Papelão à vista, será?

O Vitória está ensaiando fazer um dos maiores papelões em campeonatos brasileiros em toda a sua história. Depois de um primeiro turno empolgante, em que o time terminou na 5ª colocação, brigando pela vaga à Libertadores, agora o rubro-negro mostra um enorme fracasso no 2º turno. O que ameaça a perda da conquista da vaga a Sul-Americana, pois a distância com o 14º colocado que já foi de 15 pontos já está em 7 e restam apenas 5 jogos.
Perder da forma que foi, neste sábado, para o fraco time do Náutico é revoltante demais para quem fez aquela maravilhosa participação nos primeiros 19 jogos da competição, onde goleamos o Vasco, Botafogo e Goiás, além de bons resultados fora de Salvador como a vitória perante o Flamengo no Maracanã.
O medo da torcida deles sobre o nosso time foi latente. Antes do jogo a microscópica torcida do timbu não apareceu por aqui. Ficaram com receio de zoar antes da bola rolar e agora que a Inês já está morta começam a surgir do nada querendo vomitar suas angústias pré-jogo em forma de arrogância. Isso é típico de timinho inexpressivo que quando vence alguém superior solta fogos de artifício e comemora como se fosse uma conquista inédita e ultra valiosa.
O Vitória hoje deu os 15 minutos de fama ao singelo Náutico, um time que viveu 12 dos últimos 14 anos nas séries inferiores do futebol brasileiro, tendo inclusive, visitado o subsolo da Série C em 1999. O Leão da Barra voltou a agir como a Irmã Dulce e deu, de brinde, três pontos ao time de menor torcida da capital pernambucana. Porém, como nordestino, quero que o Náutico permaneça na Série A. Essa é a minha única preocupação com esta agremiação.
O jogo foi muito fraco tecnicamente e na minha visão, o time rubro-negro foi abaixo da crítica e já entrou em campo derrotado. A insistência de Mancini com Jackson, Marco Antônio e Rodrigão fez o Leão ser presa fácil para o eterno equilibrista de Série A. Afinal não tínhamos bons armadores e tampouco finalizadores capazes de incomodar o pequenino time recifense.
O ideal para este tipo de partida - onde o maior tem que impor seu ritmo de jogo perante o menor que busca sair da zona da degola - seria a formação do meio de campo com Rafael e Ramon, pois são jogadores que trabalham muito bem a bola, criativos, boas opções nas bolas paradas e arremates à média distância. Além disso, o Robert merecia mais uma chance, já que Rodrigão não consegue mais emplacar no Vitória. Até Trípodi deveria ter novas chances.
A vitória do Náutico por 1×0 foi justa devida à má atuação do time rubro-negro, que parece já cumprir tabela na competição, como se já estivesse conquistado o principal objetivo da temporada e pela escalação equivocada do time pelo nosso treinador.
Eu sempre opino por mim e por minhas concepções futebolísticas. Não estou aqui para adivinhar o que você, do outro lado da tela, quer ler ou gostaria de ler. O propósito do blog é o titular de cada time opinar sobre a sua ótica. Até porque é impossível consultar toda uma torcida para se chegar a um consenso e postar um texto. Se fosse assim não haveria blog, ou então a atualização seria semestral, no mínimo.
E é baseado nas minhas concepções do futebol e do Vitória que vos digo que estou muito insatisfeito com o treinador Mancini. Para mim ele é teimoso, pragmático ao quadrado, birrento e que agora entrou na fase de transferir responsabilidades dos insucessos do Leão aos árbitros e até na Polícia Militar, como foi hoje.
Não estive nos Aflitos, muito menos nos vestiários do acanhado estádio timbu. Mas acredito que foi errada a ação da polícia para com os atletas, comissão técnica e diretoria rubro-negra (vi pelo PFC da Sky). E não é a primeira vez que acontecem eventos lamentáveis envolvendo a PM Pernambucana no Estadio dos Aflitos.
Os jogadores do Botafogo que o digam. Naquele caso um dos jogadores do time carioca foi o pivô do tumulto. Mas, neste sábado, a situação foi bem diferente. Nenhum atleta do Vitória fez gestos obscenos para a torcida do Náutico ou tentaram agredir os policiais. E eu tenho ciência que não foi devido a este problema que o Vitória perdeu.
O Vitória perdeu porque o elenco não tem maturidade nem controle emocional. Ficou provado neste Brasileiro que o Leão vira um gato frouxo quando sofre um gol antes de marcá-lo. Não importa se tomamos o gol no primeiro ou no último minuto do primeiro tempo – a gente não tem poder de reação e superação para reverter. Só viramos uma partida na competição, que foi contra o Atlético-PR e só Deus sabe como conseguimos aquela proeza, pois fazíamos uma partida ridícula.
Creio que a falta de triunfos do Leão nos últimos cinco jogos devem-se a três fatores:
1)Acomodação do time ao garantir a participação na elite do ano que vem;
2)Perda de foco na competição, por parte dos jogadores, que foram confirmadas com notícias de farras regadas à álcool nas noites soteropolitanas;
3)Limitações do nosso treinador, que são comprovadas por insistência em jogadores que pouco produzem ao time, pragmatismo extremo a uma só estratégia e critérios esquisitos nas relações dos jogadores a cada rodada.
Agora é aguardar o jogo da próxima semana contra o Atlético Mineiro. Se no primeiro tempo foi apenas um jogo, o deste segundo turno ganha contornos de “jogo de seis pontos”, pois o Galo está rondando a zona limite da Sul-Americana e tem sete pontos a menos que nós e ainda jogará neste domingo. Quem diria, né? Mas foi o Vitória que se complicou sozinho e porque quis.
SRN,
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