UM TIME BIPOLAR
Há algum tempo atrás, num dos comentários às postagens do titular deste blog, eu comentei que o Juventude era um time “bipolar”. Fazia jogos fabulosos, com doação total dos jogadores, raça e vontade incontestáveis, que levavam o time a vitórias históricas. Uma dessas vitórias ocorreu sobre o Vila Nova, numa virada de deixar até o mero espectador de estádio apaixonado pelo JUVE.
Pois não é que, mesmo após aquela brava vitória, mesmo depois da torcida ter ido até a saída dos jogadores para cumprimentá-los, mesmo depois do prof. Ivo Wortmann ter ido pessoalmente agradecer, emocionado, o que aquela mesma torcida havia feito… Mesmo após tudo isso, quando todos nós acreditávamos que o time tinha se reencontrado, vieram mais alguns jogos desastrosos. Jogos em tese “fáceis”, cuja vitória era obrigação. Um time que vai da euforia á depressão de um momento para o outro. E deixa a nossa torcida numa montanha-russa de sentimentos.
E o que acontecia, até então, de um jogo para o outro, nesta última partida, contra o Paraná, aconteceu num único dia. Há tempos que não via o JUVE com a pegada e a disposição que teve no primeiro tempo deste jogo. Laurinho, incansável, corria o campo todo; Egídio apoiava o ataque e ajudava na defesa; Marcelo Costa voltando a ser aquele do começa da carreira; Abedi infernizando do meio para frente, marcando até um golaço. Um Juventude guerreiro, louco para ganhar, louco para subir.
Porém, acho que esqueceram de dar o “remedinho” pro time na volta do segundo tempo. Até tínhamos começado bem a etapa final, mas o abatimento – já habitual – foi tomando conta, a vontade foi diminuindo, diminuindo, diminuindo… (junto com a paciência do torcedor, que não tem sangue de barata!) A euforia do primeiro tempo havia se transformado na depressão do segundo. O Juventude “sentou” no resultado, achando que não ia escapar. Mas escapou! Dois pontinhos preciosos jogados ralo abaixo! Por pura displicência, por pura falta de vontade. Teve jogador que, ao final da partida, bradou no rádio algo do tipo: “não querem subir? Vão tomá…”! Pô, se um cara que ta em campo, no meio do jogo, diz isso, o que será que houve? O que se pode esperar de um time desses? O que se pode esperar de uma direção que não tem pulso e não toma partido do clube? Depois, temos que ouvir dirigentes fazendo “mea culpa” sem, no entanto, esboçar alguma reação!
Sinceramente, eu não consigo culpar o prof. Ivo Wortmann, que tem se mostrado um bom “terapeuta”. Tá, bom não, mas um terapeuta razoável! Ele teve uma parcela de culpa ao não fazer as substituições que poderiam garantir o resultado. Mas todos sabem que se alguém está em tratamento, não podemos esperar que o doutor faça 100% do trabalho. Tem que haver um pouco de força de vontade do paciente! E o time do JUVE e a direção parecem ser dois casos perdidos! Nem Freud explica!
E nessa história toda, quem se “Freud” somos nós, que pagamos ingresso, mensalidade, torcemos, gritamos e choramos e ganhamos isso em troca!
FORZA JUVE!
Até a próxima coluna!
Samuel Adami é Advogado, professor e JUVENTUDISTA dos 4 costados. Escreve no globoesporte.com todas as quintas-feiras.
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