Bons negócios em tempos de crise
Reforços pra cá, contratações pra lá, rumores pra cá, especulações pra lá… E, noves fora, temos agora um quadro claro do que serão os times brasileiros neste primeiro semestre. Ainda há os jogadores que sairão para a Europa mas, sinceramente, não acredito em grandes acontecimentos nesta “janela”. Juan do Fla? Kléber do Palmeiras? Kléber do Santos? Alex do Inter? Talvez. Mas acho que, de todo modo, já podemos ver quem é quem para os estaduais e o começo da temporada 2009.
Entre as muitas novidades, algumas que estão na cara que não vão dar em nada e só servem para ajudar os agentes de jogadores e os tais “parceiros”, cada vez mais fortes em clubes quebrados e sem o menor poder de barganha. Eu diria que 60% das negociações se encaixam neste perfil - além, claro, de também servirem para fazer número na foto de apresentação, evitando que os dirigentes passem por incompetentes (eles podem dizer, enchendo o peito: ”contratamos 16 reforços!”. Que bom! Bom para os agentes destes “bondes” que mudam todo ano de clube e não agradam em lugar algum).
Já outras novidades são animadores (não sejamos tão mal humorados, né…): acho que o Grêmio mandou bem com o Alex Mineiro (será que o Maxi Lopez vem mesmo?), o São Paulo como sempre foi consistente em seu pacote, o Corinthians foi ousado, o Santos viu muito bem o mercado carioca, especialmente com Mádson e Lúcio Flavio, o Sport ganha com a experiência de Paulo Baier… São muitas novidades e perdoem se me esqueci de alguém (aceito opiniões e sugestões para discutirmos com os amigos de todo o Brasil), mas este me parece um bom resumo da ópera. Deixando para último, no entanto, aquele que considerei o melhor trabalho “coletivo”, o melhor conjunto de contratações, sem desperdícios ou loucuras: o Fluminense.
Há tempos que o tricolor carioca vem se destacando nestes momentos de abertura de mercado entre os seus pares do Rio de Janeiro (embora os títulos ainda sejam raríssimos nos últimos anos), mas sempre com erros por excesso. Pecados “novos ricos” que atrapalham a estranha máquina da boleiragem, uma engrenagem cheia de segredos e sutilezas.
Mas acho que agora pode estar chegando a hora de o Flu levantar mais taças. O Brasileirão ainda é complicado, mas o Estadual, a Copa do Brasil e a Sul-Americana podem perfeitamente serem conquistadas. Basta trabalhar com seriedade, sem preguiça, fanfarronice e brigas na equipe.
Digo isso porque este elenco do Flu parece forte, mas sem uma figura excessivamente “brilhosa”. Em outros momentos de contratações, o clube apresentou com estardalhaço Edmundo, Roger, Romário, Carlos Alberto e, na última temporada, além do erro bobo de fazer as três principais contratações para o mesmo setor do campo, ainda havia um Renato Gaúcho menos experiente e abusando do direito de ser falastrão e vaidoso.
Agora o grupo se mostra mais calmo, menos complicado, mais ao gosto de Renê Simões, com suas parábolas e histórias sem fim, misturando o velho humor do subúrbio com os livros de auto-ajuda. No comando pode ser instaurada uma ”república do pão-de-queijo”, com o sotaque e o comportamento prudente do novo coordenador Alexandre Farias - cai bem, hein…
Sobre as contratações: Leandro é um excelente lateral, melhor que Júnior César (que até tem qualidades e pode crescer com Muricy, especialmente se melhorar os cruzamentos e deixar de ser o pior canastrão de todos os tempos em suas simulações de que recebeu faltas a cada lance. Nunca vi um jogador pular e rolar tanto no campo!). Jaiton e Diguinho são bons volantes, daqueles que ajudam muito a equipe e trabalham em silêncio - longe de serem craques decisivos, mas como o Milan atual nos mostra, sem ao menos um bom volante, não há craque que dê jeito lá na frente. Mesmo avançando menos, eles susbstituem Arouca sem prejuízos. Para a armação, o clube investiu na manutenção do ótimo Conca, um sul-americano típico, de enciclopédia. No ataque, Roger e Leandro Amaral podem funcionar muito bem. Melhor que o Everton Santos não é difícil conseguir, já o matador Washington, mesmo com seus tropeços, caneladas e pelnaties nos postes de iluminação; foi eficiente e pode deixar saudades. Mas será que ainda teria força para outra temporada em alto nível? O São Paulo nos responderá. De todo modo, sem riscos, acho mais sensata a aposta feita pelo Flu.
Alguns poderiam dizer que a saída do Thiago Silva é gravíssima. Concordo. Não se acha um jogador como aquele facilmente. Aliás, eu iria mais longe: um zagueiro como o Thiago é fenômeno para acontecer de dez em dez anos mas, dentro das possibilidades, o tricolor carioca fez o melhor que pôde. Buscou o Edcarlos no Benfica já há meio ano, tratou bem, deu uma ótima adpatação ao rapaz e agora espera desfrutar deste que também é um zagueiro dé bom nível.
Em resumo: gostei do “pacote” de contratações, acho que dá caldo. Claro que o futebol é sensacional em queimar as línguas de imprudentes, mas assim mesmo eu me arrisco e dou a cara a tapa. Se a química funcionar e se não houver problemas fora de campo, acho que este pode ser um dos grandes grupos do nosso futebol em 2009. E olha que ainda está rolando uma forte “engenharia” para trazer de Lyon no fim de abril o atacante Fred. Aí, acho que o Flu já vira candidato também ao Brasileirão.
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