Em certos países da Europa, as brigas entre torcidas rivais, de clubes ou seleções, vai muito além da paixão pelo futebol. Política, nacionalismo e até mesmo religião, podem ser o estopim para o início de uma confusão sem tamanho.
Sérvios e Croatas não se podem ver pela frente. O ódio entre esses dois países é secular, mas se acentuou em 1991, quando a Croácia anunciou sua separação da antiga Iugoslávia.
Na Escócia, país rico e de primeiro mundo, a torcida do Celtic mantém uma briga histórica com os rivais do Glasgow Rangers. Tudo isso porque uma equipe é de origem católica e a outra protestante.
Devido a esses fatos tão comuns no futebol europeu, eu confesso que fiquei um pouco preocupado em relação a possíveis confrontos de torcedores da Croácia e Polônia. Até porque, as partidas de futebol nesses dois países são sempre marcadas por violentas brigas entre facções organizadas.
Mas, para a minha surpresa, poloneses e croatas estão dando um show de bom comportamento nas ruas da pacata Klagenfurt. Mesmo com o excessivo consumo de álcool, as provocações são sempre levadas na esportiva e até agora nenhuma ocorrência grave foi registrada.
O motivo para isso?
Os dois países são de maioria católica.
Claro que não estamos livres de presenciar uma pancadaria generalizada, principalmente após o resultado da partida, mas, no caso específico desse jogo, não existe nada premeditado entre as torcidas. O convívio é harmonioso.
Mas e o próximo jogo da Croácia? Se jogarem contra a Turquia, o que podemos esperar?
Eu fiz essa pergunta para um croata que foi bastante direto:
- Esse é um jogo de católicos contra muçulmanos. Além disso, há centenas de anos, os turcos invadiram os Balcãs e passaram a controlar toda a região sul do território croata. É um jogo complicado, as autoridades precisam ficar atentas.
Ontem, os poucos turcos que comemoravam a vitória em Klagenfurt, eram bem tratados pelos croatas e poloneses. Será que o mesmo tratamento vai continuar quando 50 mil torcedores de cada país se encontrarem?
Eu realmente espero que o clima continue de muita paz e harmonia, independente de pensamentos políticos, nacionalistas e, principalmente, religiosos.
Ao contrário do nosso país, onde os problemas sociais e econômicos são fatores determinantes para a violência nos estádios, o que acontece na Europa é fruto de um passado muito distante, mas que continua presente na cabeça do cidadão europeu.