Formulário de Busca

Pitáticos - Pode ser tarde demais

Seg, 17/11/08
por diego simao |

cxaaa.jpg

Pode ser tarde demais

A derrota contra o São Paulo era esperada. Como previsto, o Figueira precisa vencer as três partidas que faltam para terminar o campeonato. Mesmo assim, pode não ser suficiente para escapar do rebaixamento, já que dos times da ponta de baixo da tabela, Santos, Fluminense, Náutico e Atlético Paranaense venceram.

Antes do jogo contra o Grêmio, levantei a possibilidade aqui no blog de trocar de técnico para tentar dar um último gás para reagir no campeonato. Repeti o questionamento depois da derrota para o Atlético-PR. Agora, depois de perder para o São Paulo, a diretoria anuncia a saída de Mário Sérgio. Pode ser tarde demais.

É desespero, mas antes tarde do que depois das chances não existirem mais. Nessa hora, é melhor não errar por omissão. A situação é crítica, as chances são pequenas, mas ainda existem. Então não é hora de desistir.

Não sei se vão arrumar um interino para tapar buraco, se vão contratar alguém já com vistas ao ano que vem, independente do desfecho do campeonato, ou se vão arrumar alguém bom de conversa para tentar juntar os pedaços do elenco e na motivação fazer o time reagir.

Certo é que se o rebaixamento for confirmado, não se pode reclamar da sorte. Se em anos anteriores, a diretoria do Figueirense conseguia fazer as correções de rumo necessárias para manter o navio na rota certa, esse ano, cada emenda saiu pior que o soneto. Que a troca de técnico, esse último e desesperado tiro, dê certo. O Figueirense tem que fazer sua parte no que resta do campeonato. Ao menos para se despedir em grande estilo.

COMENTÁRIOS LIGEIROS

Havíamos comentado que a estratégia para cometer um crime no Morumbi dependia fundamentalmente da capacidade de não sofrer gols. Isso durou menos de nove minutos, quando Borges se antecipou à Asprilla e abriu o placar. Depois foi a vez de Gomes não alcançar a bola cruzada e deixar Borges livre para fazer o segundo.

Curiosa e estranhamente, o São Paulo parecia nervoso, louco para se complicar no jogo. A zaga com Rodrigo, Anderson e Miranda (que está numa fase horrorosa) trombava entre si, se atrapalhava e fazia bobagem nas raras vezes que o Figueira conseguia concatenar uma jogada. Pode ser relaxamento por considerar o jogo resolvido? Até pode, mas o São Paulo, principalmente treinado por Muricy, não costuma dar sopa para o azar e neste domingo, deu. Se tivesse pela frente um time um pouco mais qualificado e com os nervosos mais assentados, teria se complicado no campeonato.

Mário Sérgio de novo inovou. No jogo contra o Atlético-PR, em casa, contra um adversário direto na briga contra o rebaixamento, escalou o banco com somente um atacante. Para enfrentar o São Paulo, no Morumbi, empilhou quatro jogadores de frente entre os reservas. E ninguém para o meio-campo. Qual foi o critério, não se sabe.

Infeliz foi também a saída de Roger. Não sei se sentiu o ritmo da partida, mas mesmo sem jogar há muito tempo, mostrou mais qualidade técnica que os outros. Ele, por exemplo, fez o lançamento para Rafael Coelho no lance do gol do Figueira. Veja bem, um lançamento, não um chutão desesperado para frente. Mário Sérgio preferiu insistir com o Diogo, entrando com Anderson Luís na ala direita. Diogo vive uma fase muito ruim.

Rafael Lima foi o melhor da defesa. Gomes errou. Asprilla errou. Rafael não cometeu erros e tentou botar a bola no chão quando possível. Já Lima, no ataque, só serviu para mostrar que Tadeu é mais útil que ele.

O jogo estava 2 a 1 e Mário Sérgio resolve apelar outra vez para os três atacantes. Decide trocar William Matheus por Bruno Santos. No momento que Bruno entra em campo, ninguém vai para a posição de Matheus. Joilson encontrar uma avenida à sua frente e faz o cruzamento para Hugo fazer o terceiro e liquidar o jogo.

Carlos Eugênio Simon conduziu o jogo com tranqüilidade e cuidado. Cuidado para não amarelar o time do São Paulo, que tinha seis jogadores pendurados. Hugo deu uma entrada criminosa em Rafael Coelho e nem falta Simon marcou. Rodrigo deu uma entrada assassina em Asprilla e só foi advertido com o amarelo. Efeito da pressão exercida pelo Tricolor do Morumbi antes do jogo ou só a experiência de quem sabe muito bem a quem agradar?

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e escreve também para o blog Furacão Alvinegro (acesse aqui)

 

Pitáticos - A quem está no inferno não custa dar um abraço no capeta…

Dom, 09/11/08
por diego simao |

cxaaa.jpg

Ortodoxia improdutiva

A carreira de Mário Sérgio é marcada pela ciclotimia e, principalmente, pela ortodoxia. O técnico é mais ortodoxo que bula de remédio, como diria o Analista de Bagé. Tem uma concepção de futebol e não abre mão dela. Seria uma virtude, se os resultados fossem positivos, mas como não são, passa a ser simplesmente teimosia pouco inteligente.

Se os resultados não são os esperados, é preciso rever conceitos, o que Mário Sérgio não faz. No sábado, o time precisava vencer, mas o técnico tem uma dificuldade atávica de armar a equipe para buscar a vitória.

A escalação inicial não era das piores, com Cazumba na ala, Marquinho no meio e a volta de Alex à zaga. Mário Sérgio repetiu, no entanto, a mesma forma de jogar do time do ano passado quando precisava pressionar o adversário. O técnico adianta sete jogadores para além da intermediária defensiva do adversário, abre um zagueiro pela esquerda, outro pela direita e deixa o terceiro pelo meio.

Com a concentração de tantos jogadores num espaço tão pequeno de campo, a vida do adversário é facilitada. No ano passado, ainda havia jogadores capazes de tirar um coelho da cartola aqui e ali. Chicão tinha boa saída de bola. André Santos era capaz de abrir defesas em jogadas individuais. Vitor Simões era um bom finalizador.

Agora, o time precisava de mais força coletiva do que depender de individualidades, além de necessitar de uma grande força emocional para enfrentar a pressão. Mário Sérgio não conseguiu fazer nem uma coisa nem outra.

Assim, o Figueira não tinha como furar o bloqueio atleticano e ainda dava grande campo para os contra-ataques adversários. Até sofrer o primeiro gol, o Figueirense viveu de bolas esticadas para o ataque sem levar perigo algum. Depois, curiosamente, botou a bola no chão. E aí Cleiton, Marquinho, Cazumba, apareceram mais. O time criou chances claras mas não chegou ao empate.

No segundo tempo, Mário Sérgio teve que enfrentar uma armadilha criada por ele mesmo. A escalação do banco de reservas lhe dava pouquíssimas opções para virar o jogo. Parece que o técnico foi acometido de um otimismo irrefreável ao definir os reservas. Ao listar Gustavo, Anderson Luís, Rafael Lima, William Matheus, Leandro Carvalho, Ramon e Rafael Coelho para o banco, Mário Sérgio devia ter a crença que o time titular fatalmente conseguiria abrir vantagem sobre o Atlético-PR e depois seria apenas administrar o resultado.

Ao sair perdendo, Mário Sérgio estava de mãos atadas. Como opção real só Rafael Coelho – jogador preterido pelo técnico que teria que assumir a condição de salvador da pátria – e Ramon que não se mostrou até agora opção para coisa alguma.

Mesmo assim, tentou. Tirou Perone e botou Rafael Coelho. Jogar com três atacantes no desespero poucas vezes dá resultados, pelo menos que eu lembre. Posicionou o time num 4-3-3, mas estranhamente recuou Gomes para a zaga e posicionou Alex Bruno como lateral direito.O Atlético-PR recuou ainda mais e o Figueira rodou mais a bola e criou mais algumas chances. Mas aí veio o segundo gol e a vaca foi definitivamente para o brejo.

No balanço de perdas e danos, o Figueira perdeu o jogo na bola parada. Fruto de treino, de mais qualidade técnica e/ou de mais confiança, o Atlético-PR aproveitou duas chances em cobrança de faltas e venceu a partida.

Enquanto isso, o Figueira, com um time tão limitado tecnicamente, mas com vários jogadores altos e fortes, não consegue aproveitar os vários escanteios e faltas laterais a seu favor. Não parece haver treino, controle psicológico ou qualidade técnica para levar perigo ao adversário. Parece que o time se limita a jogar a bola no bolo e ver o que acontece.

É muito pouco para quem precisa vencer.

Por que não trocar de técnico?

Como última e desesperada tentativa de reagir, o Figueira poderia trocar de técnico para os quatro jogos que faltam. Pior que está não vai ficar. Poderia trazer um treinador para tentar a improvável reação e, independente do resultado, ajudar a organizar a temporada 2009 ou poderia definir Rogério Micale, dos juniores, como interino, dar uma sacudida geral e ver o que acontece. Como diz o ditado, “a quem está no inferno não custa dar um abraço no capeta”.

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e escreve também para o blog Furacão Alvinegro (acesse aqui)

 

Pitáticos - O pulso ainda pulsa!

Seg, 03/11/08
por diego simao |

cxaaa.jpg

 

Contra o Grêmio, o Figueira deu sinal de vida, mostrou que ainda não morreu e quem quer jogar a última pá de cal vai ter que esperar mais um pouco. Até eu, que já estava jogando a toalha, voltei a ter esperança.

 

Está certo que o time tem limitações técnicas evidentes. Está certo que o esquema de Mário Sérgio é sempre o mesmo: marcação cerrada e contra-ataque. Está certo que o técnico insiste em jogadores que não têm condições nem de jogar em time ruim. Mas é certo também que a permanência vai ter que ser na raça, na vontade, na força, no “vamu lá, porra”.

 

O Figueira merecia melhor sorte no Olímpico hoje. O árbitro atrapalhou, e muito. No primeiro tempo o time fez o gol cedo e quando isso acontece a estratégia de Mário Sérgio funciona bem. Só que nessa primeira etapa, o Furacão Alvinegro não conseguiu contra-atacar depois de fazer 1 a 0.

 

Veio a lambança do juiz e o gol de empate no final do primeiro tempo, mas na fase final da partida o Figueira jogou bem melhor. Seria coincidência que no final do intervalo, Mário Sérgio passou Marquinho para o meio, com Cazumba entrando na lateral?

 

O time permitiu que o Grêmio tivesse pouquíssimas chances de gol, mesmo com a arbitragem distribuindo carradas de cartões e marcando uma penca de faltas nas imediações da área alvinegra. Fez mais. Criou as melhores chances de gol e não saiu com a vitória por conta da falta de tranqüilidade e eficiência.

 

Diante, no entanto, das péssimas expectativas que o futebol horroroso que o time jogou depois de perder o pênalti contra o Santos até a interrupção da partida contra o Fluminense, o resultado deste domingo renovou as esperanças.

 

Foi uma lição. A prova provada que só termina quando acaba. Enquanto a última gota de ar não for expirada dos pulmões, ainda há vida, ainda há esperança.

 

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e escreve também para o blog Furacão Alvinegro (acesse aqui)

Leia também:

Pós jogo - Juntem suas toalhas!

Manifesto - EU ACREDITO NO MEU FIGUEIRA

Pitáticos - O pacote completo

Dom, 19/10/08
por diego simao |

cxaaa.jpg

Quando se contrata Mário Sérgio como técnico, se adquire o pacote completo, suas virtudes e defeitos. O técnico é muito dedicado em trabalhar para anular os pontos fortes do adversário, mas não tem a mesma clarividência para preparar o time para explorar os pontos fracos do oponente e vencer o jogo.

Em teoria, a escalação do time para o início do jogo era uma boa escolha. Era ofensiva, com Bruno Santos, Tadeu, Ramon e Lima. Privilegiava ainda a força física e a boa estatura para disputar o jogo pelo alto, já que a partida seria disputada debaixo de muita água e depois de quase 48 horas de chuvas ininterruptas sobre Florianópolis.  Aliás, o jogo acabou há mais de três horas e continua chovendo.

Só que ao armar seus times, Mário Sérgio não leva em conta um fator que ainda é decisivo em jogos de futebol: o talento individual. Por mais que o jogo esteja nivelado por baixo, por mais que a obediência tática e o preparo físico sejam fundamentais para o bom desempenho de um time, ainda é o talento individual que faz a diferença.

Tanto é que o gol do Figueira, logo aos 12 minutos, saiu de uma bela jogada individual de Marquinho, que foi ao fundo cruzar para a conclusão de Tadeu depois da ajeitada de Ramon de cabeça e da furada de Lima. Àquela altura o gramado ainda não estava tão castigado pela chuva inclemente, mas mesmo assim, as melhores jogadas durante todo o jogo continuaram saindo dos pés de Marquinho, driblando lama, poças d’água e adversários.

Só que Marquinho foi desperdiçado quase durante todo o jogo na ala esquerda, com um time que passou a partida toda jogando na base do chutão. No primeiro tempo, com mais método e organização. No segundo tempo, se retraindo demais, muito por culpa de Mário Sérgio, e se mostrando nervoso além da conta para segurar um jogo que deveria estar sob controle.

No intervalo, Mário Sérgio desperdiçou a chance de melhorar o time. Ramon e Lima jogando juntos é muito castigo para quem teve coragem de ir ao estádio debaixo de tanta água para ver um jogo que já se antevia tecnicamente ruim. Brigam com a bola, desperdiçam boas jogadas, não arrumam o lance para os companheiros, não armam, não concluem e não marcam.

Mário Sérgio viu isso e os tirou nos vestiários. Só que aí  vem o retranquismo exacerbado. Não precisava ser ousado, bastava trocá-los pelo volante Jackson, como fez, e Rodrigo Fabri. Ou então, ser um pouco mais conservador e botar Jackson e Alex Cazumba, passando Marquinho para o meio-campo.

Não, Mário Sérgio tinha que passar a chave quádrupla, a tranca, o pega-ladrão e ligar o alarme para fechar completamente a defesa. Tinha que botar mais um zagueiro (Bruno Aguiar) além do cabeça-de-área. Tudo para defender o 1 a 0. Assim, o Ipatinga veio para cima. Sem qualidade, sem organização, sem talento. Só que o Figueirense acirrou sua tendência para chutar pra todo lado e, desse modo, permitiu ao Ipatinga rondar a área quase o tempo todo.

O time ficou com uma formação improvável. Jackson de ala direito, Bruno Aguiar, Perone e Asprilla na zaga, Marquinho na esquerda; com Gomes, Magal e Diogo num meio absolutamente desprovido de talento e capacidade de criação. Quando atacava apenas três ou quatro jogadores se aventuravam nas imediações da área do Ipatinga. O resto ficava na altura do meio-campo.

Mesmo assim o time ainda criou chances de gol. Quase todas em jogadas de Marquinho. Gomes perdeu um gol na cara do goleiro. Tadeu passou da bola num cruzamento de Marquinho. Este mesmo enfileirou três ou quatro adversários para bater da entrada da área para concluir com a perna ruim, a direita. Um  muito possível pênalti não foi marcado em Bruno Santos.

E aí o castigo veio da forma mais dolorosa possível, sofrendo o gol de empate aos 48 minutos do segundo tempo. Injusto? Não. O Figueirense abdicou do direito de ditar o ritmo do jogo. Quando isso acontece, os imprevistos também ocorrem.

Assim, três pontos praticamente certos foram reduzidos a um. O resultado será tão mais ruim quão pontuarem os adversários na luta contra o rebaixamento. O Atlético-PR já perdeu do Inter neste sábado. Vasco, Náutico, Portuguesa e Fluminense têm jogos difíceis no domingo. Se perderem, pelo menos o Figueira aumenta sua vantagem em um ponto.

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e escreve também para o blog Furacão Alvinegro

 

Marquinho rende mais no meio de campo

Seg, 13/10/08
por diego simao |


cxaaa.jpg

Marquinho rende mais no meio-campo

Diante do bom desempenho do Figueira no segundo tempo contra o Vasco, o deslocamento de Marquinho do meio-campo para a ala esquerda parecia ser uma alternativa a ser repetida na partida contra o Palmeiras. Até porque o time paulista era um dos líderes da competição, tem o segundo melhor ataque da competição e é um time qualificado, enquanto o Vasco é muito mais limitado, jogou escancarado contra o Figueira e está pressionado pela má situação na tabela.

Só que, na prática, a opção teve mais desvantagens do que vantagens. Marquinho não rendeu tudo que podia porque teve que vir muito de trás para as jogadas de ataque. Além disso, Mário Sérgio preferiu soltar Diogo para jogar em cima de Leandro e prender mais o time pela esquerda. Assim, o potencial ofensivo de Marquinho não foi tão bem aproveitado. E se era para ficar mais preso à defesa, o técnico poderia ter mantido Cazumba por ali e deixado Marquinho no meio-campo, onde poderia dar mais qualidade à armação das jogadas de ataque. A outra mudança deu mais força à marcação com a entrada de Gomes na cabeça de área.

O trio de zagueiros fez, na média, uma boa partida. Asprilla parece outro jogador. Não lembra aquele estabanado defensor de outras partidas. Alex caiu como uma luva. Tem técnica, força e liderança. Travou um duelo particular com Kleber e não deixou o atacante palmeirense levar vantagem. Jogando na sobra, Perone ficou abaixo dos outros dois. Ainda está muito inseguro e se atrapalha em jogadas fáceis, principalmente quando tem a bola nos pés.

Para o jogo contra o Ipatinga, no qual a obrigação de vitória é do Figueirense, que terá que tomar a iniciativa do jogo, Mário Sérgio deve repensar a formação. O recuo de Gomes para a zaga no lugar de Perone e de Magal para a função de primeiro volante, com o retorno de Marquinho no meio e Cazumba na ala, parece ser a melhor alternativa.

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e escreve também para o blog Furacão Alvinegro (acesse aqui)

 

Pitáticos - Contra o Palmeira o buraco é mais em cima!

Ter, 07/10/08
por diego simao |


cxaaa.jpg

A principal virtude do Figueira na vitória contra o Vasco foi ter a organização tática, o propósito e o desejo de vencer o jogo. É claro que o Vasco é um time limitado, pressionado e que para este jogo foi muito mal armado por Renato Gaúcho. Só que dessa vez, o Figueirense soube se aproveitar disso tudo para vencer o jogo e aí o mérito deve ser dado a Mário Sérgio.

Fazia tempo que isso não acontecia.  Para ficar em exemplos recentes, o Figueirense enfrentou Goiás e Sport fora de casa e perdeu inapelavelmente. E nenhum destes adversários mostrou, naquelas partidas, futebol tão superior para justificar vitórias tão folgadas. Foi o Figueirense que se apresentou de tal forma desorganizado taticamente, desmotivado e apático que propiciou àqueles adversários deitarem e rolarem sem fazer muita força.

Contra o Vasco isso não aconteceu. Mário Sérgio preparou o time para suportar a pressão inicial, para se defender bem desde o campo de ataque, mas também para botar a bola no chão e explorar os amplos espaços oferecidos pelo time da Colina. O time esteve atento e bem organizado. Só relaxou, o que não deveria ter acontecido, depois de fazer o quarto gol e liquidar a partida.

O grande Tainha questionou o fato do time tomar dois gols de cabeça se a presença de Bruno Peroni servia justamente para evitar isso. Nesse caso, temos que recorrer ao velho filósofo do futebol Junior Baiano, que dizia: “eu não posso marcar oito adversários”.

É muito comum a torcida culpar a zaga quando um time sofre muitos gols, ainda mais de cabeça. Só que são apenas dois, ou no caso do Figueira, três zagueiros. Para a marcação nas bolas paradas funcionar todo mundo precisa pegar o seu. A zaga, sozinha, não dá conta do serviço.

Peroni, que se atrapalhou em algumas saídas de bola, esteve bem na marcação. Estava encarregado de marcar Alan Kardec e, tirando o começo de jogo em que o Vasco armou um abafa contra o Figueira, cumpriu à risca a determinação.

A marcação de Leandro Amaral nos lances de bola parada cabia a Diogo e no lance do primeiro gol, o jogador alvinegro cochilou, deixando o atacante vascaíno subir livre.

No segundo gol, a bisonha “assistência” de Tadeu matou a defesa inteira. O time estava bem posicionado na cobrança do escanteio e se Tadeu rebate a bola normalmente, o lance não daria em nada.

Contra o Palmeiras é óbvio que o buraco é mais em cima. O Porco é um time muito melhor que o Vasco. Só que agora, finalmente, o Figueira tem um jeito de time. Com superação e aplicação, pode aprontar uma boa para o líder do campeonato.

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e escreve também para o blog Furacão Alvinegro

 

Pitáticos - Funcionando pela metade

Qua, 01/10/08
por diego simao |


cxaaa.jpg

 

Mário Sérgio praticamente repetiu a escalação do jogo contra o Cruzeiro para o jogo contra o Atlético-MG. A diferença: a saída de Jackson para a entrada de Marquinho, com o recuo de Magal para a cabeça da área.

 

Nos dois jogos, o sistema implantado por Mário Sérgio funcionou pela metade. Contra o Cruzeiro, o ataque voltou a fazer gols. Foram três numa partida pela primeira vez da vitória de 3 a 0 sobre o Santos. Só que a defesa voltou a bater cabeça e tomou quatro gols. Contra o Atlético-MG, a defesa não sofreu gols pela primeira vez depois de 11 jogos, mas aí foi a vez do ataque não funcionar e o resultado ser o zero a zero.

 

Claro que o posicionamento foi diferente nos dois, apesar do mesmo sistema tático. Contra o Cruzeiro, em casa, e num campo de dimensões menores, o Figueira adiantou um pouco mais a marcação e jogou mais dentro do campo ofensivo. Contra o Galo, fora de casa e num campo de grandes dimensões, o time manteve quase sempre nove ou 10 jogadores atrás da linha da bola, marcou a partir de seu próprio campo e tentou utilizar o contra-ataque como arma para vencer o jogo.

 

No início da partida havia um erro no posicionamento. Diogo avançava demais para bater com César Prates, o ala adversário, e deixava espaço para as investidas de Marques pelo setor. Com isso, o atacante do Galo ficava sempre no mano-a-mano contra Alex. Mário Sérgio corrigiu rapidamente isso e Marques parou de ter tanta liberdade.

 

Você pode não gostar das opiniões de Mário Sérgio, de sua concepção de futebol, do jeito que ele arma o time ou das suas escolhas na hora de escalar o onze titular. É inegável, no entanto, que o polêmico técnico imprime sua marca à equipe e lhe dá um padrão de jogo. O time hoje continua com limitações e deficiências, mas não é mais aquele amontoado perdido em campo, debilitado emocionalmente, quase à beira da depressão, dos tempos de PC Gusmão.

 

O maior desafio, no entanto, é encontrar o equilíbrio entre uma defesa consistente e um ataque efetivo. O time precisa mesmo se proteger na defesa, mas tem que articular melhor sua saída para o campo ofensivo. Não pode errar passes fáceis o tempo todo. A partir do momento em que corrigir isso, o time voltará a vencer jogos fora de casa e a obter resultados melhores do que o empate contra o Atlético Mineiro.

 

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e que escreve também para o blog Furacão Alvinegro

Pitáticos - Por Ney Pacheco

Qua, 24/09/08
por diego simao |


cxaaa.jpg

 

A convite do grande blogueiro Tainha, inicio esta colaboração com seu blog, dando meus PITÁTICOS na parte tática do Figueirense. Ressalto, de antemão, que a única especialização que tenho no assunto são os meus 30 e poucos anos de arquibancada. Não há nenhuma pretensão de ser definitivo, de dar a palavra final sobre o comportamento tático do Furacão Alvinegro. São apenas impressões e opiniões, retratando a forma com que vi o jogo.

 

Gostaria estrear a colaboração com uma vitória do Figueira. Isso não foi possível, mas o time já mostrou outro padrão de jogo na partida contra o Cruzeiro. Mário Sérgio estruturou o time como gosta de fazer. Três zagueiros, dois volantes e um meia fazendo às vezes de segundo atacante. A primeira vista, soa como retranca, mas não foi o caso de jogo de domingo. O time jogou avançado, e em muitos momentos tinha oito ou nove jogadores no campo do Cruzeiro.

 

Nesse jogo já vimos situações que sempre geram polêmica quando se trata de times dirigidos por Mário Sérgio. A primeira é a linha de impedimento (que o Tainha já abordou aqui) e a segunda é o avanço dos zagueiros pelos lados do campo, com meias e alas fechando pelo meio para abrir espaços para essas avançadas.

 

Além disso, o técnico liberou Alex Cazumba para rodar pelo campo todo, sem guardar posição pelo lado esquerdo. É uma função difícil para um jovem estreante desempenhar. Exige muita confiança e muito treino, mas Cazumba em certos momentos se posicionava até como um terceiro atacante.

 

Os maiores problemas de Mário Sérgio talvez sejam dosar e variar. Não dá para fazer a linha burra o tempo todo. Os adversários manjam a iniciativa e passam a procurar antídoto para ela. Não foi nem o caso desse jogo, em que ela foi pouca utilizada, mas foi uma constante no ano passado.

 

A mesma falta de variação precisa ser alterada na organização tática do time. É claro que o tempo é curto e os resultados precisam vir logo. Para quem não tem nem time definido nem padrão de jogo, um único padrão já é um avanço, mas nem sempre jogar com os zagueiros avançando e os alas fechando para o meio é a escolha certa.

 

A tarefa mais árdua do novo técnico é justamente consertar a defesa. O jogo de domingo mais uma vez deixou evidente a completa falta de orientação a respeito do posicionamento mais correto. O time tomou dois gols depois de rebotes do goleiro, sem que os zagueiros chegassem antes dos atacantes adversários, sendo que no primeiro tudo começou com um erro de passe na saída de bola. Tomou um gol de escanteio e outro que começou numa bola parada.

 

Um time bem armado defensivamente minimiza os riscos de sofrer gols nessas situações. Esse é o maior desafio de Mário Sérgio no momento.

 

Ney Pacheco

Jornalista alvinegro e que escreve também para o blog Furacão Alvinegro (acesse aqui).

 


Formulário de Busca


2000-2008 globo.com Todos os direitos reservados. Política de privacidade