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O futebol tem a cara do Brasil – A impressão sobre a palestra de Juca Kfuri aqui em Floripa

Sex, 22/08/08
por diego simao |


foto-by-heaven-gate-diego-simao-rzatki.jpgO futebol tem a cara do Brasil – A impressão sobre a palestra de Juca Kfuri aqui em Floripa.

 

Falando em jornalismo esportivo poucos são os nomes unânimes em credibilidade e idoneidade, mas um deles é de Juca Kfuri. Mesmo sendo corintiano esse jornalista merece respeito. Mas porque Juca possuiu todo este prestigio?

 

O corintiano em questão se desprende do lugar comum das picuinhas táticas e intrigas futebolísticas, este jornalista, analisa a sociedade através do esporte. Polêmico e esquerdista não são predicados que sustentaria tal distinção. A grande verdade é que seus posicionamentos de esquerda ante as idéias predominantes na mídia esportiva e mesmo na política esportiva para o Brasil. Não por serem de esquerda, mas por terem um embasamento muito bom, respaldado por uma longa carreira nesta área.

 

Entretanto os críticos poderiam argumentar: analisar o país através do futebol é errado! No meu entender não. Claro que não é algo esmiuçado, que tudo que queremos entender, poderemos entender através do futebol. Ai é exagerar né meu querido! Mas como já falei algumas vezes, o futebol é uma das poucas marcas culturais de nosso país. Sendo assim é plausível dizer que uma síntese do país se espelha no futebol.

 

Putz Tainha, eu duvido! Calma que eu exemplifico! Pessoal apresado né istepô!

 

O Brasil é um exportador nato: várias commodities agrícolas, metálicas, minerais e alguns produtos de alta tecnologia, como aviões, mas é exceção. Do mesmo modo é o futebol, exportamos jogadores, e mal e mal, com algumas exceções conseguimos importar, ou mesmo projetar nossos clubes no exterior. Veja, mandamos os nossos jogadores a preço de banana. Eles chegam lá, jogam, fazem belas partidas, e nos aqui, pagamos TV a cabo para ver jogos da liga espanhola, italiana, inglesa e por ai vai.

 

E nozes? Nada. Só o Cielo para salvar o Brasil, pois no país do futebol nem mesmo as meninas ganharam o ouro. Uma vergonha, um país com uma economia do tamanho da nossa e não ter o campeonato de futebol mais badalado do mundo. Nós temos matéria prima (jogadores), nos temos meios de produção (clubes), competência técnica (tecnologia de transmissão e tudo mais) e o mais importante, mercado consumidor imenso. Mas pergunta se a gente aproveita bem isso?

 

Estádios vazios, merchandising fraco, os clubes não conseguem consolidar nem sua marcas de forma mais expressiva. Boa governança então nem se fala, falta nas confederações, nos clubes, até mesmo na justiça desportiva, com arbitragens cada vez mais mal orientadas e treinadas, e regras não muito claras. Tudo isso tira a confiança do consumidor, quer dizer, do torcedor, que deixa de comprar uma camiseta, ir ao jogo, comprar um pacote de jogos para ver em casa e por ai vai.

 

Qual é o produto disso, cada vez mais gente por ai andando com camisa do Barcelona, do Manchester, quer ver como vai ter uma onda de aparecimento de torcedores do Chelsea aqui com o Felipão lá, grande Big Phill! A gente exporta, mas quem “agrega” valor são eles, e os idiotas aqui consomem. Se bem que o Felipão merece nosso carinho, tadinho do Felipão, e ainda tem gente que acha que ele volta para seleção.

 

Enfim, o tema era o Brasil, e porque não então dar uma olhada para o futebol, o mesmo sobre o esporte em geral para ver uma caricatura do Brasil?  Esse foi o teor do debate, debate não, palestra, pois essa vida agitada do nosso jornalista/pop/workacoolic impediu o moço de ficar debatendo mais umas dez perguntas. A Assembléia, mesmo estando de parabéns pela iniciativa, deveria ter chamado-o depois dos jogos olímpicos, e Juca poderia ter ficado mais um tempinho. Nada como uma palestra a francesa: porção pequena, excelente e deixando você no pensamento “quero mais”. Porém como qualquer coisa assim, barata que não deve ter sido para a ALESC.

 

Futebol e o Brasil possuem duas caras: Kaká e Ricardo Teixeira, é um lado médico e monstro no futebol. Mesmo assim, ante esta ambigüidade, o futebol é fator de integração social. Futebol não é alienante, mas integralizador da sociedade. Ele é um espelho da organização social deste grande país.

 

Bem falou então a usar a metáfora, o futebol é como o Brasil, tem duas caras, mas não sabe qual é a dele, e vive como sempre viveu uma crise de identidade. Resumindo: uma bagunça. Assim é com a nossa economia, política, sociedade e nos esportes. Na desordem, a maioria se perde, e somente quem esta por cima do problema, longe da massa alvoroçada, que carcará pega, mata e come. Ninguém sabe, ninguém viu, todo mundo quer estar lá, avoando, como diz o mané, pé no chão é para gente bruta, lá no alto, só pavão, que voa, mas não por suas próprias forças.

 

Assim caminha a comunidade brasileira: na loucura de um baile carnaval, todos fantasiados, achando que estão se divertindo, sem saber se estão com ou sem fantasia, mas com uma impressão latente que são os bobos da corte. Uma corte que também se fantasia, e se mistura, se faz de bobo, agita a todos em seu entorno, faz a festa e diverte o pessoal. Aliena? Não, une, mas de uma maneira incorreta, pois o cidadão é alienado pela contra propaganda de articulações alto escalão que deveriam ser parceiros das massas. Diferente disso, ao ponto que partem dessa, para uma melhor, através de um desejo indecoroso, assim se unem os virgens e se reproduzem os antigos. Assim nasce e se reproduz o carcará, e que ao fim reproduz o ciclo: pega mata e come.

 

FUTEBOL NA ERA LULA? Era, virou, vai ser, veremos navios?

 

O futebol encontra-se mais organizado? Sim, hoje temos o Estatuto do Torcedor e a Moralização do Esporte. Tudo lei aprovada rapidamente e de forma unânime. Ficou comovido? Não fique, são leis óbvias, como o direito a água e luz. Até a regulamentação para com os direitos do torcedor já existiam, mas imagina se eram respeitadas? Clube empresa? Que traria mais transparência e tudo mais? Olha, pelo que eu sei só imagino alguns, e entre eles, por conhecimento de causa, o Figueirense diria eu.

 

Mas e depois? O que foi feito? Pelo menos sabemos o que queremos? Planejamento? Acho que nem mesmo se sabe muito como utilizar esta palavra aqui no Brasil. Então o Brasil não sabe o que quer da vida? Não? Nada específico! Isso mesmo, o Brasil é essa bagunça, essa esquizofrenia, vive de exceções, e por isso, poucos aparecem. Não é só no futebol, abrindo o olho me diga, quantas são as medalhas do Brasil mesmo lá na China? Até mesmo para o país do Borat estamos perdendo! Vexame internacional?

 

Claro que não né meu querido, tu acha que a comunidade internacional espera muito mais do Brasil? Já estão acostumados, somente a gente que acredita em um monte de heróis solitários, bancados pelos pais, e não pelo país, que nem namorar namoram para ganhar medalha. Nada se procria aqui no Brasil, só nasce e morre, fugazmente ao sabor do destino e da sorte. Sorte, aliás, coisa que brasileiro tem, pois nem um terremoto descente aqui rola. Mas tudo tem exceção, pois furacão e tornado aqui em Santa Catarina existe.

 

Assim podemos dizer que o Futebol é um espelho do Brasil. Centralizado em grupos que controlam os clubes (ou o poder) de forma semi-perpetua controlando clubes e federações. Muitas vezes os elementos ficam sob o controle de grupos isolados, sem muitas vezes visar à melhora da coletividade. Assim também acontece na política e igualmente na economia. Enfim, na sociedade toda! Poucos são os lugares onde os dirigentes se revezam, que se qualificam, e estão abertos ao diálogo. Para variar o sul, é exceção, com clubes bem administrados sob estes parâmetros, como Inter, Figueirense e por ai vai.

 


País de exceções, e uma delas, o nosso Juca, um cara muito legal, gente fina, e hoje compreendo mais suas opiniões, pois formado em Ciências Sócias, a visão esquerdista se entende. De Marx a Ricardo Teixeira, que grande viajem, esta que tem 38 anos, e esperamos que não pare, para o bem do Brasil, tão cedo. Ótima palestra, ótimo jornalista, um ótimo brasileiro. Radical? Talvez, dentro de um país de direita que segue torto, alguém tem de levantar a voz.

 

Parabéns ao meu companheiro de Rede Globo!

 

Abraço alvinegro, mas do Estreito!

 

Tainha

 

 

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7 comentários


  1. Prezado Tainha:

    Respeitar nossos visitantes faz parte da nosso educação!
    Agora, o Sr. Kfouri pensar que veio para uma provincia não dá para concordar!
    Passou-se o tempo em que os habitantes de Sâo Paulo e Rio somente tomavam conhecimento
    da nossa existência mediante muita pesquisa. O mundo mudou e o Brasil também!
    O Kfouri não é desinformado, mas um pedante!
    E do pedante, meu amigo, devemos ter muita reserva!

    Sds.

    Nícola Alvinegro


  2. O certo é juca KFOURI .

    depois o nordestino é que é o burro.

    N Á U T I C O


  3. Meu querido primo, tu falou , falou e falou parece que enalteceu o Juca ou que desmereceu, nem sei. Mais o que tem a ver com o figueira? Nada, para ser reconhecido dentro do futebol tem na verdade que ter time bom, exemplo o Grêmio no atual momento. E se ficar nessa de falar que é só o centro Rio-São Paulo não é o que vai fazer que sejamos reconhecidos, mais sim nossas atitudes. Vamos a um exemplo caseiro, em Santa Catarina o pessoal do interior também fica nessa com a imprensa da capital, que para eles, os times Avai e Figueirense é que são noticias. Veja seus próprios post depois dos jogos com derrotas do figueira, geralmente você diz que o figueira perdeu e não que foi o adversário quem ganhou, então isso é bem normal quando é a gente que comenta. Veja que nas programações locais dos meios de comunicações somos muito bem falados, prova de que sempre foi e sempre será assim, não podemos é ficar com esse pensamento de inferioridade, porque se nós mesmo em nossos pensamentos nos acharmos inferior e não fizermos nada para que isso mude, seremos sempre inferiores em relação à Rio e São Paulo sim.

    Saluti celesti, primo.


  4. alias.. lembrei agora da situacao da subida do figueira para a serie A em 2001..

    eu nao acompanhei o que o juca dizia na epoca, mas fiquei sabendo..

    é claro que hoje ele tem ate uma outra opiniao sobre o clube, nao sei se ja mudou a sua opiniao sobre a nossa subida. mas os comentarios dele na epoca foi tipico de uma imprensa bairrista, preconceituoso e desinformado sobre o clube, torcida e regulamento. aquilo foi uma total falta de respeito, e nunca vi ele se desculpar com a nacao alvinegra..


  5. bom comentario tainha.

    eu li rapidamente pq realmente ficou comprido.. hehe

    mas a parte que o juca fala do eixo.. é tipico da arrogancia de la falar isso. o que ele falou é meio obvio ate. é claro que vao falar mais dos times de la pela audiencia que é maior por parte das torcidas de la..

    vi o jogo do inter com palmeiras na quarta. achei uma falta de respeito total com a narracao dos gols do inter. odeio gauchos, mas achei desrespeitoso aquilo.

    nao queremos ter exatamente o mesmo espaço. mas apenas mais responsabilidade quando falar do figueirense, menos bairrismo nas trasnmissoes e pelo menos lembrar que existem outros clubes quando tiver jornal. sera que é pedir muito um pouco mais de respeito??

    acho que o juca nao entendeu a pergunta sobre o eixo, mas deixa quieto.


  6. Mesmo sendo liberado este espaço para todos os clubes da série A e alguns da série B, as notícias veículadas pelo site da Globo normalmente é dotado de parcialidade. Um exemplo, o jogo do meu Coxa contra o seu Figueira não mereceu nem uma nota de rodapé na página principal, e isto que estamos na cola pela libertadores. Agora vejamos o jogo do Flamengo X Grêmio ontem, não só saiu uma nota imensa, como a matéria dizia que o Flamengo é candidato ao título. Oras, como o Flamengo é candidato ao título e o Coxa que possui os mesmos números de pontos e saldo de gols não? Incoerências e sensacionalismo definem o que é o jornalismo esportivo no Brasil.

    Não sou jornalista, mas assim como todas as profissões, os profissionais da área devem agir dentro das normas, bem como têm o dever de serem éticos. Infelizmente o Brasil é um país subdesenvolvido desprovido de qualquer parâmetro moral a começar pelos seus governantes que se encontram no topo da pirâmide. Como exigir que ao menos a imprensa seja séria, ainda mais na parte esportiva que é um esporte da massa?

    Certas coisas são incompreensíveis, por que dar tanto prestígio ao Palmeiras que necessita de uma parceira para abastecer o clube? Qual a diferença técnica dos jogadores do Palmeiras comparados com aos do Internacional? O segundo é um clube sério que tem o maior número de sócios-torcedores do Brasil, e em segundo na América do Sul, o que o Palmeiras tem de melhor? Realmente não entendo isso. Exemplos de incoerências e falta de profissionalismo é o que não falta.

    Saudações


  7. Texto muito grande Tainha, vc poderia dividir por partes.

    Porem nao deixa de ser interessante.


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