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Promessa de um artilheiro

Qui, 31/05/07
por joao marcelo garcez |
categoria Sem Categoria


“Vamos ser campeões lá dentro”, sentenciou o atacante Adriano Magrão, autor do gol de empate do Fluminense no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Com esta declaração, o jogador, que balançou as redes nas últimas quatro partidas da competição, mostrou à torcida com que espírito o time vai a campo na próxima quarta-feira, em Florianópolis (SC).

E, quer saber, temos razões de sobra para acreditarmos piamente que desta vez a taça não vai escapar das Laranjeiras. Afinal, as melhores exibições do time aconteceram fora de seus domínios, onde chegou invicto a esta finalíssima.

Achou ruim o 1 a 1? Aposto que você não queria estar na pele do Santos, que simultaneamente enfrentava o Grêmio pelas semifinais da Libertadores, no Estádio Olímpico, onde foi derrotado por 2 a 0. Ao Peixe, três gols são necessários; ao Flu, mísero um. Será algo tão difícil para um time que marcou fora de casa em todos os jogos?

E se você ainda está achando amargo este placar, o que dirá de um 2 a 2? Pois foi exatamente este o resultado do jogo de ida de Fluminense e Ceará pelas semifinais da Copa do Brasil-2005, em São Januário. O fim dessa história você já sabe: o Tricolor entrou no Castelão soltando fumaça pelas narinas e atropelou o time nordestino por 4 a 1, fazendo 2 a 0 logo nos minutos iniciais, o que praticamente selou a classificação à decisão.

E sigo firme neste propósito: tomou um aqui? Pois que faça um gol lá. Ou dois, se preferir, o que obrigaria o Figueirense a fazer três.

Mas se depois disso tudo, você insiste em continuar desconfiado, sugiro, por fim, que dê uma olhada no semblante do Gravatinha, que, desde o jogo de Brasília, quando profetizou o desfecho do campeonato, está numa tranqüilidade só (vide crônica “A profecia tricolor”).

A serenidade de quem acredita num clube tantas vezes campeão.

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Não vou entrar no mérito se ouve ou não falha de Fernando Henrique no lance em que o Figueirense abriu o placar. Mas vai gostar de tomar gol de longe assim…

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Ainda sobre o jogo: o gol que Ivan perdeu com menos de um minuto é inadmissível para um jogador profissional; Carlinhos voltou a atuar bem; Carlos Alberto, muito marcado, foi peça nula em campo; e Roger, que entrou no lugar de Luis Alberto, não pode ser reserva nesse time.

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Imagine a seguinte situação: atendendo a compromissos profissionais em sua empresa, um torcedor apaixonado não consegue sair do trabalho a tempo de assistir ao seu time de coração decidir um título nacional num dos maiores estádios do mundo. Rola a bola e, resignado, opta por sofrer, transferindo toda a sua angústia e desolação para as ondas do rádio.

Quando finalmente é liberado de seu ofício lá pelas tantas da segunda etapa, em vez de ir pra casa, ouve seu coração, que aflitivamente o convocava para apoiar o amor de sua vida, que passava por dificuldades na batalha campal. Aos 26 minutos do segundo tempo, na esperança de trazer sorte ao time e ver o suposto gol da vitória, finalmente chega ao estádio. Não demora para o então placar em branco variar. Mas não favoravelmente ao seu clube. De pé, este heróico torcedor se mantém firme, acreditando piamente no gol do empate, que só saiu no penúltimo minuto regulamentar. Tempestade de alegria e final quase feliz nesta trama que de fictícia não tem rigorosamente nada.

Pois aconteceu comigo, nesta que foi, sem dúvida, a maior provação de toda a minha carreira profissional.

O Fluminense me domina.

Renato 1 x 0 Mário Sérgio

Seg, 28/05/07
por joao marcelo garcez |
categoria Sem Categoria

De todas as editorias de esportes que li ao longo da última semana, nenhuma citou que os técnicos Renato Gaúcho e Mário Sérgio já travaram acirrado duelo também por uma fase eliminatória de uma grande competição. Aconteceu em 2002, quando Fluminense e São Caetano se enfrentaram pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. E Renato acabou levando a melhor, depois de vencer por 3 a 0 no Maracanã, e perder por apenas 2 no Anacleto Campanela. Na ocasião, o técnico do Azulão havia dito que o Fluminense era um time medíocre. De bate-pronto, Renato Gaúcho respondeu que o “time medíocre” disputaria as semifinais, e que o São Caetano assistiria aos jogos apenas pela TV.

E agora? Será que o Renatão leva a melhor de novo nesta finalíssima de Copa do Brasil? Os tricolores cruzam os dedos e torcem para que sim.

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Com todos os jogadores de linha reservas, pela terceira rodada do Brasileirão-2007, o Fluminense venceu o campeão do mundo por 3 a 0 no Maracanã, em partida que serviu de aperitivo para o primeiro jogo da grande final de quarta-feira, também no Estádio Mário Filho.

Destaques para o lateral-esquerdo Ivan, que talvez tenha feito sua melhor partida com a camisa tricolor; para o zagueiro Roger, principalmente pela jogada do terceiro gol, em que arrancou de maneira fulminante do campo de defesa até a linha de fundo, de onde cruzou para Rodrigo Tiuí, livre, marcar; e para o meia David, que produziu muito e deu uma linda esticada para o gol de Rafael.

A torcida tricolor, em reconhecimento ao esforço do time, que correu e lutou bastante, passou a gritar, um a um, o nome de todos os seus jogadores em campo. E o Internacional, que já havia perdido pelo mesmo placar para um time de suplentes do Flu, em 2005, assistiu passivamente ao domínio tricolor.

Tá ficando bonito, Fluzão!

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Nesta quarta-feira, mais do que nunca, vivos sairão de suas casas; e os mortos, de suas tumbas. Juntos, farão uma festa daquelas nas arquibancadas, empurrando o time para mais este caneco nacional.

Às 21h45, as cortinas do espetáculo se abrirão para o Maior Espetáculo da Terra.

A profecia tricolor

Qui, 24/05/07
por joao marcelo garcez |
categoria Sem Categoria


Pode comemorar, tricolor! O Fluminense está na final da Copa do Brasil, a terceira em 16 anos. Regido pela belíssima torcida pó-de-arroz, que fez uma linda festa na Boca do Jacaré, o time conquistou a mais importante classificação do clube nos últimos dois anos. Mas essa história começou muito antes do apito final de Paulo César de Oliveira.

Ato 1: As imagens de uma descontraída delegação do Fluminense no embarque a Brasília, publicadas em um jornal do Rio de Janeiro, já denunciavam que o final feliz era apenas uma questão de tempo. Thiago Silva, nosso zagueiro-líder, transbordava serenidade. Seu rosto trazia a certeza do triunfo. O atacante Adriano Magrão, um predestinado, sorria, com a íntima convicção de que novamente seria um dos heróis da classificação. E foi nesse alto-astral, cercado de energias positivas, que jogadores e comissão técnica chegaram à capital federal;

Ato 2: Cerca de uma hora antes do jogo, Gravatinha, o famoso personagem de Nélson Rodrigues que intitula esta coluna, baixa do além e chega ao estádio. Não quis saber de sociais, misturando-se à numerosa torcida tricolor, que já fazia festa em Taguatinga. E como, sabidamente, Gravatinha só comparece a jogos em dias de vitórias do Fluminense, todos que o cercavam vibraram como um gol com sua chegada;

Ato 3: Começa a partida e Allan Delon coloca o Brasiliense na frente. Desconfiados, tricolores passam a olhar de canto para Gravatinha, temendo pela “validade” do personagem. “Será que, após a passagem de seu criador, Gravatinha não é mais o mesmo?”, chegaram a pensar alguns mais ressabiados. Gravatinha, imóvel, apenas sorria;

Ato 4: Eis que, em meados da primeira etapa, o moribundo Sobrenatural de Almeida, esbaforido, também aparece na Boca do Jacaré. Como este outro personagem do dramaturgo nunca foi muito chegado a ajudar o Tricolor, a torcida se calou de vez, temendo pela desclassificação do time da tão sonhada decisão nacional;

Ato 5: Para nossa sorte, porém, o Sobrenatural de Almeida não queria nada com o Flu. Sua bronca era com o time de amarelo: as duas bolas na trave de Fernando Henrique e a expulsão de Carlos Alberto, do Brasiliense, que atuou durante todo o segundo tempo com um homem a menos, justificam a aparição do Imponderável no estádio;

Ato 6: Enquanto isso, de pé, Gravatinha aplaudia a exibição de gala de Arouca, o melhor do time, as defesas de Fernando Henrique (tem de mostrar mais regularidade, repetindo boas atuações como esta) e, claro, o gol de Adriano Magrão, a aposta de Renato Gaúcho, que, admitamos, acertou;

Ato 7: Ovacionados, os jogadores deixam o campo comemorando a classificação junto à eufórica torcida. A esta altura, Sobrenatural de Almeida, que já havia aprontado o bastante, não mais se encontrava por lá. O técnico do Fluminense, Renato Gaúcho, que fez questão de abraçar um a um todos os seus bravos guerreiros, sentiu um calafrio ao olhar para as arquibancadas e dar de cara com Gravatinha, que, quase sumindo, ainda teve tempo de lhe dizer algumas palavras. “Renato, você é um ídolo dessa torcida, e sei que não a decepcionará. Por isso, ouça bem o que vou falar, pois ainda não fui comunicado de quando poderei estar aqui novamente: os outros dois títulos nacionais de nossa gloriosa história foram conquistados sobre clubes de cores preta e branca (Atlético-MG, em 1970; e Vasco, em 1984). Você por acaso sabe quais são as cores do uniforme do Figueirense?”.

E antes que Renato refletisse, Gravatinha sumiu, deixando o técnico tricolor hesitante sobre aquela suposta predição.

A profecia tricolor.

A hora e a vez do Fluminense

Seg, 21/05/07
por joao marcelo garcez |
categoria Sem Categoria

Ávida pela conquista do seu terceiro título nacional, a torcida tricolor espera que na próxima quarta-feira o Fluminense volte de Brasília classificado para mais uma decisão de Copa do Brasil. O sonho tricolor de disputar nova edição da Taça Libertadores da América não pode mais tardar. Afinal, são inúmeras as vezes em que o Flu “bateu na trave” para voltar à competição mais importante do nosso continente.

Fosse como hoje, quando os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro credenciam-se à disputa da Libertadores, o Fluminense já teria integrado nove vezes a competição sul-americana. Tradicionalmente um clube de chegada, o Tricolor terminou o Brasileirão entre essas posições em 1975, 76, 88, 91, 95, 01 e 02, além de nos anos de 70 e 84, quando conquistou os dois títulos nacionais de sua história (Taça de Prata e Campeonato Brasileiro). O Flu ficou pela bola sete também em 1992 e 2005, quando decidiu a Copa do Brasil, que também dá ao seu campeão uma vaga na Libertadores.

Por tudo isso, neste momento em que estamos a um passo de mais uma final, milhões de tricolores em todo o país esperam ansiosamente pela glória. Acreditamos que já é chegada a hora do clube voltar a triunfar em nível nacional. E a conquista da Copa do Brasil viria a calhar neste resgate de nossa dignidade, do orgulho de torcer por um dos clubes mais vitoriosos do país.

Acreditem, tricolores! A hora é essa! Vamos fazer valer nossa condição de gigante do futebol brasileiro, e nos impor nessas finais. A capital federal nunca mais será a mesma depois deste 22 de maio.

Treme, Brasiliense!!!

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Pela segunda rodada do Brasileirão-2007, um desentrosado Fluminense, com o time praticamente todo reserva, não chegou a fazer feio e sofreu uma derrota até certo ponto esperada. A lamentar, o lance do segundo gol do Grêmio, marcado pelo ex-pó-de-arroz Tuta, que empurrou clamorosamente o ex-gremista Roger, antes de concluir para as redes. Mais: por esta competição, o Fluminense não perdia para o time gaúcho no Estádio Olímpico desde 96. Vida que segue.

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E Magrão entrou para a história. Não, não estou falando do polêmico atacante tricolor. Refiro-me ao goleiro do Sport, que sofreu o milésimo gol da carreira de Romário.

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E por falar no Baixinho, como ele próprio admite, fez pouco pelo Fluminense. Com a camisa tricolor, Romário chegou a uma semifinal de Campeonato Brasileiro (2002); a uma decisão de Estadual (2003), que nem chegou a jogar, já que viajou uma semana antes para o mundo árabe; a uma final de Taça Guanabara (2004); e a uma outra de Taça Rio (2004), ocasião em que marcou o 900º gol de sua carreira. “Infelizmente não conquistei nenhum título com a camisa do Flu, que tem uma torcida linda e é um dos maiores clubes do país”, disse em recente entrevista ao programa “Bem, Amigos”, do canal a cabo SporTV.

Apesar disso, os tricolores guardam com carinho momentos marcantes de Romário, como a sua estréia diante de 70 mil pessoas no Maracanã, em partida válida pela primeira rodada do Brasileirão-2002, ano do centenário do clube. Naquele jogo, o Fluminense goleou o Cruzeiro por 5 a 1, e o Baixinho mostrou seu cartão de visitas, ao presentear a festeira e multicolorida torcida tricolor com dois gols. Ainda na mesma competição, em Campinas, o camisa 11 fez o gol da virada tricolor (3 a 2) contra a Ponte Preta, classificando o time às quartas-de-final. No ano seguinte, em jogo que marcou sua primeira despedida do clube, estufou três vezes a rede alvinegra na histórica goleada por 5 a 0 contra o Botafogo, no Campeonato Estadual. Em 2004, seu último ano no Flu, até chegou às duas finais de turno do Estadual, mas não brilhou. O gol de número 900 de sua carreira, de pênalti, contra o Vasco, clube com a camisa do qual marcaria o 1000º, foi mesmo o maior feito do Baixinho naquela temporada.

Muitos questionam o temperamento de Romário. Faz-se necessário, entretanto, até mesmo por uma questão de justiça e merecimento, ressaltar suas qualidades enquanto jogador. Para o ex-craque Tostão, por exemplo, o Baixinho foi o maior finalizador da história do futebol. Opinião parecida tem Johan Cruyff, integrante do Carrossel Holandês, seleção que encantou o mundo em 74. “Não há ninguém como Romário”, disse Cruyff, que se refere ao atacante do Vasco como “Gênio da Grande Área”.

Apesar de estar com sua biografia concluída, é a paixão pelo futebol que faz com que Romário não saiba quando largará os campos. O Baixinho vai adiando sua retirada por temer a dor que sentirá no seu adeus definitivo.

Mas seja lá quando for, obrigado por tudo, gigante Baixinho!

A estrela de Renato Gaúcho

Qui, 17/05/07
por joao marcelo garcez |
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Poucas pessoas personificam e encarnam tão bem o espírito tricolor quanto Renato Gaúcho, que tem a cara do Fluminense. Na última quarta-feira, os torcedores do clube, que ocuparam três quartos do anel do Maracanã, mostraram o quanto o reverenciam, ao gritar seu nome, em uníssono, na belíssima vitória de 4 a 2 sobre o Brasiliense.

Caracterizado por sempre ter sido um ponta de muita raça e vibração, Renato parece encarnar os 11 jogadores tricolores que vêm entrando em campo nos últimos jogos do Fluminense. Foi assim na partida de volta contra o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada; no segundo tempo contra o Cruzeiro; e, principalmente, nesta primeira partida das semifinais da Copa do Brasil.

Apontada por diversos analistas como uma equipe apática e sem ânimo quando sob comando de Paulo César Gusmão e Joel Santana, o Tricolor mudou da água para o vinho com a chegada de Renato ao comando técnico do time. “Comigo esse time vai jogar”, prometeu na sua apresentação. Dito e feito.

Se ainda não é um primor de técnica, ao menos dá gosto ver o Fluminense raçudo, querendo jogo, como o que entrou em campo contra o Brasiliense. Tiago Silva, soberano, é aclamado pela multidão a cada grande atuação. Carlos Alberto é outro que não se entrega. O apoiador até tem lá seus defeitos, que conhecemos, mas se mostra incansável, faminto, quando em campo com a camisa tricolor.

Sobre o camisa 10, aliás, uma observação: talvez já seja hora de Renato escolher outro batedor oficial de pênaltis, já que o índice de cobranças convertidas de Carlos Alberto não me parece satisfatório. Tirando a primeira cobrança contra o Brasiliense, invalidada, lembro-me ainda, num primeiro momento, de outros dois pênaltis desperdiçados pelo apoiador: um defendido por Doni, do Corinthians, na derrota por 1 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2003; e outro, pego por Júlio César, na derrota também por 1 a 0 contra o Botafogo, no Estadual deste ano.

Ainda sobre Renato: o técnico tricolor é tão autêntico que, contrariando quase toda a torcida, bancou a escalação de Adriano Magrão, que correu muito e acabou sendo decisivo ao participar diretamente de dois gols. Seu companheiro de ataque, Alex Dias, é outro que ainda está devendo, mas que, com seu golaço de trivela contra o Brasiliense, ganhou pontos novamente com a torcida.

Domingo, pelo andar da carruagem, creio que teremos um confronto de mistões-quentes no Estádio Olímpico. Grêmio e Fluminense deverão voltar suas atenções para o jogo de volta pela Libertadores e Copa do Brasil. Principalmente o time gaúcho, que foi derrotado por 2 a 0 para o Defensor (URU) na partida de ida.

Tricolores, é tempo de calçarmos as velhas e surradas sandálias da humildade. Uni-vos!

A certeza íntima do triunfo

Ter, 15/05/07
por joao marcelo garcez |
categoria Sem Categoria

Quando o Papa Bento XVI, enviado por João Paulo II, pisou em solo brasileiro na última quarta-feira, a torcida pó-de-arroz teve a certeza de uma semana triunfante. A reação contra o Cruzeiro na estréia do Campeonato Brasileiro foi apenas a cereja do bolo numa jornada iniciada no Paraná, onde o Fluminense, com garra de sobra, classificou-se pela quarta vez em sua história às semifinais da Copa do Brasil (92, 05, 06 e 07), a terceira consecutiva. Dos céus, João de Deus, o pontífice tricolor, abriu um largo sorriso, abençoando a massa pó-de-arroz, que, desde 4 de abril, não experimenta o dissabor de uma derrota.

Engana-se, porém, quem pensa que os seis jogos de invencibilidade são obras do acaso. A volta de Renato Gaúcho ao comando técnico do Fluminense tem muito a ver com a atual fase do aristocrático clube das Laranjeiras. Figura eternizada nos corações tricolores, o Rambo Tricolor, assim chamado pelo locutor Januário de Oliveira à época em que, com uma fita na testa, vestia as cores do Fluminense, volta ao clube ainda mais amadurecido, após o bom trabalho realizado no Vasco.

Apesar dos créditos infindos, Renato Gaúcho deve dar ouvidos à opinião dos torcedores, que não simpatizam muito com jogadores como Fernando Henrique, Rafael Moura e Adriano Magrão. Sobre o camisa 1, aliás, sugiro que seja emprestado a algum outro clube do futebol brasileiro para reciclagem. O afastamento seria bom para ambas as partes, já que sua irregularidade é notória. Na estréia do Brasileirão, voltou a falhar, ao pular atrasado no gol de longa distância do atacante Nenê.

As boas-novas ficam por conta de Arouca, que, se ainda não é o jogador brilhante de 2005, ao menos voltou a articular importantes jogadas de ataque, além de cumprir com eficiência seu papel no desarme adversário. Já Cícero, espécie de apoiador vaga-lume, alterna partidas em que praticamente não é notado em campo com outras em que marca gols importantes e decisivos, como os que fez contra Bahia (Copa do Brasil), Flamengo (Estadual) e, no último sábado, contra o Cruzeiro. Sob a batuta do Renato, Cícero tem tudo para evoluir ainda mais taticamente.

Agora, um comunicado: optei por não dar voz ao Cruzeiro nesta coluna de estréia porque o freguês tem sempre razão. Afinal, há nove jogos a Raposa não canta de galo pra cima da gente: são sete vitórias, então consecutivas até o último sábado, e dois empates. Parece-se até com um clube situado na Gávea que chegou a imaginar que levantaria o caneco da Libertadores: nos últimos dez Fla-Flus, venceram-nos uma única vezinha. Tem graça?

O empate alcançado no peito e na raça na primeira rodada abriu boas perspectivas para o jogo de quarta-feira pela Copa do Brasil. Contra o Brasiliense, vivos, mortos, Nélson Rodrigues, Gravatinha e até o Sobrenatural de Almeida (criações do dramaturgo) estarão empurrando o Fluzão para a sua terceira decisão de Copa do Brasil.

Sob a bênção de João de Deus, é claro!


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