Promessa de um artilheiro
Vamos ser campeões lá dentro, sentenciou o atacante Adriano Magrão, autor do gol de empate do Fluminense no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Com esta declaração, o jogador, que balançou as redes nas últimas quatro partidas da competição, mostrou à torcida com que espírito o time vai a campo na próxima quarta-feira, em Florianópolis (SC).
E, quer saber, temos razões de sobra para acreditarmos piamente que desta vez a taça não vai escapar das Laranjeiras. Afinal, as melhores exibições do time aconteceram fora de seus domínios, onde chegou invicto a esta finalíssima.
Achou ruim o 1 a 1? Aposto que você não queria estar na pele do Santos, que simultaneamente enfrentava o Grêmio pelas semifinais da Libertadores, no Estádio Olímpico, onde foi derrotado por 2 a 0. Ao Peixe, três gols são necessários; ao Flu, mísero um. Será algo tão difícil para um time que marcou fora de casa em todos os jogos?
E se você ainda está achando amargo este placar, o que dirá de um 2 a 2? Pois foi exatamente este o resultado do jogo de ida de Fluminense e Ceará pelas semifinais da Copa do Brasil-2005, em São Januário. O fim dessa história você já sabe: o Tricolor entrou no Castelão soltando fumaça pelas narinas e atropelou o time nordestino por 4 a 1, fazendo 2 a 0 logo nos minutos iniciais, o que praticamente selou a classificação à decisão.
E sigo firme neste propósito: tomou um aqui? Pois que faça um gol lá. Ou dois, se preferir, o que obrigaria o Figueirense a fazer três.
Mas se depois disso tudo, você insiste em continuar desconfiado, sugiro, por fim, que dê uma olhada no semblante do Gravatinha, que, desde o jogo de Brasília, quando profetizou o desfecho do campeonato, está numa tranqüilidade só (vide crônica A profecia tricolor).
A serenidade de quem acredita num clube tantas vezes campeão.
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Não vou entrar no mérito se ouve ou não falha de Fernando Henrique no lance em que o Figueirense abriu o placar. Mas vai gostar de tomar gol de longe assim…
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Ainda sobre o jogo: o gol que Ivan perdeu com menos de um minuto é inadmissível para um jogador profissional; Carlinhos voltou a atuar bem; Carlos Alberto, muito marcado, foi peça nula em campo; e Roger, que entrou no lugar de Luis Alberto, não pode ser reserva nesse time.
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Imagine a seguinte situação: atendendo a compromissos profissionais em sua empresa, um torcedor apaixonado não consegue sair do trabalho a tempo de assistir ao seu time de coração decidir um título nacional num dos maiores estádios do mundo. Rola a bola e, resignado, opta por sofrer, transferindo toda a sua angústia e desolação para as ondas do rádio.
Quando finalmente é liberado de seu ofício lá pelas tantas da segunda etapa, em vez de ir pra casa, ouve seu coração, que aflitivamente o convocava para apoiar o amor de sua vida, que passava por dificuldades na batalha campal. Aos 26 minutos do segundo tempo, na esperança de trazer sorte ao time e ver o suposto gol da vitória, finalmente chega ao estádio. Não demora para o então placar em branco variar. Mas não favoravelmente ao seu clube. De pé, este heróico torcedor se mantém firme, acreditando piamente no gol do empate, que só saiu no penúltimo minuto regulamentar. Tempestade de alegria e final quase feliz nesta trama que de fictícia não tem rigorosamente nada.
Pois aconteceu comigo, nesta que foi, sem dúvida, a maior provação de toda a minha carreira profissional.
O Fluminense me domina.
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