BA-VI: A cereja do bolo do nosso futebol II
2º CAPÍTULO: Para esquentar o clima – Qual foi o seu BaVi inesquecível?
Ao longo dos meus 25 anos de idade e 12 de arquibancada já presenciei diversos clássicos Ba-Vi’s, seja na Fonte Nova ou no Barradão. Desde que passei a não depender da boa vontade de meus pais ou parentes eu sempre me faço presente nos jogos do Maior do Nordeste, sobretudo em clássico, pois ouvir na rádio é complicado e muito chato, por não saber até que ponto o lance pode ser perigoso, sem falar da narração sem graça dos patrocinadores das emissoras AM e FM.
Odeio escutar Ba-Vi no radinho de pilha, mp4, mp5, o que for. Torcedor que é torcedor gosta de estar na muvuca, ao vivaço e tirando suas próprias conclusões da partida. Por isso estive presente em quase todos clássicos desde 1997. Portanto, vi muitos bavis que poderiam se encaixar como inesquecíveis como aquele 3×3 do Brasileiro de 97 que Bebeto (2x) e Túlio (1x) fizeram os gols pelo leão da barra, o 6×2 do Barradão com direito a trocadilho da música Têtêtê de Carlinhos Brown, assim como os inúmeros cacetes que demos no Bahia entre 1997 e 2006.
Mas o que mais me emocionou, o que foi mais dramático, sensacional e gostoso de vencer foi o primeiro BaVi do quadrangular final do Baianão 2007, o clássico que marcou a quebra de recorde de gols marcados por um mesmo jogador num BaVi. O dia da “flecha-bumerangue” de Rafael Bastos, o BaVi que mostrou que Saci é lenda e que ÍNDIO é realidade. 6×5, quatro gols do Cacique, que fuzilou a euforia que já tomava o lado tricolor da Fonte Nova.
Naquela tarde de 22/04, dias depois da data que homenageia os silvícolas, eu fui pela segunda vez assistir o clássico junto aos guerreiros da TUI. Sempre gostei dos IMBATÍVEIS, mas não me agrada assistir os jogos no fundo do gol. Uma por ser mais difícil de analisar taticamente o time e outra por superstição mesmo, já que em 1997 na estreia de Tulio Maravilha contra a Lusa eu fiquei com eles e o jogo foi 4×4 quando o Vitória permitiu o empate no final da partida numa falha grotesca do goleiro Nílson.
Supersticioso ao extremo, gelei quando o Bahia abriu o placar com Danilo Rios aos 3 minutos de jogo batendo falta no canto esquerdo de Emerson. Falha grotesca da barreira e do goleiro, em minha opnião. Por sinal, aquele jogo foi trágico para o ex-arqueiro tricolor. Em minha opinião Emerson falhou em 3 gols do rival. A sorte é que tínhamos um camisa 11 que odeia tricolor!
O empate só aconteceu aos 30 minutos com Jackson, depois de receber um belo cruzamento de Allyson. Viramos cinco minutos depois com uma bela cabeçada de Indio. Mas aquele jogo não era normal. Fausto aos 38min e Danilo Rios aos 45min viraram mais uma vez o placar e então decidi apostar na minha superstição. No intervalo saí da TUI e fui para o lado da Fonte em que eu achava que era o “da sorte” e deu certo.
Com “sangue no olho”, o Vitória veio para cima no segundo tempo e aos 6 minutos Índio deu outra flechada na torcida tricolor. Aos 20 e 25 minutos Apodi e o Cacique construíram 5×3 no placar. E eu todo feliz por ter saído da TUI, ter apostado na superstição e ela novamente ter funcionado. Fiquei pensando “eu não deveria ter ido para TUI, com certeza a gente não tomaria estes gols feios deste time repugnante”. Com 5×3 no placar, eu me acomodei, parei de roer as unhas, ria como uma criança num circo e, pasmem, nem cruzava os dedos nos ataques tricolores.
Porém, lá embaixo no gramado o time fez o mesmo que eu fazia na arquibancada. Parou de jogar, achou que o jogo tava ganho e aos 42min deixou o Saci diminuir para 5×4. A tensão que eu tinha perdido pelo jogo voltou à tona. O Bahia começou a jogar com uma raça extra-terrena empurrada pela massa malvestida e aos 45min um grande golpe aconteceu para a torcida leonina. Rafael Bastos empatou o jogo em 5×5. E a torcida do Leão só abria a boca para xingar o time enquanto outros começavam a chorar…
Mas mal sabíamos que a flechada irônica de Rafael Bastos foi do estilo bumerangue. E dois minutos depois Indio fez uma bela jogada na intermediária e mandou um míssel rasteiro nas redes tricolores. (Toma misera, receba pela caixa dos catarros outro gol de Índio). Final de jogo 6X5, quatro gols do camisa 11. Festa da Nação Rubro-Negra, frustração tricolor.
Como foi bom ver a torcida muquirana que cantava toda serelepe calou-se como se estivesse num funeral de um ente querido, enquanto a torcida do Vitória voltou a xingar e a chorar. Só que desta vez os alvos dos xingamentos foi a torcida e o time tricolor e o choro foi de alívio e de alegria. Vos confesso: FIZ AS DUAS COISAS COM TODA EXPLOSÃO EMOCIONAL QUE UM FANÁTICO RUBRO-NEGRO DEVE TER!
Enfim, este maravilhoso BaVi marcou o pontapé inicial para a confirmação do título baiano. Depois de liderar de cabo-a-rabo a primeira fase fomos campeões invictos e a última partida, que também foi um clássico foi um amistoso de luxo, com direito a Show de Ivete ao final da partida mesmo com o empate em 2×2 e quando o Leão vencia por 2×0 e permitiu o empate tricolor.
Bem, este foi o BAVI inesquecível de minha vida. E o seu? Qual foi? Nos conte aí na tag de comentários.
VEJA ABAIXO O VÍDEO DESTA PARTIDA
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