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OS DIFERENTES JUVENTUDES

Qui, 09/10/08
por Diogo Cassina |

topo samuel adami


Essa semana foi de grande alvoroço nas cercanias do Estádio Alfredo Jaconi. A volta do presidente Florian de um “tour” pela Europa gerou uma expectativa muito grande sobre a atração de investimentos ao nosso clube. Desde a Era Parmalat que não há um investimento sério no JUVE. E o recente episódio “Red Bull” frustrou aqueles que acreditavam que estes anos dourados do clube pudessem voltar.

 

Em seus 100 anos de história, o Juventude tornou-se um clube de expressão apenas nos últimos 15. Tudo graças a um grande investimento, que na verdade foi uma co-gestão, feito pela grande multinacional italiana, à época, a Parmalat. A proposta de investir em clubes que tivessem uma ligação com a imigração italiana fez explodir o clube para o Brasil inteiro. A grande fábrica de laticínios foi o maior investidor do esporte nos anos 90, erguendo clubes médios como o Parma, na Itália, e tendo em mãos grandes do futebol, como o Benfica, o Boca Juniors, Peñarol e o Palmeiras.

 

Sem dúvida, a nossa história pode ser dividida em Antes da Parmalat, Durante a Parmalat e Depois da Parmalat. Nosso hino fala em “um passado de glórias, que tornou ou nome de nosso clube querido”! Este passado está ligado a campeonatos pequenos, pouco expressivos. Até a década de 50, o Juventude, bem como os outros clubes do RS, tinham que disputar campeonatos locais e regionais. Estes últimos levavam à disputa de um “estadual”, em sua grande maioria vencidos pela dupla da capital. A partir da década de 60 (valei-me, Dr. Michelin), foi que o Gauchão começou a tomar uma forma mais estadual de fato. Em 1965, o PAPO foi vice-campeão pela primeira vez. Ao longo dos anos 60, 70 e 80, os times do interior pouco conseguiam fazer ante a dupla da capital, a qual possuía melhor estrutura e maiores investimentos.  É por causa dessa época que remanescem, até hoje, torcedores de 2 times.

 

Os anos 90 trouxeram a Parmalat, e sua parceria elevou o JUVE à categoria de grande clube, causando a ira e a inveja daqueles que sempre se acostumaram com a velha hegemonia do futebol gaúcho. Os títulos apareceram, e com eles, uma nova geração de torcedores foi forjada. Os que hoje estão para o JUVE, estão somente para o JUVE. Esta época de glórias (o hino deveria mudar para “um passado ‘recente‘ de glórias”) deixou esses torcedores muito mal acostumados. No bom sentido, é claro! Um time que ganha títulos, tem que ganhar sempre. Não foi à toa que nesses últimos 15 anos, o JUVE foi o time que mais chegou às finais do campeonato gaúcho (pra quem não lembra: 1996, 1998, 2001, 2007 e 2008), conquistando (apenas) um título nesse período. Isso sem falar no título brasileiro da Série B, de 1994 (pra mim, o mais importante) e a Copa do Brasil, de 1999 (o nosso próprio “Maracanazo”).

 

Passada a Era Parmalat, o JUVE parece começar a retornar para aquele status quo a que pertencia há mais de 15 anos. As gestões administrativas e de futebol tem sido fracas, contratações erradas foram – e ainda são – realizadas e juras de novos investimentos são feitas, tudo em nome de recolocar o JUVE novamente na vitrine do futebol nacional. Pelo que conquistou, o JUVE ganhou não só torcedores, mas muitos simpatizantes Brasil a fora. E todos eles perguntam-se o que houve conosco.

 

O que houve foi um sonho doce – sabor “doce de leite” – que não se consegue mais repetir. Parece-me que o JUVE adormeceu para poder sonhar novamente com os dias de glória deste passado recente. Porém, ao dormir, o clube não acorda pra vida e não consegue ver que ela continua. E que todos continuam! Infelizmente, por causa disso, estamos ficando para trás.

 

FORZA JUVE

Até a próxima semana!

 

Samuel Adami é Advogado, professor e JUVENTUDISTA dos 4 costados. Escreve no globoesporte.com todas as quintas-feiras.

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11 comentários


  1. Parabens Francisco pelo depoimento!

    Ser Juventudista é uma arte, é um don! Nao é pra qualquer um!!

    Pode nao ser esse ano, mas voltaremos ao nosso lugar! Voltaremos a consquitar titulos, NÓS PAPOS DE CORAÇÃO, NUNCA DESISTIREMOS, somos guerreiros teimosos que nunca abandona seu posto!!!

    ABRASSS A TODOS e amanhã é nós!…


  2. Ae Papada. Estava passando no blog do Cassina e vi comentários a respeito do livro do meu pai, Francisco Michielin.
    Para os caros juventudistas minha saudação. É bom saber que leram o livro e conhecem a história do nosso JU. Clube, que sempre foi diferenciado em relação aos outros clubes do nosso interior pela sua gente, sua fé, estrutura, patrimônio e até mesmo conquistas.
    Mesmo antes da Parmalat, claro que em dimensões muito menores detínhamos o maior número de “títulos” do interior gaúcho na era do profissionalismo.
    A história tem que ser valorizada, e o JU sempre foi guerreiro e lutador, e não vai ser dessa vez que vamos nos entregar.
    Eu, por exemplo nasci na década da fusão, anos depois, ainda bem, o JU veio a se separar do Caxias. Com aqueles anos difíceis não era fácil tornar-se Juventudista, mas meu pai sempre me via ver as coisas boas de um clube guerreiro.
    Foi assim que, em 1977, após sermos “campeões do interior ” daquele ano, em cima do Caxias, num Ca-JU inesquecível onde vencemos por 3 a 1 no Centenário, com a PAPADA lotando totalmente seu espaço, me tornei um verdadeiro PAPO, com 6 anos de idade e muita festa nas ruas da cidade. Além disso éramos bi-campeões da copa governador do Estado, uma delas também em cima do freguês Caxias (1975).
    E meu pai, sempre sabendo como valorizar o JU me colocou na frente da TV (recém colorida ), ainda em 77, num sábado de Jornal Nacional para ouvir o secular e lendário Léo Batista da TV Globo narrar para todo o Brasil a primeira vitória do JU fora de casa em campeonatos Brasileiros da série A, 2 a 1 sobre o Coritiba no Couto Pereira. Apareceu até a ZEBRAAAA da loteria esportiva !!!
    Dias mais tarde também pude acompanhar ao vivo a primeira vitória do JU em campeonatos brasileiros da série jogando no JACONI, 1 a 0 contra o Avaí.
    O que quero reviver com estas histórias é que para o verdadeiro JUVENTUDISTA o que vale é o amor pelo clube, mesmo em um período de vacas magras. E isso eu sei que todos vocês que aqui comentam nunca vão deixar de ter.
    Infelizmente hoje em dia o futebol , em primeiro lugar só se faz com muito, muito dinheiro. Você pode até ser um clube organizado, com pouco dinheiro, montar um time bom num ano, um mais ou menos no outro, mas sem a merda da grana é muito difícil brigar por títulos, até mesmo do Gauchão. Ainda mais sempre lutando contra os grandes e poderosos e todas as obscuridades por trás dos sujos bastidores do futebol gaúcho e brasileiro. E ainda, tendo que aturar muitas vezes uma tropa de jogadores mercenários que não querem nada com nada.
    Sim, o JU precisa se fortalecer, que cada um faça a sua parte, apoiando e criticando até, para crescer sempre. Assim como meu pai, esse grande Juventudista me fez enxergar que o JUVENTUDE está no sangue independente de qualquer coisa. Dias melhores virão, podem crer !!!
    Abraços, Francisco Michielin Filho

    Resp: pois é Michielin, está no sangue. Nada mais pode ser feito. Continuaremos sempre e cada vez mais doentes por este clube. Não existe nada igual, não existe explicação. Abraço.


  3. Discordo de ti Pedro, nao podemos abrir mão d nossa identidade por dinheiro, nunca vou querer q o Juve se torne d outra cor, símbolo nome, etc.
    Muito bom o texto.
    Ainda acredito nesse ano, em casa somos imbativeis e se jogar com voia fora podemos ganhar.


  4. Samuel. Com certeza a era Parmalat foi o grande “up” na história da PAPADA. Mas lembrando daquele JUVENTUDE de antes, ou melhor, lendo sobre aquele velho JU no livro do Dr Michelin, descobri o quanto nossos antigos PAPOS fizeram por este clube. Doação ,amor e intrega total ao JUVE. Cada um de nós precisa dar algo mais para fazer o JU voltar a seus dias de glórias. Abraço. FORZA JUVE


  5. JUVENUTUDE EU TE QUERO!


  6. Se o Juventude quiser voltar a transitar entre os grandes clubes do futebol brasileiro, entenda-se, série “A”, passa, necessariamente por uma reestruturação interna muito forte. Abrir as portas para bons parceiros. E, nesse aspecto, não podemos nos apegar a picuinhas. É evidente que, qualquer investidor terá que ter total liberdade para imprimir sua marca, cores, jeito de administrar, etc. Atualmente, tudo é meio globalizado; os clubes, de uma certa foram, também são. Por isso, que venham as boas parcerias e que mudem o que for preciso: nome do clube, cores, filosofia de trabalho, etc. Penso que, somente assim nossa cidade volte novamente a apreciar bons jogos de futebol.


  7. Análise perfeita.


  8. Adami ou Cassina ,sei lá, agora infelizmente não é hora do torcedor pensar em parcerias pois senão outra tragédia pode acontecer.


  9. Só uma observação: vamos brigar entre nós mesmos para afastar mais geste ainda dos estádios ??!! Reclamamos que temos pouco apoio e investimentos… vamos dar exemplo ! Mancha e Loucos : diferenças a parte, as duas torcidas tem seu lugar e sua importância. Grande abraço e vamos acreditar !


  10. Adami, discordo apenas de que na era Parmalat nos tornamos grandes. Na verdade, nos tornamos médios consolidados. No mais, concordo integralmente contigo.

    Direção após direção, todos aguardam cair do céu uma nova parceria, esquecendo que isso não acontece toda hora, se é que voltará a ocorrer conosco. Como resultado, temos dirigentes despreparados, cuja alegria maior é ocasionalmente vencer a dupla da capital, mas não mais ambicionando títulos.

    Futebol, hoje mais do que nunca, é movido a dinheiro. Sem ele, é quase impossível montar um time competitivo. Digo “quase” porque, vez que outra, vemos um time no qual ninguém aposta, mas organizado, chegar perto, assustar ou até mesmo conquistar alguns títulos.

    É isso que falta ao Juventude, já que não temos dinheiro: organização, dedicação, gente que conheça o mercado do futebol e saiba garimpar talentos ainda não inflacionados para montar um time ao menos honesto. Ao contrário disso, vemos diretores comendo na mão de empresários 100% do tempo, cujo resultado estamos cansados de ver.

    Quem viver verá onde esse tipo de administração nos levará como clube.


  11. Falou tudo cara, só mudaria o “doce de leite” por MU-MU que é muito mais tri!!!


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