BA-VI: A cereja do bolo de nosso futebol III
3º CAPÍTULO: Tá chegando a hora
FALA TORCIDA RUBRO-NEGRA,
O que tinha que treinar já foi treinado. O que se tinha a falar já foi falado, o que se tinha para acertar foi acertado. Enfim, acabou a semana preparatória do primeiro Vi-Ba de 2009 e agora estamos em ritmo de contagem regressiva para o grande jogo deste domingo. Mancini fez treino “misterioso” não sei pra quê. Afinal não tem muito o que inventar. O time que vai a campo amanhã é o mesmo que vem jogando nestas primeiras rodadas: Viafara, Apodi, Thiago Gomes, Anderson Martins e Bosco; Vanderson, Bida, Jackson e Willian, André Luiz e Washington.
Deste provável time eu só faria algumas mudanças. Começaria com Rafael Bastos e Nádson nos lugares de André Luiz e Washington. Já que estes dois não vem dando conta do recado lá na frente é hora de mudar e minhas opções, mesmo sem estar no ápice do condicionamento físico e técnico, oferecem mais perigo ao adversário que o ex-gremista e o ex-palmeirense.
Graças a Deus, o Roque sai à francesa do time titular. Seria muita pirraça a nossa torcida e um convite perigoso para exploração tricolor por Patrício e Hélton Luiz, que caem no setor esquerdo dos oponentes. Ótimo saber que o “bom-senso” prevaleceu com nosso treinador e quem ganha com isso é nosso time, nossa torcida. Afinal, o rival está mais estruturado e armado que nas duas últimas temporadas. Não esperem um jogo fácil. Longe de sê-lo.
Acredito que o Vitória fará o jogo ficar fácil se aproveitar bastante os avanços velozes e frenéticos de Apodi na direita, da boa técnica de Bosco pela esquerda e se Bida, Jackson e Willian estiverem inspirados e criarem oportunidades de gols para os nossos atacantes. O Leão tem que ser ofensivo do começo ao fim. Pois estaremos jogando em nosso mando de campo e temos um tabu chato a quebrar.
Claro que temos ter preocupações defensivas. Neste aspecto, nosso treinador deve ter orientado ao time da importância de se marcar o lateral-direito Patrício e os meias Helton Luiz e Ananias, e que a zaga tem que estar sempre atenta a movimentação de Reinaldo Alagoano e Beto. Será um clássico com todos os ingredientes tradicionais e que temos todo o potencial do mundo para vencermos e curtirmos com a cara de nossos conhecidos que têm mau gosto.
Mas quero contar um caso a vocês: Ontem eu fui almoçar fora de casa. Chegando perto da churrascaria vi uma cena que, infelizmente, é comum nas grandes cidades, mas que não deixa de ser triste, que nos remete à reflexão de quanto o nosso país é desigual. Vi alguns garotos e alguns velhos malvestidos, com aquela cara de sofrimento e fome latente.
Que pena ver estes cidadãos “invisivéis” aos políticos e a uma classe abastada não só de dinheiro como de preconceitos e discriminações. Fiquei e sempre fico triste com este tipo de coisa, porém agradeci a Deus por não ter tido uma vida dura como a destas pessoas.
Como eu não podia fazer nada além de dar algumas moedinhas, adentrei na churrascaria, sentei-me, escolhi o que queria e estranhamente presenciei algo muito raro. Na mesa ao lado da minha, um grupo realista (eu disse realista) vestidos com aquele pano de chão em três cores estava almoçando e conversando sobre o Bahia.
Parei para ouvir porque, para mim, torcedor tricolor e realismo crítico é como israelense e palestino (não se combinam). Um deles falou:
“Misael, não sei porque nossa torcida anda eufórica com este time. Estamos ganhando destes times fracos, mais por deficiência deles do que méritos próprios. O Pituaçu não é nosso. Pagamos aluguel e o Vitória pode e vai jogar lá quando quiser. Nossos jogadores estão sendo super valorizados por esta imprensa, que vive a nos iludir e quando chega nos campeonatos mais duros os caras se apagam, como o Rogério que foi comparado à Gamarra no Baiano do ano passado por não tomar cartões e na Série B perdeu as contas de quantas expulsões teve. Assim como fizeram com Hernane, o Kaká do Nordeste. Isto sem falar do pilantra do Paulo Carneiro em nossa diretoria de futebol”
Aí o que ouvia falou: “É verdade Arnaldo. Nossa torcida anda tão carente de títulos, de ídolos e de conquistas que qualquer goleada em cima de Ipitanga, Atlético de Alagoinhas ou Barrigudos do Peri-Peri vira motivo para carreatas e frases do tipo: Iremos à Tóquio (quando o mundial agora é em Dubai), somos melhores que Barcelona e Real Madrid juntos. A verdade é que nosso time continua na Série B, tem um elenco modesto e que não me ilude no estadual de maneira alguma. Tem muita água para rolar e também não confio em PC. Nossa torcida procura algo para sorrir, quando tem tudo para chorar.”
Surpreso com o nível crítico-realista destes torcedores rivais eu lembrei, que sou um torcedor feliz, pois meu time tem um futuro promissor, vem conquistando títulos, é da primeira divisão, tem estádio particular e uma torcida crítica, que não serve de massa de manobra da Imprensa Esportiva. Com isso cheguei a seguinte conclusão:
Tem gente que sofre por falta de oportunidades, conhecimento, escolaridade e grana por este sistema animalesco e selvagem chamado Capitalismo. Mas tem gente que vive bem e que sofre porque quer.
VITÓRIA SEMPRE!
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