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A Cobra está Fumando

Sáb, 27/12/08
por Elias Junior |

Mais uma bela contribuição do amigo Marcos Velloso*. Desta vez, uma matéria que descrevia um “problema” do Santa Cruz na década de 70. Escolher o jogador titular entre tantas boas opções. No caso, a matéria abaixo, da edição de 26 de agosto de 1977 da Revista Placar, escrita pelo jornalista Lenivaldo Aragão, fala da disputa pela vaga na ponta-direita entre Betinho e Fumanchu.

A torcida grita por Betinho, o técnico prefere o recém-chegado Fumanchu. E o antigo ídolo fica no banco, às vezes entra no meio-campo. Uma briga boa, sem atritos, pelo Santa.

O que é melhor para um ponta-direita? Curtir um banco ou aceitar jogar no meio, tabelando, amaciando a bola e fazendo lançamentos, olhando o gol e a área adversária de longe?

No Santa Cruz, Betinho ainda não achou resposta para essa pergunta. Aborrecido, magoado, ele mastiga sua paciência no banco e sorri quase recompensado quando ouve a massa gritar o seu nome e vaiar Fumanchu, que o técnico Jouber colocou em seu lugar. Ele não se decide. Sabe, contudo, que é impossível continuar assim. Sabe que o que quer é jogar e lembra como tudo começou.

No dia 14 de maio, o Santa estava empatando com o Náutico, 1 a 1, quando, aos 10 minutos do segundo tempo, ficou reduzido a dez homens após a expulsão de Betinho, por agressão. Jairo Mendonça, irmão do palmeirense Jorge, aproveitou a desvantagem e acabou marcando o gol da derrota do Santa aos 31 minutos. Um resultado comemorado com muito entusiasmo pela torcida da Náutico e também pelo povo do Sport, o principal beneficiado, aproximando-se do até então líder invicto. E a distância foi diminuindo aos poucos até o Sport levantar o primeiro turno do Campeonato Pernambucano.

betinho.jpgApontado por muitos como o causador da derrota, Betinho talvez nem desconfiasse que estava começando a se despedir da condição de titular da ponta-direita, posição que ostentava com glórias e direitos de senhor absoluto. Cumprida a suspensão automática, ele recebia dias depois a sentença do Tribunal de Justiça Desportiva suspendendo-o por quatro partidas. Foram mais três jogos de fora, para desespero do técnico Jouber, que, mesmo na ponta da tabela, já sentia a ameaça cada vez mais palpável da aproximação do Sport.

Nesses três jogos – incluída uma derrota de 3 a 1 para o Sport – Jouber virou-se com a solução que encontrou: improvisou o ponta-de-lança Volnei na posição, testou o ex-juvenil Galego, mas quando Betinho preparou-se para voltar a camisa 7 já tinha um novo dono.

Em 5 de junho, na decisão do turno com o Sport, Betinho voltou ao Santa. Nas suas costas, não mais o grande número 7 em vermelho sobre a camisa branca. Desta vez a certeza de que estava perdendo a condição de dono da ponta-direita assumia contornos mais claros e ele teve de se contentar em ser meia-armador. Com a 7 estava Fumanchu, capixaba como Betinho e que já passara pelo futebol pernambucano em duas oportunidades (Em 74, emprestado ao Sport, e em 75, ao Santa, que agora comprou seu passe do Vasco por 1 milhão de cruzeiros.)

O outro lado

O que é melhor para um recém-contratado? Manter-se no time com o apoio só do técnico, suportando críticas da torcida e da imprensa, ou tentar superar na reserva uma má fase, adaptar-se e depois disputar uma posição?
Fumanchu, 24 anos, fama de ponta-direita impetuoso e brigador, que fecha para o meio procurando gol, não pensou duas vezes. Pegou no ar a chance que Jouber lhe ofereceu e manteve-se como pôde no time, mesmo enfrentando as vaias da torcida que não queria na posição outro jogador que não fosse o Betinho.

fumanchu.jpg- No começo foi difícil, muito difícil – reconhece Fumanchu. – Embora já conhecesse o futebol pernambucano, estava vindo do Rio, onde se joga mais no toque de bola, num ritmo bem diferente do que eu encontrei aqui, que exige muito do jogador por causa da correria. Cheguei mal e estive bem abaixo da minha produção normal nuns quatro jogos. É que entrei com primeiro turno praticamente perdido, pois o Santa tinha deixado fugir a vantagem de quatro pontos sobre o Sport. Na decisão, jogamos 130 minutos, eles fizeram um gol e foram os vencedores do turno.
O que é melhor para um técnico? Impor o jogador que quiser para a posição que escolher, enfrentando a oposição da torcida, ou agir com calma e sutileza, armando o time de acordo com seus critérios e aceitando algumas sugestões, mas sem abrir mão das suas decisões?

Entre as duas hipóteses, o técnico Jouber preferiu ficar com ambas. Ele diz que tanto Fumanchu como Betinho são excelentes jogadores, com características diferentes. Para ele, o aproveitamento nessa ou naquela posição, independentemente do número da camisa, é só uma questão de oportunidade.

- Todos são profissionais e tem de haver empenho entre eles. Os dois são jogadores para opções diferentes. Fumanchu é mais ofensivo, se mexe bem ali na frente, tanto que vem marcando gols – até a semana passada, antes de o Santa enfrentar o Central de Caruaru, ele estava com sete gols, dois a mais que Betinho. Se o time precisa ganhar, escalo Fumanchu. Já Betinho é de idealizar jogadas, é mais habilidoso com a bola nos pés. Tem de ser aproveitado onde participa mais do jogo, que é no corredor do meio. Não se inventou nenhum sistema novo para ele, apenas estamos procurando explorar suas condições técnicas.

Tudo indica, porém, que não vai ser uma tarefa fácil Jouber convencer Betinho de que ele, ali no meio tabelando e fazendo lançamentos, será mais útil que na ponta-direita, pelo menos por enquanto. O próprio Betinho vai buscar na nova fase do Santa a explicação para algumas de suas más atuações. Para ele, havia, antes no time uma acomodação que lhe transmitiu um pouco de insegurança quando jogava fora da posição e acabava perdido dentro de campo.

- A situação mudou com a volúpia de Givanildo. Não é que o time tenha melhorado, mas ganhou uma nova motivação tornando-se mais vibrante, com todo mundo pegando na bola com vontade.

O novo ritmo

Fumanchu analisa a situação lembrando, como o técnico Jouber, a diferença de estilos. Vê em Betinho um grande jogador, não esnoba por ser o titular atual, pois, afinal, ambos se dão muito bem e estão sempre trocando carona, mas acha que para a ponta-direita seu futebol é mais compatível com o ritmo que o Santa vem jogando.

- Zé Roberto joga armando na ponta-esquerda. Então, fica difícil para Betinho, que tem as mesmas características, atuar na direita. No ano passado ele teve uma fase boa porque o time tinha um homem ofensivo na esquerda. Quando não era Pio, era Santos.

Betinho não concorda com tudo isso. Ele diz que não há nenhuma confusão de estilos. E, enquanto isso Fumanchu vai jogando e se firmando cada vez mais.

Logo na primeira rodada do segundo turno, por exemplo, o Santa teve uma apertada vitória sobre o Esporte Caruaru (1 a 0), gol do zagueiro Lula. Fumanchu não esteve bem, mas Betinho sequer foi utilizado no decorrer do encontro. Situação que se repetiu poucos dias depois num empate de 1 a 1 com o Náutico e noutra vitória apertada diante do América por um gol. Barrado, Betinho ouvia os gritos da torcida que pedia sua entrada, vaiando Fumanchu.

- Como um jogador que desfruta de certo prestígio junto à torcida, sinto-me vangloriado ao notar que a massa está acreditando em mim. Principalmente porque sou um jogador de vibrar. Não sou acomodado.
Não é acomodado mas tem procurado se ajeitar no banco, entre os outros reservas do Santa, já que por ora a posição é mesmo de Fumanchu. Tem sido aproveitado por Jouber no transcurso dos jogos, ás vezes substituindo Nunes, às vezes entrando no lugar de Carlos Alberto Rodrigues ou mesmo Mazinho, como ocorreu na recente vitória de 1 a 0 sobre o Sport, quando passou a trocar de posição constantemente com Fumanchu.

Só que ele não aceita essa situação. Admite a manutenção de Fumanchu, embora no íntimo não se sinta bem. Não concorda, entretanto, em ser escalado na meia.

“Ali no meio estou sendo sacrificado. Tive uma conversa franca com Jouber e falei que me sentia prejudicado. A não jogar na ponta-direita – que é meu lugar -, prefiro ser reserva.

Em banho-maria

Uma hipótese que Jouber não pretende encarar, preferindo manter a coisa em banho-maria para não ferver e transbordar numa crise pode afetar a harmonia do time, embalado neste terceiro turno.

E Fumanchu, como fica? Sossegado, completamente readaptado no ambiente do Santa, está tranqüilo. Essa não é resposta para ele encontrar. Bicampeão da Taça Guanabara, pelo Vasco, casado com a paraibana Fernanda, que conheceu no Recife quando estava emprestado ao Sport, lembra que só fez amigos no Rio para deixar bem claro que não pretende cultivar inimigos no Santa. Um exemplo disso é uma plaqueta que recebeu há pouco tempo, enviada pelos treinadores e jogadores do Vasco. Andou transando com o Cruzeiro, mas o Santa chegou primeiro. Preferiu voltar para Pernambuco. Pegou os 15 por cento sobre seu passe, fez contrato de 18 mil mensais – o salário-padrão do tricolor pernambucano -, embora, como diz, “saia mais alguma coisa extra por fora”. No Vasco, jogava bem ofensivamente, atuando na frente com Roberto e Ramon, fazendo gols com regularidade. Lá tinha muitas jogadas com o lateral Orlando, que, subindo pela direita, possibilitava sua caída pelo miolo do ataque. E no Santa já começa a fazer dessas com Carlos Alberto Barbosa.

Voltando à boa

- Muitas vezes o torcedor pensa que o ponta está embolando, quando vai para a área. Não é nada disso. Geralmente ele leva o marcador, e o lateral pode até chutar a gol.

Se a galera grita, esperneia, pede a entrada de Betinho, não se preocupa. Sabe que, se a situação fosse inversa, certamente apareceria alguém para defender sua escalação. Acha que está jogando exclusivamente por suas qualidades e rejeita as acusações de que está no time porque caiu nas graças do treinador. E, se no início as coisas não deram certo, sabe também que agora está reencontrando seu melhor futebol. Atento, amigo e sempre companheiro, reconhece que a situação de Betinho é incômoda. Entrando hoje, não entrando amanhã e assim mesmo em outra posição.

- Sinto-me em condições de ser titular; no dia em que tiver que ficar no banco por muito tempo, peço para sair. Sou de jogar e um jogador que se preza não deve aceitar um banco com facilidade. Desde que já tenha alguma cancha. Banco comigo, velho, eu chio. A não ser que esteja mal.

As palavras de Fumanchu não deixam brechas a dúvidas: sua disposição é a de não entregar a camisa 7 tão cedo. Betinho, ao contrário, cultiva a esperança de poder vesti-la novamente, ainda mais porque, com exceção da vitória de 14 de agosto sobre o Sport, depois que saiu da ponta-direita o Santa não ganhou um clássico e, se conseguiu tirar o pé da lama recentemente, tudo se creditou ao embalo causado pela volta de Givanildo.

O que é melhor para o Santa? Manter dois bons pontas no elenco, correndo o risco de uma crise interna, ou vender o que está sobrando?

Desta vez a resposta não é nada fácil. A torcida vive pedindo a escalação de Betinho, mas pode passar a prestigiar Fumanchu se o time realmente disparar neste terceiro turno. Como ficará então? Fumanchu tem uma resposta pronta:

- A solução é vender um. No time não há lugar para os dois. Betinho é um bom jogador. Eu me considero em condições de jogar e não penso em sair tão cedo. Então o problema só será resolvido com o clube vendendo um dos dois.

Clique para ver a primeira parte da matéria original
Clique para ver a segunda parte da matéria original

*Marcos Velloso, autor do blog Os Grandes Ídolos do Santa Cruz é estudante de jornalismo e acredita que o passado glorioso do Santa precisa ser melhor explorado.

Boas Novas

Ter, 21/10/08
por Elias Junior |


Já que o nosso querido Santa Cruz atravessa um momento de profundas mudanças, pensei que seria interessante mudar também algumas no nosso blog. Entrei em contato com a diretoria do globoesporte.com e eles autorizaram a contratação de reforços para nossa equipe (hehehe). A primeira novidade é uma coluna com histórias de jogadores que foram ídolos do Mais Querido ao longo do tempo. Teremos a importante contribuição de Marcos Velloso, colaborador da Coralnet e autor do blog Os Grandes Ídolos do Santa Cruz, que também dará nome a esta nova seção. Pra começar, uma excelente reportagem do Diario de Pernambuco publicada em 1970, sobre Sebastião Virada, um dos nossos primeiros grandes ídolos.

 

Ídolos do Santa Cruz
por Marcos Velloso*

 

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Ele mora dentro do Mundão. Para assistir qualquer partida, no Colosso do Arruda, basta abrir a porta do seu quarto, que fica abaixo das sociais. No dia da grande decisão do campeonato, quando o Santa Cruz conquistava o bicampeonato, ele estava dormindo. O Mundão cheio. Ele no mundo de seu quarto, no Colosso do cimento armado. Foi a emoção. Sabia que não agüentaria o nervosismo, aquele mundo de gente. Começou cedinho, na barra das proximidades, ao tomar “umas e outras”. Depois do almoço, quando o público lotava o estádio, ele limitou-se ao seu mundo.

 

Sebastião Luiz de França, solteiro, 69 anos de idade, um homem que mora no Estádio do Arruda, mas não pensa mais em futebol. Seu futebol vive de recordações. Dos tempo em que levantava a torcida. Em que seu nome ecoava pelo estádio: “Virada”. Assim como hoje, os torcedores gritam pelo nome de “Miró”, “Cuíca”, “Santana” e tantos outros craques, que ele ouve do seu quarto. Sebastião ouve falar nos ídolos corais. Já fui convidado para conhecer os moços, lá na concentração. Eu prefiro não ir… disse ele. Virada não sabe explicar porque recusou o convite do preparador.

 

VIRADA

 

Começou não sabe quando. Desde pequeno jogava com bola de tênis ou sabugo de laranja ou limão. Como centro médio, em 1932 e 1933, foi também bi-campeão pelo Santa Cruz Futebol Clube. Não existia ainda o mundão. Fez um gol inesquecível na partida Santa e Ipiranga, da Bahia, no campo do América. Ele mesmo relata: “Minha posição era centro-médio e me botaram de centro-avante. Não gostei. Estava lá na pequena área do adversário, quando Joaquim Português chutou mal. A bola vinha correndo, eu me virei, rapidamente, e fiz o gol. A torcida gostou. Começou a me chamar de Sebastião Virada, até hoje”…

 

AMADORISMO

 

O futebol, no tempo de Sebastião Virada, era de amadorismo. Relata o craque do passado: “O jogador trabalhava semana inteira. No sábado, ainda ficava acordado até meia noite. No domingo pela manhã batia bola, para jogar oficialmente, à tarde. Havia profissionais, porém muito pouco. Geralmente, o jogador quando entrava no time, recebia a promessa de que arrumaria emprego. Enquanto estivesse desempregado recebia “gratificações” pelas vitórias”.

 

Não existiam salários, luvas, nem bichos, no tempo da glória de Sebastião Virada. Os médicos do clube cuidavam do atleta, porém, a maior parte das vezes as contusões e os problemas de saúde eram cuidados pelo próprio jogador. Hoje, entrevado, ele afirma que ainda tem problema de meniscos que na época não solucionado como deveria ter sido.

 

MUITAS ALEGRIAS, NENHUMA MÁGOA

 

As mágoas de Sebastião Virada são esquecidas por ele muito facilmente. Não se lembra de nenhuma. Pede reservas para não falar sobre o preconceito racial que existia no seu tempo. Para o crioulo Virada, as maiores emoções, em formas de alegrias, são as viagens que fez, pela seleção pernambucana. Esteve na Bahia e conhece do São Paulo ao Pará, de ponta a ponta. O maior dinheiro que recebeu como atleta foi quando se transferiu do Santa Cruz para o Centro Esportivo da Encruzilhada, um conto de réis. Naquele tempo isso foi manchete. O defensor tricolor trabalhava de pedreiro. Nunca ligou para os estudos. Quando pendurou as chuteiras, deixando de participar do campeonato de 1934, o Náutico oi campeão pela primeira vez. Virada começava seu tempo de anonimato, sem estudo e sem economias.

 

NA SELEÇÃO

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Negro de baixa estatura, Virada gosta de recordar os fatos. Muito mais do que pensar no presente. “Dos craques atuais eu conheço, de vista, Zé Júlio e Luciano, que estiveram por aqui conversando comigo”, disse. “Pela primeira vez na seleção pernambucana de 1926, joguei contra o escrete cearense. Vencemos na prorrogação por dois a um, mas o jogo foi anulado porque não mudamos de trave. Voltamos a jogar com a mesma seleção e vencemos por três a dois. Contra o escrete baiano perdemos por oito a um, com gol de Roberto Coutinho, do Flamengo do Recife…”

 

“A seleção era formada por Nôzinho, Pedro Sá e Heleno Castelar; Euclides, Hermes Amorim e Tancrêdo Macedo; Bulhões Marques, Limão (do Náutico) eu (do Santa) e Napoleão e Roberto Coutinho”, disse Virada.

 

“Em 1929 – continuou, a seleção formou assim: Valença; Hermínio e Ciril Lessa; Mazinho, eu e Julinho Fernandes; Bulhões e Juba Hermes Amorim, Zezé Oliveira, e Aluísio Caldas, linha de frente do Esporte”.

 

HOSPEDE CORAL

 

Sebastião Virada é hóspede coral. Vivia apertado. No anonimato. Sem parentes ou amigos. Sem dinheiro e sem teto para morar. Conta: “Indo ocupar, muitas vezes o dr. Boanerges de Sousa (atual conselheiro do Santa Cruz), que foi da minha época. Ele disse que ia resolver minha situação, com o Sr. Alfredo Ramos. Reuniu o pessoal da Patrimonial e resolveu então que eu poderia ficar morando aqui. Eles me dão uma ajuda semanalmente, que dá muito bem para eu ir vivendo (Virada não quis revelar quanto recebe).

 

NUNCA SE ENAMOROU

 

Muitas mulheres bonitas existiram na vida do jogador Virada. O crioulo porém, nunca se apaixonou por nenhuma delas. Por isso não casou. Hoje vive sozinho. Ainda gosta de tomar “umas e outras”. Levanta cedo e dorme cedo. Fica por ali pelo Arruda. De vez em quando, alguém o reconhece. Um amigo lhe dá uns trocados, mas ele não pede nada a ninguém. Com chapéu preto, que sempre gostou de usar, lê os jornais, quando lhe emprestam e fica sabendo o que se passa no futebol, porque nem na concentração do Arruda ele vai. Quando quer ver um jogo no Mundão, só precisa sair do quarto. Nascido em Palmares do Uma, em 3 de setembro de 1901, Sebastião Virada é um ídolo do passado, feliz com o bicampeonato do Arruda, contente porque os tricolores lhe dão casa, roupa e comida. Tempo para encher sua velhice de recordações…

 

Reportagem e foto: Diario de Pernambuco

 

+ sobre Sebastião Virada
A estrela negra tricolor – parte 1
A estrela negra tricolor – parte 2

 

*Marcos Velloso, autor do blog Os Grandes Ídolos do Santa Cruz é estudante de jornalismo e acredita que o passado glorioso do Santa precisa ser melhor explorado.


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