
Ramirez foi o pior da partida no empate do Leão
Não esquecendo o valor triplicado do orçamento inicial e da construção sem licitação pública, sob o pretexto de “emergência”, o Estádio Roberto Santos está um brinco. Lindo demais. Eu que já frequentei algumas vezes o Robertão, fiquei abobalhado ao perceber como a reforma deu outra cara ao que já foi um dia um singelo estádio, que já abrigou o Galícia e o Ypiranga, além de Bahia e Vitória. A acústica do Robertão é coisa de louco. Em qualquer ponto da nova arena esportiva dá para escutar perfeitamente o que a Torcida Os Imbatíveis canta.
A visibilidade é outra coisa fora de série. Não achei nenhum ponto cego. Nesta minha primeira visita ao Roberto Santos, eu não conheci nem os bares nem a qualidade do Banheiro. Como resolvi não beber, não tive como esvaziar a bexiga e como não estava com fome, não precisei me dirigir aos bares para comprar doces ou salgados.
Em relação ao Barradão, o campo é mais curto e mais largo. Esta característica do campo permite que os adversários que jogam na retranca consigam anular com mais qualidade uma equipe técnica como a nossa ou qualquer outra. Neste ponto, eu acho que foi uma bola fora. O time que souber jogar ultra-defensivamente e com uma responsabilidade técnica firme conseguirá atrapalhar os planos de Bahia e Vitória. As equipes gaúchas, paranaenses, catarinenses e algumas de médio e pequeno porte do Nordeste e Centro-Oeste gostarão de atuar contra a dupla Ba-Vi no Robertão.
Mas se por um lado o novo Estádio Metropolitano Roberto Santos está lindo e com ares de arena européia, por outro, o Vitória tratou de constratar toda esta beleza com uma atuação medonha, abaixo da crítica e que frustrou os torcedores que amam verdadeiramente o Leão e que foram ver o time, sem se importar com coisas infantis e sem sentido como: não ir porquê a torcida incolor vai falar isso e aquilo, não irei porquê tenho “orgulho” do Barradão e ir pra Pituaçu é ser traíra com nosso equipamento e com nossa história.
O verdadeiro torcedor do Vitória procura estar sempre in loco acompanhando seu time, sem dar trela por quem e para quem foi construído o estádio e muito menos pelo que os rivais e imprensa falarão ou deixarão de falar sobre o fato de estarmos jogando em outro estádio sem ser o Barradão, na grande Salvador. Infelizmente, e é duro assumir isso, ficou provado que a maioria de nossa torcida NÃO AMA O VITÓRIA, somente simpatiza. Pois quem ama algo ou a alguém não fica inventando desculpas torpes para ficar distante do que se ama. Quem ama quer estar perto sempre e a todo instante.
Os outros 13 mil torcedores que não estiveram no belo Robertão esta noite devem ser os mesmos que esperam o Vitória estar numa boa fase para irem ao estádio, que compram camisa pirata para se passar por rubro-negro e por muitas vezes nem conhecem os 11 titulares e o treinador leonino.
Muitas vezes me bati com figuras deste naipe que ficam perguntando coisas que constrangem qualquer AMANTE VERDADEIRO DO LEÃO: “quem é aquele camisa 8, cara?”, “porra, aquele camisa 5 joga pra danar” e “ah zorra, este Vadão é uma merda mesmo!” - quando o treinador em questão é Fito Neves (todos estes casos são reais e presenciados por mim no Barradão – este último sobre a gafe do treinador foi em plena Série C, quando éramos comandados por Fito, na primeira fase).
Falando do Jogo - Fizemos um primeiro tempo horroroso, mesmo com as melhores peças que tínhamos em disponibilidade para esta partida. Não acompanho o discurso dos jogadores que responsabilizaram o gramado por estar 2,5cm acima do Barradão. Claro que gramado alto dificulta mais a partida, mas não foi este o fator principal que fez o Vitória atuar tão mal. Partidas ruins do Vitória acontecem em qualquer estádio e no Barradão já aconteceu muitas vezes, em todas as divisões e competições e contra todo tipo de adversário (pequeno, médio, grande, fraco, mediano e forte). O placar em 0×0 e as vaias foram justas e merecidas.
No segundo tempo o time voltou com o mesmo futebol horripilante da primeira etapa, mas teve uma pequena melhora depois que Thiago Gomes abriu o marcador depois de uma falta mal cobrada por Neto Baiano (desculpa a redundância), que sobrou para Rafael Bastos, que com categoria, cruzou na cabeça do vara-pau da camisa 3, marcando seu segundo gol com a camisa do Vitória.
A relativa melhora da equipe não durou nem 10 minutos. Novamente o Madre de Deus voltou a neutralizar todo o time rubro-negro. Por sinal é muito injusto dizer que não vencemos apenas por jogar mal. O nosso adversário fez uma marcação muito forte e até viril. Eles se aproveitaram das características das dimensões do campo e agiram como todo time pequeno e ultra-defensivo faz quando atua fora de casa contra um time maior.
Aí quando faltavam apenas 10 minutos para terminar a sofrível partida de futebol com 1×0 pra gente, nossa zaga falhou feio e cedeu o empate. Depois daí o jogo virou uma pelada da pior espécie, com o time leonino sem nenhum padrão de jogo e comportamento tático. E foi assim até o apito final.
NOTA DOS JOGADORES
Viafara: não foi muito exigido. Nota: 6,0
Apodi: Tentou fazer as suas diabruras pela direita, mas desta vez não teve tanto êxito. Nota: 5,5
Thiago Gomes: Não é um zagueiro que enche meus olhos, mas desta vez atuou um pouco melhor. Nota: 5,0
Anderson Martins: Sem dúvidas foi a pior partida dele este ano. Muito disperso, errou antecipação, posicionamento e parecia estar nervoso. Nota: 4,0
Bosco: outro que teve uma noite infeliz. Errou 90% dos passes e jogadas. Pode e joga muito mais do que isso que vimos. Nota: 4,0
Vanderson: É um jogador regular, mas também cometeu erros nesta partida, porém lutava para recuperar a bola. Nota: 6,0
Ramirez: Ao contrário da torcida corneteira que nós temos, não irei jogá-lo na fogueira. Realmente não esteve bem nesta noite, mas acredito muito no potencial dele. Errou muitos passes e não mostrou aquela raça e disposição apresentada na temporada 2007. Nota: 3,0.
Rafael Bastos: foi o meia mais lúcido do jogo. Não foi nenhuma sumidade, mas teve uma partida de média a boa. Nota: 6,5
Willian: começou o jogo querendo mostrar serviço e desarmou várias vezes os adversários, porém quando começou a sentir que a torcida tava gostando da força de vontade dele, ele colocou a máscara de Pierrot e voltou à mediocridade. Nota: 5,0
Nadson: esteve mais uma vez apagado, pouco produtivo e muito individualista. Nota: 4,0
Neto Baiano: mais uma vez prova que não é confiável, sobretudo para quem vai disputar uma Série-A de Brasileiro e uma Copa Sul-Americana. Bate mais no zagueiro do que o inverso, lento, dispersivo, sem recursos técnicos apurados. Nota: 4,0
14.Rafael: Poderia entrar mais cedo na partida no lugar de Ramirez. Sem Nota, pelo pouco tempo de atuação.
17.André Luiz: alguém poderia me dizer o que este cidadão ainda faz no Leão? Nota: 4,0
18.Washington: entrou apenas para constar. Sem nota.
Mauro Fernandes: Não teve muita culpa no péssimo futebol, mas teve em demorar de sacar o Ramirez que estava errando todos os passes e sem dar a combatividade que possui. Errou em colocar André Luiz ao invés de Kleiton Domingues. Nota: 5,0.