Sem cometer loucuras, São Paulo é
modelo de gestão financeira no Brasil
Clube tem superávit nos últimos dois anos. E explica a receita do sucesso.
Por Carolina Elustondo (Globoesporte.com)
Se 2006 foi rentável, 2007 foi ainda melhor: o São Paulo registrou na última temporada superávit de R$ 5,138 milhões, contra R$ 3,214 mi do ano anterior. Um dos poucos times brasileiros a fechar o balancete financeiro positivamente, o Tricolor paulista, que foi campeão das duas últimas edições do Brasileirão, segue como um modelo de gestão de sucesso. Venda de jogadores, patrocínios e o estádio do Morumbi são elementos importantes para manter o clube em ordem e crescimento.
No levantamento divulgado pela empresa Casual Auditores Independentes, que estudou o balanço financeiro dos principais clubes do Brasil, o São Paulo está no seleto grupo que teve superávit nos últimos dois anos. Além do Tricolor, somente Atlético-PR e Grêmio Barueri conseguiram saldo positivo em 2006 e 2007. João Paulo de Jesus Lopes, diretor de futebol do São Paulo, explica qual a receita seguida pelo clube para manter a saúde financeira.
- É muito importante destacar que o clube gasta proporcionalmente o que gera. O São Paulo é uma instituição sem fins lucrativos, então os superávits são investidos no próprio clube. E não fazemos loucuras - explica o dirigente.
Venda de atletas, Morumbi, patrocínios e incentivo fiscal
Quatro frentes são determinantes para que o São Paulo tenha sucesso na administração financeira: a venda de atletas, a exploração do estádio do Morumbi, os contratos de patrocínio e os projetos baseados na Lei de incentivo fiscal. João Paulo de Jesus Lopes explica cada uma delas.
Venda de jogadores: “Tivemos um volume de receita ainda maior em 2007, e uma parte disso se dá pela venda de jogadores, mas não somente por isso (Breno foi a maior negociação do clube em 2007, vendido ao Bayern de Munique por US$ 19 milhões, o equivalente a R$ 30 mi). Não vendemos atletas por qualquer preço e proposta. Os negócios são feitos de forma consciente. Nos últimos 13 anos, o clube negociou cerca de US$ 122 milhões (R$ 194 mi) somente de jogadores formados em casa, o que dá uma média anual de US$ 9 milhões (R$ 14 mi)”.
Morumbi: “Desde 2002, o São Paulo se preocupa em aumentar outras fontes de renda. Houve o crescimento das gerações de receita do estádio do Morumbi com camarotes corporativos e a mega loja de produtos do clube” (o São Paulo lucra ainda com o aluguel do estádio para outros times, como é o caso do Corinthians, que mandou seus jogos no local enquanto o Pacaembu passava por reformas).
Patrocínios e parcerias: “Aumentamos os valores da Reebok e da LG, e a parceria com a Warner (para licenciamentos de produtos) está cada vez mais produtiva e já mostrou resultados em 2007″.
Lei de incentivo fiscal: “Também temos entrada de recursos no clube por causa de projetos de incentivo fiscal, através da Lei de incentivo ao esporte. O complexo em Cotia recebe investimento pesado também por causa desses projetos. Ano passado captamos R$ 17 milhões”.
Investimentos no patrimônio e no futebol
Atualmente, o Morumbi, candidato a receber jogos da Copa de 2014, recebe uma parte significativa dos investimentos do clube. O estádio passa por um processo de adequação constante para ser usado no Mundial. O centro de treinamentos em Cotia, que concentra as categorias de base do São Paulo, também é alvo de investimento e tem obras permanentes, sofrendo expansão nos últimos anos. E o próprio CT da Barra Funda, local de trabalho do elenco profissional, vê melhorias na estrutura.
- Substituímos os gramados de todos os campos do CT recentemente. Eles eram de 1988, ano em que o local foi inaugurado - conta o diretor de futebol.
As contratações também são possíveis por causa do superávit. No entanto, apesar de estar sempre com saldo positivo nos cofres, a diretoria não faz “loucuras” para montar o elenco. Geralmente, estuda o mercado e busca atletas que estão no exterior, mas com pouca visibilidade. E aposta em empréstimos sem custo. Foi o caso de Adriano, que ainda trouxe retorno em imagem, venda de camisas e torcida, por exemplo, e recuperou forma física e auto-estima no Tricolor.
- Contratamos o tempo todo, mas de acordo com as oportunidades, sem ser como se quisesse encher um carrinho de compras. Tudo é feito com tranqüilidade - acrescenta o dirigente.
O quadro de sócios hoje tem cerca de 7 mil pessoas. João Paulo de Jesus Lopes explica que este número se mantém estável, o que é positivo, já que o número de freqüentadores de áreas sociais de um clube sofreu uma queda geral nos últimos anos.
- Hoje há outras formas de entretenimento, as pessoas não vão mais tanto aos clubes, moram em condomínios com lazer completo. Temos notícias de clubes que tinham muitos sócios e decaíram - completa o diretor de futebol.
Nota do blogueiro:
Pois bem, torcedor do Maior do Mundo; a matéria da competentíssima Carolina Elustondo, do Globoesporte.com mostra, de uma maneira direta e bem didática, como funcionam as coisas no São Paulo Futebol Clube.
Essa matéria mostra, resumidamente, o modo de operar do tricolor nos últimos 06 anos e o fatores que contribuem diretamente pela guinada deu no inicio do milênio para o modelo de gestão atual dos dias de hoje. Modelo este que é apresentado até em cursos na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) em uma parceria inusitada entre clube e faculdade. Eu participei deste curso e, não por acaso, o presidente e diretores do Grêmio Barueri (outro clube muito bem administrado - com superavit em dois anos seguidos) também estava presente no curso dos diretores tricolores.
Nada contra as manifestações torcedoras aqui neste espaço. Afinal, este é um blog destinado justamente a manifestações de torcedores. É inclusive muito salutar falarmos do jogo, de contratações, especulações e opiniões. Temos liberdade total para fazermos isso por aqui. Porém, antes de xingar uma pessoa (seja ela presidente ou jogador), uma instituição (sejam seus diretores, sejam seus torcedores) recomendo, principalmente aos mais exaltados, DAR UMA PENSADA FORTE antes de atirar uma pedra tão pesada.
Foi muito difícil o caminho trilhado pelo clube para chegar onde chegou. Nosso clube tem falhas como todos os sistemas de gestão do mundo. As falhas nunca acabarão, pois o São Paulo é um órgão muito complexo de gestão. Porém está equilibrando receitas com despesas. É o segundo ano consecutivo e a coisa não pode parar.
O São Paulo é respeitado, admirado, invejado e temido simplesmente pelo que construiu ao longo de sua bela história e pelo que ainda vai construir no futuro.
Temos por obrigação sempre cobrar nossos comandantes, afinal somos a parte mais importante do futebol. Entre algumas cobranças, destaco a péssima atenção com o torcedor no estádio e a demora em contratar um meio-campista para, pelo menos, brigar com Hugo pela vaga de titular. Mas nem é preciso ter um pouco de noção histórica para entender que a retomada positiva que o clube teve graças a este plano estratégico diretor, que durará 10 anos até ser renovado.
Qual é o benefício para o torcedor do São Paulo? TODOS! Além de termos uma sólida e estável saúde financeira, sempre estaremos sujeitos a títulos. Todos os anos estaremos lutando pelo lugar máximo em todas as competições que participarmos. Esse é o maior dos benefícios e a nós, torcedor, só nos cabe torcer. Como dizia o fanfarrão do Terceiro Tempo da Record: Moleza!
Ah, e torço para que o Maior do Mundo nunca tenha a maior torcida de nada… senão acaba definitivamente a graça! rs
Saudações mais que tricolores!
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