
Confesso que rompo a promessa que fiz para mim mesmo em evitar de usar esse espaço para avaliações que envolvam a ordem técnica e tática de nosso time.
Contudo, o momento está a requerer uma cirúrgica avaliação quanto às razões que levaram os péssimos resultados das últimas quatro rodadas, que exigem do clube, com base na meta traçada, três vitórias e um empate nas próximas rodadas encerrando assim a segunda fase com o número de pontos propostos.
Há muitos aspectos positivos que podemos levantar, antes de pontuar os equívocos cometidos e que nos leva a posição atual na tabela.
Temos um elenco para brigar de igual para igual com qualquer clube da Série “B” e com ligeiras vantagens frente à maioria das equipes. Até mesmo nas derrotas podemos constatar que com maior tranqüilidade e melhor postura tática os objetivos seriam alcançados e nesse momento haveria já gorduras que seriam importantes no decorrer da disputa.
Temos bons laterais, fato raro no futebol de hoje, como Lucas e Egídio, um grande goleiro, mesmo com a rara falha da última partida – Wilson estava ansioso em virar o jogo e antes de pegar a bola já pensava em lançá-la para o contra-ataque – temos bons zagueiros Toninho, João Filipe, Régis e Dieyson misturando experiência e juventude, há uma lista de bons volantes como Róger, Alê, Carlinhos e Paulinho, meias que podem sem dúvida resolver, principalmente com a volta do ídolo Fernandes – tenho convicção que Pedrinho e Kássio serão muito úteis ainda principalmente quando a equipe se equilibrar emocionalmente, e no ataque há opções capazes de fazer os gols necessários, principalmente o artilheiro Rafael Coelho e Schwenck.
Há também atletas que ainda devem estrear, como alguns dos recém contratados.
Bom, então onde está as falha?
Não tenho medo de diagnosticar, mas antes quero deixar bem claro que os clubes que subiram nos últimos anos tiveram a coragem de manter os técnicos ao longo das 38 partidas. Logo, minha opinião é que deve-se manter o comando nas mãos de Roberto Fernandes evitando ter de iniciar um novo projeto de período em período, a exemplo da temporada passada.
Mas o jovem treinador, que ainda busca espaço no mercado, precisa reavaliar algumas decisões tomadas nas últimas partidas, entre elas gostaria de citar:
1. Os resultados negativos não podem ser transferidos em virtude da falta de experiência da equipe, pois é com esse mesclado elenco, com a maioria de jovens, que haverá de cumprir a meta de terminar o ano entre as quatro equipes que sobem da “B” para a “A”;
2. O comportamento a beira do gramado não pode ser confundido da motivação necessária para a cobrança indevida que gera intranqüilidade. Se a equipe é jovem precisa de incentivo e segurança por parte do comandado;
3. O Figueirense necessita de um meio campo, com meias de armação capazes de prender a bola, dando fôlego aos zagueiros e alimentando com constância o ataque, o que ainda não existe hoje. Nas últimas quatro partidas o que se viu foi um grande vazio nesse principal setor do campo e constantes ligações diretas;
4. Os atletas devem ser aproveitados dentro de suas valências e nas suas posições. Um exemplo: Schwenck não pode ser meia armador tendo opções como Pedrinho e Kássio no banco. Não deu pra entender essa escolha em duas das últimas partidas;
5. A insistência com jogadores que não estão rendendo não é saudável. Clodoaldo entra e não acrescenta nada, Totó não merece está entre os titulares e Perone está sem condições psicológicas para defender o time em campo principalmente quando a opção é por dois zagueiros. Deixando esse trio de fora nesse momento as coisas serão facilitadas em campo.
Corrigindo alguns pontos, entre eles o que arrisquei a citar, sem dúvida alguma iremos voltar ao prumo e paulatinamente atingiremos a meta necessária para retorno a zona de classificação.
Vale a reflexão para qual equipe conseguiu as duas vitórias na competição, é dela que deve partir a montagem para estruturar o time para os dois próximos confrontos em casa.
E antes de culpar a diretoria, tendência comum atualmente em nossa torcida, aviso que os esforços foram feitos para que com esse elenco ora em formação o clube repita 2001.
São atletas contratados, com ampla concordância dos entendidos de planta os quais me abstenho de citar, além de uma necessária parceria que amplia o fôlego financeiro para a formação do elenco.
Há bons atletas e estrutura de trabalho para que o caminho do acesso comece a se desenhar.
Muitos não irão acreditar, pois se prendem a necessária mais simplista avaliação da tabela de classificação, estamos no caminho certo.
Pra cima Figueira.
Léo Estrella – Mais de 30 anos, alvinegro de nascença, trabalha com sports marketing e marketing de produtos e varejo, ama e vive Florianópolis, formado em administração e especialista em marketing e gestão empresarial nas horas vagas dedica seu tempo a leitura, escrita, família, gastronomia, diversão e claro ao “mais querido”. Não viemos a passeio…