“Com todo respeito, não me imagino jogando a Copa do Brasil com um time que foi cinco anos seguidos para a Libertadores. Não me vejo jogando em Macapá em vez de Maracaibo (Venezuela)”
A declaração de um dos maiores ídolos do São Paulo de toda história causou impacto na mídia. Rogério Ceni, o maior goleiro-artilheiro do mundo, dono do recorde absoluto de 82 gols e 18 anos completados de São Paulo, é alvo de críticas por parte de torcedores adversários que o acusam de ser prepotente em relação ao preterimento da cidade de Macapá em relação a cidade de Maracaibo, na comparação extraída de matéria no Globoesporte.com
Para começar, não adianta nem discutir com torcedores rivais. Rogério já causa estrago por ser representante legítimo de uma classe em extinção (a dos ídolos identificados com apenas um clube) e pelas atuações magníficas contra as outras agremiações que só o fato da imagem dele aparecer em alguma publicação já desperta o ódio de muitos, quanto mais uma declaração que exige um mínimo de reflexão. Absolutamente normal. Somente ídolos chegam neste nível de amor e ódio.
Na verdade, ao declarar que prefere jogar em Maracaibo ai invés de Macapá, Rogério não falou num contexto geográfico e sim num contexto esportivo. Nada a ver com localidade, cultura ou tamanho. O capitão usou a analogia para mostrar que a competição Libertadores da América é muito mais significativa para o São Paulo que a Copa do Brasil, que nada mais é que um atalho para a própria competição internacional.
Dentro deste contexto, Rogério poderia alterar o nome das cidades e trocar Macapá por Manaus, por Maceió, por Chapecó etc. que não alteraria o sentido da declaração. Ao contrário que alguns acéfalos pensam, isso não é menosprezo nenhum. É apenas não se imaginar disputando uma Copa do Brasil ao invés de uma Libertadores, já que ambas as competições ocorrem simultâneamente e times na Libertadores não disputam a Copa do Brasil no mesmo ano.
A Copa do Brasil é legal para quem não está ou não tem costume de ganhar a Libertadores. Movimenta os clubes e estados com menos presença de futebol ou times da série A. Mas, como disse o Rogério, para um time que está disputando a competição internacional há 5 anos seguidos, é um péssimo negócio esportivo ir parar em Rondônia ou Acre. Fora o prejuízo econômico de ficar fora do eixo internacional.
A aqueles são-paulinos que moram em Macapá, ou em qualquer cidade fora do “eixo de elite” do futebol brasileiro, peço para que entendam que de forma alguma nosso goleiro quis desmerecer a capital do Amapá ou qualquer outra cidade brasileira. Rogério nasceu em Pato Branco (PR) e criado em Sinop (MT) Sempre que pode fica no Mato Grosso, em sua fazenda, com seus amigos de infância e o pessoal do interior do Brasil. O pessoal de Sinop sabe do que estou falando.
Para os adversários que ficam procurando cabelo em ovo para destilar a “raivinha” em cima do herói da final do Mundial de 2005 e da Libertadores 2005 eu não exijo absolutamente nada. Seria um exercício de tortura fazer com que eles vejam com imparcialidade a declaração vinda de um dos ídolos máximos da história tricolor.
Ou vocês acham que o Corinthians está adorando visitar Alagoas, Natal ou Brasília?
Saudações tricolores!
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