OPINIÃO: NACIONAL (COL) 1X1 SÃO PAULO
RESULTADO SATISFATÓRIO, MAS FALTOU FUTEBOL…

Miranda sobe no quinto andar e avisa: “É nóis na Libertadores!”
Créditos: Globoesporte.com (AP)
Diante do, teoricamente, adversário mais difícil do grupo, o Maior do Mundo arrancou um empate satisfatório na estréia da Libertadores. Mas faltou bola de alguns jogadores e um pouco mais de ousadia do técnico no segundo tempo.
Mesmo ainda abaixo da sua média e sem contar com jogadas criativas do meio-campo, o São Paulo conseguiu um bom resultado diante do, teoricamente, adversário mais difícil do seu grupo na Libertadores. O Nacional tem um pouquinho de tradição de Libertadores, pois já venceu uma vez a competição (como Flamengo, Inter e Once Caldas, entre outros felizardos) e conta com 7 jogadores da seleção colombiana. O resultado deixou o tricolor embolado com o mesmo nacional no grupo 7. o Luqueño é o líder, pois venceu o Audax fora de casa.
Mesmo assim há muito o que trabalhar. Primeiro, o coletivo da equipe que ainda não se encaixou. Segundo, é preciso chegar em alguns jogadores e explicar o que representa a camisa que vestem. Em alguns casos simplesmente deixar um pouco no banco de reservas, para baixar um pouco a bola.
O jogo começou com uma “surpresa”, que obrigou Muricy a novamente não conseguir uma regularidade na escalação: Fábio Santos, previamente escalado, foi vetado na última hora com dores musculares. Com a ausência do volante, o técnico tricolor promoveu a estréia de Éder Luis (que jogou como meia-atacante, bem ao estilo Juninho Paulista) e fechou a zaga com Richarlyson, Hernanes e Zé Luis.
Diante de uma torcida empolgada (que inclusive até apedrejou os ônibus tricolores), que mais parecia um “clone malfeito” de torcida argentina, o Nacional começou como manda o figurino: Em cima do Maior do Mundo. Logo nos primeiros minutos pressionou a saída de bola e tentava jogar em cima da defesa tricolor. Joílson, Jorge Wagner e Richarlyson eram presas fáceis para os jogadores colombianos, especialmente Camilo Zúñiga, que fez seu nome em cima dos alas esquerdos do Maior do Mundo.
As falhas de marcação eram evidentes e não demorou muito para a equipe da casa abrir o placar com o “Roberto Carlos cover”, um quase-anão que completou uma jogada aérea, com a total complacência da zaga-peneira. O time batia cabeça na frente e lá atrás: Não oferecia uma jogada de perigo e ainda tomava bolas bobas nas costas dos alas, expondo os zagueiros.
Aos poucos o ímpeto colombiando foi se abrandando e o tricolor pôde, enfim, tocar mais a bola e criar jogadas pelas laterais, sobretudo pela esquerda. O futebol cresceu um pouquinho, mas o suficiente para equilibrar as ações com os “conformados” rivais. Richarlyson acertou um poderoso chute no travessão, um prenúncio para a boa notícia que viria a seguir: Num cruzamento preciso de Jorge Wagner, Miranda subiu no quinto andar e matou a fraca defesa do Nacional. Era o empate do tricolor mais invejado e temido do mundo!
Termina o primeiro tempo com uma missão para Muricy: Acertar a defesa e sair com precisão no ataque.
O partida recomeça equilibrada, sem muito perrigo de gol, com exceção de uma magnífica defesa de Rogério, impedindo o gol colombiano. Mas o time não encaixava o contra-ataque. Borges e Adriano não eram municiados corretamente. Joílson, incompetente, foi trocado por Éder enquanto que os torcedores aqui no Brasil imploravam por Carlos Alberto no lugar de Éder Luis, Adriano ou Borges. Faltou ousadia do técnico para tal.
O jogo foi se arrastando, com o São Paulo gostando do empate e o Nacional não tendo muita força para ganhar. Zé Luis e a zaga se acertaram lá atrás (Zé atuou mais fixo, como terceiro zagueiro no segundo tempo), Éder Luis, embora muito raçudo, sentia a falta de entrosamento e a dupla Borges/Adriano não conseguiam receber dolas decentes. o jogo terminou com a sensação de um empate bem-vindo, mas não para ser tão comemorado assim não: Não evoluimos tanto e não apresentamos nossa maior arma no momento: a bola parada. Apenas o cruzamento de JW para o gol de Miranda e só. Faltou mais faltas para o tricolor cobrar.
O destaque negativo foi para a “máscara” de Richarlyson que, além de ter levado um amarelo logo no início do jogo (que o impedia de marcar com competência o time da Colômbia) ainda deu mais dois cartões amarelos para a equipe (Miranda e JW) por falhas na marcação. Em poucas palavras, quase colocou tudo a perder com a atuação desastrosa. sugiro alguém dar o teipe da partida River Plate x América (MEX) para ele assistir, junto com meia dúzia de atletas, para entender que Libertadores é bem diferente do espetáculo do Cirque de Soleil.
Destaque positivo para Rogério, que fez uma linda defesa, Miranda, com a regularidade de sempre (apesar de ter falho junto com o sistema defensivo todo no gol do Nacional) e a promissora estréia de Éder Luis, uma mistura da raça e determinação de Leandro com a técnica e verticalidade do Dagoberto. Não é um meia clássico, mas até pode atuar naquele setor quando pegar entrosamento com o restante do time.
Um ponto, apesar de não ser a minha projeção de Libertadores (quanto mais somar mais vantagens se tem no final) é bem vindo, pois como disse, na teoria foi o Adversário e a situação mais difícil. Mas é muito importante tomar cuidado com os outros adversários (principalmente em casa) e, principalmente, melhorar o equilíbrio do time. Ainda falta muito, mas chegaremos lá!
Saudações tricolores!
Notas dos personagens da partida:
Rogério Ceni Boa atuação, fazendo uma defesa linda no segundo tempo. Mesmo com a pressão colombiana não teve muito trabalho. Nota: 7,0
Joílson Fraco no apoio e na cobertura. O torcedor reza para que Éder melhore ou que ele resgate o futebol que o trouxe para o tricolor. Nota: 3,5
Miranda O melhor do São Paulo, apesar da falha coletiva no gol do Nacional. Fez o seu e melhorou o sistema defensivo no segundo tempo. Nota: 8,0
André Dias Lento, não inspira confiança num “mano a mano”, tanto é que quase entregou no final do jogo. Falhou no gol colombiano, mas subiu de produção no segundo tempo. Nota: 5,5
Jorge Wagner Irreconhecível no primeiro tempo (com exceção do cruzamento para o gol), parecendo que tinha tido um surto “gambá sem Libertadores”. No segundo tempo melhorou um pouco na marcação. Faltou ofensividade. Nota: 5,5
Richarlyson A atitude mais “anti-Libertadores” do time, além de uma fraquíssima atuação. Tomou um amarelo no primeiro tempo e, além de ter jogado “travado” pelo cartão, exagerar na perda de bolas e tomar dribles humilhantes do tal Camilo Zúñiga, amarelou dois companheiros (JW e Miranda) em falhas de marcação. Uma conversa séria ou até mesmo um banco de reservas baixaria bem a bola. Do jeito que está parece que a seleção e a “cadeira cativa no time” subiram a cabeça do bom volante. Nota: 3,5
Zé Luis Perdidaço no primeiro tempo, falhando muito na marcação e cobertura. Melhorou se fixando na zaga no segundo tempo, mas não é jogador para ser titular do time. Nota: 5,5
Hernanes Abaixo da média. Não ofereceu opções ofensivas, apesar de se colocar muito bem na defesa. Nota: 5,5
Éder Luis Promissora estréia, mostrando suas características para a torcida são-paulina: rapidez, garra e verticalidade. jogou na “roubada”, no meio-campo, para municiar o ataque, sem ter, ao menos, uma semana de clube. Faltou entrosamento, mas gostei do que vi. Nota: 6,5
Borges Lutou muito, não lhe faltando garra, mas foi muito pouco municiado. Não é função dele partir com a bola nos pés, mas não tinha outro jeito de ir para o ataque se não fosse assim. Nota: 6,0
Adriano É outro que estreou em uma Libertadores sem ter sido municiado. Ao contrário de Borges, pouco voltou para buscar a bola, optando por ser a referência (muito marcada) no ataque. É, junto com Rogério, a estrela do time e tem que conviver (e se desvencilhar) da marcação cerrada. Nota: 5,0
Éder Sem entrosamento, estreou numa roubada. Mas, pelo pouquíssimo visto, tem totais condições de brigar pela vaga no pior setor do São Paulo. Sem nota
Carlos Alberto Poderia ter entrado mais cedo para partir com a bola em direção ao gol colombiano, nos contra-ataques, mas sua entrada só serviu para Muricy ganhar tempo no final do jogo. Uma arrancada que deu me mostrou que ele deveria ter entrado bem antes. Sem nota
Muricy Com mais uma escalação diferente (não sendo sua culpa), teve o mérito de arrumar o setor defensivo no segundo tempo, e o lado negativo de não ter ousado mais na etapa complementar, tirando alguém para a entrada do Carlos Alberto bem antes dos 40 minutos, demonstrando clara vontade de parar o jogo. O time ainda está devendo muito e é um dos responsáveis por isso. Hoje… Nota: 5,5
Arbitragem Apesar de algumas inversões, deixou o jogo rolar. Gostei. Essa é a arbitragem da Libertadores. O elenco precisa ver alguns tapes de algumas partidas para entender o que é falta e o que não é falta.
Torcida colombiana Mal educada, é um clone mal feito da Camisa 12 do Boca. Apedrejou o tricolor dentro e fora de campo. Aqui em São Paulo vai ter troco… na bola!
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