1702-7749,00.html Mas corra, porque a promoção só vai até segunda feira, 19 de maio.

Boa sorte!

***

Não foram poucos os e-mails que recebi de torcedores do Fluminense indignados com a violência a que foram submetidos pela polícia de São Paulo. Julianna de Sá, que esteve no Morumbi na noite da última quarta-feira, conta detalhes da brutalidade.

“João, para conter a torcida do Flu, que apenas cantava em frente ao Morumbi, sprays de pimenta foram lançados sobre ela sem a menor explicação. Quem revidou os xingamentos dos policiais apanhou junto de outros que nada tinham a ver com aquilo. Enquanto isso, torcedores do São Paulo passavam tranqüilos, arremessavam suas latinhas e seguiam para a entrada sem, muitas vezes, sequer serem advertidos verbalmente”.

Confusão na entrada, confusão na saída. “Um torcedor do Flu relatou que, ao descer a rampa, levou uma pancada de cacetete, como um procedimento natural de condução da torcida ao portão de saída. Ao questionar o policial por que teria apanhado, ouviu: “Quer levar outra, cara?”.

Que exemplo!

***

Com o slogan “Eu vivo por esta camisa”, a Adidas lança os novos uniformes do Fluminense. O vistoso grená (terceiro), entretanto, será mantido.

Que tragam sorte ao Flu no restante da temporada.

***

Fernando Henrique; Carlinhos, Sandro, Anderson e Dieguinho; Maurício, Romeu, David e Marinho; Allan e Léo Itaperuna. Foi com esta formação que o Flu foi a campo e saiu derrotado pelo Náutico por 2 a 0, no Maracanã. Wellington e Warley marcaram para o Timbu.

É bem verdade que Carlinhos perdeu pênalti quando o jogo ainda estava 0 a 0 e que o Flu teve outro não marcado logo no primeiro minuto, mas o que esperar de um time de garotos com 17 ou 18 anos diante de outro com jogadores experientes (apesar de bem modestos), como Warley, autor do segundo gol da equipe pernambucana?

Antes da partida, a exemplo do que já havia acontecido contra o Atlético-MG, a maioria considerou acertada a decisão de escalar a garotada. Agora, a derrota já foi consumada e o jeito e olhar adiante. A partir da terceira rodada, o Fluminense deveria rever esta medida e colocar três ou quatro titulares contra o Sport (isso, caso siga na Libertadores), que deverá escalar seus reservas no domingo, já que estará a três dias do jogo de volta das semifinais da Copa do Brasil. Pelo menos assim, o Flu terá alguma chance de recuperar os pontos que deixou escapar em casa.

Novo tropeço e o Flu poderá ficar a oito pontos do líder do Campeonato Brasileiro. E isso logo na terceira rodada.

Não dá pra bobear!

***

O projeto Blog dos Torcedores completou um ano esta semana. A você que ao longo desses 365 dias esteve comigo fazendo o dia-a-dia do Blog do Flu, o meu muito obrigado!

(crédito da tela desta coluna: Marco Gall).

***

Fora, FH!

___________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

O Sport como exemplo

Qui, 15/05/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

sp.jpg

O Fluminense deixou o Morumbi com ferimentos leves na noite de quarta. Diante do caldeirão que se tornou o estádio e da boa apresentação do time paulista (seguramente, a melhor do ano), o Tricolor, que sofreu forte pressão nos minutos iniciais, deixou o campo derrotado pela diferença mínima, e agora contará com a força de sua torcida para virar o confronto.

O fato de não ter marcado gols no campo adversário incomoda, mas não chega a ser algo decisivo. Se o Flu impuser seu melhor futebol e souber explorar a ajuda que receberá das arquibancadas, terá bola para sair vitorioso do confronto, mesmo que leve um gol dos paulistas aqui.

Como fez o Sport na Copa do Brasil. Depois de ser derrotado no Beira Rio por 1 a 0, bateu o Internacional por 3 a 1 na Ilha do Retiro. O time pernambucano chegou a tomar o gol de empate mas não se desesperou. Com calma e sabedoria, buscou o resultado que precisava, classificando-se às semifinais da competição. E olha que o Inter, do Abelão, é um time tão qualificado quanto o São Paulo.

***

Com medo de perder o meio-de-campo, Renato sacrificou um de seus apoiadores, uma decisão, a meu ver, acertada. Com Washington e Dodô, ainda carente de sua melhor forma, na frente, não dava mesmo para escalar o quarteto ofensivo do Flu, muito habilidoso, porém pouco combativo. Seria um convite para que o São Paulo dominasse o setor.

Mas se concordei com a opção tática do treinador, discordei da peça escolhida. Já há algumas partidas, Conca vem jogando muito mais bola que Thiago Neves, que como alguns outros jogadores do elenco, não vem rendendo o que pode. Temido até por Muricy Ramalho, que já chegou a pedir a contratação do meia argentino, Conca deveria jogar de saída no Morumbi.

***

Que leão foi Roger nesta partida. Imagino que o zagueiro tenha saído exausto de campo tamanha foi sua correria. Deu show de colocação e aplicação tática, salvando a pátria tricolor, ao atirar-se numa bola chutada por Dagoberto que tinha endereço certo, apenas três minutos depois do gol de Adriano. Se marcasse o segundo naquele momento, o Fluminense certamente se desestabilizaria por completo.

Gostei também do Arouca. Diferentemente de outras partidas em que pareceu esconder-se do jogo, desta vez o volante foi bastante atuante e melhorou a saída de bola do time. Sem a mesma habilidade do companheiro, Ygor também se desdobrou na marcação.

Os laterais, desta vez, pouco apareceram. Sabiamente, Muricy anulou os dois alas do Flu, pelos pés dos quais saem algumas das principais opções de ataque do Flu. Na frente, Washington e Dodô, salvo um lance ou outro, também pouco participaram da partida.

Entre os mais criativos, Cícero esteve bem. Marcou com eficiência e aventurou-se no ataque, arriscando chutes perigosos de longa distância. Já Thiago Neves, mais uma vez, jogou muito mal. Não tinha nenhuma razão para reclamar de sua substituição por Conca, que imprimiu outro ritmo ao time, quase marcando um golaço no fim, ao passar entre dois marcadores sãopaulinos, mas finalizando sobre o gol de Rogério Ceni.

***

E o nosso Fernando Henrique? Ah, esse aí fez força para que eu enfartasse logo no começo do jogo. Essa terrível mania que tem de espalmar bolas pra frente, sempre soube, um dia nos custaria muito caro. Ainda em minha última coluna, “Flu e o seu maior desafio”, escrevi: “Duvido que contra o São Paulo uma falha assim seja perdoada. Adriano entrará com bola, Fernando Henrique e tudo mais dentro do gol”. 

***

E teve até ensaio. Em lance semelhante pouquinho antes, Hernanes chutou fraco e FH soltou. A bola correu a pequena área, mas, felizmente, nenhum jogador do São Paulo estava lá pra concluir a jogada. A torcida do Flu sentiu calafrios na espinha. Como já havia sentido logo aos três minutos, quando Fernando Henrique deixou passar por entre suas pernas um chutaço de Adriano. Mas nosso goleiro tem sorte (pelo menos): a bola bateu em seu calcanhar direito e saiu pela linha de fundo. 

***

Custo a entender como um goleiro desses veste a camisa 1 do Fluminense, que, com ele em campo, já sai perdendo de 1 a 0. 

***

O Flu agora recebe o Náutico neste domingo, às 16h, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Renato, de novo, vai colocar os reservas em campo. Apesar disso, uma vitória agora é imprescindível, sobretudo pela modesta qualidade do adversário, sob risco de ficar pra trás na tabela.  

Não custa lembrar que o Brasileirão é a única competição que resta ao Flu na temporada. Terminada a Libertadores, é bom que o clube esteja, pelo menos, próximo dos líderes, para que tenha condições de brigar pelo titulo. 

***

Apesar do 1 a 0, valeu pela bravura Flu!

___________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Flu e o seu maior desafio

Seg, 12/05/08
por joao marcelo garcez |

fotorjflucopyjfedit6.jpg

Melhor time da primeira fase e classificado para as quartas-de-final da Taça Libertadores da América, o Fluminense terá que jogar muito se quiser avançar às semifinais da competição. À sua frente, o tarimbado São Paulo, tricampeão continental, que deve ser respeitado, mas não temido.

O time paulista contará com as voltas do lateral-direito Éder, do cabeça-de-área Hernanes e do atacante Adriano, perigosíssimo no jogo aéreo e em seus petardos a gol (alô, Fernando Henrique!). Além deles, Jorge Wagner, especialista em bolas paradas, estará em campo.

Apesar de contar com um elenco experiente, o São Paulo carece de jogadores de criação, coisa que o Flu, com os habilidosos Conca e Thiago Neves, tem de sobra. Desequilíbrio no meio-campo, equilíbrio no ataque: Adriano e Washington têm características parecidas (com vantagem, claro, para o Tanque). Em compensação, Dodô é superior ao companheiro de ataque do Imperador, Borges. Não custa também ter atenção com Dagoberto, que, aos poucos, vai reencontrando seu bom futebol.

Deixei a defesa para o final porque estaremos, mais uma vez, desfalcado do melhor zagueiro da posição na atualidade, Thiago Silva. Roger, nosso Anjo Negro, de novo irá substituí-lo para, com toda a sua liderança, arrumar a cozinha do Flu. Do lado de lá, Miranda e Alex Silva também mostram muita regularidade.

Júnior César é outro que tem sido muito elogiado pela imprensa de São Paulo. Gabriel, que já defendeu as cores do Tricolor Paulista, como Dodô, também quer mostrar serviço. A esperança é que deslanche contra o ex-clube.

O cenário está pronto. São Paulo x Fluminense, um jogão que vem sendo aguardado com muita expectativa. Adrenalina pura!

Mostra a sua cara, Flu!

***

A TV Globo transmite este choque dos gigantes tricolores na quarta-feira, a partir das 21h45. O árbitro colombiano Oscar Ruiz apita o clássico.

***

Com apenas um titular em campo (FH), o Flu foi a Belo Horizonte, encarou de igual pra igual o time A do Atlético-MG, desfalcado apenas de Marques e Danilinho, e arrancou um excelente empate no Mineirão, certo? Errado.

Apesar da disposição exibida, se o Fluminense, que entrou em campo com uma mescla do time campeão estadual de juniores com alguns dos reservas do elenco profissional, tivesse um pouquinho mais de capricho e ambição, poderia sair do Mineirão comemorando uma vitória logo em sua estréia no Campeonato Brasileiro.

Principalmente pela defesa do time mineiro, formada por Marcos e Vinícius, que se mostrou confusa e atabalhoada, doida pra entregar o ouro. Além disso, com a torcida do Galo impaciente com o goleiro Juninho, a quem chamou de frangueiro, e, principalmente, com o técnico Geninho (não deverá ter vida longa no clube), criou-se um clima hostil no estádio, amplamente favorável ao time visitante.

***

Pode chamar de implicância, perseguição ou seja lá o que for, mas Fernando Henrique, mais uma vez, quase pôs tudo a perder. Numa esticada para o atacante Castillo, a bola chegou tranqüila a FH, que, entretanto, para valorizar a defesa, preferiu se atirar. A bola bateu em seus joelhos e sobrou livre na entrada da área. A sorte do goleiro é que a arbitragem já havia invalidado o lance.

No segundo tempo, outra falha em jogada muito parecida com a que resultou no gol de Jean, do Vasco, na semifinal da Taça Rio: o jogador adversário chegou à linha de fundo e rolou, fraquinho, pra trás: mais uma vez, FH “ajeitou com carinho” pra quem viesse de frente. Pra sorte do Flu (e dele, principalmente) a zaga rechaçou.

Temo muito que erros crônicos como estes ainda nos custem um campeonato. Duvido que contra o São Paulo uma falha assim seja perdoada. Adriano entrará com bola, Fernando Henrique e tudo mais dentro do gol.

Que quarta-feira, no Morumbi, Castilho (o autêntico) encarne nosso camisa 1, tão carente de segurança e regularidade.

***

Treze minutos de jogo: Alan aproveita falha do goleiro Juninho e marca para o Fluminense. O árbitro Wallace Nascimento Valente, inexplicavelmente, anula o gol (vendo e revendo o lance inúmeras vezes, até agora não enxerguei qualquer infração).

Dezesseis minutos: Castillo recebe em completo impedimento e a arbitragem manda seguir a jogada. Por um triz, o boliviano não abre o marcador a favor do Galo.

É… Começou o Campeonato Brasileiro.

***

Ao bater o Internacional-RS, o Fluminense conquistou a seletiva brasileira da Copa Nike (Sub-15) e, agora, irá representar o país no Mundial da categoria.

A base do Flu, verdadeiro rolo compressor na arte de ganhar troféus, nos enche de orgulho a cada título.

***  

“Ser Fluminense é descobrir o melhor de cada um, para reparti-lo com os demais e saber, a cada dia, amanhecer melhor, feliz pelo milagre da vida, como prodígio de compreensão e trabalho, para construir o mundo de todos e de cada um, mundo no qual tremulará a bandeira tricolor”.

Ao lado de outros ilustres torcedores do Flu, como Mário Lago e Nelson Rodrigues, está Artur da Távola, que chega ao Céu, agora um pouquinho mais tricolor

 .***

O Flu é o Rio na Libertadores.

___________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Anjo negro garante Flu nas quartas

Qua, 07/05/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

roger.jpg

Aos 33 anos, idade de Cristo, Roger vai fazendo história com a camisa do Fluminense, com a qual completou a marca de 100 jogos na última terça-feira. Sua extrema dedicação foi mais uma vez recompensada: ao marcar de cabeça o gol da vitória tricolor contra o Atlético Nacional (COL), o zagueiro levou o clube a uma inédita fase de quartas-de-final da Taça Libertadores da América.

Seu décimo gol pelo Flu (excelente marca para um jogador com características defensivas) aconteceu exatamente 11 meses depois do que marcou em Florianópolis, na decisão da Copa do Brasil, quando também substituiu um dos titulares (Luiz Alberto). Em ambas as ocasiões, o time venceu pelo placar mínimo e Roger saiu de campo como a maior figura da partida.

O predestinado Roger parece sempre cair dos céus para tirar o Flu do sufoco, conduzindo-o às glórias.

***

Após o jogo, com muita serenidade e altivez, Roger foi o primeiro a reconhecer que o time teve uma atuação muito ruim (principalmente, no primeiro tempo). Apesar disso, o jogador explicou que em Libertadores nem sempre é possível se fazer atuações vistosas ao torcedor.

“Lutamos para obter o primeiro lugar geral por sabermos da importância de jogar a segunda partida perto do nosso torcedor. Agora que a competição está se afunilando, só restaram as equipes mais qualificadas, e nem sempre daremos espetáculo. O importante é passar à fase seguinte e se credenciar como um candidato ao título”, disse Roger, que fez um apelo. “Gostaria de pedir ao torcedor que nos incentive sempre. Empenho e doação garanto que não vão faltar. Queremos a torcida do nosso lado”.

***

O pedido de Roger (melhor em campo, ao lado de Conca) se deu porque em diversos momentos da partida contra o Atlético Nacional a torcida apupou o time, que jogava mal e errava passes em demasia, possibilitando lances de perigo da equipe colombiana. Foi duro ver as atuações de Gabriel, Cícero, Thiago Neves, Washington e Dodô, todos jogando muito abaixo do que podem render (com desconto para Dodô, claro, parado há dois meses).

Talvez esteja aí a explicação para as seguidas más apresentações do Fluminense. Com tantos jogadores (quase meio time) atravessando fases adversas, fica mesmo difícil o time jogar bem.

Mas se não dá pra tocar todo mundo, Renato poderia pelo menos tentar Carlinhos na lateral-direita. Seu ponto forte é, da linha de fundo, o centro pra grande área, jogada que pega a zaga adversária no contrapé e privilegia os homens que vem de frente, principalmente Washington, exímio cabeceador, que nos últimos jogos pouco foi visto finalizando desta maneira.

***

Depois de terminar a fase de grupos com a melhor campanha entre os 32 clubes da Libertadores, o Flu foi agora o primeiro clube a se garantir na fase de quartas-de-final.

De primeiro em primeiro, a galinha enche o papo…

***

Esta história do Flamengo dizer que ultrapassou o Fluminense em títulos estaduais beira o ridículo. Lembra até aquele episódio em que Vampeta deitou e rolou pra cima do clube rubro-negro. “Eles fingiam que me pagavam, e eu fingia que jogava”.

Desta vez não é diferente: eles fingem que são o Rei do Rio, e a gente finge que acredita.

***

Duas observações rápidas: um dos títulos conquistados pelo Flamengo em 1979, foi municipal, e não estadual. Para ilustrar, podemos citar a realização da Taça Cidade Maravilhosa em 1996, integrada somente por clubes da capital e vencida pelo Botafogo, que não teve a competição computada entre seus títulos estaduais.

É a Flapress a todo vapor.

***

O título do Campeonato Estadual de 2002, conquistado pelo Flu em campo, será em breve reconhecido pela Justiça. O departamento jurídico do clube quer acabar logo com o disse-me-disse e já arregaçou as mangas para agilizar a oficialização.

***

A recusa da entrega da taça (que estava no Maracanã) à garotada dos juniores do Fluminense é gravíssima e injustificável. A FERJ deveria vir a público explicar o papelão e o Flu, lesado, cobrar seus direitos.

O troféu foi entregue na festa de premiação do Estadual, é verdade, mas isso em nada apaga o absurdo acontecido no último domingo.

Bota a boca no trombone, diretoria!

***  

Na última coluna, “Tropa tricolor em ação”, escrevi que a missão de Roger seria entrar em campo pela 100ª vez com a camisa tricolor, classificar o time e fazer a festa junto à massa pó-de-arroz.

De dar inveja ao Gravatinha, hein? 

__________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Tropa tricolor em ação

Dom, 04/05/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

tropawebdeelitetela.jpg

Mobilizada para a conquista inédita da Taça Libertadores da América, a torcida do Fluminense vem, dia a dia, dando mostras de que, no que depender dela, o título continental irá mesmo parar nas Laranjeiras.

A movimentação da galera tricolor para o jogo de volta das oitavas-de-final, contra o Atlético Nacional, começou antes mesmo de o time viajar à Colômbia, onde, apesar dos pecados cometidos, colheu uma vitória importante. Prova disso é o cartaz produzido pelo tricolor Eric Costa, publicado pelo Globoesporte.com. Nele, os torcedores são convocados para uma nobre missão: invadir o Maracanã nesta terça-feira, às 18h30, e apoiar incondicionalmente o time durante os 90 minutos.

Mas se fora de campo a missão vem sendo cumprida à risca, dentro, o time vem rateando e fazendo apresentações pouco convincentes. Atentos e perspicazes, os leitores do Blog do Flu, há dias, vêm apontando os pontos falhos do time, que desde a vitória de 2 a 1 sobre o Vasco não faz uma grande partida.

Que o comandante Renato Gaúcho escale bem a sua tropa (de preferência, sem Ygor) e que o nosso camisa 10, Thiago Neves, volte a ser o jogador decisivo de outrora.

O soldado de ponta Thiago Silva, como sabido, está fora de combate e pára por um mês. Em seu lugar, entra Roger, exemplar como o substituído. Sua missão? Entrar em campo pela 100ª vez com a camisa tricolor, classificar o time e fazer a festa junto à massa pó-de-arroz.

Fluminense campeão? Sempre “serão”!

***

Sempre mesmo. Na base da superação e da força de vontade, a garotada do Flu, diante de um mar de flamenguistas que lotou o Maracanã para a decisão dos profissionais contra o Botafogo, fez bonito e conquistou o Campeonato Estadual de Juniores. De quebra, impediu que o Rubro-Negro conquistasse o tetracampeonato estadual da categoria e se aproximasse de um feito tricolor: o pentacampeonato, obtido nos anos 50.

Numa final decidida em dois jogos, o Flu, que sempre saiu atrás, teve força para buscar o resultado nas duas ocasiões: na primeira partida, virou para 3 a 2 depois de sair perdendo por 2 a 0; no último domingo, quando o empate era suficiente, levou novamente dois gols mas não se desesperou: com tranqüilidade, buscou o resultado, empatando o jogo a sete minutos do fim pelos pés de Alan.

Era o gol do título estadual do clube que prima por glórias e vitórias mil.

***

Decidir o campeonato diante da torcida do Flamengo não chegou a ser uma novidade para os juniores do Flu: em 2002, ano do centenário tricolor, a dupla Fla-Flu mais uma vez chegou à final da competição. Só que, ao contrário da edição deste ano, os jogos foram disputados, respectivamente, nas Laranjeiras e Gávea.

Jogando melhor, o Rubro-Negro arrancou um empate em 1 a 1 no reduto tricolor. A convincente atuação do Fla deixou time e comissão técnica esperançosos na conquista do título. Jogando em casa e diante de sua inflamada torcida, que apesar da partida ter sido realizada na tarde de uma segunda-feira lotou as dependências da Gávea, o Fla saiu na frente e pôs uma mão na taça.

Mas o Fluminense, então dirigido por Gilson Gênio, tirou forças do além e ignorou o caldeirão que havia se tornado o estádio. Com gols de Marcelo e Carlos Alberto (ele mesmo), virou a decisão e deu a volta olímpica na casa do adversário.

O sonho rubro-negro de impedir o título estadual do Flu no ano do seu centenário havia virado pó-de-arroz.

***

À época repórter do Jornal dos Sports, fui com o companheiro de redação Rafael Nicolay, rubro-negro roxo, cobrir a finalíssima. Ainda no carro de reportagem do JS, fizemos uma aposta: quem vencesse escreveria a crônica do título.

Naquele dia, ao sair da Gávea, Nicolay nem voltou mais ao jornal. Foi pra casa com a cabeça mais inchada do que a do Renato Aragão.

***

A diretoria do Fluminense anunciou que contratará um novo goleiro para o Campeonato Brasileiro, que começa neste sábado. O arqueiro virá para disputar posição com Fernando Henrique. Peraí: “disputar posição”?

Ah, então é melhor nem vir!

***

Gostou da tela da coluna? Mais uma do cracaço Marco Gall.

***

Missão dada é missão cumprida.

Pega um, pega geral, Fluzão!

____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Vitória e desperdício

Sex, 02/05/08
por joao marcelo garcez |
categoria Libertadores

medellin.jpg

A vitória do Fluminense em Medellín (COL) sobre o Atlético Nacional, num primeiro momento, pode ser vista como excelente, principalmente se levarmos em conta que o jogo foi em território adversário e que o clube nunca havia disputado uma partida eliminatória da Taça Libertadores da América.

Isso num primeiro momento, porque já no segundo seguinte a este primeiro momento o sentimento predominante foi de frustração pelo fato do Fluminense não ter decidido de vez um confronto que se mostrou favorável ao time carioca desde o começo, principalmente depois da expulsão do goleiro Ospina, do Nacional, que ficou com dez homens em campo desde os 18 minutos do primeiro tempo.

Thiago Neves cobrou bem o pênalti sofrido por Júnior César, após ótima jogada feita pelo próprio lateral. Em vantagem no placar, o time, preguiçoso, passou a tocar bola, em vez de explorar o desespero da equipe dirigida por Oscar Quintabani. A falta de ousadia angustiou a torcida tricolor, que logo percebeu que o bicampeão colombiano pouco ameaçaria o Flu.

O desleixo do Fluminense custou caro ao time dirigido por Renato no começo do segundo tempo: depois de Washington escorar de cabeça para o meio da grande área um escanteio cobrado no primeiro pau, Arrué empatou o jogo, fuzilando o gol de Fernando Henrique, que, pra variar, não transmitiu nenhuma confiança, quase engolindo um frango que entraria para a história do Estádio Atanásio Girardot. Aliás, não é de hoje que alerto sobre a possibilidade do Flu perder um título ou uma classificação pelas deficiências gritantes de nosso camisa 1, como ocorrido na semifinal da Taça Guanabara, quando falhou bisonhamente no lance do primeiro gol do Botafogo.

A seca de Washington também já começa a incomodar. Gosto do jogador e o considero importante para o time, mas, especificamente neste jogo em Medellín, o atacante interferiu decisivamente no resultado: primeiro ao não marcar numa chance de gol claríssima, após falha incrível de Barahona, que não percebeu a proximidade de Washington e largou a bola; depois, ao entregar de bandeja o empate ao Nacional.

O gol de Conca, o segundo do Flu, aconteceu num momento em que o time, covardemente, parecia conformado com o empate. A substituição de Renato Gaúcho, que tirou ThiagoNeves para a entrada de Maurício, beirou o absurdo. Se não vencesse a partida, Renato seria duramente criticado pela drástica alteração.

***

O Flu pode ter desperdiçado a chance de garantir antecipadamente seu passaporte às quartas-de-final da Libertadores, mas ainda assim o time está com a faca e o queijo na mão para obter a classificação. Fluminense e Atlético Nacional voltam a campo nesta terça-feira, às 18h30, horário absolutamente desrespeitoso aos torcedores por todos os motivos aqui já levantados.

***

Animada com a bela campanha do time na Libertadores, a galera já se mobiliza para dar aquela força no jogo da volta contra o Nacional. Vídeo de arrepiar postado no YouTube convoca a galera para o jogão.  http://br.youtube.com/watch?v=CcVCFmd4q4c&eurl=http://www 

***

Com Thiago Neves burocrático em campo, coube a Conca a missão de criar as principais jogadas de ataque tricolor. E o meia não decepcionou: fez boas jogadas individuais e, de quebra, marcou o bonito gol da vitória tricolor.

À imprensa colombiana, Conca atribuiu sua boa fase ao bom ambiente que encontrou no clube. “Fico muito contente com a forma que Renato me trata. Ele tem muita confiança em mim, o que faz com que meu futebol apareça cada vez mais”, disse Conca, que também agradeceu a torcida: “Os torcedores do Fluminense têm me tratado muito bem. Estou feliz por isso”. E foi mais um a convocar para o jogo da volta: “Precisamos dele terça-feira no Maracanã. A partida será decisiva pra nós e o apoio da torcida, fundamental”.

***

Que alegria ver Dodô de volta! O Artilheiro dos Gols Bonitos, de volta aos gramados após dois meses de longa inatividade, se movimentou bem e quase marcou logo no seu primeiro toque: a bola sobrou para o atacante, que chutou forte. Tirou tinta da trave.

***

A nota triste da partida foi o estiramento muscular do zagueirão Thiago Silva. Mas feliz é o Fluminense, que tem Roger em seu banco, prontinho pra dar conta do recado.

***

O Campeonato Brasileiro ainda nem começou e a tabela já sofre com alterações: o jogo de estréia do Fluminense contra o Atlético-MG será domingo, dia 11 de maio, e não mais na véspera, como originalmente programado. A medida foi tomada porque o Galo enfrenta o Botafogo pela Copa do Brasil na quinta-feira anterior à primeira rodada do Brasileirão.

***

Domingo tem Fla-Flu no Maraca, na preliminar de Flamengo x Botafogo. O Estadual de Juniores, assim, termina num jogo em que apenas uma das torcidas envolvidas na grande final pode fazer a festa em caso de conquista.

Dá-lhe FERJ!

____________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br


Formulário de Busca


2000-2008 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade