Pitáticos - Por Ney Pacheco

A convite do grande blogueiro Tainha, inicio esta colaboração com seu blog, dando meus PITÁTICOS na parte tática do Figueirense. Ressalto, de antemão, que a única especialização que tenho no assunto são os meus 30 e poucos anos de arquibancada. Não há nenhuma pretensão de ser definitivo, de dar a palavra final sobre o comportamento tático do Furacão Alvinegro. São apenas impressões e opiniões, retratando a forma com que vi o jogo.
Gostaria estrear a colaboração com uma vitória do Figueira. Isso não foi possível, mas o time já mostrou outro padrão de jogo na partida contra o Cruzeiro. Mário Sérgio estruturou o time como gosta de fazer. Três zagueiros, dois volantes e um meia fazendo às vezes de segundo atacante. A primeira vista, soa como retranca, mas não foi o caso de jogo de domingo. O time jogou avançado, e em muitos momentos tinha oito ou nove jogadores no campo do Cruzeiro.
Nesse jogo já vimos situações que sempre geram polêmica quando se trata de times dirigidos por Mário Sérgio. A primeira é a linha de impedimento (que o Tainha já abordou aqui) e a segunda é o avanço dos zagueiros pelos lados do campo, com meias e alas fechando pelo meio para abrir espaços para essas avançadas.
Além disso, o técnico liberou Alex Cazumba para rodar pelo campo todo, sem guardar posição pelo lado esquerdo. É uma função difícil para um jovem estreante desempenhar. Exige muita confiança e muito treino, mas Cazumba em certos momentos se posicionava até como um terceiro atacante.
Os maiores problemas de Mário Sérgio talvez sejam dosar e variar. Não dá para fazer a linha burra o tempo todo. Os adversários manjam a iniciativa e passam a procurar antídoto para ela. Não foi nem o caso desse jogo, em que ela foi pouca utilizada, mas foi uma constante no ano passado.
A mesma falta de variação precisa ser alterada na organização tática do time. É claro que o tempo é curto e os resultados precisam vir logo. Para quem não tem nem time definido nem padrão de jogo, um único padrão já é um avanço, mas nem sempre jogar com os zagueiros avançando e os alas fechando para o meio é a escolha certa.
A tarefa mais árdua do novo técnico é justamente consertar a defesa. O jogo de domingo mais uma vez deixou evidente a completa falta de orientação a respeito do posicionamento mais correto. O time tomou dois gols depois de rebotes do goleiro, sem que os zagueiros chegassem antes dos atacantes adversários, sendo que no primeiro tudo começou com um erro de passe na saída de bola. Tomou um gol de escanteio e outro que começou numa bola parada.
Um time bem armado defensivamente minimiza os riscos de sofrer gols nessas situações. Esse é o maior desafio de Mário Sérgio no momento.
Ney Pacheco
Jornalista alvinegro e que escreve também para o blog Furacão Alvinegro (acesse aqui).
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