Em entrevista à imprensa, o técnico do Fluminense, Renato Gaúcho, disse estar vivendo um momento especial em sua carreira. Amadurecido, sente-se gratificado por ter conquistado pelo Tricolor seu primeiro título como treinador, a Copa do Brasil-2007.
O terceiro triunfo nacional do Fluminense tem importância histórica para o clube, que não se classificava para a Taça Libertadores da América desde 1984, quando foi campeão brasileiro. Ciente disso, Renato se sente feliz e aliviado por ter ajudado o Flu a colocar um ponto final no longo jejum.
Esta seca, porém, poderia não ter acontecido. Por diversas vezes, o Fluminense esteve a apenas um jogo de voltar à principal competição do nosso continente, ocasiões em que poderia mudar o curso da história e não o fez (nem sempre por sua culpa, como veremos).
Fanfarrão como só ele, Renato Gaúcho, referindo-se a estas sucessivas bolas na trave, fez valer o rótulo de salvador da pátria e soltou a seguinte pérola. Com a conquista da Copa do Brasil, tirei a trave e coloquei a rede no caminho do Flu.
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No resumo histórico que apresento a seguir, vocês entenderão por que o atual elenco do Flu é um dos mais importantes entre todos já formados no clube, embora esteja muito longe de ser o melhor. Em tempo: pelo carinho que tenho pela casa, cedi em 2006 parte deste texto ao então editor do Jornal dos Sports, Roberto Sander, que publicou o artigo em 10 de agosto daquele ano.
Desde 1985, ano em que disputou pela última vez a Taça Libertadores da América, o Fluminense desperdiçou nada menos que nove oportunidades claríssimas de integrá-la novamente.
Em 1988, quando ainda não existia a Copa do Brasil, competição fundada somente no ano seguinte, o campeão e o vice do Campeonato Brasileiro qualificavam-se à disputa da Libertadores. O Flu, porém, terminou em 3º lugar, ao perder para o Bahia na fase semifinal, mesmo depois de ter saído na frente em Salvador (gol de Washington): 0 x 0 e 2 x 1.
Em 1991, o Flu desperdiçou outra chance de ouro de voltar a decidir um Brasileirão, ao enfrentar o modesto Bragantino, então dirigido por Carlos Alberto Parreira, em nova semifinal da competição. Diante de um Maracanã lotado, o Tricolor decepcionou a sua torcida, jogando sem alma e sendo derrotado por 1 a 0, com um gol de Franklin, um ex-jogador do clube. Que ironia!
No ano seguinte, o Flu, enfim, voltaria a decidir um título nacional, a Copa do Brasil. Desta vez, no entanto, foi o apito quem quis que o Flu não levantasse a taça: após vencer o Internacional-RS por 2 a 1 no acanhado Estádio das Laranjeiras (à época, o Maracanã estava interditado), o Fluminense viu o título escorrer por entre os dedos no Beira Rio, onde o árbitro paulista José Aparecido de Oliveira inventou um pênalti a favor do time da casa a três minutos do fim da partida (após o jogo, o próprio jogador que sofrera a infração, Caíco, admitiu ter cavado a penalidade).
Não tardou para o Tricolor voltar a uma semifinal de Brasileiro: em 1995, o Flu jogou pela latrina uma das chances mais cristalinas de fazer uma final carioca contra o Botafogo. Liderado em campo por Renato Gaúcho, o time goleou o Santos no Maracanã por 4 a 1 e, de maneira incrível e decepcionante, saiu derrotado por 5 a 2 no Pacaembu. Curiosamente, foi o único revés por mais de dois gols de diferença em toda aquela temporada.
Após amargar três rebaixamentos sucessivos, o Flu voltaria a uma semifinal de Brasileirão somente em 2001. O regulamento da competição naquele ano determinava que, a partir daquela etapa, o time de melhor campanha na primeira fase teria o mando de campo em partida única. O Tricolor, que havia ficado em 3º, foi obrigado então a decidir a sua vida na Arena da Baixada contra o Atlético-PR (2º). Nova tarde fatídica: um escorregão do zagueiro André Luís aos 43 minutos do segundo tempo selou a sorte tricolor na competição: Atlético-PR 3 a 2.
O clube, porém, teve a chance de se redimir no ano seguinte, quando comemorou o seu centenário. Desta vez, o adversário da fase semifinal era o Corinthians, coincidentemente também dirigido por Parreira. Sob um calor de 40º, o Flu até venceu a primeira partida no Maracanã: 1 a 0 (gol de Romário, após passe de calcanhar de Roni). No Pacaembu, porém, problemas de contusão cruzaram o caminho do time, que perdeu o atacante Romário e o goleiro Kléber ainda no primeiro tempo. O Tricolor, que até saiu na frente, sofreu a virada e foi derrotado por 3 a 2. Nota: quando vencia por 1 a 0, Magno Alves partia livre para marcar o segundo, mas um erro de arbitragem, que marcou impedimento, interrompeu a seqüência do lance.
Em 2005, porém, o Fluminense vacilou como nunca, conseguindo deixar a Libertadores escapar em seis ocasiões: primeiro, ao perder o título da Copa do Brasil para o poderoso Paulista, clube da Segunda Divisão do nosso futebol; e depois, ao não somar um único ponto nos cinco últimos jogos do Campeonato Brasileiro, quando bastava vencer apenas um deles para se classificar à almejada competição continental.
A última cruzilhada antes da glória alcançada somente em 2007 aconteceu no ano passado, quando, com um elenco superior ao do Vasco, deixou escapar a vaga para a grande decisão da Copa do Brasil.
Sob um olhar mais crítico, pode-se dizer que o clube se acostumou a morrer na praia. Se observarmos por outra ótica, porém, perceberemos que o Tricolor vem permanentemente fazendo valer sua condição de potência do futebol brasileiro, através de sucessivas e constantes chegadas entre os primeiros colocados de nossos campeonatos nacionais, dos quais já venceu três (Taça de Prata, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil).
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De Natal, recebo e-mail do internauta Nivaldo Araújo. O tricolor natalense conta estar preocupado com a sorte do Flu para o confronto com o América-RN neste sábado, às 18h10, no Maracanã. Segundo ele, apesar de ocupar a lanterna do Brasileirão, o time potiguar não anda jogando mal e pode surpreender. Fala, Nivaldo!
João, ao contrário do que muitos pensam, o América-RN não é um peixe morto. É preciso muita atenção nos contra-ataques do time de Natal, que conta com as arrancadas do veloz Paulo Isidoro. É bom ter cuidado também com as jogadas articuladas por Souza, principalmente nos cruzamentos. O Santos sofreu com eles, levando três gols parecidos. Uma dica: Souza não tem bom condicionamento físico e pode ser facilmente anulado se bem marcado.
Outra solução é o Flu jogar trocando passes na entrada da área do América-RN e atacando pelas laterais, situações que sempre confundem a defesa americana, que é fraca nesses aspectos.
É imprescindível que o Flu atue respeitando sempre o adversário, sob risco de ser surpreendido por times teoricamente mais fracos, como o próprio América.
Pelo sim, pelo não, é bom Renato e sua trupe ficarem de olhos bem abertos.
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A galera pediu e ele está de volta. Após passar alguns dias se recondicionando fisicamente, Gabriel deverá estar à disposição de Renato para o jogo deste sábado. O lateral, entretanto, deverá começar a partida no banco, sendo lançado apenas no segundo tempo.
Gabishow neles!
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