
Está difícil segurar as lágrimas para escrever agora, meus amigos. Mas lá vai: o Brasil é campeão do mundo! Neste domingo, nossa seleção goleou por 5 a 2 a dona da casa Suécia, em Estocolmo, e conquistou pela primeira vez a Jules Rimet. Sem querer ser otimista demais: com esse time que temos, muitas outras conquistas virão. Podem anotar!
Pelé, de apenas 17 anos, tem muito pela frente. Ainda pequeno deste jeito marcou duas vezes nesta decisão, incluindo um golaço que ficará para sempre na história do futebol mundial. Vavá também fez dois gols, e Zagallo marcou um. Liedholm e Simonsson anotaram para os suecos.
O jogo começou nervoso e, por alguns momentos, pensei que viveria novamente a frustração do Maracanazo. Logo aos quatro minutos, a defesa do Brasil parou, Liedholm driblou dois zagueiros e bateu para marcar 1 a 0 para os donos da casa.
Mas um gesto do grande Didi deu tranqüilidade ao time de Vicente Feola. O camisa 6 pegou a bola no fundo da rede e caminhou lentamente até o meio do campo. Zagallo chegou a correr para apressar o botafoguense, que pediu calma ao companheiro. Ele sabia o que fazia.
Mal a bola rolou, ataque do Brasil. Didi lançou Garrincha, que arrancou pela direita, entrou na área e chutou na rede. Pelo lado de fora.
Aos nove, o nosso gol. Garrincha novamente pela direita, mas desta vez cruzou certinho para Vavá entrar e empatar: 1 a 1. Um minuto depois, Pelé acertou a trave. Aos 26, Zagallo nos salvou: um sueco encobriu Gilmar, mas o “formiguinha” tirou em cima da linha.
Não demorou muito, conseguimos a virada. Em lance idêntico ao do primeiro gol: Garrincha pela direita, Vavá pelo meio, gol. 2 a 1.
O segundo tempo foi de Pelé. O menino-rei mostrou que é gente grande aos 10, com o gol mais bonito da Copa do Mundo. Talvez, da história da Copa do Mundo! Didi lançou, o camisa 10 matou no peito, deu um chapéu em Gustavsson e bateu sem chances para Svensson defender. Golaço! Gol de rei!
Treze minutos depois, a vez do incansável Zagallo ser recompensado. Na área, o flamenguista dividiu com o zagueiro, ganhou e tocou na saída do goleiro: 4 a 1. Aos 35, Simonsson diminuiu para a Suécia. A taça já era nossa, mas Pelé queria mais.
Já aos 46, Zagallo cruzou da esquerda, o camisa 10 subiu e tocou de cabeça para o fundo da rede. Era a consagração do Brasil, a consagração de Pelé. O fim do “complexo de vira-latas”.
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SUÉCIA 2 x 5 BRASIL
Data: 29/06/1958
Local: estádio Rasunda, em Estocolmo
Público: 49.737 pagantes
Juiz: Maurice Guigue (França)
Gols: Liedholm, aos 3 minutos do primeiro tempo; Vavá, aos 9 e aos 32 do primeiro tempo; Pelé, aos 10 do segundo tempo; Zagallo, aos 23 minutos do segundo tempo; Simonsson, aos 35 do segundo tempo; Pelé, aos 46 do segundo tempo
SUÉCIA: Karl Svensson, Orvar Bergmark, Bengt Gustavsson e Sven Axbom; Rejno Borjsesson e Sigvard Parling; Kurt Hamrim, Gunnar Gren, Agne Simonsson, Nils Liedholm e Lennart Skoglund. Técnico: George Raynor.
BRASIL: Gilmar, De Sordi (Djalma Santos), Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Técnico: Vicente Feola.

