É muito comum avistar brasileiros se divertindo nas Fan Zones e boates das cidades-sedes, tanto na Suíça quanto na Áustria. Nesses primeiros 14 dias de competição, foram muitos encontros com gaúchos, cariocas, goianos, paulistas, mineiros… Alguns já moravam por aqui há algum tempo, outros vieram especialmente para a Eurocopa.
Uma coisa impressionante é como o brasileiro sabe quem é brasileiro apenas pela cara. Nós somos um povo sem uma característica física em comum, tanto que o nosso passaporte é um dos mais cobiçados por falsificadores, mas é só bater o olho na pessoa para sentenciar que ela é brazuca.
Na Basiléia foi assim. Estava tentando comprar um bilhete para o bondinho, mas como a máquina era alemã, obviamente não tive a menor chance de concretizar a compra.
Quando fui pedir uma informação para um senhor, em inglês, um rapaz olhou para a minha cara e disse: “Você é brasileiro? Eu posso te ajudar.”
Sim, eu sou! Mas como você sabe, cara-pálida? Será pelo meu Inglêxxx do Rio de Janeiro?
Acho que não… Mas, enfim.
Na grande maioria das vezes é muito fácil encontrar um brasileiro, principalmente quando a Suécia está jogando em outra cidade.
Os brazucas geralmente se reúnem em grupos grandes, elevam os decibéis do local onde estão concentrados e fazem questão de vestir a tradicional camisa canarinho.
Outros uniformes bem comuns são as camisas do Corinthians, Flamengo e a bandeira do Rio Grande do Sul.
Em Zurique, conheci um grupo de corinthianos que estava viajando pelo leste europeu, mas, antes de voltar para casa, resolveram fazer um pit-stop na Suíça para ver Romênia x França. Duzentos Francos Suíços mais pobres, os brasileiros estavam reclamando muito da péssima qualidade da partida. Por outro lado, não paravam de enaltecer a beleza das mulheres presentes na Fan Zone.
Klagenfurt foi outro lugar onde encontrei diversos brasileiros. Até aconteceu uma situação meio… Inesperada.
Eu levantei da mesa onde estava tomando uma cerveja e fui falar com um homem que estava com o cachecol do Brasil. Enquanto isso, meu amigo e fotógrafo, Marcelo Sparano, conversava com uma menina austríaca.
Papo vai, papo vem, o cara contou por cerca de trinta minutos uma história, bem chata por sinal, sobre a vida dele no Brasil.
Como o jogo da Croácia ia começar em 20 minutos, eu tinha que arrumar urgentemente um jeito para sair dali. A melhor solução foi apresentá-lo ao meu amigo.
“Esse daí é o Marcelo Sparano, o tal brasileiro que veio comigo para a Eurocopa.”
O homem, na verdade um austríaco que havia morado por muitos anos na Bahia, não esperou nem 1 minuto e falou para a mulher que estava sentada com o meu amigo, em alemão. “Abre o olho, não confia em brasileiro que é furada! Melhor sair enquanto ele ainda não te enrolou.”
Sim. Ele falou em alemão, mas eu entendi perfeitamente, o Marcelo entendeu perfeitamente, a mulher entendeu perfeitamente… E foi embora.
Que pessoa amável, não é?
Mas nem todos são assim, pelo contrário… Há um grupo de gaúchos, torcedores do Grêmio e Internacional, que já fazem parte da nossa viagem. Nós já nos encontramos em Genebra e Innsbruck e na próxima semana, vamos nos esbarrar em Viena.
O líder da turma é o gaúcho Frank Damasceno, 29 anos, bacharelado em Turismo. Desde 1994 ele vai praticamente a todos os jogos da seleção brasileira. Foram quatro Copas do Mundo, duas Olimpíadas e no total, mais de 36 países visitados.
Essa galera da terra dos pampas aproveitou para começar a divulgar a Copa de 2014, que será realizada no Brasil. Eles contam com camisas alusivas ao torneio, adesivos e até um carro totalmente decorado para atrair mais estrangeiros para a nossa Copa.
Segundo eles, depois que se vai num torneio desse porte pela primeira vez, é difícil deixar de ir ao próximo, mesmo que isso signifique ter que fazer um grande sacrifício financeiro.
Pelo visto, a solução é ficar revezando de dois em dois anos entre Brasil e Portugal/Itália/França/Espanha/..