Saiba mais sobre o teste ergoespirométrico no ciclismo
Olá blogueiros,
Hoje, este grande profissional do ciclismo, o treinador Thiago Faria, vai nos dar mais informações sobre teste ergoespirométrico no ciclismo. Confira o artigo.
Abraços,
D’Elia

O teste ergoespirométrico pode ser realizado em diversos ergômetros, esteiras, bicicleta ergométrica, clicloergometro de mão, ciclosimuladores (o ciclista usa a própria bicicleta) existem até mesmo piscinas com correnteza para aplicar o teste em nadadores, o local do teste deve ser o mais específico possível, ou seja um ciclista deve realizar o teste na bicicleta ergométrica, ou na sua própria bicicleta.
Durante o teste diversos parâmetros são gravados, a velocidade, cadência, potência, frequência cardíaca, pressão artérial, eletrocardiograma e dados espirométricos (provindos do gases que saem e entra do seu corpo pelas vias respiratórias). Em alguns casos também é analisado a concentração de lactato sanguíneo, em determinados momentos, normalmente os que representam o seu primeiro e segundo limiares respiratórios.
Confira o teste ergoespirométrico de ciclismo:
Vamos falar dos valores quem encontramos geralmente na última página do laudo do teste onde estão muitos números dispostos. Para identificar os limiares já comentados. Encontramos dados como VO2, VO2/kg, e RQ.
VO2 (consumo de oxigênio absoluto):
Essa é sem duvida a variável mais popular, que se trata do volume de oxigênio que o atleta consome por minuto durante cada instante do teste. Espera-se que quanto maior esse valor maior o desempenho em atividades de endurance. Esse valor é absoluto, ou seja não depende do peso do atleta, esse valor é expresso em L/min.
VO2/kg (consumo de oxigênio relativo):
Consiste no volume de oxigênio consumido pelo atleta em relação a sua massa corporal, ou seja é o mesmo valor obtido na variável anterior (VO2) dividido pela massa do atleta. Quando um ciclistas fala que tem um VO2 de 80, é justamente essa variável que ele está relatando. A unidade dessa variável é mL/kg/min. Ao se perguntar por de diferenciar um do outro, a resposta é simples, um atleta com 90kg tem um desempenho menor do que um com 60kg quando apresentam o mesmo VO2/kg (vo2 relativo), seria algo como ter um caminha com 500 cavalos de potência e um carro com a mesma potência, não precisamos nem pensar muito para chegar a conclusão de que o carro será muito mais rápido do que o caminhão.
R ou QR (coeficiente respiratório):
Essa variável demonstra a razão que existe entre o CO2 produzido e o O2 consumido. Em repouso o R varia entre 0,75 e 0,83 isso representa que durante o repouso o metabolismo predominante é o de lipídios, já que as exigência metabólica é baixa o metabolismo de gordura dá conta do recado. Quando uma atividade é iniciada esse valor aumenta e se aproxima de 1 o que representa que o gasto energético aumentou e o metabolismo de lipídios não está suprindo as necessidades, portanto o metabolismo glicolítico é ativado para fornecer energia ao organismo. Conseguimos identificar isso pois para metabolizar gordura (ac. Palmítico) precisamos de 23 moléculas de O2 e produzimos 16 moléculas de CO2, portanto R= 16/23 = 0,659. Quando catabolizamos carboidratos utilizamos 6 moléculas de O2 e geramos 6 moléculas de CO2, ou seja R=6/6=1. Durante o teste é comum ultrapassar o R=1, isso porque o metabolismo do atleta está tão aumentado que utiliza outras substância, como o piruvato para a produção de energia. Em indivíduos com aumento precoce do R, pode estar ligado ao deficiência do metabolismo de gordura que logo fica insuficiente para suprir as necessidades, isso geralmente é corrigido com a adequação do treinamento.
Dependendo do equipamento de análise e software utilizados no teste, ainda existem outros dados que podem aparecer, porém essas informações são mais do que suficiente para você compreender um pouco mais do seu teste ergoespirométrico.
Ótimo treino a todos.
Por Thiago Faria
Treinador de Ciclistas e Preparador Físico.
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