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Futebol, Fé e Mais Emoção

Sáb, 28/06/08
por Elias Junior |

seriea99.jpgO ano é de 1999, o Santa Cruz comemorava 85 anos de história e o então presidente Jonas Alvarenga prometeu com a ajuda dos torcedores formar um grande time para a temporada que se iniciava. Numa bela jogada de marketing o clube criou uma nova categoria de sócios a preço super acessíveis aos torcedores. A intenção do presidente era transformar o Santa Cruz em um clube auto-sustentável, transformando-o no “Barcelona do Nordeste” como o próprio presidente chamava. A estratégia deu certo e o número de associados aumentou consideravelmente dando assim uma sacudida na nação coral.A promessa de grandes contratações foi cumprida e o Santa Cruz anunciou a contratação dos argentinos Mancuso (ex-Palmeiras e Flamengo) e Almandóz, dos atacantes Paulinho McLaren (ex-Santos e Cruzeiro) e Camanducaia (ex-Santos) e de ídolos outrora campeões pelo clube como o goleiro Marcelo (campeão em 93) e do meia Luís Carlos (campeão em 95) entre outras contratações que animaram bastante a torcida tricolor. No jogo de apresentação da nova equipe, o Santa Cruz venceu no Arruda de forma convincente a Seleção de Honduras por 5 a 1.

A TRISTE REALIDADE

Durante o campeonato estadual, o que parecia ser um sonho se transformou em um pesadelo, apesar do Santa Cruz voltar a vencer seu arqui-rival Sport após alguns anos, não fez o suficiente para evitar que a equipe Rubro Negra conquistasse o tetracampeonato. Para completar o time fez uma campanha pífia na Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Treze de Campina Grande. A última esperança da torcida seria a Série B, o acesso à primeira divisão salvaria o ano.

Iniciada a Série B, o time parecia não engrenar, conseguia bons resultados em casa, mas não pontuava fora. Na primeira fase da competição os 22 times jogariam entre si em turno único e os 8 primeiros classificariam para a segunda fase. Uma histórica derrota em casa por 5 a 1 para o América-MG fez com que o então treinador Arturzinho fosse demitido e para seu lugar foi efetivado o treinador da equipe juniores, Nereu Pinheiro, conhecido no estado por revelar bons jogadores.

A troca de treinador não parecia ter surtido efeito, o time continuava vencendo apenas jogos em casa e via a classificação cada vez mais longe, em mais uma derrota do time longe da torcida o treinador Nereu Pinheiro em um ato de coragem pediu carta branca a diretoria para dispensar alguns “medalhões” da equipe e escalar um time na sua maioria por jogadores formados no clube ou da região. A decisão do treinador foi acatada pela diretoria e muitos jogadores foram dispensados. O time enfim pareceu acordar, os jogadores mantidos pelo treinador mostraram um futebol de muita raça e superação, mas a primeira fase já estava em sua reta final e a reação do clube parecia ter acontecido tarde demais.

O MILAGRE DA CLASSIFICAÇÃO

Na última rodada da primeira fase o Santa Cruz teria a primeira de suas Missões Quase Impossíveis, vencer uma partida fora de casa e torcer para uma combinação de outros resultados para assim o clube ter uma possibilidade de classificação na 8ª e última vaga. O presidente Jonas Alvarenga era um homem de muita fé e junto com reação da equipe ele optou por levar dois pastores evangélicos junto a delegação da equipe onde o time fosse. Essa atitude foi muito bem aceita pelo grupo até mesmo por aqueles que não eram religiosos. Orações e demonstrações de agradecimento eram constantes a cada partida que a equipe disputava. O Santa Cruz venceu o Sampaio Corrêa no Maranhão por 2 a 1 e com a ajuda de outros resultados da rodada conquistou não só a primeira vitória fora de casa mas também a tão sonhada classificação para a próxima fase.

DAVI X GOLIAS

A segunda fase da competição seria disputada no sistema de Play-Offs (Mata-Mata), o Santa Cruz como oitavo colocado enfrentaria o primeiro colocado da primeira fase em 3 jogos, o temido São Caetano que das 21 partidas disputadas na competição havia perdido apenas 2 jogos. Dos três jogos desta fase, o primeiro seria realizado no Arruda, o segundo em São Caetano do Sul e caso houvesse a necessidade de um terceiro jogo o mesmo também seria no interior paulista. No Arruda, sempre com o apoio de mais 50.000 torcedores seria muito difícil bater o santinha, e mesmo o poderoso São Caetano sentiu a força da massa coral e da raça de seus jogadores. O Santa Cruz vencia o “imbatível” Azulão por 1 a 0 e levava decisão para São Paulo. No segundo jogo o São Caetano foi com tudo pra cima do Santa, uma vitória classificaria a equipe pernambucana mas no segundo tempo o jogo já estava 4 a 1 para a equipe Paulista e o Santa Cruz parecia que havia se rendido a superioridade técnica do São Caetano, mero engano, o jogo terminou 4 a 3 para o São Caetano, mas eu me arrisco a dizer que se tivesse mais tempo o Santa Cruz fatalmente viraria aquela partida. Esta reação foi muito importante para confiança e motivação dos atletas. No terceiro jogo o Santa Cruz opera mais um milagre, com um gol de falta do lateral Wellington venceu o poderoso São Caetano em São Paulo por 1 a 0 classificando assim para o Quadrangular Final.

A BATALHA FINAL

O Quadrangular Final era formado por Goiás, Bahia, Vila Nova e o surpreendente Santa Cruz, mas naquela altura a torcida do Santa já não duvidava de mais nada, sua confiança nela mesma que lotava o Arruda a cada jogo e a vontade demonstrada pelos jogadores dentro de campo mostrava que naquele momento tudo era possível. A cada jogo uma batalha, a cada batalha no Arruda uma vitória, na última rodada um empate amigável em 0 a 0 contra o Goiás em Goiânia deu ao Goiás o título de campeão e ao Santa o de vice, ambas equipes foram classificadas para a Série A do ano seguinte.

Se foi a fé do clube, a força da torcida nos jogos, a raça dos jogadores dentro de campo, a coragem do treinador de barrar medalhões no meio do campeonato ou tudo isso junto que fizeram o clube conseguir seu principal objetivo naquele ano eu não sei, mas sem dúvidas esta foi uma das maiores emoções para toda torcida tricolor em seus até então 85 anos de história.

Os Heróis: Nilson, Arley, Tinho, Janduir, Eleomar, Wellington, Ariel, Renato Carioca, Marcílio, Hélder, Marcelinho, Batata, Márcio Allan, Toninho, Valdomiro, Baiano, Marcelo Fumaça, Cláudio Millar.

imagem: Revista dos Esportes

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2 comentários


  1. QUE DEUS NOS ABENÇOE NESSA JORNADA ARDUA…
    E TODO EM CAMPINA GRANDE DOMINGO


  2. QUANDO EU ME LEMBRO DESSA EPOCA TENHO VONTADE DE CHORAR
    O SANTA VAI VOLTAR A SER O TERROR DO NORDESTE


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